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Análise: Treadnauts (Switch) — tanques e explosões em um multiplayer frenético

Ande pelas paredes e destrua seus amigos nesse título indie criativo e muito divertido.


Um bom multiplayer precisa ser fácil de entender e oferecer mecânicas ágeis e divertidas. Treadnauts é um título que apresenta esses requisitos com batalhas frenéticas entre tanques acrobáticos. As partidas são rápidas e imprevisíveis, fazendo com que ele seja um ótimo party game para curtir com os amigos, sem deixar de apresentar camadas de complexidade para aqueles com espírito competitivo.

No controle de tanques ágeis

Em Treadnauts, até quatro tanques se enfrentam em batalhas repletas de ação e imprevisibilidade. Os comandos são bem simples e se resumem em um botão para atirar, outro para pular e um terceiro para deslizar. Um detalhe curioso são as características de cada um dos blindados: eles conseguem saltar várias vezes no ar, suas esteiras grudam nas superfícies (o que permite andar pelas paredes e tetos), deslizam rapidamente pelo chão e conseguem se lançar pelos cenários com a ajuda de tiros de canhão.


O conceito principal é fácil de entender e rapidamente já estamos saltando pelo ar e explodindo os oponentes. O ritmo é bem acelerado: tiros, saltos, explosões e itens fazem com que as partidas sejam curtas. Existem várias técnicas avançadas, como destruir projéteis inimigos com as esteiras dos tanques, que exigem bastante treino e destreza para serem executadas. A presença simultânea de mecânicas intuitivas e movimentos complexos faz com que o jogo seja divertido tanto para casuais quanto para aqueles mais competitivos.

O foco do título é a experiência multiplayer. Nele, estão disponíveis quatro diferentes arenas temáticas, cada qual com vários estágios diferentes. Modificadores permitem alterar significativamente as partidas com regras alternativas e diferentes tipos de projéteis. A maior parte das opções de ajuste são desbloqueadas conforme participamos de partidas, ou seja, há incentivo para continuar jogando. Não tem amigos disponíveis suficientes para completar quatro jogadores? Sem problemas: é possível incluir jogadores controlados pelo computador.


Caos e diversão com os amigos

Treadnauts é imprevisível, ágil e caótico, e é justamente isso que o faz tão divertido.

As partidas são bem frenéticas, com tanques se lançando pelo ar e realizando movimentos impossíveis. Por causa da grande quantidade de coisas acontecendo, sair vitorioso, na maioria das vezes, é uma mistura de sorte e técnica. Mesmo assim, é muito recompensador e divertido conseguir derrotar os oponentes com um tiro preciso ou um salto bem pensado. Joguei inúmeras partidas com amigos e o consenso geral é que o detalhe mais legal de Treadnauts são os movimentos malucos e impressionantes — ganhar ou perder é só um extra.


A ambientação cartunesca complementa a experiência com cenários coloridos e de visual marcante, como Wave District e seus painéis neon. Sempre tem muita coisa acontecendo na tela, mas na maior parte das vezes é fácil entender a ação — a clareza visual proporciona isso. Gosto, também, dos pilotos, pois eles apresentam design marcante e esbanjam personalidade: Wagner exulta uma aura inusitada com sua máscara estranha, Santi parece desengonçado com sua roupa volumosa, Momo parece bem durona com sua expressão séria e próteses de metal nos braços. Os tanques refletem a personalidade de seus pilotos com desenhos diferenciados.

A versão para Switch apresentou boa performance tanto no modo docked quanto portátil. A natureza multiplayer do jogo faz com que ele seja mais uma ótima opção para encontros locais com amigos, por mais que, às vezes, seja um pouco difícil acompanhar a ação no modo portátil quando não muito próximo da tela. Meu recurso preferido da versão para Switch é a possibilidade de gravar clipes de vídeo: com ele, é fácil registrar e compartilhar os melhores momentos e as jogadas impressionantes.


Cenários, modificadores e repetição

O título conta com quatro áreas temáticas, cada qual com mecânicas diferentes que mudam consideravelmente a dinâmica de jogo. A bucólica Rust Valley conta com estágios mais simples e com poucos obstáculos, o que a torna perfeita para partidas mais tranquilas e focadas em técnica. Já Dreamland tem perigos nos cenários, como bolas de demolição e minas — a presença desses objetos deixam a ação mais caótica. As fases de Salt Harbor apresentam partes com gelo escorregadias, dificultando a locomoção. Por fim, os combates em Wave District acontecem em telhados repletos de letreiros neon e muitos buracos — dominar os saltos é imprescindível para sobreviver.

Treadnauts conta também com modificadores para trazer variedade às partidas. Por meio deles, é possível alterar várias características: modo de vitória (pontos ou sobrevivência), times, projéteis dos tanques (como lasers e granadas), gravidade, tanques miniatura (ou gigantes) e muito mais. Um detalhe legal é que as regras podem ser combinadas, criando, assim, ainda mais situações — gosto, especialmente, de lasers gigantes que rebatem loucamente pelos cenários. Também é possível ativar caixas de itens durante as partidas, trazendo mais imprevisibilidade.


O andamento das partidas muda bastante de acordo com a área escolhida e com os modificadores ativados. Mesmo assim, depois de algum tempo, há uma leve sensação de repetição — senti que a seleção temática de estágios é muito pequena, mesmo que cada um deles tenha várias diferentes arenas. Os modificadores ajudam a diminuir essa sensação, porém acredito que mais áreas deixariam o jogo mais atraente. Por sorte, os desenvolvedores afirmaram que o título pode receber mais conteúdo no futuro.

Opções para jogar sozinho

O foco de Treadnauts é o modo para vários jogadores, mas, mesmo assim, o título conta com algumas opções para uma única pessoa.

Uma delas é o modo Teste de Mira, em que precisamos destruir alvos espalhados pelos cenários. Cada um desses desafios funciona como um puzzle e exige utilizar de forma inteligente os movimentos dos tanques. Ele é um modo interessante, no entanto sinto que é para um público mais entusiasta por causa da dificuldade elevada. Para conseguir as melhores classificações, é imprescindível ser muito preciso em conjunto com domínio completo das mecânicas e da física dos tanques — mesmo me esforçando muito, mal consegui medalhas de bronze nos desafios.


Outra possibilidade para jogadores solitários é batalhar contra oponentes controlados pelo computador. Existem três diferentes níveis de dificuldade e o equilíbrio entre eles é bom, trazendo desafio balanceado e progressivo. Não é a mesma coisa do que jogar com a companhia dos amigos (afinal não tem a bagunça característica), mas não deixa de ser bem divertido.

É impossível não perceber que Treadnauts é uma experiência com o foco no multiplayer. Até dá para se divertir jogando sozinho, porém o apelo pode cansar rápido. Infelizmente a versão para consoles não tem o modo online presente na versão para PC — a produtora afirmou que a modalidade via internet pode ser adicionada via atualização futura. Senti falta, também, de mais modos para um único jogador, coisas como uma pequena história ou modos de desafio diferenciados.

Um ótimo multiplayer

Treadnauts se destaca com mecânicas acessíveis e batalhas rápidas e frenéticas — é muito divertido controlar tanques ágeis em combates imprevisíveis. A sensação geral é de um party game, porém técnicas avançadas trazem um aspecto competitivo ao jogo. Há muita variedade de situações proporcionada por inúmeros modificadores que alteram significativamente as partidas, por mais que a quantidade de estágios não seja muito grande. O foco é claramente no multiplayer, no entanto é possível se divertir sozinho com o jogo. Treadnauts é mais um daqueles jogos perfeitos para curtir com os amigos e é mais uma ótima opção do gênero no Switch.

Prós

  • Jogabilidade simples e acessível, com camadas de complexidade;
  • Partidas rápidas e imprevisíveis;
  • Muitas opções para customizar as partidas;
  • Visual divertido e agradável.

Contras

  • Pequena variedade temática de estágios;
  • Poucas opções para um único jogador.
Treadnauts — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: João Paulo Benevides
Análise produzida com cópia digital cedida pela Topstitch Games
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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