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Análise: Hollow Knight (Switch), uma incrível jornada pelo mundo dos insetos

Mais do que uma simples aventura, Hollow Knight entrega o que há de melhor no gênero metroidvania.

Desenvolvido por uma pequena equipe australiana, a Team Cherry, Hollow Knight é um metroidvania bidimensional que encanta desde seus primeiros momentos, seja na trilha sonora, seja na direção artística. Felizmente, o encanto se mantém durante toda a jogatina, que permeia e aguça a curiosidade do jogador a cada nova descoberta.


O gênero metroidvania, para quem não conhece, tem como principais berços as franquias Metroid (da Nintendo) e Castlevania (da Konami), com a característica de um vasto mundo interconectado que é explorado conforme o jogador consegue novas habilidades, obrigando-o a revisitar certos locais para conseguir explorar novas partes do mapa.

 Exploração que agrada aos olhos e ouvidos

Hollow Knight enfatiza bem seu gênero e foca a exploração. A história, por outro lado, é contada aos moldes de Dark Souls, do qual o game toma bastante inspiração. Logo no início, o jogador se vê controlando um pequeno inseto sem nome, que chega a uma cidade desolada, devastada por um grande e terrível acontecimento. O reino de Hallownest já não guarda toda sua glória do passado.
Jogo completamente legendado em português e referência a certa franquia da Nintendo.
Para adentrar em alguns dos detalhes dos acontecimentos, e entender melhor seu papel neste universo, o jogador precisa explorar o mundo subterrâneo da cidade. As áreas são vastas e o mapa precisa ser aberto aos poucos, conforme a exploração acontece. Ainda, o jogo não diz precisamente qual o próximo objetivo e deixa a critério do jogador a escolha para o próximo lugar a ser explorado. Isso faz com que a sensação de estar perdido seja praticamente permanente — pelo menos enquanto o jogador não passar várias vezes pelos mesmos locais —, e isso é um dos pontos altos de Hollow Knight.

Cada novo cenário traz uma ambientação única. Novos inimigos, com diferentes modos de atacar e defender, novas e deslumbrantes músicas, com bastante uso de piano e violino, além de personagens únicos e cativantes. A arte de cada área conta parte da história do jogo, e é preciso estar atento para pegar todos os detalhes. Os cenários são compostos por camadas, havendo detalhes que se posicionam entre a tela e o personagem, e outros que ficam deste para trás.
Os cenários são compostos por artes muito belas.
Hollow Knight não segue o estilo artístico já comum em jogos indies atuais, que focam nos visuais da era 16-bits, mas também não se propõe a ser um game que preza pelo fotorrealismo. Seguindo um caminho próprio, o título se destaca pelo bom uso de cores, detalhes em suas paisagens, personagens interessantes e trilha sonora que dá o tom certo em cada momento da aventura.

Dificuldade elevada

Outro ponto de destaque em Hollow Knight é seu nível de dificuldade elevado. Além dos cenários, que são como labirintos recheados de armadilhas, os diversos inimigos do jogo apresentam, cada um, movimentos e características próprios. Assim, o jogador precisa aprender a identificar cada inimigo e se familiarizar com seus estilos de combate.

Eventualmente, o jogador se deparará com alguns chefes, e nesses momentos o jogo dá um show em qualidade. Esteja preparado para morrer diversas vezes até conseguir memorizar os movimentos do chefe e saber exatamente o que fazer para vencê-los. Tal dificuldade, entretanto, não é um ponto negativo. Aqueles que prezam por um bom desafio certamente ficarão com uma sensação de conquista ao vencer um inimigo mais forte.
Finalizar um chefe com apenas um ponto de vida? Muito comum.
Para superar os desafios, o personagem conta com um ferrão (que funciona como uma espada). Ao acertar inimigos, um recipiente é pouco a pouco preenchido por um líquido branco, chamado de alma, que serve tanto para recuperar a vida do jogador quanto para usar magias de ataque. Também é possível equipar alguns (poucos) amuletos, que fornecem algumas habilidades especiais, tais como aumentar o tamanho do ferrão, aumentar a quantidade de alma recebida ou coletar Geo (dinheiro) automaticamente. São muitas as combinações, mas há um número limitado de amuletos que podem ser usados simultaneamente, e saber escolher a melhor estratégia é fundamental.

Por falar em dinheiro, este pode ser encontrado em cofres espalhados pelos cenários ou são derrubados quando um inimigo é morto. Em alguns pontos do vasto mapa é possível encontrar NPCs que vendem valiosos itens, como amuletos, a altos preços. Ao morrer, a alma do personagem fica para trás, no local da morte, com todo o dinheiro do jogador. Para recuperá-lo, é necessário voltar lá e derrotar sua alma, recuperando o dinheiro e permitindo encher o "tanque" de alma. Assim, explorar novas áreas é uma tensão constante, pois morrer pode significar grande prejuízo.
Um dos momentos mais memoráveis do jogo.
Contudo, apesar da alta dificuldade, algo chama a atenção. É possível melhorar o personagem principal do jogo ao conseguir novas habilidades e equipando os amuletos certos para cada ocasião. Mas, mais importante do que isto é o fato de que o jogador, à medida que vai superando os desafios propostos, também melhora, gradualmente, sua forma de jogar, e os desafios já superados passam a não parecer tão difíceis. Assim, o backtracking se torna algo cada vez mais fácil e rápido.

Conteúdo de sobra

Hollow Knight não é um jogo curto. Para aqueles que prezam pela exploração e colecionismo, o jogo pode facilmente passar das 60 horas de duração. Além disso, a Team Cherry preparou três pacotes de DLC sem qualquer custo adicional. Todos os conteúdos foram adicionados ao mapa do jogo, espalhados, e já inclusos na história principal, sem que seja necessário acessar um menu separado para aproveitá-los.
A Trupe Grimm é um DLC que traz um conteúdo bem interessante.
A versão do Switch inicialmente contava com apenas dois desses DLCs, mas quem adquirir o jogo agora já vai baixar a versão completa, com ainda mais inimigos, chefes e habilidades, além de mais detalhes da história. Para completar os 112% de progresso que totalizam o game, o jogador levará muito tempo e precisará aprender a controlar seus reflexos e nervos para os momentos mais difíceis.

O jogo do momento

Lançado em 2017 para PC, Hollow Knight chegou no Nintendo Switch em junho de 2018, em uma adaptação condizente com o nível de qualidade do game. Não bastasse o alto nível artístico, a pequena equipe da Team Cherry (que contou com apenas quatro desenvolvedores) atingiu um excelente nível técnico com a adaptação.
Zote, o personagem mais legal da trama.
O jogo funciona muito bem no console híbrido da Big N. Em alguns momentos, contudo, há pequenas quedas na taxa de quadros por segundo, mas felizmente é mais comum nas transições de tela e não chegam a atrapalhar a jogatina. O jogo se sai bem inclusive em momentos de muitos inimigos na tela, seja no modo portátil ou exibindo a imagem na televisão.

O HD Rumble é bem utilizado. É possível sentir as diferenças nas vibrações dos controles conforme os acontecimentos da tela — coletar dinheiro, tomar dano, usar magias… cada atividade tem uma resposta precisa e diferente nas mãos do jogador. Ainda, considerando os níveis de desafios de combate e plataformas que o game oferece, os controles têm uma ótima resposta, com alta precisão.

Apesar do Nintendo Switch não oferecer nativamente um sistema de troféus, como é o caso do Steam, do PlayStation 4 e do Xbox One, a Team Cherry colocou uma opção de conquistas no menu principal do jogo. Elas são ativadas e aparecem na tela conforme são desbloqueadas pelo jogador.
A serenidade no olhar de quem não faz ideia do que o espera.
A versão para Switch só não é perfeita porque até o momento não há o suporte para gravação de vídeos, e infelizmente a Team Cherry ainda não deu sinais de que vá oferecer a opção. De qualquer maneira, isso não diminui em nada a obra-prima que é Hollow Knight, um jogo que executa com maestria sua proposta de ser um metroidvania com um mundo rico, detalhado, interessante e desafiador. Sem dúvidas uma compra mais do que recomendada para donos do atual console da Nintendo, além de já ser um dos melhores títulos da biblioteca do aparelho até o momento.

Prós

  • Um mundo vasto e rico;
  • Combates difíceis, porém recompensadores;
  • Controles precisos;
  • Artisticamente lindo;
  • Uma boa mistura entre Metroid, Castlevania e Dark Souls.

Contras

  • Não é possível gravar vídeos.
Hollow Knight — PC / Switch — Nota: 10.0
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Arthur Maia
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da série e não consegue parar de explorar a Hyrule de Breath of the Wild.

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