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Análise: Senran Kagura Reflexions (Switch) é um caça-níquel repetitivo

Apesar de ter bons controles de movimento, a visual novel erótica peca em tudo possível.



Para quem não conhece, Senran Kagura é uma polêmica franquia de jogos com teor erótico onde garotas ninjas com visual de anime lutam contra malfeitores enquanto suas roupas rasgam até não sobrar mais nada. Essa premissa “excêntrica” fez com que a série fosse encarada com bastante preconceito por muita gente, mas é claro que ainda existem muitos fãs fiéis que amam apertar os... Ops! Amam se divertir com suas personagens favoritas.

Estreando no Switch, Senran Kagura Reflexions é a primeira tentativa da franquia em se aventurar no mundo das visual novels do gênero romance. Este Spin-off desenvolvido pela Honey Parade Games conta a história da ninja Asuka, que no universo paralelo do jogo é uma colegial que tenta confessar a sua paixão pelo “jogador”, mas não sabe muito bem como expressar isso em palavras.

Fantasias com massagistas

Apesar de se apresentar como um visual novel erótico, Reflexions está mais para um jogo de mini-games estranhos no final das contas. No modo história, chamado de Reflexology, a trama se desenvolve enquanto o jogador ajuda Asuka a reconhecer e a confessar os sentimentos amorosos mais profundos do seu pequeno coraçãozinho. Romântico, não? Pena que o buraco aqui é bem mais embaixo.

Para ajudar a garota, o jogador precisa, nada mais, nada menos que simplesmente massagear as mãos dela. É... Quando ela se sente confortável o bastante com a massagem, o jogo te leva para dentro de diversos sonhos que estão acontecendo dentro da cabeça da menina.



Dentro dessas fantasias, Reflexions finalmente revela o seu lado mais obscuro. Nesse momento precisamos interagir com qualquer parte do corpo da Asuka, a fim de deixá-la confortável o suficiente para aplicar a “Reflexologia”. Essa “interação” ocorre de inúmeras maneiras, seja tocando, segurando, dando tapinhas ou jogando jatos d’água na garota. É... Aguente firme que tem coisa mais estranha pela frente.

Dependendo da forma que a interação ocorreu, o botão para iniciar a reflexologia irá aparecer. Quando ativado, pode-se jogar um mini-game que simula uma massagem. Há mais de 5 deles no total, mas a maioria consiste em usar algum objeto diferente para massagear a Asuka de forma que ela se sinta bem, atingindo a medida certa entre o muito forte e o fraco demais.

Um acerto em um mar de erros

Os mini-games, de fato, fazem um bom uso dos controles de movimento e das funcionalidades de vibração que os Joy-Con oferecem. Se você deixar a sua imaginação fluir, realmente parece que se está tocando na garota Ninja e, apesar de soar esquisito, isso é uma boa qualidade para um título que busca simular essa experiência. No entanto, os pouquíssimos pontos positivos do jogo param por aí.

Por mais que a pessoa esteja totalmente “naquela” vibe, todos os minigames e interações com a Asuka continuarão enjoando rapidamente após 4 ou 5 rodadas seguidas. Se não bastasse, as mesmas falas e animações são repetidas toda hora até se tornarem irritantes.



Fora da campanha, temos outros 3 modos que não adicionam praticamente nada de tão relevante. O Dress-up permite a customização do visual da Asuka, mas as opções disponíveis são extremamente limitadas e escassas. O Mini-Reflexology é basicamente o mesmo modo de interação com ela presente na campanha normal. O Diorama é o mais diferente de todos e permite que você escolha a pose da garota para tirar fotos de qualquer ângulo possível.

De fato, Senran Kagura Reflexions não é algo fácil de se engolir. O caráter inapropriado de algumas ações durante os minigames definitivamente podem ser bastante desconfortáveis, especialmente para o público ocidental que não está acostumado com as maluquices japonesas.

Conteúdo é o que mais falta

Como deu para notar, Reflexions como um todo não tem pé nem cabeça. A premissa maluca pode ser algo típico do gênero do título, mas não há nada que explique a repetição constante que ocorre em toda a jogatina. Uma campanha de Reflexology dura apenas 6 míseras interações com um sonho da Asuka até a história finalizar. Não existem outros personagens, os caminhos alternativos quase não mudam e os mini-games demoram muito para aumentar a dificuldade.

A principal motivação para começar uma nova campanha é a possibilidade de alcançar o verdadeiro desfecho da história e habilitar novas roupas, músicas e wallpapers. Olhando por cima, esses extras até podem ser aceitáveis, mas a aplicação deles no jogo é sofrível.


Não bastasse ter que repetir a mesma campanha por mais de 6 vezes para liberar o final verdadeiro, o desfecho ainda faz questão de não ter nenhuma explicação decente, além de tentar emocionar o jogador de uma forma extremamente forçada.

A customização do visual da Asuka podia ser uma boa opção para aumentar a longevidade do título, mas até nisso Reflexions conseguiu pecar. Mesmo sendo praticamente um grande fan-service, o título dispõe de pouquíssimas roupas e opções de customização. Muitos trajes e acessórios, inclusive, são bem aquém do esperado para um jogo com características eróticas.

Massagem de charlatão

Se formos olhar mais a fundo dentro da franquia de Senran Kagura, podemos perceber melhor como Reflexions é um grande desperdício de potencial. O lore da série principal é bem vasto e está cheio de personagens distintos que poderiam facilmente salvar o título da monotonia e possibilitar, ao menos, uma história bem mais interessante. Mas adivinhem só, esses personagens só irão estar disponíveis por DLCs pagas.


Não só eles, mas praticamente todo o conteúdo que deveria estar no jogo base só poderá ser acessado com a compra de conteúdo adicional. Apesar de explorar corajosamente os controles de movimento, Reflexions parece que foi feito apenas para ganhar dinheiro fácil em cima de polêmicas.

Preguiçoso, caça-níquel e repetitivo, Senran Kagura Reflexions é, de longe, um dos piores jogos lançados este ano para o Nintendo Switch. Se você realmente quer ver tanto assim garotas fofas de biquíni, eu te garanto que existem muitas maneiras melhores e mais baratas de conseguir isso.

Prós:

  • Boa utilização da vibração e dos controles de movimento dos Joy-Con.

Contras:

  • Minigames extremamente repetitivos
  • Replay nulo
  • Rotas alternativas não mudam quase nada
  • Apenas uma garota no jogo todo.As outras serão habilitadas por DLCs pagas
  • Repetitivo e cansativo
  • História minúscula e sem nenhum sentido
  • Pouquíssimas opções de customização para um jogo desse tipo
Senran Kagura Reflexions – Switch – Nota: 4.5

Revisão: André Luis C. de Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela XSEED Games
Rhuan Bastos Rodrigues é um estudante de jornalismo que sonha em poder noticiar o anúncio de Half-Life 3. Apaixonado por jogos e pela Nintendo desde criança, também ama esportes e pretende escrever um livro sobre o assunto no futuro. É capaz de colocar todos os episódios de Neon Genesis Evangelion em um abrigo anti-nuclear apenas para nunca correr o risco de esquecer eles. Pode ser encontrado endeusando a Capcom no Facebook, Steam e Twitter.

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