Jogamos

Análise: SNK Heroines: Tag Team Frenzy (Switch) não se destaca como um jogo de luta

Reunindo um elenco de personagens femininas da SNK, o jogo simplifica demais os controles e tropeça em alguns pontos importantes que o impedem de alcançar um bom patamar.



O anúncio de um novo jogo de luta da SNK costuma vir acompanhado de expectativas, e não é por acaso. A empresa tem no currículo um bom número franquias de fighting games populares nos arcades, como Art of Fighting (Multi), Fatal Fury (Multi), Samurai Shodown (Multi) e, principalmente, o crossover The King of Fighters (Multi). A mais recente edição da série foi The King of Fighters XIV, lançado em 2016 para PS4 — um ano depois, via Steam.


No Switch, a presença de The King of Fighters ainda fica a cargo dos clássicos de Neo Geo da linha Arcade Archives. A SNK resolveu tentar suprir a ausência dos seus jogos mais novos no híbrido da Nintendo com o curioso SNK Heroines: Tag Team Frenzy — um título com conceitos e gameplay bem diferentes do que você pode esperar e que terá dificuldades para deixar sua marca.

Muito, mas muito fanservice

Como o próprio nome sugere, SNK Heroines: Tag Team Frenzy traz uma proposta de reunir um elenco somente com personagens femininas para pancadarias em duplas. O total é de 14 à disposição — todas lutadoras que marcaram presença anteriormente em The King of Fighters XIV. O mais engraçado é a presença de Terry Bogard transformado em um mulherão.



O nível de sexualização adotado no jogo é bem alto e todas as personagens possuem, além das vestimentas originais, pelo menos uma fantasia com a menor quantidade de roupa possível. O jogo “tira sarro de si mesmo” em relação a isso, e até existe uma história simples (e bizarra) para justificar um jogo de luta dessa forma. Porém, não há nenhuma tentativa de esconder a existência da quantidade excessiva de fan service — e isso já é suficiente para afastar alguns jogadores.

Logo após fim do torneio de The King of Fighters XIV (PS4), as lutadoras caem inconscientes e acordam em um lugar estranho. O personagem Kukri (estreante em KOF XIV e aqui surge como vilão) criou uma “dimensão de bolso” e levou as garotas para lá. A motivação dele? Fazer com que elas lutem entre si, alimentando-se da energia gerada pelo medo das meninas.

O enredo realmente é direto ao ponto e simples — na verdade, não haveria problemas com isso. Mesmo em uma época onde temos jogos de luta com grandes histórias, como Mortal Kombat (Multi) e Injustice (Multi), SNK Heroines: Tag Team Frenzy não precisava de uma. O problema é a estranheza desse plot. Conforme eu avançava, a cada cutscene exibida a sensação de “o que está acontecendo aqui?” crescia. No fim das contas, o contexto criado ao redor da sexualização exagerada ficou bem estranho.


O modo História do jogo é um arcade disfarçado, onde a dupla escolhida pelo jogador deverá derrotar as outras em sequência até chegar no boss, que é o próprio Kukri. Um ponto interessante são as interações entre as personagens, que envolvem conversas (todas com vozes em japonês) que mudam de acordo com as duplas que você escolher durante as cutscenes.


Mesmo com um contexto um tanto esdrúxulo, SNK Heroines: Tag Team Frenzy ainda teria chances de se destacar como um bom fighting game, mas também não consegue.

Mecânicas diferentes e controles simples demais

SNK Heroines: Tag Team Frenzy traz algumas regras diferentes do que vemos por aí. No geral, a experiência do jogo é bem mais simplificada e acessível do que outros fighting games mais tradicionais. O resultado dessas mecânicas até funciona, mas talvez não da maneira que você imagine.


Temos um botão para ataques fracos (Y), um para ataques fortes (X) e outro para agarrar o adversário (B). O botão A é destinado à execução de movimentos especiais, que variam com o pressionamento de um dos botões direcionais . Esses ataques reduzem o medidor de especiais, que é a porção colorida ao lado da barra de vida e se recupera com o tempo. A defesa ou esquiva são feitas com o botão L, enquanto o botão R executa o Dream Finish, que são os ataques mais poderosos. Para trocar de personagem, basta pressionar o botão ZR a qualquer momento.

Em relação aos controles do Switch, não há qualquer problema em jogar no modo portátil ou na TV, seja com os Joy-Con acoplados no grip. Usá-los na horizontal não é um incômodo, já que os controles são bem simples e o jogo não exige muito movimento dos dedos.



O objetivo principal nas lutas não é só zerar a barra de vida do time oponente, que é compartilhada entre os dois personagens. Para vencer a luta, é necessário reduzir a vida da dupla adversária até o vermelho e, em seguida, nocauteá-la com um movimento Dream Finish. Se você somente acabar com a vida adversária, no máximo deixará seu oponente tonto por alguns instantes — o Dream Finish é indispensável para a vitória.

A primeira lutadora que o jogador escolhe será a attacker que começará as partidas. A segunda será a supporter, cuja barra de especial enche bem mais rápido do que a attacker. Os combates permitem o uso de itens, que ao serem coletados podem ser usados pela supporter com o analógico direito, garantindo pequenas vantagens ao jogador ou atrapalhando o adversário. É possível trocar as duas de posição livremente durante a luta.


Essas características fazem SNK Heroines: Tag Team Frenzy se diferenciar dos demais, e não há nada de errado quanto a isso. O problema é que a simplificação de controles tornou o jogo tão acessível quanto limitado. Como os golpes especiais são executados do mesmo jeito com qualquer personagem, a variedade de combinações a serem exploradas diminui consideravelmente.



Vejam que, como um jogo de luta, SNK Heroines: Tag Team Frenzy acaba não tendo nada a ver com The King of Fighters e isso não é uma crítica, mas a profundidade rasa dos controles não vai satisfazer quem deseja encontrar uma experiência mais sólida, próxima das outras obras mais conhecidas da SNK. Com o histórico que tem em fighting games, esse é um erro que a SNK não deveria cometer.
 
Acredito que a escolha do elenco poderia ter sido melhor. Algumas personagens pouco impactantes foram escolhidas (Sylvie Paula Paula, por exemplo), enquanto algumas personagens mais populares da SNK estiveram ausentes — por onde andam King, Blue Mary, Vice e Mature?


O mais kawaii que puder

Visualmente, o SNK Heroines: Tag Team Frenzy está ok, usando o mesmo estilo de modelos tridimensionais adotado em KOF XIV. Os cenários não variam muito, tem poucos detalhes ao fundo e não há qualquer interação com as lutadoras. Mas o que acontece na frente é bem cheio de floreios: quando os golpes acertam, vários efeitos cheios de fofura explodem na tela, como rostos de animais, flores e comidinhas.



Existem bastantes opções na área de customização das personagens. Dá para comprar novos trajes para sua lutadora favorita e equipá-la com inúmeros acessórios para incrementar o visual, como óculos, laços, máscaras, tatuagens, asas e muitos outros adereços. Tudo isso pode ser comprado com uma moeda virtual do game, adquirida vencendo partidas em qualquer modo de jogo.

A qualidade das ilustrações do jogo está primorosa, como as que vemos antes das lutas começarem. No fim do modo História, o jogo exibe uma historinha de cada personagem da dupla e, após serem vistas no final ou compradas com moedas de jogo, ficam disponíveis na Galeria. Terminar o jogo com algumas duplas específicas desbloqueia algumas artworks especiais.


As músicas e efeitos sonoros cumprem o seu papel, principalmente a música que toca nos créditos e durante os finais dos personagens.

Para quem SNK Heroines: Tag Team Frenzy foi feito?

SNK Heroines: Tag Team Frenzy é um jogo estranho e que talvez tenha mais sentido no Japão, onde existe uma cultura diferente da nossa. A possibilidade de ver as lutadoras da SNK em trajes reveladores, que é uma das maiores propagandas do jogo, não é uma razão forte o suficiente para jogá-lo. Se os controles não fossem simples demais e a profundidade dos combates não fosse rasa, o jogo poderia ter algum potencial como um bom fighting game mas, infelizmente, isso não aconteceu.


Portanto, se você joga jogos de luta casualmente ou te agrada a ideia de uma pancadaria entre lutadoras de biquíni de vaquinha, talvez encontre algum sentido em SNK Heroines: Tag Team Frenzy. O modo História, as opções de customização das personagens e o modo Online, que funciona bem, podem te garantir alguma diversão. Mas, se seu objetivo for jogar um bom jogo de luta e com o mínimo de profundidade, talvez valha a pena esperar uma próxima tentativa.

Prós

  • Mecânicas diferentes;
  • Bastantes opções de customização das personagens; 
  • Artworks bem feitas.

Contras

  • Controles simplificados demais;
  • História desnecessária;
  • Cenários com poucos detalhes;
  • Personagens populares da SNK ausentes;
     
SNK Heroines: Tag Team Frenzy — Switch/ PS4 — Nota 5.5
Versão utilizada para análise: Nintendo Switch


Análise elaborada com cópia cedida pela NIS America
Revisão: André Carvalho
Marcelo Vieira é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook