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Análise: The Garden Betweens (Switch): navegue por puzzles em uma delicada viagem pela infância

Uma perfeita harmonia entre visuais encantadores e mecânica refinada contam uma história pessoal de maneira leve.


Casa na árvore e barulho de chuva são o catalisador dessa íntima viagem pelas memórias felizes da infância de Arina e Frendt. The Gardens Between (Switch) é um jogo introspectivo que trabalha a intimidade entre velhos amigos através da simplicidade. Com poucos comandos que navegam o fluxo do tempo, a variedade e qualidade dos puzzles surpreende, mas a experiência curta deixa um gostinho agridoce de quero mais.


Sobre a parede do jardim

Todo bom puzzle revolve em poucas mecânicas combinadas de maneiras criativas e essa ideia é levada ao extremo em The Gardens Between. Neste jogo, você não controla os dois protagonistas, mas sim o passar do tempo. Os únicos comandos são interagir com alguns objetos e acelerar ou reverter o tempo. Pode parecer que com três comandos o jogo não tenha muita profundidade, mas é exatamente o contrário.

Limitando a quantidade de escolhas do jogador, os desenvolvedores conseguem deixar a execução de lado e focar muito mais na resolução. O objetivo das fases é levar uma orbe luminosa de alguma fonte até o destino final. Claro que ao longo dos cenários há diversos obstáculos que irão atrapalhá-lo e a graça é exatamente pensar em um jeito de reorganizar o tempo para que eles não sejam mais um problema.

Os dois gumes da criatividade

Para abrigar uma quantidade considerável de puzzles usando recursos limitados, o jeito foi ousar bastante na construção das fases. O resultado são cenários lindíssimos que parecem verdadeiros dioramas. Ricos em cores e detalhes, somos agraciados com situações criativas a cada novo puzzle. Em um momento estamos desvendando códigos escondidos no mapa necessários para liberar uma impressora, já em outro manipular a queda do esqueleto de um dinossauro é a chave para o sucesso.

O único grande problema dessa abordagem é que em muitos os casos a resposta esperada é tão específica que o jogador acaba ficando preso em um puzzle. Em uma das fases, por exemplo, para destruir uma redoma de vidro é necessário parar o tempo em um segundo específico para que a frequência da rádio destrua a redoma. Apesar de ser um problema pontual, é recorrente o suficiente para atrapalhar o aproveitamento. Uma solução simples seria a opção de selecionar as fases para os jogadores empacados, mas isso impactaria drasticamente a história do jogo e acaba não se mostrando viável.

Harmonia sobre a telinha

Os detalhes do mapa continuam bastante distinguíveis mesmo na tela pequena do modo portátil graças a direção de arte sagaz. O jogo traz um estilo cartunesco, com modelos no mais puro cel-shading. A escolha não foi feita apenas graças a crescente popularidade desse visual, mas principalmente para tornar os cenários mais limpos e ressaltar a intimidade da história.

A proposta do jogo é refletir sobre as memórias de uma amizade de infância e isso é trabalhado graças a harmonia de todos os elementos do jogo. Os gráficos remetem bastante as animações, uma das expressões artísticas mais consumidas na infância. Já a música é sempre serena, vaga e sem conturbações, como uma memória distante que não lembramos muito bem. A jogabilidade é limitada, travada e ao mesmo tempo fluida, como o passado que apesar de imutável sempre se distorce em nossas lembranças.


Inclusive, o uso contínuo de diferentes linhas temporais nas fases evoca o sentimento de que nem sempre lembramos das coisas como elas de fato aconteceram. Podemos a mesma coisa de modos diferentes sobre óticas diferentes e isso é representado muito bem mecanicamente pelo jogo. Essa coesão permite que The Gardens Between conte toda sua história de maneira clara exclusivamente utilizando recursos visuais. É algo que poucos games conseguem executar com maestria, mas que aqui vem naturalmente.

Apesar de tudo, o jogo é muito curto até para os padrões da indústria independente. A decisão foi muito acertada para não exaurir o potencial das poucas mecânicas, mas pode desagradar alguns. O ritmo devagar, tanto do jogo em si, quanto dos personagens, também é algo a ser revisado. No demais, recomendo The Gardens Between a quem estiver procurando por uma experiência única entre jogos de puzzle. O jogo me surpreendeu ao contar uma história profundamente sincera sobre infância usando elementos inerentes aos vídeo games e certamente vai surpreender você.

Prós

  • Puzzles criativos que exploram o conceito principal a exaustão;
  • Visual cel-shaded facilita a visualização de detalhes;
  • Mecânicas complementam a trama;
  • Narrativa tangencial e imersiva;
  • Coesão entre arte, mecânica e história realça o tema do jogo.

Contras

  • Duração curta impacta o custo-benefício;
  • Puzzles com soluções muito específica desestimulam o progresso.
The Gardens Between — PC/PS4/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela The Voxel Agents

Gabriel Mattos estuda Ciência da Computação e procura sempre estar em equilíbrio com a Força. Pode ser encontrado por aí especulando sobre os próximos lançamentos da Nintendo e da Playstation na GameBlast e no Twitter.

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