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Análise: The Spectrum Retreat (Switch), indecisão transformada em tédio

O jogo da Ripstone traz propostas que alternam entre sessões de tédio.

The Spectrum Retreat é um jogo desenvolvido por um jovem desenvolvedor chamado Dan Smith que, em 2016, chegou a receber um prêmio (Game Making Award para jovens entre 15 e 18 anos, concedido pela Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão) pela obra. Apesar de ser um feito e tanto para um iniciante, o jogo, que traz duas mecânicas bem diferentes entre si, mostra que a indecisão por apenas um estilo de jogabilidade o transformou em um título bem problemático.


Se alguém manda, você obedece

O game tenta fisgar a atenção do jogador através de uma trama envolta em mistério. Ao acordar em um quarto de hotel, o personagem é recepcionado por robôs humanoides que o mantêm em uma rotina de acordar, descer para o restaurante e voltar ao quarto. Há alguns detalhes que vão mudando com o avançar da jogatina, além de situações sem explicação que tentam deixar o jogador na curiosidade.
Bom dia, humano.
Entre um acontecimento e outro, uma voz feminina entra em contato com o protagonista através do que parece ser seu aparelho celular. Sua função é guiar o jogador, informando a ele o próximo local a ir entre tantos corredores vazios que o hotel guarda.

Eis que temos os primeiros problemas de The Spectrum Retreat. Muito dessa primeira parte do jogo se resume em andar por longos corredores em que nada acontece, ou não há o que ver. As andanças são incentivadas pela voz, que não dá qualquer explicação do porquê obedecê-la, mas mesmo assim o protagonista, sem dizer uma palavra, segue-a sem questionamentos.

Basicamente, uma voz manda e você obedece, sem motivação. E as tarefas são simplesmente passar de um ponto a outro, para então ir a um terceiro local. Felizmente, o jogo muda radicalmente quando são introduzidas as mecânicas de quebra-cabeças.

Brincando com cores

Depois de tanto andar para um lado e para outro, a voz misteriosa levará o jogador ao ponto principal de The Spectrum Retreat: as fases de quebra-cabeças, que tem uma estrutura parecida com a de Portal (Multi), da Valve. São várias salas nas quais o objetivo é solucionar um quebra-cabeça para, então, alcançar a próxima sala, que traz um novo puzzle no mesmo estilo, porém um pouco mais difícil.

Em The Spectrum Retreat, os desafios são propostos em cores. Ao interagir com um bloco colorido, o jogador “captura” sua cor, substituindo-a pela cor que possuir no momento (por padrão, em cada nível o protagonista inicia com a cor branca). A cada interação com um bloco, passagens com as cores correspondentes (seja a que fica com o jogador, seja a que passa para o bloco) se abrem ou se fecham, permitindo ou impedindo a progressão por elas.
Antes da interação: bloco vermelho, celular branco e parede de trás impede a passagem do jogador.
Os níveis são bem estruturados, e a dificuldade avança conforme a progressão no jogo, assim como em Portal. O problema é que, ao contrário da obra-prima da Valve, em The Spectrum Retreat, tudo que o jogador tem que fazer é: analisar o ambiente, escolher com cuidado a ordem de interação com cada bloco e passar para o próximo nível. Não há inimigos, não há momentos com plataformas ou que requeiram movimentos rápidos. Depois de passar por alguns dos quebra-cabeças, só o que sobra é o tédio pela repetição.
Depois da interação: bloco e celular trocam de cor, enquanto a parede agora permite a passagem.
Por falar em repetição, após uma sessão dos quebra-cabeças coloridos, o protagonista retorna ao hotel, com a mesma voz guiando-o por longos corredores. Tudo para, depois de um tempo, voltar a mais estágios com as cores, só que mais difíceis.

O resultado dessa troca constante nas mecânicas faz com que o ritmo do jogo seja quebrado constantemente, de forma que o jogador não se sente conectado em nenhum momento com qualquer um dos estilos. O pior de tudo é que nenhum deles, isoladamente, oferece atrativos suficientes para que o jogo seja desfrutado por muito tempo.

Enquanto em uma parte tudo que se tem para fazer é andar de um lado para outro, acompanhando uma história sem sal, em outro estamos em um ambiente que não se conecta de nenhuma forma com a outra parte, mas que também não traz variações em suas mecânicas o suficiente para prender aquele que, desavisadamente, tentar apreciar The Spectrum Retreat.
Quebra-cabeças solucionados, é hora de andar por longos e monótonos corredores.
O jovem Dan Smith parece ter se esforçado bastante para desenvolver este título, porém ainda precisa continuar desenvolvendo suas habilidades para competir com tantos nomes de peso que já constam nas bibliotecas do Switch e dos demais consoles.

Prós

  • Os quebra-cabeças são inovadores e instigam nos primeiros momentos.

Contras

  • Dois tipos de jogabilidade diferentes e que não se conectam;
  • História lenta e sem sentido em alguns pontos;
  • Cansativo por apenas andar por corredores extensos.

The Spectrum Retreat — PS4 / XBO / PC / Switch — Nota: 4.0
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Vinícius Rutes Henning
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ripstone
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da série e não consegue parar de explorar a Hyrule de Breath of the Wild.

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