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Análise: MagiCat (Switch) tem seu charme, mas não se destaca entre os demais

MagiCat é um bom indie, mas passa longe de se tornar um gatinho memorável.


Já estamos acostumados com uma quantidade massiva de jogos indies no Nintendo Switch. Para tanto, MagiCat é mais um deles, com uma qualidade ligeiramente superior e com seus altos e baixos, se perdendo um pouco no objetivo de criar uma identidade de destaque que possa ascender o game frente uma maré de títulos muito semelhantes.

Nem Frajola, muito menos Garfield


Logo de início, a introdução do jogo mostra ao jogador uma clara despreocupação narrativa e uma tentativa forçada em mostrar o gatinho mágico como um personagem fofo e adorável — mas que passou longe de surtir grande efeito. O tal ‘MagiCat’ apenas responde diálogos com miados e há uma escancarada falta de criatividade ao elaborar uma história para o game, deixando claro que os desenvolvedores apenas querem inserir os jogadores no vasto mundo criado.

O jogo é bem simples e visivelmente inspirado em Super Mario World (SNES), uma vez que até os planos de fundo são quase idênticos ao renomado game em algumas fases. Infere-se no nome do protagonista que ele não é apenas um simples gato, afinal ele usa mágica. Há inúmeras poções e moedas espalhadas por todas as fases, responsáveis por progressões futuras a respeito da magia.

O mapa de seleção dos níveis no game é bem vasto, o que agrada os olhos. São mais de 60 fases no total, todas contendo um chefe, e tentam se diferenciar o máximo possível das outras — porém é possível incomodar-se com uma certa repetição dos padrões. Tanto que me deparei diversas vezes com monstrinhos praticamente iguais, que se distinguem apenas pela cor, e muito parecidos com as criaturas encontradas em Stardew Valley (Switch). Essas fases possuem checkpoints que podem ser trocados por poções e facilitam um pouco o jogo, fato que é muito bem vindo, visto que não é tão fácil assim.
Falando nisso, é interessante comentar sobre a dificuldade de MagiCat. Por mais que pareça um jogo super infantil e sem desafios, o que o jogador pode encontrar é totalmente o contrário. A complexidade dos puzzles é progressiva e bem feita, além de inserir mecânicas divertidas que podem induzir uma série de mortes, principalmente pela barra de vida relativamente curta caso o jogador não tome cuidado.

Mesmo com tantos níveis, MagiCat poderia desfrutar de mais modos de jogo, até porque eu senti que a campanha dá a sensação de não ser o suficiente. Talvez compartilhando os Joy-Con, mini-games ou então um maior desenvolvimento da história, quem sabe com mais personagens além de chefes genéricos em todos as fases, levaria a experiência a um novo patamar de qualidade.

Talvez um Manda-Chuva, ou quem sabe um Manda-Magia


O gatinho consegue arremessar espécies de “patinhas” de gato a uma longa distância contra os monstros, além de possuir uma habilidade especial, uma espécie de rush, que exige o uso das poções. Além disso, há lojas espalhadas pelo mapa que permitem a compra de novas magias pelo jogador, incluindo poderes de regeneração que ajudam bastante em fases mais complicadas.

Com mais de seis mundos para explorar, MagiCat consegue, felizmente, adicionar contextos variados e que tentam omitir a sensação de repetição. Nesse viés, é interessante o incentivo do jogo em desafiar o jogador com espécies de tasks em todas as fases, incluindo um no boss damage (derrotar o chefe sem receber dano) que pode agregar algumas horas a mais na busca pelas estrelas especiais — só que é basicamente isso.


No fim das contas, é apenas um tímido gato (sem botas)

Em síntese, eu resumiria MagiCat em um adjetivo: tímido. O game cumpre sua promessa e tem um nível superior a muitos indies espalhados pela loja virtual, porém a caracterização acanhada de um personagem que tenta se destacar apenas pela fofura transforma as aventuras do pequeno mágico felino em um jogo de plataforma esquecível — justamente por não escapar muito do convencional.

Dessa forma, esse embate entre qualidade e inovação está presente nesse jogo. Mesmo com desafios apreciáveis e muitas fases disponíveis, a carência de novidades ainda ecoa sobre o título que espera, enfim, uma mágica milagrosa para que MagiCat não seja abandonado no limbo de bons jogos pouco explorados em uma vasta eShop.

Prós

  • Grande quantidade de níveis;
  • Possibilidade de desenvolver novas magias;
  • Dificuldade interessante;
  • Desafios extras possibilitam rejogabilidade;

Contras

  • Protagonista quase indistinto e não memorável;
  • Sensação de repetição com o tempo;
  • Carece de inovações no gênero.

MagiCat - PC / Switch - Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Toge Productions
Paulo Vinícius é estudante e apaixonado por games desde seu primeiro contato com Duck Hunt e Ice Climbers do nintendinho em 2002. Fanático por Pokémon e admirador de diversas franquias, reúne seu tempo livre para escrever e tentar colocar suas séries em dia. Está no Facebook e Instagram.

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