Análise: Manual Samuel (Switch) mostra que a vida e a morte pode ser cômica e curta

Com um senso de humor elevado, sobreviva na pele de Sam por 24 horas manualmente, depois de ter morrido, para voltar a viver normalmente de novo.


A vida após a morte talvez seja um dos maiores mistérios existentes, nas diversas religiões que povoam o mundo cada indivíduo acredita em diferentes situações a respeito do tema. Uns acreditam que após a morte encontramos o paraíso (ou o inferno), outros creem na reencarnação e tem alguns que acreditam que depois da morte a gente simplesmente desaparece, desliga como se fosse um sinal de televisão.



Inserido nesse tema, encontra-se Manual Samuel, desenvolvido pela Perfectly Paranormal e publicado pela Curve Digital. Lançado em 2016 para outras plataformas, Sam “renasce” no híbrido da Nintendo trazendo diversas bizarrices e gargalhadas depois de morrer e viver um dia manualmente.

Morto-vivo

Samuel (conhecido por Sam) é um rapaz bem resolvido, seu pai possui uma empresa de tecnologia que trabalha com inteligência artificial. Sam é um homem muito rico e tem uma bela namorada, sua vida perfeita sofre uma mudança drástica após uma discussão com sua amada em uma lanchonete; irritada com ele a moça se retira do estabelecimento e Samuel segue atrás dela. Ao atravessar a rua, Sam é atropelado por um caminhão e vai direto para o inferno.


Chegando nas profundezas ele conhece a morte, um ser que adora andar de skate e tem como objetivo principal acertar um flip. Depois desse encontro, Samuel faz um acordo com a morte para que ele possa viver novamente.

Nesse acordo a morte impõe uma condição: Sam deve viver 24 horas manualmente, ou seja, todas suas funções corporais devem ser controladas por ele, desde simples movimentos que o corpo faz “automaticamente” como piscar, respirar até andar e controlar suas mãos.

Uma perna de cada vez

Ressuscitado pela morte, Sam começa seu enfadonho dia. Cada botão dos Joy-con servem para controlar uma função corporal do personagem: o ZL e ZR controlam as pernas; L e R controlam os braços; o B é utilizado para  piscar; o Y para inspirar e A para espirar/assoprar e o X para mastigar, além do direcional que controla a coluna e os comandos analógicos que servem para realizar outros movimentos de acordo com as fases.


Um narrador onisciente acompanha Samuel e comenta o que o personagem está fazendo ou o que o mesmo deve fazer, geralmente fornecendo dicas para o jogador com diálogos engraçados e piadas. O controle manual das funções corporais do personagem gera cenas cômicas como o espacate executado se o jogador tentar dar dois passos com a mesma perna, o rosto azul se ficar sem respirar e vermelho se inspirar o ar e não soltar e a tela embaçada se o jogador esquecer de piscar, tudo observado pelo narrador que não vai perder a oportunidade de tirar um sarro de Samuel.

O game conta com oito capítulos que representam as 24 horas que o protagonista precisa enfrentar para voltar à vida normalmente. As tarefas do cotidiano de Samuel são retratadas desde o período vespertino, em que o mesmo executa todos os preparativos antes de ir para o trabalho. Os movimentos do personagem não são fáceis, pois necessita de sincronismo nos botões para manter as funções vitais e ainda interagir com o cenário, entretanto Sam não morre se o jogador falhar em mantê-lo respirando, apenas o deixa momentaneamente incapacitado.


Death for life 

Samuel exibe em seus visuais traços de desenhos animados bem vívidos, embora o game disserte sobre a morte que é um tema bem pesado, o jogo é totalmente voltado para o lado do humor cheio de piadas prontas do narrador e situações que tirarão sorrisos do jogador, mostrando um lado bem leve para o fim da vida.

O game conta com um sistema de conquistas e, como bônus, alguns quadrinhos que complementam a história (muito divertidos, por sinal), além de um modo time trial em que o jogador deve concluir as fases no menor tempo possível. Apesar de divertido e os controles serem um pouco complicados no início, o game não traz nenhuma dificuldade para o jogador, o que prejudica o fator replay.


Destaque para o modo cooperativo incluído na versão do Switch, em que se torna possível duas pessoas controlarem Samuel – se sozinho já é complicado, imagine com duas pessoas – pois cada Joy-Con controla alguns membros e funções vitais do protagonista, enquanto um move o pé direito, o outro move o pé esquerdo; um inspira e o outro espira, o que necessita um bom entrosamento com o player 2. Isso certamente causará algumas discussões saudáveis entre os jogadores.

Tentando fazer um flip

A vida e a morte são retratadas de uma maneira muito engraçada nesse jogo, a ideia do personagem viver manualmente demonstra um jeito diferente de se jogar, a utilização de diferentes botões do Joy-Con para as diversas tarefas simultâneas de Sam no início é um pouco complicada, mas depois de pouco tempo o jogador se acostuma.


Infelizmente os controles difíceis do game são a maior dificuldade encontrada, pois a famigerada tela de game over é inexistente em Manual Samuel, as fases são simples de superar e quando o jogador se adaptar com os comandos do jogo, o mesmo terá acabado, pois o game é muito curto e em apenas algumas horas é possível terminá-lo.

A pitada de humor aplicada nesse jogo é genial, a morte parece um rapper skatista dos anos 90 com seu jeito ritmado de falar e adicionado em seu repertório dezenas de gírias o torna um personagem engraçado no game, além do narrador que acompanha a história de Sam que não vai perder uma oportunidade para sacanear o protagonista e o próprio Sam que, sem se mexer, já é cômico. É recomendado para aqueles que querem se divertir com uma história bizarra e engraçada e que não se preocupam com jogos de curta duração.

 Prós:

  • Jogo extremamente engraçado;
  • Bônus interessantes; 
  • Modo cooperativo bastante divertido.

Contras:

  • Capítulos muito fáceis;
  • Game de curta duração;
  • Sem o fator replay;
  • Enjoativo.
Manual Samuel – PS4/XBO/PC/Switch – Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
 Revisão: Vinícius Rutes
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator 
Pierre Oliveira é formado em letras e skatista nas horas vagas, fascinado por jogos eletrônicos desde que se conhece por gente. Acredita que o melhor videogame lançado até hoje foi o Super Nintendo, embora seja apaixonado pelo seu Playstation 3. Seus jogos prediletos são Donkey Kong Country 2 e Heavy Rain, pode dificilmente ser encontrado no Facebook.

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