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Análise: Oh My Godheads — cabeças mitológicas no Switch

Você nunca viu tanta porradaria por causa de uma cabeça.


O híbrido da Nintendo rapidamente assumiu o seu papel como o rei do multiplayer local, ou o famoso "juntar a galera em casa para uma jogatina". Em meio a novas versões de clássicos absolutos como as séries Mario Kart e, recentemente, Mario Party, o switch anda recebendo uma verdadeira enxurrada de relançamentos indie interessantes, como Broforce, Rocket League ou Overcooked. Atualmente, o console prova que é a plataforma ideal não só para o multiplayer mais clássico, como também para algumas propostas realmente experimentais e criativas — e ninguém pode dizer que o estranho título da Titutitech, Oh My Godheads, não possui criatividade de sobra. 

Pega bandeira com um pitadinha de caos

Sabe aquela boa e velha briga de 4 players com os amigos, com direito a umas boas risadas e porrada de sobra? Oh My Godheads entrega exatamente isso logo de cara: cada um controla um personagem (às vezes um cavaleiro mais genérico, às vezes um pinguim de cartola) e tem uma espada (no caso do pinguim, uma bengala), um punhado de bombas, e as habilidades básicas de movimento à sua disposição (como rolar ou usar um dash). Por si só, e no modo Last Man Standing, o jogo é um brawler até que eficaz. Mesmo com mecânicas simples e não tão polidas, além de uma tendência a se tornar repetitivo rapidamente, o resultado do gameplay é divertido e satisfatório — afinal, não há nada como cortar o seu amigo no meio com aquele golpe certeiro de espada — só que desproporcionais cabeças mágicas de deuses mitológicos fazem questão de atrapalhar bastante o ritmo, acrescentando um certo tempero às limitadas batalhas.


No modo principal, Capture the Head, a pegada de jogo de luta se une à premissa de "Pega Bandeira", e bom... é basicamente isso. Em times de dois, você e um amigo precisam capturar a cabeça antes do time adversário e levá-la até a sua base. O desafio está em conseguir carregar a godhead sem morrer pelo caminho, e a principal habilidade que lhe ajuda nesse percurso é a de lançar a cabeça para a frente. Às vezes a sensação é quase como em um jogo de futebol americano, principalmente se você o seu parceiro estiverem bem coordenados entre si. Entretanto, além dos incessantes ataques dos inimigos, cada cabeça possui uma diferente habilidade especial que afeta drasticamente o andamento do jogo — enquanto a cabeça de Zeus chama uma chuva de raios, o deus felino Bastet inverte os comandos do controle, esse tipo de coisa.

10 godheads diferentes podem ser configuradas para aparecer em qualquer um dos 10 mapas distintos, o que cria até que certa variedade entre as partidas (que geralmente acabam rápido). No entanto, as arenas não são tão diferentes assim, variando mais em aspectos como o tamanho e a posição inicial da cabeça, salvo algumas poucas exceções de fases que contam com pequenas mecânicas pouco expressivas, como o uso de botões para mudar o posicionamento das bases de cada time. 



Embora Oh My Godheads consiga entreter um grupinho de 4 jogadores por alguns minutos, o jogo não apresenta variedade o suficiente para manter esse grupo interessado e engajado por um longo período de tempo. A ação é muito frenética (as bombas dos jogadores realmente não ajudam nesse fator) e o gameplay um tanto raso, fatores que quando combinados, criam uma experiência confusa e meio medíocre. A ideia é boa sim, mas infelizmente Oh My Godheads cansa rápido. Especialmente se você não tiver outros players para jogar com você, já que o modo single player (que consiste de 10 trials para serem resolvidos) tende a ser fácil e tira de cena o melhor elemento do jogo: poder rir com os seus amigos.

No final das contas, Oh My Godheads faz transparecer a sua simplicidade, e mesmo surpreendendo em alguns momentos, não consegue escapar da identidade de jogo muito pequeno, desde os seus menus e apresentação até a últimas camadas do gameplay.

Prós

  • Premissa criativa;
  • Uma confusão divertida em alguns momentos;
  • Bom para ser jogado entre amigos (de preferência um grupo com 4).

Contras

  • A fórmula se torna repetitiva rapidamente;
  • Menus e acabamentos bastante simples;
  • Single Player não tem muita graça;
  • Mecânicas duras e pouco intuitivas.
Oh My Godheads - Switch/PC/PS4/XBO - Nota: 5.5

Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Diego Franco Gonçales
Análise produzida com cópia digital cedida pela Titutitech.
Raoni Pinheiro escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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