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Análise: Astebreed (Switch) — robôs, espadas e explosões sem fim no Switch

Um prato cheio para quem gosta daquela clássica confusão dos shoot 'em ups.


Apesar da crescente popularidade no ocidente, jogos indie ainda não são tão comuns na terra do sol nascente. Uma agradável exceção aparece através da desenvolvedora Edelweiss e o seu título bullet hell claramente inspirado por animês — portando a tradicional trama confusa e existencial, uma porrada de mechas maneiros, batalhas absurdas e uma ação desenfreada com direito a espadas, mísseis e uma chuva de tiros. Astebreed é um jogo de nicho e certamente não foi feito para agradar a todos os públicos, no entanto, para quem gosta do gênero, ou simplesmente aprecia a reinvenção bem realizada de estilos clássicos (shoot 'em up, no caso), explodir uns robôs gigantes pode ser muito divertido.

Tão confuso quanto desafiador

Não me entenda mal, eu adoro um bom animê de mechas e robôs gigantes — Evangelion, Gurren Laggan e, mais recentemente, Darling in the Franxx, são alguns ótimos exemplos do gênero — mas, mesmo em um universo onde a maioria das histórias são bastante confusas e meio "viajantes", é especialmente difícil de acompanhar o que raios está acontecendo na trama de Astebreed. Resumidamente, em meio ao ápice de uma guerra com uma antiga raça alienígena chamada Filune, você encarna a pele de Roy Becket, um jovem piloto de mecha que aspira ser tão proficiente quanto o seu pai adotivo. A bordo do X Breed e junto à Fio, uma garota com poderes especiais (resultado de experimentos dos aliens antagonistas), que é tecnicamente a sua irmã adotiva, ele precisa salvar o universo das garras dos Filunes de uma vez por todas. 



Acredite, a história é fragmentada de uma forma desnecessariamente complicada e é preciso uma atenção especial para tentar seguir a linha de raciocínio. Os diálogos são constantes e os personagens não param de conversar um segundo durante a ação — o que seria totalmente ok se não fosse pelo fato de que o áudio é legendado (isso mesmo, pode ir preparando o seu japonês). Astebreed não é um jogo fácil, mas o verdadeiro desafio é tentar acompanhar a história, lendo a legenda, enquanto uma enxurrada de raios e explosões ocupa quase toda a tela.

Pelo menos, como todo bom shooter mais arcade, o gameplay não desaponta — durante esse caos todo, o X Breed possui algumas ferramentas bem interessantes à sua disposição: o botão básico de tiro constante, um dash, um ataque especial que precisa ser carregado, um rápido scan que prepara o disparo de mísseis e, chegando em primeiro no ranking de utilidade, a boa e velha espada (de tamanho proporcional ao mecha voando no espaço, claro). Na maioria das vezes, principalmente na primeira metade dos seis estágios de Astebreed, o progresso pode ser feito sem grandes dificuldades usando uma simples combinação de uso intenso da espada — que além de matar inimigos rápido, defende da maior parte dos tiros — e o mecânico scan de mísseis teleguiados, direcionáveis através da alavanca da direita. Tanta coisa acontece na tela ao mesmo tempo que você irá se encontrar inconscientemente girando o análogico da direita a toda hora, e o uso da espada não só garante a melhor ofensiva, como impulsiona bastante a cura do seu personagem, que acontece gradualmente durante o disparo de ataques. 



O jogo é curto e bem direto ao ponto, porém, naturalmente, o gênero arcade promete certa "simplicidade" nesse quesito. A ideia é proporcionar uma experiência completa toda vez que você pega o jogo e trabalhar o sentimento de conquista e auto-melhora por meio do lapidamento de certos scores, como tempo gasto ou quantidade de inimigos derrotados, por exemplo. Tanto que não existe a opção de salvar o seu progresso, em vez disso, a cada capítulo superado, a opção de pular direto para esse capítulo é habilitada no menu inicial. Vislumbrando esses motivos, a experiência pode até parecer meio fácil e rápida ao longo do começo de uma "zerada" descompromissada, mas esse sentimento não demora em virar do avesso — a dificuldade dos dois últimos grandes inimigos é simplesmente ridícula e chega a ser frustrante. Você irá precisar da melhor combinação de paciência, lógica, memória muscular e até um pouco de sorte. Prepare-se para repetir a parte final algumas vezes. 



Os gráficos em 3D e a direção de arte são lindos, como pouco se vê tanto em representantes do estilo (arcade, shoot 'em ups) como nos raros jogos indie japoneses. A trilha sonora empolgante e frenética segue a mesma linha de polidez, além de fazer muito sentido durante todas as explosões na sua frente. A proposta era basicamente colocar um animê de robôs gigantes no espaço com elementos de bullet hell nas mãos do jogador, e esse resultado com certeza é alcançado. Em alguns momentos, o obscuro título da Edelweiss me lembrou um dos meus jogos favoritos de 2017, Nier Automata, e eu considero isso um elogio da mais alta ordem. Lançado para PC em 2014 e para PS4 logo no ano seguinte, Astebreed demorou alguns anos para encontrar a casa que mais combina com o seu espírito, mas poder jogar este, já clássico, indie japonês no Switch — de preferência em modo portátil — com certeza vale a pena em 2018. 

Prós

  • Gameplay envolvente; 
  • Gráficos impressionantes;
  • Perfeito para o Switch em modo portátil.

Contras

  • Duração curta;
  • História confusa e difícil de acompanhar;
  • Curva de aprendizado bizarra.
Astebreed - Switch/PC/PS4 - Nota: 7.5

Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Rutes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Active Gaming Media
Raoni Pinheiro escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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