Top 10

Mickey Mouse 90 Anos: os jogos do camundongo nas plataformas da Nintendo

Confira nosso ranking de títulos do mascote nonagenário.


Há exatos 90 anos, em 18 de novembro de 1928, estreava no Universal's Colony Theater em Nova York o primeiro curta-metragem com som sincronizado em toda a história do cinema. A novidade tecnológica pode até ter explodido a cabeça do público da época, ainda acostumado com o cinema mudo, mas a importância histórica do curta metragem de Walt Disney e Ub Iweks intitulado Steamboat Willie estava destinada a ser outra. Afinal de contas, estreava na telona um dos mais icônicos mascotes de toda a indústria do entretenimento: Mickey Mouse.


De tiras de jornal até superproduções cinematográficas, passando por quadrinhos mensais e séries de TV, o carismático camundongo da Disney provavelmente já passou por todas as mídias de que se tem notícia. Portanto, é claro que isso inclui também os games. Em celebração ao aniversário do personagem, percorremos todo seu histórico nas plataformas da Big N e ranqueamos a seguir as diversas séries que protagonizou.

10 - Disney's Magical Mirror Starring Mickey Mouse (GC)


Produtora: Capcom
Publicadora: Nintendo
Lançamento: 2002

Recomendado para: Colocar as crianças para dormir.

A única passagem titular do camundongo pelo glorioso GameCube acabou sendo a entrada menos expressiva em nossa lista. Anunciado inicialmente com uma tech demo da Capcom mostrando o personagem renderizado em belos gráficos 3D, uma das expectativas do retorno da parceria entre a empresa japonesa e o mascote certamente era a de uma aventura cuja jogabilidade estivesse à altura dos títulos clássicos do personagem sob a sua batuta.

No entanto, a oferta acabou se revelando um point-and-click de jogabilidade extremamente simplificads, voltado explicitamente ao público infantil. Magic Mirror é um jogo destinado para crianças pequenas — o que não o desculpa de ser um jogo ruim. Não é tanto o nível de desafio inexistente ou as longas sequências de humor infantil o que sabotam o título, mas sobretudo sua simplicidade e linearidade extremas. 

Magic Mirror traz dois modos de jogo: Normal e Kids. O primeiro parece se destinar na verdade para bebês enquanto o segundo é um não-jogo, já que a aventura “se joga” sozinha do início ao fim. Um dos grandes atrativos do point-and-click, a interação com cenários exploráveis, acaba linearizada quase ao ponto da extinção. Uma pena, já que a apresentação audiovisual do jogo é cheia de carisma e alguns dos puzzles são bastante inspirados. 

O que sabota a coisa toda é o ritmo extremamente lento, combinado com a linearidade exagerada: o jogador passa mais tempo assistindo a um desenho animado em câmera lenta do que interagindo com o ambiente. Uma oportunidade perdida para o mascote da Disney — mas por sorte o público infantil conta com opções melhores no ramo.

9 - Mickey Mousecapade (NES)


Produtora: Hudson Soft
Publicadora: Capcom
Lançamento: 1988

Recomendado para: Quando se quer um joguinho inédito para se zerar rápido no Nintendinho.

Desenvolvido pela Hudson, Mickey Mousecapade trouxe a estreia do camundongo no Nintendinho na forma de um jogo de plataforma 2D. Cada uma das cinco fases traz estilos de design diferentes. Os níveis de abertura e encerramento trazem cenários abertos e não-lineares com mecânicas semelhantes às da série Crazy Castle, enquanto as outras são fases de plataforma mais lineares, com jogabilidade lembrando um pouco a vista na série Wonder Boy. Mesmo com essa variedade de estilos, as fases acabam sendo curtas demais e, com isso, a experiência tende a ser breve e repetitiva, sem oferecer grande valor replay (exceto, provavelmente, aos nostálgicos).

Apesar de não trazer nada de revolucionário, a jogabilidade é bastante decente e traz ao menos um elemento diferencial: a parceria com Minnie. Ao invés de apenas seguir Mickey e ser controlada pela IA (como o Tails de Sonic 2, por exemplo), o jogador controla o casal simultaneamente de forma sincronizada, sendo que eles mantêm sempre uma distância mínima entre si. 

O sistema adiciona um desafio extra às seções mais estreitas de “plataformagem”, além de propiciar um macete interessante que pode dar uma mão com os chefes mais apelões do jogo: em telas que contam com escadas, o jogador pode mandar Minnie sozinha para se valer de sua invulnerabilidade. Infelizmente, não há opção para dois jogadores.

Cada fase conta com seu próprio chefe ao final. A versão japonesa traz o tema predominante de Alice no País das Maravilhas (com a participação especial do Capitão Gancho), enquanto a versão norte-americana procurou diversificar a temática, substituindo alguns personagens por figuras vilanescas de todo o panteão da Disney. O combate com os chefes é caótico e simplificado demais, ficando muito atrás do visto nas produções da Capcom, por exemplo. Somando tudo, Mousecapade acaba sendo uma aventura mediana — um jogo curto e simples que vale ser conferido, nem que seja pelo completismo.

8 - Mickey's Dangerous Chase (GB)


Produtora: Now Production
Publicadora: Capcom, Nintendo
Lançamento: 1991

Recomendado para: Pessoas que conseguem levar com bom humor um level design absurdamente sacana.

Desenvolvido pela Now Production (de Adventure Island II e III (NES)) Mickey’s Dangerous Chase rompe com o modelo puzzle dos títulos portáteis ao trazer o personagem em uma aventura de plataforma 2D tradicional. O movimento principal de Mickey é o de agarrar e lançar blocos, lembrando um pouco o visto no clássico disneyano Chip ‘n’ Dale Rescue Rangers (NES). Contando com uma grande variedade de power-ups, o camundongo persegue o arqui-inimigo João Bafo-de-Onça na tentativa de reaver um presente roubado.

Apesar de apresentar jogabilidade responsiva e ágil, o level design deixa a desejar em vários momentos, especialmente no que diz respeito a poços de espinhos e pulos precisos em espaços com teto. Soma-se a isso o fato de que a tela vai “se fechando” ao retorno do personagem conforme o jogador avança, tornando inúteis algumas rotas alternativas e deixando a caça por setores secretos de difícil alcance especialmente frustrante. Os power-ups também são escassos demais, em especial os que enchem a barra de vida do torturado mascote, o que deixa a coisa mais restrita em termos de estratégia.

Ainda assim, o jogo traz plataformagem sólida e bem dosada, e deve ter sido capaz de entreter suficientemente os jogadores da época sedentos por algo no estilo — ao menos até o lançamento de Wario Land: Super Mario Land 3 (GB). Vale ser conferido para quem gosta de um desafio mediano ao estilo retrô.

7 - Mickey's Ultimate Challenge (SNES/GB)

Produtora: Designer Software
Publicadora: Disney Interactive
Lançamento: 1994

Recomendado para: Quem procura um bom jogo do personagem para crianças.

Mickey's Ultimate Challenge consegue ter sucesso exatamente onde Magic Mirror falhou: ser um game acessível para as crianças, porém sem deixar de ser divertido e empolgante. Trata-se do jogo de estreia da Designer Software, que posteriormente se tornaria a WayForward, produtora de títulos sólidos como a série Shantae e o retorno glorioso ao universo Disney de DuckTales Remastered (Multi).

Trazendo uma coletâena de atividades que mescla jogabilidade de puzzle com plataforma, o game apresenta Mickey e sua turma em um carismático cenário medieval. Organizar prateleiras da biblioteca, coletar poções em um tabuleiro de xadrez, espanar quadros em um jogo da memória, repetir melodias pré-determinadas e resolver charadas de criptografia simples são alguns dos desafios que compõem as provações do camundongo.

A variedade de atividades e a jogabilidade responsiva tornam a coletânea uma experiência de exploração que faz um ótimo uso da licença dos personagens Disney. O efeito é aprimorado no SNES, onde o jogo faz excelente uso da poderosa paleta de cores da máquina, resultando na melhor versão do título multiplataforma. Ultimate Challenge consegue ser um sucesso, entretendo os pequenos e oferecendo inclusive um fator replay bastante decente. Dinâmico, rápido e variado, é bem mais certo de atrair a atenção infantil do que o sonolento Magic Mirror.

6 - Série Crazy Castle (GB/NES)


Produtora: Kemco
Publicadora: Kemco, Nintendo
Lançamento: 1989

Recomendado para: Pessoas que preferem o Pernalonga.

A série Crazy Castle adaptou muito bem as mecânicas básicas de jogos de plataforma para o Game Boy, remetendo às raízes do estilo nos arcades e adicionando à mistura alguns elementos interessantes de puzzle. Com fases curtas e sistema simplificado de passwords, trata-se de uma ótima opção ao estilo “pegar e jogar” — o ideal para os portáteis.

Apesar das diferenças individuais, os jogos da franquia seguem um mesmo modelo padrão. Os desafios costumam girar em torno de fases divididas em vários andares sempre repletos de obstáculos, inimigos e itens colecionáveis que variam de acordo com a versão. Os inimigos se movem por padrões semi-aleatórios, e tendem a perseguir o jogador. Para escapar ileso, o camundongo conta com escadas, canos à la Mario e armas como bombas e varinhas de condão explosivas (!?). 

Os dois primeiros jogos da série, lançados no Japão sob os títulos de Mickey Mouse e Mickey Mouse II já masterizam muito bem o modelo, trazendo dezenas de desafios curtos e progressão rápida, dois jogos acessíveis e viciantes no portátil. Porém, os jogadores ocidentais dificilmente associaram tais games à imagem de Mickey. Por conta da Capcom deter os direitos sobre o personagem nos EUA, a produtora Kemco acabou optando por repaginar os jogos como títulos do rival Pernalonga, e assim nasceram os dois primeiros The Bugs Bunny Crazy Castle.



Usurpado pelo maior rival, Mickey não deu sorte com a Kemco por essas bandas. O bizarro Mickey Mouse III: Yume Fūsen, inusitada continuação da franquia para o NES, acabou saindo por aqui como Kid Klown in Night Mayor World, estreando um personagem original da Kemco, que posteriormente ganharia seus próprios games. O jogo é uma aventura de plataforma 2D que traz mecânicas bem interessantes: o personagem conta com um poder de produção de balões que podem ser utilizados para diversos fins como atacar inimigos, propulsionar pulos e planar. 



Após a digressão completa, a série voltou ao Game Boy com seus quarto e quinto títulos, ambos inferiores aos três primeiros. Mickey Mouse IV se tornou The Real Ghostbusters nos EUA e Garfield Labyrinth na Europa. Mickey Mouse V, último da franquia a estrelar o camundongo, foi o primeiro em que o personagem apareceu também nas versões ocidentais, recebendo o título Mickey Mouse Magic Wands!

Mesmo não estrelando os melhores jogos da série em suas versões ocidentalizadas, Crazy Castle trouxe os melhores momentos do camundongo no Game Boy original, e por conta disso merece ser lembrado como parte da trajetória do mascote nas plataformas da Big N.

5 - Mickey Speedway USA (N64/GBC)


Produtora: Rareware
Publicadora: Nintendo
Lançamento: 2000 (N64), 2001 (GBC)

Recomendado para: Pessoas em busca de um bom jogo de kart "relax" (N64) ou um bom título desafiador de corrida isométrica (GBC).

Ao final dos anos 1990, a Rareware já se encontrava consolidada como uma das mais importantes third-parties a trabalhar junto da Nintendo. Enquanto trabalhava a todo vapor na aguardada sequência de Banjo-Kazooie e em sua mais nova franquia de FPS, Perfect Dark, a produtora deu conta de lançar três bons jogos sob a licença de Mickey e sua turma.

Dando sequência a Mickey’s Racing Adventure, lançado apenas para o Game Boy Color em 1999, a produtora lançou nos ano seguinte o sucessor Mickey’s Speedway USA para o N64, com uma versão para o GBC chegando em 2001. Depois do test-drive no portátil, era hora de Mickey chegar ao console de mesa com sua experiência tridimensional de corrida ao estilo kart. A engine de Diddy Kong Racing (N64) se provou mais do que o suficiente para a Rare dar conta da ideia, enquanto a engine do título anterior serviu aos propósitos de garantir uma versão para o badalado portátil.

Mesmo abandonado os aspectos de adventure adotados pelo ambicioso antecessor, Speedway USA é, em ambas versões, um jogo repleto de conteúdo. Trazendo até dez personagens jogáveis (quatro deles desbloqueáveis) e mais de vinte pistas, o jogo traz praticamente a mesma variedade de Diddy Kong Racing. As ambientações das corridas trocam o cartunesco visto em Racing Adventure por uma celebração da terra natal de Mickey: cada circuito apresenta uma localidade diferente dos EUA, com um nível de detalhe que impressiona e mostra novamente o domínio absoluto da produtora sobre o hardware do Nintendo 64.



Porém, em comparação com o game do símio, Mickey acaba perdendo em variedade: nem barcos, nem aviões e nem combates contra chefes fazem retorno no jogo, e o design das pistas acaba sendo também mais simplificado. Mesmo assim, ambas as versões do jogo trazem muito carisma, ótima jogabilidade e multiplayer primoroso para a época, peças-chave para o subgênero. 

Tendo sido lançados já no fim do ciclo de vida dos respectivos consoles, e competindo de um lado com lançamentos de alto-calibre da própria Rareware, e de outro com a maldição que é se propor como um game de kart em um console que conta com um Mario Kart na biblioteca, Mickey Speedway USA acabou sendo uma pérola escondida da Rare que merece uma chance, mesmo com suas assumidas limitações. 

4 - Mickey's Racing Adventure (GBC)


Produtora: Rareware
Publicadora: Nintendo
Lançamento: 1999

Recomendado para: Pessoas em busca de um título de corrida isométrica ainda melhor do que Mickey's Speedway USA.

Antecedendo em apenas um ano a chegada dos já citados jogos de Mickey Speedway USA, Mickey’s Racing Adventure foi o primeiro jogo da produtora a colocar o camundongo atrás do volante. E, inusitadamente, acabou se provando superior em relação aos seus sucessores em vários aspectos.

Os jogos de corrida sob perspectiva isométrica são, hoje em dia, praticamente uma arte perdida. Conforme se aprimorou a facilidade de produção de engines tridimensionais, o estilo isométrico foi adquirindo um aspecto progressivamente mais datado, para o desespero dos entusiastas de clássicos como Rock ‘n’ Roll Racing (SNES/GBA) ou, indo mais atrás, do primeiro título de corrida da Rare, R.C. Pro-Am (NES).

Mickey’s Racing Adventure traz uma corrida isométrica de qualidade, com ótima jogabilidade e um design de pistas bastante variado e inventivo. Os circuitos são ambientados sob temáticas típicas dos desenhos e quadrinhos do personagem: faroeste, medieval e piratas são alguns dos temas que dão as caras ao longo do modo história.

Não fosse o bastante, o jogo adiciona aspectos do gênero adventure à mistura. Intercalados entre os eventos principais de corrida, o game traz desafios variados como puzzles, mini-games, buscas por itens e informações variadas. É possível juntar o dinheiro dos rachas para trocar de modelo de carro ou realizar upgrades diversos na oficina do Prof. Ludovico. Ao invés de recolher os itens na própria pista ao estilo Mario Kart, o jogador deve comprar magias com a vilanesca Maga Patalójika.

Trazendo diversidade a um estilo de jogo incomum, um cativante modo história e desafio bem nivelado, o título é uma ótima pedida para o gênero de corrida no Game Boy Color.

3 - Série Epic Mickey (Wii/Wii U/3DS)



Produtora: Junction Point
Publicadora: Disney Interactive
Lançamento: 2010

Recomendado para: Pessoas em busca de uma visão autoral e única sobre o personagem.

A série Epic Mickey é um caso clássico de potencial mal-aproveitado e da eterna tensão entre hype, marketing e produção efetiva dos games. Que ainda assim ela apareça em posição elevada em nosso Top 10 deve apontar principalmente para tudo aquilo que podemos salvar do conceito envisionado por Warren Spector e que, no fim das contas, não se fez presente por inteiro em nenhuma das versões finais dos três jogos que compõem a série.

Planejado como uma grande franquia que faria parte de um esforço maior em reinventar o personagem, o primeiro Epic Mickey chegou como exclusivo ao Wii justamente para focar ao máximo o aproveitamento da jogabilidade que apenas o Wiimote era capaz de oferecer à época (e, convenhamos, até os dias atuais). Os produtores conceberam um mundo sombrio que explora de forma muito imaginativa alguns elementos da imagética dos cartoons clássicos, prestando inúmeras homenagens inspiradas à rica história do personagem, num misto fantástico de realidade e fantasia em ambientação steampunk



As mecânicas de tinta e solvente não apenas trouxeram uma experiência única e renovada de plataformagem com o camundongo, mas tinham em vista também um sistema de reputação em que Mickey o tempo todo decidia a forma como lidar com seus inimigos. Elementos de mundo aberto e exploração complementaram a experiência que, ainda que com suas relativas limitações técnicas (em especial no quesito câmera), tornou-se instantaneamente memorável a todos os fãs do personagem.

Tivesse a série tomado seu tempo para construír em cima das bases sólidas do primeiro game, poderíamos ter visto algo mais próximo da intenção inicial dos produtores se materializar — e provavelmente a franquia poderia ter galgado um lugar mais elevado em nosso ranking. Infelizmente, Epic Mickey 2 (Wii U) apenas deixou mais aguda a diferença entre apresentação audiovisual e conceito e realização técnica do primeiro, trazendo uma boa ideia (foco na cooperação, trazendo o antigo antagonista Oswald como co-protagonista da vez) executada de forma falha.



Por sua vez, Epic Mickey: Power of Illusion (3DS) trouxe ao portátil da Nintendo uma aventura retrô com direção de arte magnífica, prestando homenagem simultaneamente aos clássicos 16-bits da Capcom do SNES e à antológica série Illusion da Sega (ah, se essa série estivesse nesse páreo aqui!). Ainda que novamente a execução técnica não faça juz à apresentação audiovisual acertada, Power of Illusion se mantém como um jogo obrigatório para os fãs do personagem, no mínimo para se apreciar sua arte, no máximo para desfrutar de uma experiência curta e agradável.

Memorável em sua concepção e propulosionada até aqui principalmente pelo título de estreia, Epic Mickey foi em parte vítima da própria ambição e da implacável máquina de hype. Como muitos dos títulos 8 e 16-bits apresentados aqui, são games memoráveis que valem a pena serem conferidos, mesmo levando em conta todos os seus inegáveis defeitos.

2 - Mickey Mania (SNES)


Produtora: Traveller's Tales
Publicadora: Sony Imagesoft
Lançamento: 1994

Recomendado para: Historiadores do camundongo, "mickólogos" em geral.

Muito antes de fazer sucesso com a série LEGO, a Traveller's Tales já tinha sido responsável por uma das adaptações mais bacanas de uma franquia de outra mídia para os games (que é, essencialmente, o que a série dos carismáticos bloquinhos faz melhor). Ranqueando os jogos do camundongo até aqui, constatamos que embora poucos deles não valham a pena sequer uma olhadela, também são poucos os indispensáveis. Mesmo nosso terceiro lugar teve seus problemas e limitações, embora achemos que suas qualidades mais do que compensem ter que lidar com eles. 

Mickey Mania rompe com esse padrão, pois é verdadeiramente um excelente jogo. Trazendo animações fluídas belíssimas, o jogo explora a história do personagem ao longo de seis "mundos", cada qual ambientado em um dos curtas de Mickey e contando com várias fases. Desde as fases iniciais em Steamboat Willie, com toda a fase renderizada em preto-e-branco, fica evidente o cuidado e atenção aos detalhes dispensado pela equipe de produção ao game.



O jogo adota uma abordagem que o aproxima bastante do seminal Castle of Illusion (Mega Drive): level design tendendo ao difícil, porém sem nunca punir o jogador para além do necessário (exceto algumas circunstâncias), proporcionando uma progressão mais cuidadosa e lenta pelas fases — ideal para se apreciar a apresentação gráfica e as animações fantásticas que fazem o jogo se assemelhar a uma produção inicial da era 32-bits. Imperdível para os fãs do camundongo, fortemente recomendado para apreciadores do gênero em geral.

1 - Série Disney's Magical Quest (SNES/GBA)

Produtora: Capcom
Publicadora: Capcom, Nintendo, Disney Interactive
Lançamento: 1992

Recomendado para: Quem gosta de video-games.

Dizer que a parceria entre Capcom e Disney rendeu frutos fantásticos é simplesmente chover no molhado. Dos clássicos de NES Chip 'n' Dale, DuckTales, Darkwing Duck e TaleSpin até uma bela (e frequentemente injustiçada) versão de Disney's Aladdin para o SNES, a produtora japonesa serviu as propriedades Disney com exímio respeito, fazendo uso de sua expertise em level design e composição audiovisual para trazer excelentes excessões à famosa regra de que games que adaptam propriedades de sucesso tendem a ser ruins.

Única série da lista a jogar na mesma quadra da antológica série Illusion da concorrente Sega, Disney's Magical Quest tem em comum com os dois companheiros de pódio o foco na apresentação visual e animações. Fazendo um uso exemplar da paleta de cores do Super Nintendo, os três jogos que compõem a série trazem ambientações fantásticas cheias de vida própria. 

Os personagens controláveis fazem uso de um sistema de fantasias colecionáveis que, à la Mega Man, concedem ataques e habilidades de plataformagem especiais para seus usuários. O nível de detalhes em cada uma dessas fantasias encanta tanto a criança quanto o adulto, e a variedade de usos inventivos para os diferentes poderes e habilidades mostra um cuidado fino com o design (em especial no primeiro jogo da trilogia).



O ponto em que esses jogos se diferenciam de nossos 2º e 3º lugar é na outra frente importante: a jogabilidade. Tão fluídos quanto a movimentação das animações dos personagens, os comandos do game são extremamente intuitivos e recompensam o jogador com possibilidades sempre variadas de plataformagem exploratória. 

O único ponto contra a ser levantado com a produção (e frequentemente o é) é a dificuldade muito baixa do jogo. Para os fãs de Kirby (e todos deveriam almejar o ser), a preocupação já se apresenta como supérflua: a dificuldade não é a única coisa que põe para uso uma jogabilidade primorosa. De resto, a opção garante a acessibilidade do título, fazendo dele um "primeiro jogo" excelente para toda uma geração. O modo de 2 jogadores traz ainda um novo fator positivo: trata-se de um game muito bom para adultos jogarem com crianças, ou mesmo para jogadores mais habilidosos se divertirem junto aos menos dados ao joystick.

Mesmo com a extensão curta, as experiências de Magical Quest são especialmente recompensadoras aos apreciadores de uma boa plataforma 2D com jogabilidade primorosa. Além de áreas e colecionáveis secretos, ajuda a garantir o fator replay dos títulos outra das marcas fortes da Capcom: o design genial de chefes, com combates divertidíssimos pontuando cada estágio.

 

Com nossa lista abrindo e fechando com a parceria Capcom/Nintendo, ficamos a nos perguntar o que o futuro guarda para nosso camundongo favorito. Qual produtora atualmente poderia alçar o personagem ao nível de seus melhores momentos? Veremos ao longo dos próximos 90 anos!



Giba Hoffmann é gamer pra todo jogo, mas tem predileção por títulos retrô e um bom e velho JRPG. Sonic, Donkey Kong Country, Ratchet & Clank, Final Fantasy e Disgaea são algumas das séries que formaram a paixão pelos games, desde que ganhou seu Mega Drive, muitos (nem tantos!) anos atrás. Além de escrever para o Nintendo Blast, pode ser encontrado tagarelando no Plano Crítico e no Aventurine Brasil.

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