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Análise: Trine Enchanted Edition (Switch) é um conto de fadas interativo

O game entrega uma incrível ambientação em um mundo de fantasia, mas peca em mecânicas de gameplay.


Trine é um jogo de aventura, puzzle e plataforma, lançado originalmente para PC em 2009 pela Frozenbyte. Ao longo desses quase dez anos, muitas adaptações foram feitas, levando a história de fantasia a fãs de diversas plataformas. Refeito em 2014, usando a engine de seu sucessor, foi atualizado graficamente, e ganhou alguns modos online, dando origem a Trine Enchanted Edition, que chega agora para ser aproveitado pelos felizes usuários do Nintendo Switch.

Passando-se em um universo semelhante a um conto de fadas, Trine conta com um narrador que avança a história entre cada estágio. Ela se passa em um reino que viveu um período de paz e prosperidade, até que o rei faleceu sem deixar herdeiros ao trono, fato que acabou causando o caos na região. Atraídos pela situação, um exército de mortos vivos começou a levantar de suas tumbas e atacar o reino, forçando os moradores a se refugiarem.


Nossos heróis são: Zoya, a ladra, Amadeus, o mago e Pontius, o cavaleiro. Em uma noite, Zoya estava procurando por um tesouro na Astral Academy. Amadeus estudava o céu através de um grande telescópio, no mesmo local. Pontius, no entanto, estava apenas guardando a academia. Por ironia do destino, o trio acabou chegando ao mesmo tempo na sala do tesouro, e ao tocar o objeto simultaneamente, tiveram suas almas seladas pelo feitiço do Trine, e forçados a coexistir em unidade, até descobrirem um jeito de se libertarem.

Durante a jornada, acompanhamos os heróis em diversos ambientes diferentes, desde cavernas brilhantes, passando por florestas sinistras e até uma vila entre as árvores, abandonada recentemente por conta dos ataques de esqueletos. Os bonitos gráficos realistas permanecem atuais, e a atenção presente na construção de cada detalhe dos cenários cria um mundo elegante e ricamente iluminado. A trilha sonora cai sob medida ao conceito, fazendo com que o game tenha um valor muito maior como uma obra de arte do que como um instrumento de diversão. É como um conto de fadas interativo.


Infelizmente, o game também tem seus problemas, que aparecem principalmente durante o gameplay. Cada um dos heróis possui habilidades únicas, que serão de suma importância para superar os obstáculos durante a jornada. Jogando sozinho, é possível alterar entre eles a qualquer momento, enquanto com até mais três amigos é possível escolher se cada jogador controla um personagem específico ou se todos utilizam os três.

A ladra possui um arco como arma, e também um arpão ligado a uma corda, que ela usa para se prender a estruturas de madeira, se balançar como um pêndulo e chegar a outra plataforma. O mago pode criar caixotes com sua magia, usados para subir em locais mais altos. Já o cavaleiro está armado de escudo e espada, e será aquele que enfrentará inimigos corpo a corpo, onde o arco da ladra é menos eficaz. Algumas dessas habilidades usam uma barra de mana, que todos os personagens possuem.


Ao longo da jornada podemos coletar itens que aumentam a experiência dos personagens e, por consequência, proporcionam melhorias e novas habilidades a eles. O mago por exemplo passa a poder criar plataformas, além dos caixotes, o que ajuda bastante a passar por lugares onde essas não existem naturalmente no cenário. Itens que aumentam a vida e mana máxima, ou melhoram a armadura também são encontrados em baús, e alguns podem estar escondidos, então é importante explorar bastante o cenário. O jogo simula uma física bem realista, o que é muito bem feito. Até aí tudo bem, mas talvez por isso, alguns pontos tenham recebido menos atenção.

Existem poucos tipos de inimigos, sendo quase todos eles algumas variações de esqueletos, além de algumas aranhas. Apesar de o jogador ter total liberdade para resolvê-los como quiser, o que é um ponto positivo, os puzzles são muito repetitivos, resumindo-se basicamente a encontrar um jeito de subir em algum lugar ou de chegar em outra plataforma mais à frente, com raras exceções. Entre os personagens, o cavaleiro é o estranho e incômodo do time, pois suas animações de batalha não são muito realistas, principalmente quando pega a última arma, um martelo pesado. Apertar o botão de ataque rapidamente faz com que ele fique se deitando no chão. Felizmente isso não atrapalha de acertar os golpes.


Os controles não são muito confortáveis pra quem se acostumou com jogos de plataforma — pular com A e não com B é um exemplo — e não podem ser remapeados, então demora um tempo até se adaptar a eles. O mago exige que o jogador desenhe uma entre três tipos de plataformas com o analógico direito, o que funciona muito bem na maior parte das vezes. O jogo capta de forma satisfatória esses movimentos, mas erros durante as tentativas são comuns — não chegam a frustrar — e por isso, faltou a opção de realizar essa tarefa pelo touch screen quando no modo portátil, para quem assim desejar.

Por conta desses fatores, a curva de desafio do jogo também não funciona corretamente. São muitas mecânicas e o controle diferente para se acostumar, mas ao invés de um criar um aumento gradual na dificuldade, o jogo fica fácil por muito tempo, tendo um aumento repentino no início de sua segunda metade. Quando parece que vai se acertar, novas habilidades são liberadas, o que facilita o jogo novamente, para apenas ao final ter outra curvatura acentuada no desafio. Isso faz com que o game só fique divertido em sua segunda metade.


Por fim, os chefes também não são nada inspirados, e para derrotá-los basta atacar repetidamente seu ponto fraco. Não há a sensação de aprender seus movimentos, ou resolver algum tipo de puzzle para derrotá-los. Quando morremos, a vida deles não enche novamente, então, é preferível voltar e atacar sem parar novamente do que tentar entendê-los. Faltam ainda recursos de movimentação aos heróis para desviar de ataques e o mago é praticamente inútil nesses combates.

Por conta de todos esses fatores, a conclusão é a de que Trine Enchanted Edition trata-se de uma experiência regular. Ele tem pontos muito altos, e alguns não tão interessantes, talvez por já estarem datados em meio ao universo gamer atual. De qualquer forma, apesar de ter um gameplay com problemas, o jogo ainda consegue entreter aos amantes do gênero, principalmente quando jogado em multiplayer cooperativo, e sua ambientação, gráficos e trilha sonora ainda fazem dele uma obra de arte acima da média.


Prós:

  • Gráficos belíssimos;
  • Ambientes detalhados;
  • Ótima trilha sonora;
  • Física apurada.

Contras:

  • Sem muita variação de puzzles e inimigos;
  • Chefes pouco inspirados;
  • Faltaram opções de movimentação, como poder se abaixar ou rolar.
Trine Enchanted Edition — PC/PS4/Wii U/Switch — Nota: 7
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Pedro Franco
Análise produzida com cópia digital cedida pela Frozenbyte
Lucian Helan é formado em Redes de Computadores, mas gosta mesmo é de pilotar uns Karts por aí, atirar plasma com seu mega buster, correr em loops a toda velocidade e derrotar crocodilos ladrões de bananas. Seus sonhos incluem, pilotar uma X-Wing, andar no recreio com o Peter Parker e conseguir um tempo para se dedicar ao seu Instagram.

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