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Análise: Super Hydorah (Switch) — muita variedade em um shoot’em up desafiador

Controle uma nave e salve o universo nesse indie de tiro com ação acentuada e com muitos perigos.


Super Hydorah é um shoot’em up de progressão lateral claramente inspirado em clássicos do passado, como Gradius. Mesmo usando títulos de outrora como base, o jogo apresenta várias ideias únicas e bem executadas, sendo seu grande destaque a diversidade de situações. E como é de praxe, a jornada é bem difícil, porém muito recompensadora.

Enfrentando um império maligno

O sistema estelar Omios foi invadido pelos Meroptians, um império de criaturas biomecânicas. No controle da nave Delta Lance, exploramos 21 fases de ação frenética na fórmula básica de um shoot’em up qualquer — ou seja, destrua tudo o que aparece e tente não morrer. O mapa tem bifurcações e é possível tomar caminhos diferentes pela jornada. Também é possível jogar cooperativamente com um amigo no multiplayer local para dois jogadores.

Para destruir os perigos, a nave tem à disposição uma arma principal (lasers e outros projéteis), uma secundária (como mísseis e unidades de suporte) e uma especial (de munição limitada). Os armamentos são desbloqueados aos poucos conforme avançamos na jornada. Orbes especiais espalhados pelos estágios fortalecem as armas e o progresso das melhorias persistem entre as fases.


Os comandos de Super Hydorah são extremamente simples: um botão para a arma principal, outro para a arma especial. Isso faz com que o jogo seja muito fácil de aprender, porém sair ileso das fases é um grande desafio. Assim como suas inspirações clássicas, Super Hydorah é bem difícil, com fases repletas de inimigos, obstáculos e tiros. Para complicar, a nave é destruída com um único dano (dois, caso você consiga pegar um escudo). Por sorte, há um modo “Rookie” em que o escudo absorve três acertos — ajuda um pouco, no entanto ainda é necessário ter habilidade para sair vitorioso.

Tentando sobreviver em um universo variado

Minha característica preferida em Super Hydorah é a variedade dos estágios. Em uma fase, exploramos um deserto com estruturas que caem quando um vento forte aparece. Já em um planeta de plantas o desafio é conseguir navegar por trechos repletos de vinhas que se regeneram e insetos letais. Um estágio em uma caverna aquática nos força a mover constantemente, pois ondas de água transformam constantemente os corredores. Um dos estágios mais impressionantes se passa no meio de uma batalha no espaço: precisamos escapar de destroços de naves abatidas enquanto acabamos com inimigos. Na metade do caminho, adentramos em um grande encouraçado dos aliens e destruímos o veículo por dentro.

É impressionante a grande quantidade de situações, cada estágio é uma experiência bem distinta. A topografia dos locais e seus inimigos incentivam também testar diferentes armas: bombas terrestres são boas em cavernas com inimigos na parte inferior da tela, já as minas que rebatem pelas paredes funcionam melhor em ambientes fechados. Nas minhas partidas, várias vezes me bastou tentar utilizar outra arma para conseguir passar de algum ponto difícil. Vale a pena também explorar com cuidado, pois segredos estão escondidos nas fases e um dos finais do jogo exige encontrar todos eles. Complementando os estágios, temos inúmeros chefes espalhados pelo jogo: os mestres são bem criativos e exigem estratégias distintas para serem vencidos.

Perigo constante em todos os cantos

Super Hydorah tem dificuldade elevada que vem da combinação de elementos nos estágios. Tiros são as menores das complicações: as fases têm perigos letais, como vinhas imensas, objetos caindo do teto, inimigos ágeis e mais. Em alguns momentos, o desafio é navegar com cuidado por corredores estreitos, já em outros o problema é conseguir destruir rapidamente as naves inimigas — momentos de paz são raríssimos no jogo. Pode não parecer, mas a dificuldade é justa e balanceada, salvo alguns pouquíssimos trechos.

A ação é sempre intensa e muita coisa acontece na tela, o que torna morrer algo trivial. No começo, Super Hydorah foi extremamente difícil, quase frustrante. Porém, aos poucos, fui entendendo como superar cada perigo e a experiência ficou bem mais prazerosa, sem nunca deixar de ser desafiadora. No entanto, achei o modo normal hardcore demais: morrer com um único acerto é tenso demais, exigindo uma performance excepcional para escapar dos perigos. Sendo assim, recomecei no modo “Rookie” e o jogo ficou mais acessível sem de fato diminuir a dificuldade.


Mesmo assim, em alguns momentos, tive dificuldade em entender o que era obstáculo ou não por causa do visual de perigos que pareciam elementos de fundo — só descobri de fato quando bati no objeto e morri. Também achei que há trechos em que a agilidade da nave não é suficiente para conseguir escapar de tiros e inimigos. Por sorte a frequência desses detalhes é bem pequena e atrapalha pouco a experiência.

Passado modernizado

A atmosfera de Super Hydorah também utiliza os clássicos como inspiração com pixel art que remete a jogos da era 16 bits. Cada fase apresenta temas únicos e criativos, como uma área espacial repleta de cristais vermelhos, um templo alienígena escondido no deserto, um ninho de insetos bizarros e mais. Os chefes, em especial, são muito belos visualmente com seus movimentos elaborados e designs únicos. Um filtro visual baseado em monitores CRT dá um ar ainda mais retrô ao título.


O passado também influencia as modalidades de jogo. O modo principal de Super Hydorah é a campanha que se desenrola de maneira linear, mesmo com as bifurcações no caminho. O problema dele é que é impossível revisitar fases já completadas, sendo necessário recomeçar tudo desde o início para poder fazer isso — senti falta de uma opção que me permitisse jogar novamente qualquer estágio. Também não há muito o que fazer depois de terminar a aventura: além da campanha, há somente um minigame para dois jogadores. Conquistas, placares e segredos ajudam a aumentar a vida útil do jogo, porém acredito que foi uma oportunidade perdida não colocar mais modalidades.

Um jogo de nave de respeito

Super Hydorah é um shoot’em up para poucos por causa dificuldade acentuada. No entanto, é justamente essa característica que o faz muito divertido: conseguir superar os inúmeros perigos sem morrer é muito recompensador. A jornada cativa com estágios criativos e com muita variedade de situações, trazendo experiências únicas pelo caminho. Mesmo com habilidade, há um pouco de frustração com alguns problemas, como perigos difíceis de identificar nos cenários — por sorte eles aparecem com pouca frequência. Super Hydorah é uma ótima homenagem aos shoot’em ups de outrora sem deixar de ter identidade própria, fãs do gênero não podem deixar de conferi-lo.

Prós

  • Controles precisos e muitas opções de armas para a nave; 
  • Dificuldade intensa e justa na maior parte do tempo;
  • Grande variedade de situações, inimigos e chefes espalhados pelos estágios;
  • Ótimo visual em pixel art.

Contras

  • Momentos que são difíceis por causa da pouca agilidade da nave;
  • Alguns obstáculos nos cenários são difíceis de ver;
  • Poucos modos de jogo.
Super Hydorah — Switch/PC/PS4/PS Vita/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Abylight Studios
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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