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Análise: Nidhogg 2 (Switch) traz duelos bizarramente épicos

Jogo de luta indie da Messhof Games aposta em jogabilidade frenética e divertida.








Já imaginou uma batalha onde o grande ganhador é definido em quem consegue ser engolido primeiro por uma minhoca gigante? Contando com uma premissa excêntrica, Nidhogg 2 é definitivamente um dos jogos de luta mais únicos da biblioteca do Switch e oferece embates épicos com visuais surrealistas.

O título desenvolvido pela Messhof Games é a sequência direta de um dos maiores jogos indies de 2014, mas apenas isso não garante que essa continuação faz jus ao legado do título original. Afinal de contas, o que tem de tão importante para justificar a compra de um jogo novo?

Avançando e conquistando

As regras são bem diretas ao ponto: chegue do outro lado derrotando qualquer rival que entre em seu caminho. Parece simples e, de fato, é. As batalhas se passam em um longo corredor simétrico e quem matar o oponente por último, ganha a permissão de avançar em direção ao objetivo. O oponente deve te impedir e, ao mesmo tempo, tentar avançar também.

Para cumprir essa tarefa, quatro armas diferentes estão à disposição do jogador: a adaga, o arco e flecha, a rapieira e a espada larga. Cada uma tem as suas próprias peculiaridades, mas no fim acabam funcionando quase da mesma forma, com a única exceção sendo o arco.



Além das armas, há uma gama de movimentos que auxiliam no combate corpo-a-corpo. Rolar, pular, socar e chutar no ar são indispensáveis quando se está sem arma. Em posse de uma arma, também é possível arremessar ela de forma letal no inimigo, mas caso o arremesso seja falho, dê adeus para a sua arma que agora já deve estar bem longe.

O cerne do combate do jogo é totalmente baseada na leitura dos movimentos do oponente. É necessário saber fintar, surpreender e reagir para ultrapassar os rivais mais fortes, porém os embates também divertem mesmo nos duelos mais casuais com os amigos.

Duelando com honra

A campanha single player de Nidhogg 2 não é uma obra prima. Primeiramente por que só existe um modo disponível, o “Arcade”, no qual o jogador deve passar por duelos sucessivamente até chegar ao final. Fora esse modo principal, não há mais nada para fazer sozinho.

Além disso, as partidas do modo Arcade demoram demais para oferecer um desafio aceitável. Basicamente, caso você queira enfrentar uma inteligência artificial que não se mate sozinha ou fique te esperando passivamente, primeiro será necessário passar por cinco batalhas entediantes contra inimigos fracos. Isso poderia ser facilmente amenizado se os desenvolvedores permitissem a opção de jogar uma partida de exibição e selecionar a dificuldade do CPU.



O multiplayer local funciona perfeitamente, mas o mesmo não se pode dizer do online. Como existem poucos jogadores procurando partidas pela rede, é comum que as filas para achar uma partida demoram uma eternidade. Nos jogos de luta, a existência de um passatempo enquanto se está na fila é comum, mas Nidhogg 2 não apresenta nada mais do que uma tela de loading.

Caso uma partida seja encontrada, ainda podem existir problemas para atrapalhar a experiência. Já que o combate do jogo é totalmente focado em uma jogabilidade rápida e frenética, qualquer lag minúsculo na partida pode ocasionar em jogadas errôneas. Não é algo tão frequente, mas pode apostar que irrita bastante quando ocorre.

Esteticamente frenético

De resto, não há muito o que fazer fora jogar o multiplayer local ou online de Nidhogg 2. Roupas e cosméticos para os personagens podem ser liberados, mas nenhum é tão interessante ao ponto de valer o investimento. A customização era para ser uma das maiores adições em relação ao título original, mas parece que falta algo a mais para gerar interesse.

Os visuais e cenários que antes eram feitos em 8 bits no humilde primeiro jogo agora estão mais coloridos, vibrantes e surrealistas do que nunca. A identidade visual que o título carrega é bastante excêntrica e pode gerar desconforto no início, mas basta jogar um pouco para ser conquistado pelo “charme” que os desenvolvedores colocaram nos dez cenários distintos do jogo.



Um dos maiores pontos positivos do visual maluco de Nidhogg 2 é a sincronia que o aspecto gera com a trilha sonora. Além das composições do título serem músicas eletrônicas de excelentíssima qualidade, cada um dos temas casa perfeitamente com os cenários e batalhas surreais do jogo, ajudando a tornar a jogabilidade frenética ainda mais empolgante.

Aliás, “frenético” é um ótimo adjetivo para definir Nidhogg 2. Os desenvolvedores quiseram criar uma obra tão rápida e dinâmica que acabaram esquecendo de polir algumas coisas básicas. A Messhof Games pode ter sido rápida demais, mas o carinho envolvido na produção do jogo ainda é digno de atenção. O título não apresenta nenhuma evolução significativa em relação ao original, mas ainda consegue divertir e proporcionar muitas jogatinas com os amigos.

Prós:

  • Arte excêntrica;
  • Multiplayer offline sólido;
  • Trilha sonora excelente.

Contras:

  • Falta de opções no single player;
  • Qualquer lag pode estragar o online;
  • Sem muito conteúdo.
Nidhogg 2 - PC/Switch/PS4/XBO – Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Arthur Maia
Análise produzida com cópia digital cedida pela Messhof Games
Rhuan Bastos Rodrigues é um estudante de jornalismo que sonha em poder noticiar o anúncio de Half-Life 3. Apaixonado por jogos e pela Nintendo desde criança, também ama esportes e pretende escrever um livro sobre o assunto no futuro. É capaz de colocar todos os episódios de Neon Genesis Evangelion em um abrigo anti-nuclear apenas para nunca correr o risco de esquecer eles. Pode ser encontrado endeusando a Capcom no Facebook, Steam e Twitter.

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