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Análise: Project Highrise Architect’s Edition (Switch) é um competente simulador de construção

Construa incríveis arranha-céus, obras de arte e engenharia, gerenciando em seu interior um complexo sistema populacional de escritórios, residências, lojas, restaurantes e mais.

Simuladores de construção e gerenciamento de recursos são games amados por muitos jogadores, principalmente os PC Gamers. Liderados por grandes franquias como SimCity e os diversos Tycoon, eles infelizmente apresentaram poucas novidades nos últimos anos, sendo a melhor delas, o Cities: Skylines (Multi), game que inclusive possui também uma versão portada para o Switch, e apesar de pegar emprestado boa parte da fórmula dos jogos da Maxis/EA, foi apontado por muitos como um game até melhor que o quinto SimCity (PC), seu concorrente direto.

Project Highrise não tem com quem bater de frente, mas toma como inspiração um game lançado em 1994, chamado SimTower (PC), em que o objetivo já era colocar o jogador para gerenciar torres prediais. No game que chega ao híbrido da Nintendo, graças à versão bastante completa Architect’s Edition, o jogador tem várias opções de negócio, podendo investir em centros comerciais, residenciais, shopping, hotéis e cassinos.

Para começar, podemos perceber que uma das opções iniciais é uma série curta de tutoriais, que apesar de não serem obrigatórios, ensinam os principais conceitos do game, relacionados a construção, inquilinos, prestígio, manutenção, interface de usuário e também como criar e manter um hotel. Dessa forma, vale a pena passar por eles se não estiver muito familiarizado com esse tipo de jogo.

Já em New Game, é possível iniciar um modo com total liberdade para criar sua torre como preferir. Inicialmente as escolhas serão sobre o nível de dificuldade, tamanho do terreno e plano de fundo. Dificuldades mais baixas fornecerão uma boa quantidade de dinheiro inicial, e uma economia mais estável no decorrer do jogo — as situações que a cidade ou mercado passam influenciam diretamente no custo de materiais ou no interesse de inquilinos em se mudar —, enquanto em uma dificuldade maior, além da escassez de recursos e problemas econômicos na cidade, será mais difícil encontrar novos inquilinos e os custos de construção serão mais altos. Uma ótima maneira de testar as diversas opções do game e aprender sobre tudo o que há à disposição, é ativar o checkbox que libera recursos e dinheiro ilimitado.

A primeira visão do jogo é a de uma pequena construção, com apenas um andar térreo e um porão. Dois construtores aguardam ordens sentados em sua sala, e um pequeno transformador elétrico já fornece energia para até dez conexões. A expansão pode ser realizada livremente, em qualquer direção. Enquanto alguns tipos de negócio exigem estarem acima do solo, outros funcionam melhor no subterrâneo. Para isso, basta selecionar uma ferramenta no menu e preencher os espaços desejados, e os trabalhadores irão automaticamente realizar a tarefa. O game funciona com um cursor, igual a um jogo de computador, e os diversos botões do controle são utilizados como atalhos. A experiência é agradável e foi muito bem adaptada.


Um ponto importante é que todos os andares e locais construídos devem estar acessíveis, seja por escadas ou elevadores, caso contrário nem mesmo os construtores conseguirão realizar seu trabalho. Fornecer energia elétrica é imprescindível para o funcionamento da maior parte das salas e também dos serviços ofertados, mas cada transformador possui um custo de construção e também um custo fixo diário de produção. Dessa forma, não adianta construir um maior sem que haja demanda, pois fica inviável.

Armários de cabos são necessários para levar energia para cada andar, e até mesmo o cabeamento é um custo importante a ser levado em consideração. Linhas telefônicas, TV a cabo, água, gás e ar condicionado serão algumas das necessidades primárias de alguns tipos de inquilinos e de serviços ofertados no prédio, para que continuem pagando seus aluguéis ou, no caso dos serviços, que continuem funcionando.


Para alugar espaço para escritórios, apartamentos, restaurantes e lojas, basta alocá-los em uma área livre na construção, levando seu tamanho em consideração. A partir daí será possível verificar interessados e suas necessidades para a mudança, além de suas propostas de valor diário de aluguel. Enquanto escritórios simples precisam de apenas energia elétrica para funcionar, eles já costumam esperar serviços de copiadora no prédio. Já residências iniciais necessitam de água encanada e um serviço básico de coleta de lixo. Quanto maiores e mais luxuosos os espaços alugados, mais necessidades terão os inquilinos, e por isso, um dos grandes desafios do game é balancear o custo agregado de construir e manter serviços em funcionamento com o valor recebido por aluguel.

Manter os inquilinos felizes também é uma tarefa árdua. Mesmo atendendo suas necessidades básicas, há diversos outros fatores que os incomodam. Os próprios funcionários do prédio ficam infelizes se não houver onde comprar comida. Certos tipos de negócio preferem áreas sem cheiro forte, grande tráfico de pessoas ou barulho, e lojas precisam de um fluxo constante de pessoas no prédio para conseguirem vender, então posicionar adequadamente cada um deles é essencial, e o game oferece algumas maneiras de se informar sobre isso


Se um ícone de uma carinha vermelha aparecer no segmento alugado, o inquilino está prestes a abandonar o prédio, e suas necessidades devem ser prontamente atendidas para evitar esse desfecho. Outras formas de obter informação sobre isso são: através de uma série de filtros que aplicam manchas verdes ou vermelhas sobre o prédio, e também através de relatórios. No entanto, ao clicar em alguns lugares, às vezes recebemos a informação de que os funcionários não estão felizes, mesmo com suas necessidades atendidas, e o jogo não deixa claro o porquê. Apesar de nesses casos não significar uma possível evasão do pagamento do aluguel, a informação poderia ser mais clara. Clicar em cada pessoa para obter isso é simplesmente inviável, sendo mais fácil ignorar esses casos.

Se o game não tiver sido iniciado com recursos infinitos, as opções iniciais serão limitadas. É necessário ter um prestígio elevado para atrair escritórios ou lojas maiores, por exemplo. Para isso é preciso chegar a certos níveis de população, liberando também novas opções de decoração. A partir daí é possível decorar o prédio com papéis de parede, móveis, plantas e luminárias. É uma boa forma de deixar áreas livres mais atraentes. Porém, o edifício é todo dividido em pequenos segmentos, que podem ser observados ao se construir. Apenas um item de decoração pode ser colocado em cada segmento, impedindo por exemplo de colocar uma luminária em cima de um sofá.


Inquilinos felizes fornecem pontos de influência. De acordo com o prestígio acumulado, é possível contratar consultores para expandir algumas opções da torre. Consultores de design de interiores por exemplo liberam obras de arte para serem usadas como decoração. Alguns tipos de inquilinos ficam muito felizes de estarem próximos a esculturas ou galerias, e assim, eles fornecem ainda mais pontos de influência. De maneira parecida, pontos de Buzz são ganhos de acordo com o interesse das pessoas em relação ao seu prédio, e esses pontos podem ser usados para criar campanhas, seja para atrair novos interessados, realizar marketing interno ou diminuir alguns custos temporariamente. É tudo um grande ciclo!

Obviamente, com o tempo o prédio precisará de reparos. A sujeira não dá trégua, se espalhando rapidamente, e em períodos chuvosos as coisas podem piorar. Lidar com essa parte de manutenção também é uma tarefa árdua, que consome muito dinheiro. Esse processo é manual em boa parte do jogo, diferente da maioria dos outros serviços, que já possuem um valor diário agregado. É uma opção interessante para controlar o orçamento, mas também um ponto que precisa de atenção constante do jogador, que poderia estar utilizando melhor o tempo com outras coisas. Felizmente é possível automatizar a tarefa, mas para isso é necessário adquirir uma boa quantidade de influência. É estranho que apenas a parte de manutenção não seja automatizada desde o início no game.


O grande desafio do game é controlar tudo isso financeiramente, enquanto expande suas possibilidades e lida com as necessidades e desejos de toda a população do prédio. Ficar muito tempo no vermelho provavelmente significará falta de dinheiro para investir na própria solução de problemas financeiros, deixando o jogador sem saída. Mas há três opções interessantes para ajudar o jogador com essa questão: é possível adquirir empréstimos com bancos, pagando em suaves prestações, mas com juros; a segunda é aumentar o valor do aluguel, o que potencialmente deve deixar os inquilinos infelizes e propícios a se mudar do prédio; a terceira e melhor delas é a mais demorada. Assinar contratos com a cidade dará um valor menor de investimento no início, mas ao cumprir os requisitos solicitados, trará uma bonificação em dinheiro. É uma boa opção de investimento para aumentar o prédio.

Por fim, há um outro modo de jogo que deve ajudar a expandir bastante as horas de jogatina: o New Scenario. Nesse modo, o jogador assume um prédio ou projeto em andamento, e precisa solucionar alguns problemas e cumprir os objetivos propostos. Novos cenários são disponibilizados apenas ao cumprir missões dos anteriores. Tudo no game é simples e objetivo, desde seus gráficos minimalistas à sua música ambiente calma e relaxante. A interface é bem feita, mas em alguns momentos faltam informações que poderiam ser transmitidas de maneira mais clara ao jogador. E mesmo em grandes construções, junto à uma grande população caminhando no prédio, o desempenho do game permanece perfeito. A maior ação mesmo se passa na mente do jogador, tendo que lidar com tantos recursos e questionamentos ao mesmo tempo.


A escolha é sua, criar seu edifício dos sonhos ou passar por diversos desafios propostos pelo jogo. De qualquer maneira Project Highrise Architect’s Edition deve entreter por bastante tempo os fãs de jogos de estratégia, simulação de construção e gerenciamento, preenchendo com competência a lacuna deixada pelo Sim Tower (PC), e quem sabe, angariando alguns novos fãs ao gênero. É interessante ver indies chegando a essa qualidade, tomando lugares que antes eram ocupados somente por jogos de grandes empresas. Espero que muitos novos arquitetos se formem em alguns anos, inspirados por esse incrível game!

Prós:

  • Sistema de construção simples e intuitivo;
  • Grande liberdade de expansão e formas de gerenciar o negócio;
  • Controles bem adaptados;
  • Boa quantidade de elementos disponíveis para composição da construção;
  • Ótimo desempenho mesmo com muitos elementos na tela. 

Contras:

  • Limitações de espaço prejudicam a criatividade na hora de decorar o prédio;
  • Algumas informações poderiam estar mais claras para o jogador;
  • É chato lidar com os reparos manualmente até liberar a automatização do serviço.
Project Highrise Architect’s Edition — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: André Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela KalypsoMediaGroup
Lucian Helan é formado em Redes de Computadores, mas gosta mesmo é de pilotar uns Karts por aí, atirar plasma com seu mega buster, correr em loops a toda velocidade e derrotar crocodilos ladrões de bananas. Seus sonhos incluem, pilotar uma X-Wing, andar no recreio com o Peter Parker e conseguir um tempo para se dedicar ao seu Instagram.

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