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Análise: Gato Roboto (Switch) é uma ode aos clássicos da era 8-bits

Acompanhe Kiki, a gata robótica do título, em mais um ótimo jogo publicado pela Devolver.



A Devolver Digital é uma verdadeira máquina de publicar indies de qualidade. A lista já é extensa e só cresce cada vez mais. Títulos como Broforce, Not a Hero, Downwell, Hotline Miami, Enter the Gungeon e, mais recentemente, Katana Zero são só alguns exemplos que compõem o panteão de jogos da publisher, entre muitos outros. Basicamente, se você estiver procurando uma boa lista de jogos indies para investir um tempo no Switch, não precisa ir muito mais longe do que o site dos caras. E nesses quase dez anos de vida da Devolver, em meio à grande coleção de games realmente memoráveis que já foram lançados, Gato Roboto, desenvolvido pela doinksoft, é definitivamente o meu título favorito da lista (além de ser simplesmente um dos meus jogos preferidos no Switch e ponto). Que tal um metroidvania retrô sobre uma gatinha no espaço que explode coisas com seu traje robótico? Difícil ficar melhor do que isso.

As aventuras da gatinha Kiki

Primeiramente, eu só queria dizer que um jogo feito com um carinho desses chega ao ponto de emocionar um jogador das antigas como eu. Gato Roboto é simplesmente muito charmoso, carismático e polido em todos os seus elementos (parte gráfica, sonora, gameplay e história). Ao iniciar o jogo, a primeira coisa que eu pensei foi literalmente: "Isso aqui é Metroid 2? Só que eu sou um gato?", e logo cheguei a conclusão de que esse era o meu novo jogo favorito. E, acredite, para quem cresceu com um Game Boy como eu (desde o "tijolão da tela verde", ou, o modelo original) é difícil não vibrar com a escolha temática de Gato Roboto e seus gráficos 8-bits cuidadosamente colocados em uma telinha arredondada dentro de um fundo preto. Fundo preto esse que, em pouco tempo, começa a ser preenchido por detalhes sobre upgrades, barra de vida, status das armas e até mesmo um pequeno retrato da carinha pixel art da protagonista, Kiki — com direito a expressão dela mudar de acordo com suas ações, no maior estilo Doom (PC).



Uma nave em uma missão intergaláctica cai dramaticamente em um tipo de base secreta, graças a uma certa gata que viajava junto com o piloto, e cabe a essa mesma felina a missão de conseguir sair desse lugar. Enquanto Kiki passeia por um lindo cenário totalmente preto e branco, onde até as portas entre as áreas são exatamente iguais às da série Metroid, seu dono não só espera pacientemente (preso nos destroços da nave espacial) como faz questão de guiar e auxiliar Kiki sobre seus próximos passos. Embora a gatinha possua boas opções de movimento ao seu dispor (pulos altos, imunidade à água e walljump infinito), apenas um ataque de algum inimigo pode acabar com felina em um instante. Para resolver esse problema, Kiki conta com a ajuda de certos maquinários ao longo de sua jornada, principalmente uma roupa robótica estilo mecha que reúne um verdadeiro arsenal destrutivo — que, assim como Metroid, adquire algumas novas habilidades enquanto você explora o mapa.

O gameplay concentra um mix interessante entre explodir obstáculos, abrir portas e aniquilar inimigos com a versão robótica da gatinha, ou se encaixar em lugares pequenos com a felina em seu estado natural, além de outras surpresas ao longo do caminho. Ao contrário de Metroid, seus mísseis nunca acabam, o que combina bem com a pegada minimalista do título. Mísseis funcionam com uma mecânica de superaquecimento na qual você pode soltar dois mísseis de uma vez, mas tem que esperar um pouco até ativar o próximo. Adicionalmente, o tiro normal sempre está ao seu dispor, só que ele é bem mais lento e menos efetivo do que o dano agressivo dos mísseis. Outros upgrades bem legais, principalmente de movimentação, aparecem ao longo do caminho, no entanto acho melhor evitar os spoilers e manter a surpresa. Quando ao combate em si, inimigos raramente pedirão uma estratégia que vá muito além de "dar dano o mais rápido possível", com a única exceção dos encontros com "chefes". As boss battles requerem sim um certo nível de aprendizado e costume à cada ataque e mecânica do inimigo, mas nada que algumas tentativas não resolvam eventualmente. Acredito que o nível de dificuldade de Gato Roboto seja preciso, exatamente o bastante para ser divertido e desafiador. 



Ao contrário da maioria dos chamados metroidvania, o minimalismo de Gato Roboto foge da tradicional coleta de itens como "dinheiro" ou "vida". Isso mesmo, após você matar um inimigo ou destruir uma pedra no caminho nenhum tipo de item "coletável" aparece depois. O único jeito de recuperar vida é a partir das salas de save point e isso definitivamente aumenta um pouco o nível de dificuldade. Basicamente, você é sempre obrigado a, no mínimo, viajar entre os save points sem morrer nenhuma vez, o que coloca certa atenção especial no gameplay e em cada determinada sala. No entanto, para os colecionistas de plantão, é possível procurar por todos os 14 cartridges, itens que além de servir para upgrades diretos do traje robótico, ainda trazem um efeito bem legal para a experiência de jogo. Assim como em outro fantástico título publicado pela Devolver, Downwell (que possui um estilo gráfico bem parecido com o de Gato Roboto), cada cartridge abre uma paleta de cores diferente que até muda bastante o visual do game. Além da original, estilo preto e branco Game Boy, você pode jogar Gato Roboto em um tom vermelho agressivo chamado virtual cat, ou com uma pegada de chá verde com o matcha green, entre vários outros. Vale a pena experimentar os filtros e achar o seu preferido, alguns são definitivamente mais caóticos e com cores mais intensas, enquanto outros são bem suaves, mas você terá que encontrá-los primeiro.

Gato Roboto é polido do começo ao fim, divertido e desafiante no nível certo, mas infelizmente também é muito curto. Jogando com calma e coletando tudo você consegue acabar a aventura em umas 4-5 horas sem muita dificuldade. O que é realmente uma pena porque o jogo é muito divertido e consegue prender o jogador sem muita dificuldade. Gato Roboto pode ser encarado como uma experiência minimalista retrô curta e eficiente, perfeita principalmente para o modo portátil do Switch (assim como no bom e velho Game Boy), mas que também funciona para TV. Ambos os modos evidenciam o fantástico sound design (você realmente sente cada "porrada" levada por Kiki) e trilha sonora (sim, que é bem Metroid também), só que os gráficos 8-bits podem ficar um pouco fora de casa em uma TV gigante ultra moderna. 



Gato Roboto é short and sweet. Mesmo que a experiência seja breve, é algo que definitivamente vale muito a pena. Esse pequeno jogo sobre uma gata no espaço é uma verdadeira carta de amor aos grandes jogos de Game Boy e de NES da era 8-bits. Às vezes é interessante tentar jogar Gato Roboto em pequenas doses, ou ainda procurar acabar a história de outras formas, ou talvez o mais rápido possível. O seu tempo total de jogo fica constantemente anexado à parte de baixo da tela principal, o que dá a impressão de que o verdadeiro objetivo do game, e consequentemente seu potencial de replay, está sim nas possíveis speedruns, algo bem comum dentro da comunidade de Metroid e com metroidvanias em geral. Se você é fã de jogos retrô e de toda a nostalgia envolvida, não perca tempo, mas qualquer pessoa que aprecie um game bonito, desafiador, e bem feito vai conseguir se divertir muito com Gato Roboto, mesmo que fique aquele gostinho de quero mais. O jeito é esperar as novidades da doinksoft e da Devolver no futuro.

Prós

  • Lindos gráficos estilo 8-bits;
  • Parte sonora impecável;
  • Gameplay divertido e desafiador do jeito certo.

Contras

  • Curta duração;
  • Pouco a oferecer além da experiência principal do jogo.
Gato Roboto - Switch/PC - Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Fernandes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.


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