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Análise: Eagle Island (Switch) é uma aventura bela, porém confusa

Bonito e interessante, Eagle Island pode ser uma boa pedida para quem está entediado com outros gêneros.


Eagle Island é visualmente impressionante: logo no começo do jogo dá para perceber o carinho e o cuidado que o ele recebeu no visual. Emulando jogos das plataformas de 16 bits, no melhor dos mundos da pixel art, com um toque de iluminação dinâmica, – Eagle Island é um espetáculo para os olhos. Mas muito além da questão artística, o jogo tenta inovar em algumas mecânicas, entregando uma espécie de junção entre metroidvania e roguelike. Será que ele consegue ser bem-sucedido em unir desafio, inteligência e diversão?

Sobrevivência com controles precisos

Na apresentação da história, somos introduzidos ao personagem Quill, nosso herói, que viaja com duas corujas (Koji e Ichiro) pelos mares quando é atacado por uma tempestade. No meio da confusão, o barco aporta em uma ilha misteriosa, e lá uma das corujas é raptada por um enorme pássaro chamado Armaura. Desesperado, Quill sai em busca de sua amiga coruja e encontra um cientista que explica o que anda acontecendo. Aparentemente Armaura é o guardião da ilha, porém acaba enlouquecendo por um motivo misterioso. A única maneira de Quill salvar sua companheira é partir em uma jornada pelas aves guardiãs da ilha.

É então que a aventura começa! Quill, junto da sua amiga Koji (a única que restou), partem em busca de Ichiro. Porém, não pense que a ave vai apenas te acompanhar, como Tails fazia com o Sonic. Aqui, a coruja é a arma com a qual Quill vai enfrentar todos os inimigos da ilha. Apertando o botão de ataque, a coruja pode ser arremessada nas oito direções, como um míssil (ou o escudo do Capitão América). Além disso, a corujinha pode receber “upgrades” durante toda a aventura, que irão lhe conferir poderes especiais, como um ataque elétrico ou a capacidade de congelar os inimigos.

Porém, nem tudo são flores. Os poderes especiais da coruja, chamados aqui de elementais, dependem de cristais limitados, então o jogador deve usar com moderação. Além disso, a maneira como a mecânica de ataque é entregue (você pode lançar a coruja enquanto pula, por exemplo), dá muita importância à precisão. Para piorar, uma das poucas maneiras de recarregar a vitalidade do herói é através de combos específicos de ataque, o que coloca ainda mais peso sobre a destreza do jogador.

Esse sistema procura evitar que o jogador saia por aí atirando sua coruja para todos os lados, como um Rambo doido das florestas. Aqui, respostas rápidas e uma boa pontaria são questões de vida ou morte. Claro, esqueci de dizer que sem a coruja o herói fica vulnerável, e existe um intervalo em que a coruja pode ser utilizada. Os combos também dão joias azuis, que são utilizadas como combustível para as elementais. Se você tiver um Pro Controller do Nintendo Switch, ou aquele Joy Con modificado com D-Pad, sua vida vai ser muito mais fácil.

Um grande quebra-cabeça colorido

A ilha de Eagle Island é dividida por fases, como todo bom jogo de plataforma. Porém, a inovação aqui é que as fases mudam toda vez que você inicia ela, ou seja, são geradas aleatoriamente. Confesso que isso me confundiu e frustrou um pouco, pois elimina o fator aprendizagem quando repetimos uma fase em que morremos, por exemplo. Por outro lado, esse mecanismo pode ser interessante para gerar sempre novos desafios, deixando o jogo fresco por mais tempo.

As fases não são lineares, apresentando diversos caminhos diferentes, e alguns deles só podendo ser acessados mais tarde, com algum item ou habilidade específica. Aqui, entra a tentativa de emular características de metroidvanias, uma tendência tão presente nos jogos indies modernos. Precisamos avisar os desavisados: a dificuldade desse jogo vai de média a elevada.

Apesar das opções iniciais apresentarem ajuste de dificuldade, Eagle Island é um jogo difícil. Principalmente pela mecânica de ataque, que exige treinamento. A disposição dos inimigos nas fases e suas ações imprevisíveis também ajudam a dar o ar de desafio ao gameplay. É um jogo que exige repetição, até que o jogador consiga ajustar sua capacidade de resposta e precisão ao que demanda o game. Passada essa curva de aprendizado inicial, o jogo pode se tornar muito divertido.

Outra coisa que devemos avisar: apesar do jogo flertar tanto com o estilo metroidvania quanto com roguelike, jogadores que buscam algo focado em exploração podem se frustrar aqui. A trilha sonora do jogo é muito boa, e as músicas combinam com a sensação que cada ambiente quer passar. Agora, onde o game realmente brilha é no visual. Os detalhes de design das plantas, lagos, animais, inimigos, é tudo muito bem trabalhado e bonito. Eagle Island é supercolorido, e os efeitos de iluminação dinâmica dão um toque especial, como se fosse a cereja do bolo.

Quando todos os caminhos levam a Roma

Como não podia faltar, todas as fases possuem mapas que vão se revelando conforme o jogador abre as passagens e caminhos. Também podemos encontrar, espalhados por aí, baús com moedas e runas. As runas podem dar habilidades extras temporárias para o nosso herói. Essas runas conferem mais diversidade ao gameplay, porém podem passar despercebidas e nem ser utilizadas.

Como dissemos antes, Eagle Island é um jogo difícil. E por conta disso, morrer acaba fazendo parte da jogatina. Contudo, por conta das fases geradas aleatoriamente, às vezes o jogador pode se sentir frustrado por morrer ou ansioso para evitar que não aconteça e não tenha que começar de novo por uma fase que não conhece. Apesar disso, as fases são bem parecidas em termos de level design e arte. Felizmente existe a opção de definir mapas fixos para o jogo, e eu demorei para encontrar essa opção.

O modo história é um pouco arrastado e bem simples, mas isso é algo que percebemos logo na apresentação do jogo. Conforme avançamos pelo jogo, obtemos novas habilidades, além de conseguir acessar áreas que antes estavam bloqueadas, ou pegar itens escondidos. Quando o jogador vence uma fase, ele tem acesso a uma classificação com seu desempenho, e fazer 100% pode exigir um esforço extra.

Um bom jogo, mas não é para todos...

Eagle Island, como os grandes títulos indie da atualidade, tenta nos prender pela nostalgia, focando em estilo plataforma metroidvania. Porém, não chega a ser tão memorável quanto Celeste ou Hollow Knight. Não me levem a mal, o jogo é bom e pode divertir em um fim de tarde tedioso. Contudo, não chega a brilhar tanto, justamente por tentar inovar no gameplay de uma forma que acaba alienando o jogador que busca a nostalgia.

Também acredito que a dificuldade acaba atrapalhando aqui, já que desafios frustrantes podem irritar mais do que divertindo. Os jogos devem ser divertidos, e muitas vezes utilizamos eles como válvula de escape da vida conturbada, ou simplesmente jogamos algo para relaxar. A nostalgia é algo muito poderosa, e um dos seus fatores mais fortes é a familiaridade. Esse último ponto é quebrado aqui. Acho que talvez os indies modernos devam começar a abrir mão da fórmula metroidvania e tentar seguir seu próprio rumo, sua própria identidade.

Mas, no geral, Eagle Island agrada. Caso você esteja entediado com outros gêneros ou procure algo bem diferente, talvez seja um prato cheio para você. Jogá-lo alternando com outros jogos também pode eliminar o efeito de repetição que o jogo às vezes apresenta. Apesar de tudo, não estamos diante de um jogo ruim. O ponto positivo aqui é o visual, a jogabilidade fluída e a trilha sonora memorável.

Prós

  • Mecânica inteligente e variedade de cenários;
  • Visual estonteante e trilha sonora competente;
  • Controles precisos;
  • Algumas opções de filtro e cenário.

Contras

  • Jogo pode ser difícil e frustrante;
  • Fases aleatórias podem confundir alguns;
  • Gameplay muito focado em precisão e rapidez pode não agradar a todos;
  • O jogo parece não definir muito bem sua proposta.
Eagle Island - Switch/PC - Nota: 8
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vladimir Machado
Análise produzida com cópia digital cedida pela Screenwave Media


Eternally a JRPG lover, video game addicted, Rock'n'Roll listener and book eater. Fanboy of Final Fantasy, I want to be a writer somehow.

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