Vem aí

Prévia: Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order (Switch) — o retorno inesperado da franquia

Exclusivo inusitado promete uma celebração dos quadrinhos com todo o potencial da parceria entre Marvel Games e Team Ninja.


Dentre a bela coleção de exclusivos publicados pela Nintendo que se unem à biblioteca do Switch ao longo deste ano, uma das adições mais inusitadas é, sem dúvida, Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order. Afinal de contas, não falamos apenas de uma sequência que chega dez anos após a última entrada na série. Trata-se, também, de uma parceria tripla inesperada entre a Big N, a recém-reestruturada Marvel Games e a consagrada produtora japonesa Team Ninja.


Ou seja, enquanto o segundo jogo da série Ultimate Alliance passou um tanto batido em meio a uma transição interna na Marvel (que à época estava em pleno processo de ser adquirida pela Disney), o terceiro capítulo da trilogia chega agora como um exclusivo de peso, trazendo finalmente de volta os personagens e cenários deste universo tão popularizado pelos filmes, pouco tempo após a conclusão cataclísmica oferecida por Vingadores: Ultimato nos cinemas.

Ao que parece, o pacote tenta agradar a todos os estilos de "marvete": do fã casual dos filmes ao aficcionado pelos quadrinhos, passando pelas viúvas de X-Men Legends, o título promete trazer destaques para todos.




Vingando a franquia, dez anos depois

Embora o jogo ostente um belo número três no título, trata-se tecnicamente do quinto capítulo de uma série iniciada no (já distante) ano de 2004, com X-Men Legends (PS2/XB/GC). A produtora Raven Software obteve bons resultados ao transportar o mundo dos mutunas para um RPG de ação repleto de conteúdo, com boas possibilidades de customização de personagens e uma bela opção de multiplayer local completando o pacote.

No ano seguinte, X-Men Legends II: Rise of Apocalypse (Multi) repetiu e expandiu o feito, explorando a parceria entre os X-Men e a vilanesca Irmandade de Mutantes, diversificando o elenco e os cenários, com melhoras para a jogabilidade e uma trama complexa digna dos crossovers mais estapafúrdios da franquia nos quadrinhos.



O "sucessor espiritual" dessa dupla notável de games licenciados foi justamente o primeiro Marvel Ultimate Alliance (Multi), que expandiu os horizontes da brincadeira para além do universo mutante, buscando embarcar todo o (imenso) Universo Marvel. Homem-Aranha, Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Quarteto Fantástico e — claro — os (até então não tão populares) Vingadores se uniram à porradaria em equipe em uma aventura que continuava a se inspirar visualmente na linha de quadrinhos Ultimate (como foi o caso nos dois jogos anteriores), em um crossover bastante ambicioso.

Por fim, Marvel Ultimate Alliance 2 (Multi) chegou em meio a um momento em que a jogatina cooperativa local perdia espaço para as opções online em expansão, ao mesmo tempo em que a Casa das Ideias, recém anexada à Casa do Camundongo, focava sua atenção na expansão de seu universo cinematográfico. Seria a despedida do Universo Marvel de novos jogos do tipo por muitos anos.



As estratégias da Disney ao longo da década que seguiu voltaram-se quase que exclusivamente para modelos free-to-play, sendo que a próxima aliança dos heróis deixou de lado os consoles em favor do Facebook e das plataformas Mobile, em Marvel Avengers Alliance (PC/Mobile). O finado MMO Marvel Heroes (Multi), por sua vez, trouxe elementos emprestados da série de Ultimate Alliance, ainda que soterrados em mecânicas de lootboxes. Nesse período, o universo da produtora acabou sendo representado fora de modelos free-to-play apenas pelas novas entradas na "série Versus" da Capcom, além de algumas aventuras muito bem vindas como parte da franquia LEGO, da TT.

Assim, o terceiro capítulo de Ultimate Alliance tem como missão resgatar a fórmula de sucesso da Raven Software para os fãs das antigas, ao mesmo tempo em que procura apelar a toda uma nova geração de fãs que certamente surgiu e se expandiu ao longo dessa década. É interessante notar que o time de produção tenta fazer isso com um certo "retorno às origens" para a franquia.



Na evolução da série, o foco nos personagens e cenários dos Vingadores e em um estilo gráfico puxado para o traço dos quadrinhos mais "fotorrealistas" vieram acompanhados de um estilo de jogo cada vez mais marcado pela ação, com os elementos de RPG sendo aos poucos reduzidos a um ingrediente praticamente opcional da experiência.

Por sua vez, Marvel Ultimate Alliance 3 chega trazendo visuais cartunescos e coloridos abertamente inspirados nos quadrinhos mais antigos, e parece abraçar os elementos de RPG com uma robustez que não víamos desde a época em que os mutantes estavam no primeiro plano da franquia.

O que não quer dizer que a ação tenha sido esquecida — o elemento que costuma ser a marca da Team Ninja tem sido um dos mais focados nos materiais de divulgação, que prometem ação complexa em modos single player e, é claro, no já tradicional multiplayer cooperativo. Será que a produtora nipônica conseguiu equilibrar o "melhor dos dois mundos"?


O team-up é a alma do heroismo

Em termos da jogabilidade, o modelo visto nas entradas anteriores volta à ativa novamente, com pequenas mudanças que procuram aprofundar os aspectos de team-up. Cada personagem conta com dois botões (X e Y) para ataques regulares  — um golpe ágil e um golpe carregado. Alternando e combinando esses elementos básicos é possível obter diversos tipos de combo, sendo que cada herói conta com um arsenal próprio de pancadaria.


A movimentação também varia de personagem para personagem, cada qual contando com seu estilo próprio. Por exemplo, o Homem de Ferro conta com a propulsão a jato de sua armadura, a "família Aranha" utiliza-se de muita agilidade e de sua tradicional movimentação aracnídea pelos quatro cantos da tela, enquanto Tempestade, por sua vez, manipula as forças elementais para evitar a fadiga desnecessária.


Primeiras impressões reportadas a partir da E3 2019 deram conta de que cada personagem possui um estilo bem particular de jogabilidade, adaptando-se bem a diferentes perfis de jogo. A facilidade de troca dos heróis a partir de pontos-chave e o sistema drop-in/drop-out de multiplayer local para até quatro jogadores devem incentivar a exploração de alternativas para os diferentes desafios.



As grandes estrelas do espetáculo, no entanto, são as habilidades especiais, onde cada herói coloca seus superpoderes para trabalhar das mais variadas formas. Essas habilidades vão sendo habilitadas conforme os heróis acumulam pontos de experiência (XP) e sobem de nível, cabendo ao jogador selecionar o conjunto de técnicas e investir seus pontos de habilidade melhorando seus golpes favoritos.

Além de técnicas ofensivas com alcances e efeitos variados, habilidades de buff e debuff também se fazem presentes. A contagem do dano dos golpes depende dos atributos de personagem e de elementos sinérgicos, sendo que eles também possuem atributos elementais e efeitos especiais de status variados, garantindo que a pancadaria seja recheada da estratégia típica dos RPGs.



Os atributos de personagem se dividem em seis categorias (STR, ENE, VIT, DUR, RES e MAS), indicando que por trás da ação frenética temos um sistema robusto e complexo de cálculo de dano. Cada herói possui também seus Hero Traits, que atuam como habilidades passivas dos personagens. Por exemplo, Magneto e Tempestade possuem a trait de vôo, enquanto Deadpool conta com um arsenal (um tantinho "apelão") de teletransporte, fator de cura e dano elemental para seus ataques regulares.

A personalização também passa pela obtenção de loot equipável. Deixando de lado os equipamentos vistos nos primeiros jogos da série (e que foram perdendo espaço com sua evolução), o sistema traz de volta o Isotope-8, misterioso elemento cósmico que estrearam em Avengers Alliance e deram a cara em vários jogos da Marvel desde então.

Esses cristais equipáveis trazem diversos benefícios e efeitos que vão do incremento de atributos até a aceleração do rate ou a adição de elementos aos ataques regulares dos herois. Acha o Wolverine legal, mas pensa que seria ainda melhor se ele tivesse garras congelantes? Ou quem sabe uma espada flamejante para Gamora? Essas e outras possibilidades podem ser exploradas através do ISO-8. Assim como ocorre em outros títulos, as diferentes variações de ISO-8 podem ser refinadas e recombinadas entre si em um sistema de crafting para se obter efeitos melhores.



Fora o sistema de escolha e aperfeiçoamento das técnicas, outro elemento central presente desde os primeiros X-Men Legends que volta a dar as caras aqui são os combos entre habilidades especiais. O novo sistema de Synergy Attacks é o responsável por esse ingrediente da jogabilidade aqui.

Enfatizando o aspecto de team-up, esses combos superpoderosos trazem efeitos únicos para diversas das combinações possíveis,  muitas delas fazendo referência a movimentos marcantes dos quadrinhos e do cinema. Alguns exemplos já apresentados são o uso do escudo do Capitão América para redirecionar o unibeam do Homem de Ferro e uma parceria entre Thor e Tempestade para criar um devastador furação de relâmpagos.

Os Extreme Attacks, por sua vez, são os tradicionais especiais que consomem a barra EX para combinar os ataques de toda a equipe em demonstrações cataclísmicas de poder. No multiplayer, cada herói que possui a barra completa pode participar de um especial entrando com o comando L+R no momento certo, sendo que os personagens controlados pelo computador recebem também uma oportunidade para o input dos jogadores.

Outros elementos de team-up que retornam são os diversos sistemas de bônus de time. Combinações temáticas trazem bônus especiais para os atributos dos personagens, que inclusive podem ser combinados entre si. Por exemplo, um quarteto composto por uma dupla de X-Men e uma dupla de Vingadores ganha uma fração dos bônus concedidos a cada uma das equipes. Essas opções envolvem tanto grupos tradicionais quanto agrupamentos mais underground, incentivando a exploração das combinações por parte dos fãs desse universo.



Por sua vez, o Alliance Enhancement apresenta uma grade de upgrades que beneficia toda a Aliança — ou seja, o elenco completo de personagens disponíveis para o jogador. Os produtores comentaram que essa variedade de opções táticas poderá ser explorada ao longo de uma gama bastante variada de desafios: não apenas a campanha inicial pode ser jogada em duas opções de dificuldade diferentes (Friendly e Mighty), mas um modo New Game+ com dificuldade mais elevada e importação dos atributos acumulados dos personagens foram confirmados.



Avante, Aliança!

Com o enredo a cargo de Marc Sumerak, que tem créditos como roteirista e editor na Marvel Comics, a aventura promete passar por diversos cantos de todo o extenso Universo Marvel. A narrativa se inicia no espaço e traz um elemento bastante familiar do público: a busca de Thanos pelas Jóias do Infinito. Auxiliado por sua escolta de elite, a titular Ordem Negra, o tirano cósmico busca o poder dos artefatos, que nessa versão possuem uma ligação com o misterioso ISO-8. 

No entanto, as semelhanças com o universo cinematográfico param por aí. Segundo o roteirista, para inserir elementos como os X-Men e os Defensores na jogada, vários elementos foram importados diretamente dos quadrinhos, sendo que o foco acabou ficando sobre os diferentes encontros de personagens e suas interações durante o conflito. 



O elenco de vilões a ser enfrentado também promete ser bastante variado, trazendo não apenas inimigos tradicionais das franquias Vingadores e Guardiões da Galáxia, mas também elementos diretamente das galerias de meliantes do Homem Aranha, Demolidor e dos X-Men, por exemplo. 

Os combates contra chefes e subchefes são elementos recorrentes nas missões: na apresentação da Nintendo Treehouse, por exemplo, foi mostrada uma batalha contra os Sentinelas que rapidamente evolui para uma fuga destruitora do Fanático (na qual a Mansão Xavier é destruída pela quinta vez na semana em questão), se encerrando em um combate contra Mística na Sala de Perigo.



Além da grande variedade de inimigos, os Infinity Trials prometem estender a vida útil desses combates contra chefes, trazendo versões mais complexas e team-ups vilanescos inusitados. Por exemplo, ao invés de "apenas" contar com uma escolta de ninjas do Tentáculo, o Rei do Crime invoca a ajuda do Fanático e de Ronan, o Acusador, em seu Trial. Esses desafios opcionais aparecerão como portais dimensionais ao longo da história, com recompensas diversas de acordo com o desempenho do jogador.


Claro que nem só de vilões vive uma aliança super-heroica. O elenco de herois tenta ficar à altura da aventura combinando elementos de diversas franquias, entre figuras carimbadas e adições inesperadas. Segundo o diretor criativo da Marvel Games, Bill Rosemann:
“O principal de tudo é a jogabilidade e a história. Nós queríamos olhar para o passado e ser fiéis à experiência, mas também para o que está acontecendo agora na Marvel e para o que está vindo da Marvel. A tarefa foi realmente equilibrar tudo isso. Quais personagens estavam no jogo no passado que as pessoas realmente gostaram? Quais personagens são estrelas em ascensão agora na Marvel? Quais são os novos personagens que nunca estiveram no jogo e que serão realmente divertidos de se jogar? E que oportunidade temos para introduzir os jogadores a novos personagens que eles podem não conhecer? E também, jogabilidade — como os personagens trabalham sozinhos, como eles funcionam quando combinam-se em dois, e três, e quatro. Então, para a história, o que permite adições de histórias muito legais? E no final do dia... que combinações explosivas nós podemos criar e que você não esperaria ver? X-Men com os Guardiões da Galáxia — o que?!”
Com centenas e mais centenas de protagonistas em seu imenso catálogo, escolher um elenco para representar todo o Universo Marvel certamente não seria tarefa fácil. Conforme Rosemann sugere, a ideia foi equilibrar as coisas, dando destaque para elementos que têm feito sucesso através do Universo Cinematográfico e nas HQs atuais, ao mesmo tempo em que não se deixa de homenagear o passado e diversidade da editora, coisa que a série Ultimate Alliance tem feito desde seu primeiro título.



A lista de personagens jogáveis confirmados consiste em:

  • Homem-Formiga
  • Pantera Negra
  • Viúva Negra
  • Capitã Marvel
  • Capitão América
  • Cristalys
  • Demolidor
  • Deadpool
  • Doutor Estranho
  • Drax, o Destruidor
  • Elektra
  • Elsa Bloodstone
  • Falcão
  • Gamora
  • Motoqueiro Fantasma
  • Groot & Rocky
  • Gavião Arqueiro
  • Hulk
  • Punho de Ferro
  • Homem de Ferro
  • Luke Cage
  • Magneto
  • Homem-Aranha (Miles Morales)
  • Ms. Marvel
  • Noturno
  • Psylocke
  • Feiticeira Escarlate
  • Spider-Gwen
  • Homem-Aranha (Peter Parker)
  • Senhor das Estrelas
  • Tempestade
  • Thor
  • Venom
  • Visão
  • Vespa
  • Wolverine
Além disso, três pacotes temáticos de personagem já estão confirmados para o Expansion Pass:
  • Marvel Knights
  • X-Men
  • Quarteto Fantástico
Enquanto o pacote do Quarteto deve trazer a famosa família para o jogo, as especulações sobre os outros pacotes recaem sobre alguns dos NPCs já confirmados no jogo, como Ciclope, Colossus e Jessica Jones. Mais informações devem ser anunciadas em breve, sendo que o pacote estará disponível no outono do hemisfério norte.

Excelsior!

Com o maior e mais diversificado elenco da série até agora, a promessa de uma campanha extensa recheada de referências aos universos dos quadrinhos e dos cinemas e a retomada das mecânicas de RPG que fizeram sucesso nos títulos originais da Raven Software, Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order tem tudo para ser o complemento em game que o Universo Marvel vêm pedindo há mais de uma década.
Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order (Switch)
Desenvolvedora: Team Ninja
Gênero: Ação, RPG
Lançamento: 19 de julho de 2019
Expectativa: 4/5

é gamer pra todo jogo, mas tem predileção por títulos retrô e um bom e velho JRPG. Sonic, Donkey Kong Country, Ratchet & Clank, Final Fantasy e Disgaea são algumas das séries que formaram a paixão pelos games, desde que ganhou seu Mega Drive, muitos (nem tantos!) anos atrás. Além de escrever para o Nintendo Blast e Game Blast, pode ser encontrado tagarelando no Plano Crítico.

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