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Análise: Redeemer: Enhanced Edition (Switch) é aquele genérico com gosto de original

Divertido e sanguinolento, Redeemer traz muitas batalhas e aquela sensação de jogo que bebeu de tantas fontes que acabou com pouca originalidade.




Depois de um lançamento exclusivo para PC em 2017, o beat ‘em up Redeemer chega para os consoles em sua edição “melhorada”. Cheio de lutas sanguinolentas e hordas de inimigos, o game é uma das poucas adições do gênero que não são emulações, mas ainda é um port.

História como nos tempos da infância

Lembra quando você era pivete, tinha zero conhecimentos de inglês e mesmo assim se aventurava nos games que tinha em casa ou nos arcades? Pois bem, saiba que a sensação de jogar Redeemer: Enhanced Edition é a mesma de pegar um game que você não consegue ler do que se trata; a história é irrelevante.

E quando digo isso não é para desmerecer o projeto, mas leia a sinopse: Vasily, o protagonista, trabalhava para uma empresa produtora e fornecedora de armas cibernéticas. Lá ele cumpria todas as funções de um segurança mercenário. O homem é uma arma viva. Porém ele decide fugir dessa vida bandida e é acolhido em um monastério e resolve viver como um monge. Um dia, o local é atacado por seus antigos empregadores que matam e sequestram os irmãos monges do protagonista. Vasily luta contra os subalternos da empresa e decide pôr um fim nessa história.


Se pararmos para pensar, quantas vezes já não vimos algo remotamente parecido com esse plot? No mínimo, várias vezes. E por mais que não seja a história mais original, a sua apresentação é um tanto simplória; é sempre apresentado em imagens com animações simples e uma narração boa, mas nem um pouco impressionante. Um ponto que pode incomodar é que não foram poucas as vezes em que a música de fundo simplesmente sumia ou se perdia entre a transição jogo e história.

No final das contas, você joga sem dar muita bola para o que realmente está acontecendo, e não há nada de mais nisso. Até porque o jogador controla um monge bombadão que acaba em uma fábrica/laboratório cyberpunk futurista cheio de monstros e experimentos grotescos; uma mistura inusitada e um tanto risível. Mas com uma boa jogabilidade.

Quebrar crânios nunca foi tão divertido

Colocando a história completamente de lado, temos um game que vai divertir aqueles que curtem trocar uns socos com uma infinitude de inimigos. O nosso monge marcial é capaz de atacar com socos e chutes, realizar finalizações silenciosas - algumas nem tanto, mas falaremos disso depois -, além de se esquivar e contra-atacar. E, como se não bastasse a virilidade estampada em suas habilidades, a vitalidade do nosso herói vem após finalizar seus inimigos. É ou não é uma arma no corpo de um monge?


Mas qualquer um pode se sentir revitalizado com qualquer uma das finalizações presentes no jogo, pois Vasily tem uma infinidade de meios para pôr um ponto final no batimento cardíaco dos inimigos; sempre que o oponente está com o mínimo de vida o jogador deve apertar o botão X e uma animação em close-up acontecerá, e todas alegrarão quem estiver jogando.

Como o jogo possui uma visão aérea, as animações das finalizações ganham mais dramaticidade, pois nos aproximamos da ação quando realizadas e depois a imagem volta para a visão do topo. Ter uma visão de cima pode não agradar a todos, mas é uma boa solução para o jogador se orientar nas inúmeras batalhas que há no game. Não será preciso se preocupar com a tela cheia de inimigos cobrindo o personagem principal, nem câmeras que mais atrapalham do que ajudam.

Além das várias formas de finalizar os inimigos com as mãos e pés do monge halterofilista, temos uma infinidade de armas, de fogo e brancas, que fazem um bom serviço em variar as formas de luta do game. As armas brancas têm uma durabilidade limitada que vai diminuindo de acordo com o uso, enquanto as armas de fogo se limitam à quantidade de balas que possuírem, não sendo possível recarregá-las.


E fique atento! Vasily possui um ataque de imobilização que ajuda e muito para emendar combos. Ao apertar o L quando os inimigos brilharem em vermelho, o protagonista os imobiliza e impede que ataquem, além de poder pegar as armas que estiverem carregando. É uma mecânica que pode tornar o jogo mais fácil para alguns, mas saiba que numa tela com mais de cinco inimigos o difícil é sair sem nenhum arranhão.

Também há diversos locais nas fases que servem como espaços interativos para finalizar o oponente de uma forma mais criativa. Podendo ir de galhos pontiagudos ou fogueiras acesas até mesas cirúrgicas com serras ou as turbinas de um avião-caça. Divirta-se num mundo de múltiplas possibilidades.

Há também a possibilidade de finalizações cautelosas. Mas não pense que há um investimento em stealth, muito pelo contrário, o game se vale muito de uma constância de batalhas frenéticas. Mas aconselho aproveitar e finalizar rapidamente os inimigos que estão vulneráveis, garantindo a recuperação da barra de vida. Sem contar que pode aparecer uma arma extra para o jogador chegar chegando em um cenário mais movimentado.

Sinto que devo comentar que em certos momentos achei que Vasily era representado com uma força um tanto exacerbada, pois não é incomum ver inimigos voando pela tela como bonecos feitos de espuma. Mas depois vi que isso faz parte das físicas programadas no jogo, pois em minhas inúmeras mortes o protagonista voou algumas vezes também parecendo uma boneca de pano.

Do templo aos laboratórios

E falando em cenários movimentados, ao passo que a jogatina vai avançando, o jogador sairá de batalhas com meros empregados da empresa vilã até encontrar monstros resultantes de experiências realizadas nos laboratórios (certamente clandestinos). A variedade de inimigos é, de certa forma, diversa, mas se limitando em mercenários com armas e uniformes variados e/ou monstros com especificidades diferentes.


Já os bosses são uma pedra no sapato à parte. A maioria chega a cansar um pouco a beleza do jogador, mas nada que uma atenção e algumas armas espalhadas pelo cenário não ajudem a liquidá-los sem maiores problemas. Uma pena que o chefe final deixa e muito a desejar no quesito desafio; eu passei mais perrengues com os primeiros subchefe do que destruindo o grande vilão do jogo.

É possível evoluir o protagonista com itens encontrados nas fases. O brutamontes possui dois tipos de habilidades: de Monge e de Soldado. As primeiras se limitam aos socos, chutes e usos de armas brancas, já as segundas são das armas de fogo. Mas saiba que é possível avançar em muito da campanha sem upgrade algum (resultado da estupidez do redator, e não da falta de necessidade). Os upgrades são bem-vindos depois que adicionados, a maioria contribui e muito para a realização de combos mais complexos e longos, além de melhorar o desempenho das armas secundárias.

O título tem controles responsivos e a movimentação é bem fluída. De primeira aconselho a usar o Pro Controller, mas jogar com os JoyCon no modo portátil e/ou no modo controle autônomo não é nenhum transtorno.

Quanto à performance do game, não chego a dizer que estamos com um título com gráficos exuberantes. Na verdade, o game inteiro tem uma pegada bastante escura, o que dificulta ver os cenários e detalhes de forma mais aprofundada. Comparando imagens das outras versões senti a edição para Switch um tanto pobre, com menos efeitos de luz e texturas e com tons mais escuros como forma de compensar.


Pude presenciar alguns bugs ao jogar o game, apenas um que comprometeu o andamento do game, mas nada realmente alarmante. Durante uma batalha contra um chefe, finalizei-o com armas de fogo, porém era preciso realizar uma finalização manual para que ele dissesse suas falas finais e a história avançasse. Como isso não aconteceu, precisei reiniciar a fase. Já os glitches inofensivos: a maioria era durante a finalização dos inimigos comuns. Quando Vasily os chocava contra a parede, o adversário atravessa-a e caía no cômodo à frente.

Antes que eu me esqueça, o game possui um modo Arena, no qual o jogador deve derrotar hordas de inimigos na tela, nada de mais e nada de menos. E é possível realizar a campanha com um segundo jogador, o que eu não cheguei a testar, mas acredito que deva deixar a jogatina mais dinâmica e, de certa forma, mais fácil, pois o game pode ser facilmente zerado com um único jogador.

Num geral é um jogo divertido, é uma adição interessante para aqueles que curtem um beat ‘em up e sabem que o mercado anda escasso. Entretanto, o game não contribui como título solo; é difícil jogá-lo sem uma sensação de já ter jogado algo parecido em algum outro momento da vida.

Prós

  • Jogabilidade fácil e intuitiva;
  • Batalhas frenéticas e empolgantes.

Contras

  • História irrelevante;
  • Cutscenes com problemas no áudio;
  • Qualidade gráfica duvidosa;
  • Sem fator replay;
  • Conceito e desenvolvimento genérico.
Redeemer: Enhanced Edition - Switch/PS4/XBO/PC - Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vladimir Machado
Análise produzida com cópia digital cedida pela Koch Media

Estudande de Letras que gostaria de aprender todas as línguas existentes, mal sabendo lidar com as duas que já fala. Descobriu seu amor pela Nintendo ao conhecer Super Mario 64 e desde então nunca mais largou os cogumelos, karts e rúpias que encontrou em seu caminho.

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