Blast from the Trash

Mario Pinball Land (GBA): a péssima execução de uma premissa com grande potencial

Esse spin-off certamente não merece receber o nome do mascote bigodudo devido sua qualidade duvidosa.


Mario é certamente um dos mascotes mais versáteis do mundo dos videogames. O encanador italiano já correu de kart, jogou tênis profissional, basquete, futebol, já foi atleta em várias modalidades nas Olimpíadas, já foi do fundo do mar ao espaço sideral. Praticamente não há o que nosso gorduchinho não possa fazer.


Tudo isso fez com que Mario fosse também conhecido por seus jogos spin-off de sucesso. Várias dessas franquias começaram lá atrás e ganham novos títulos a cada geração por conta da sua grande base de fãs. Mas hoje vamos relembrar uma das poucas vezes em que a tentativa de inserir a série Mario num universo alternativo foi mal executada: Mario Pinball Land, para o Game Boy Advance, no ano de 2004.
Mario quebrando tudo! (só que não)
No jogo Mario Pinball Land (conhecido como Super Mario Ball fora das Américas), desenvolvido pela Fuse Games e publicado pela Nintendo, controlamos as alavancas em mesas de pinball onde Mario é a bola. Sim, isso mesmo, nosso amigo bigodudo se transformou numa bolinha com o objetivo de salvar sua princesa das garras de Bowser. O jogo foi claramente inspirado por Super Mario 64, onde temos que cumprir objetivos nas fases e coletar estrelas como recompensa para então abrir portas para novas áreas dentro daquele mundo. A premissa pode parecer interessante e divertida, mas a ideia não foi bem executada e o jogo acabou recebendo somente críticas negativas e se tornando aquele título que preferíamos esquecer.

Passeio em um parque muito louco

A narrativa apresentada nos primeiros segundos do jogo é extremamente simples, tanto é que é toda ilustrada por apenas uma cutscene com menos de 40 segundos de duração e sem texto algum. Nela podemos ver Mario e Princesa Peach chegando a um parque de diversões chamado The Fun Fair, com várias atrações e barracas e muitas opções de diversão para os frequentadores. Mas a atração que mais chama a atenção é a Pinballer, uma máquina que pode transformar quem entra nela em uma bola — isso mesmo, uma bola —  para que logo em seguida a pessoa seja atirada por um canhão (The Sky Cannon) em um alvo gigante alguns metros à frente. Vários Toads experimentam a máquina e se divertem, até que a princesa Peach decide se aventurar também. Ela entra na máquina e se torna uma bolinha, e nesse momento aparecem dois Goombas que redirecionam o canhão, fazendo com que a princesa seja atirada diretamente no castelo de Bowser! Mario vê tudo acontecer e logo em seguida pula na máquina também, sendo atirado para outra área, onde precisa viajar por vários ‘mundos’, coletando estrelas e chaves para enfim entrar no castelo do Bowser e salvar a princesa.

Pura diversão! Yheeeei!

Progressão clássica mas com novos problemas

Como dito anteriormente, a progressão nas fases do jogo se dá ao coletar estrelas após derrotar todos os inimigos da tela ou realizar outras ações específicas. As estrelas coletadas são usadas para atravessar portas que levam a novas áreas daquele mundo. Ao fim de cada mundo temos uma luta contra um chefe, onde o jogador receberá uma Starkey que servirá para acessar a última fase - o castelo de Bowser - e enfrentar o vilão. Ao todo, são 4 chaves e 35 estrelas, sendo que apenas 15 estrelas são necessárias para finalizar a campanha principal. O maior problema aqui é que o jogador não tem quase nenhum controle sobre a direção em que a bola (Mario) será arremessada. A física do jogo parece esquisita, fazendo com que realizar ações necessárias para progredir na aventura se torne algo estressante, pois aqui ficamos muito dependentes da sorte.

Nas máquinas de pinball, o jogador controla as alavancas da esquerda e da direita, que batem na bola e a faz correr pelo tabuleiro. A mesma coisa acontece em Mario Pinball Land, onde usamos os botões L e R para mover as alavancas da esquerda e da direita respectivamente. Além disso, o botão B pode ser usado para ativar itens, que por sua vez são comprados na lojinha do Toad ou ganhos em caixas nas fases. A simplicidade dos comandos não é uma vantagem: a verdade é que com isso se tem pouco (ou nenhum) controle sobre Mario. O fator sorte é uma constante nesse jogo, dada a incerteza do caminho que a bola vai tomar e os muitos passos que são necessários para abrir uma passagem, tornando fácil que se perca seu progresso e tenha que começar do zero. Sim, do zero. Por exemplo, se você conseguir finalmente abrir uma porta para uma nova área e acidentalmente deixar Mario cair entre as alavancas, ele irá voltar à área anterior e ela terá sido reiniciada, com todas as portas fechadas e você tendo que fazer tudo de novo para voltar até onde estava.

Atrações não tão atrativas assim

Creio que o visual seja o único atrativo de Mario Pinball Land. O jogo possui um pseudo-3D muito charmoso e bem feito para a época, com cores vibrantes e boa variação de cenários. Mesmo com diferentes temáticas entre os mundos, não temos nada muito inovador aqui, pois são cenários já visitados pelo encanador anteriormente em outros títulos da série. Inimigos clássicos retornam para infernizar a empreitada de Mario e os capangas de Bowser tem modelagens bonitinhas e fazem parte dos obstáculos das fases. No geral, o jogo é visualmente charmoso, mas não o necessário para torná-lo marcante e muito menos para compensar por seus muitos outros problemas.


Sobre a trilha sonora não há muito o que ser dito aqui: ela é enfadonha e totalmente desnecessária. Com os vários momentos frustrantes e repetição das mesmas ações, a trilha sonora só serve para aumentar o estresse do jogador. São músicas pouco elaboradas, sendo algumas apenas rearranjos de canções canônicas da série Mario, tornando-as dispensáveis depois de algum tempo.

Triste realidade

Com uma premissa divertida e que já deu muito certo com outras franquias da Nintendo, Mario Pinball Land não vingou e teve uma péssima recepção. Este certamente faz parte dos títulos obscuros da série Mario que precisam ser apagados de nossas memórias. O jogo, apesar de bonito, é bastante raso quanto a objetivos e inovação, e sua simplicidade na jogabilidade o torna frustrante e repetitivo. O fator sorte é constante e leva a paciência do jogador ao limite com dificuldades desnecessariamente implementadas para estender o tempo de jogatina, tudo isso regado com uma trilha sonora dispensável. Não acredito que a Nintendo possa revisitar o universo pinball usando a franquia Mario, mas este título certamente serve como uma grande lição e, se reinventado, pode se tornar mais uma das divertidas aventuras do nosso encanador favorito em universos inusitados.


E você, caro leitor? O que pensa sobre este título? Ele fez parte da sua coleção? Traz boas lembranças ou aquela raivinha adormecida é despertada? Conta pra gente ali nos comentários.

Revisão: Vladimir Machado

Estudante de Letras, apaixonado por vídeo-games e música. Gosta de conversar sobre hobbies em comum, receber dicas e recomendações e de capturar monstrinhos de bolso enquanto explora Hyrule.

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