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Análise: Milo's Quest (Switch) — Milo pode até ser um bom garoto, mas sua jornada, nem tanto

O cachorrinho Milo carrega muitas caixas e ataca vários fantasmas em linha reta neste título da Ratalaika Games.


Não se engane pelos gráficos fofos e o adorável protagonista canino, Milo's Quest é tão vazio e sem direção quanto a premissa de sua história. Começa assim: Milo, como a maioria dos cãezinhos, gosta de passear por aí e interagir com que tudo que aparece pela frente. Só que, em um belo dia andando pelo parque, o curioso cachorrinho se depara com um misterioso osso verde e não resiste à vontade de abocanhá-lo. Mal sabia o cão que isso iria reviver o terrível Rei Old Skull e invocar um exército maligno de fantasmas. Agora, como o bom garoto que ele é, Milo sabe precisa arcar com a responsabilidade de salvar o mundo.

Às vezes um osso custa caro

Como provavelmente é esperado pela maioria das pessoas, Milo precisa livrar a Terra das garras dos espíritos do mal utilizando seus incríveis poderes de: "mover caixas" e "dar uma investida em linha reta". Mas calma, vamos por partes. No começo do jogo você controla o fofo-porém-simplista-Milo-pixel-art na parcimônia, andando tranquilo pela grama, e nenhum botão faz nada — e também não tem nenhum fantasma pela área, então tá tudo certo.

No entanto, rapidamente o jogo revela que só é preciso passar por cima dos (vários) arbustos para encontrar ossos que podem estar escondidos por ali. Nota: você não coleta os ossos ao passar por cima dos arbustos, você simplesmente os revela. Sim, é preciso voltar um pouco atrás e pegar o infeliz do osso toda vez que ele aparece — o que acontece basicamente durante o jogo inteiro, e a toda hora.



Pegar ossos é a principal mecânica do jogo, sem dúvidas. Mas outras duas também são apresentadas em poucos minutos e se encontram no centro do gameplay de Milo's Quest: resolver puzzles empurrando caixas em cima de botões e matar inimigos sempre com o mesmo ataque em linha reta. Na verdade, esses dois aspectos são tão importantes que até o próprio título admite. Logo no início, você pode decidir se quer jogar apenas a "Aventura" (simplesmente ir para frente e matar fantasmas) ou "Aventura e Puzzles" (matar fantasmas e empurrar caixas).

Se eu explicar agora que os ossos coletados servem como "dinheiro" para comprar upgrades, eu basicamente expliquei 100% do jogo. E não são muitas melhorias à venda, sendo apenas duas: mais uma barra de stamina e mais um coração de vida. Basicamente, para usar o dash, ou melhor, a investida que também é único ataque do cachorro, você gasta uma barra de vida (que se regenera em muito pouco tempo, por sinal). E os corações funcionam do jeito mais simples possível: após levar um hit (ou, na maioria das vezes, só encostar em um inimigo) você perde um coração inteiro de vida. 



O combate consegue ser bastante frustrante em muitos momentos. O ataque só funciona se o fantasma inimigo estiver exatamente em frente à cabeça do cachorro na hora do dash. Se Milo estiver um pouquinho mais para o lado do que o ideal, o hitbox realmente não perdoa e sua investida só não funciona. Sem falar que não existe qualquer tempo de invencibilidade após a sua corrida em direção ao inimigo — e todos os fantasmas precisam de múltiplos ataques para morrer –, o que torna toda parte das batalhas ainda mais irritantes.

Para fechar com chave de ouro, em praticamente todas as áreas é preciso derrotar um grande número de inimigos para abrir portões. E sim, todos os fantasmas "respawnam" a cada vez que você volta para cada maldita área — o que acaba sendo constante, já que não existe qualquer tipo de mapa na tela ou em algum menu (com exceção de um item que ajuda você a ver cada canto da área atual, o que é totalmente inútil). Por sorte, pelo menos os puzzles não resetam, é só resolvê-los uma vez que o jogo lembra para sempre. 



No final das contas, Milo's Quest é um jogo simples e repetitivo que passa longe de ser divertido e chega até a irritar um pouco. Os gráficos são fofos por dois segundos e logo também se tornam repetitivos: todas as salas são iguais e o mesmo vale para os inimigos. Da mesma forma, a música é sempre a mesma e não é nada agradável, pelo contrário: parece feita para incomodar mais ainda durante as várias voltas redundantes pelas mesmas localidades idênticas.

Os puzzles são fáceis demais e quase sempre bem iguais, mas também conseguem ser burocráticos demais para se recomeçar, caso algo dê errado. Arrastou alguma caixa para o lado contrário? Melhor sair da área apenas para voltar e enfrentar 30 fantasmas mais uma vez. Mas aí, o que acontece? Você vira refém do péssimo combate chato e impreciso mais uma vez. Pelo menos os chefes são um pouco mais divertidos e até têm um design maneiro — mas são apenas três e eles são bem simples de serem derrotados. 



Parece mesmo que é impossível sair ganhando com Milo's Quest. Talvez o único real ponto "positivo" seja a curta duração do título. O melhor a fazer é seguir para a direção oposta do cãozinho, deixar aquele osso fantasma bem enterrado no parque e jogar literalmente qualquer outra coisa.

Prós

  • Visual agradável;
  • Os chefões até que são interessantes.

Contras

  • Repetitivo ao extremo em todos os aspectos;
  • Puzzles fáceis demais;
  • Combate pouco preciso e genuinamente irritante;
  • Exploração confusa e desnecessária.
Milo's Quest - Switch/PC/PS4/XBO - Nota: 3.0
Versão utilizada para análise: Switch 
Revisão: Vladimir Machado
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ratalaika Games

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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