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Análise: Sega Ages Sonic the Hedgehog 2 (Switch) traz novidades ao clássico do passado

Um dos maiores jogos do ouriço azul chega ao Switch apresentando novas mecânicas e funcionalidades.

Embarcando no hype do recém-lançado filme do ouriço azul, a Sega decidiu relançar mais uma vez a segunda aventura de Sonic no Mega Drive. Desta vez, chegou a hora do Nintendo Switch receber a sua própria versão de Sonic the Hedgehog 2 com o selo da “Sega Ages”, uma seleção de jogos clássicos da empresa relançados para o Switch com funções inéditas e outros polimentos especiais.


Como seu grande diferencial, esta nova versão de Sonic the Hedgehog 2 traz mudanças na jogabilidade, filtros, modos inéditos e mais regalias. Nesta análise, o conteúdo da versão Sega Ages será posto à prova para saber se realmente essa é a melhor maneira de jogar o clássico jogo do ouriço azul.

Tenho que ir rápido



Sonic the Hedgehog 2 é um clássico platformer 2D lançado originalmente em 1992 para o Mega Drive. No jogo, o ouriço azul Sonic conta com a ajuda do seu fiel escudeiro Tails, uma simpática raposa de duas caudas, para derrotar e frustrar os planos malignos do Dr. Eggman (Robotnik para os mais íntimos).

Enfim, depois de tanto tempo desde o seu lançamento, o que há de se falar sobre Sonic 2 que já não foi repetido a exaustão? O título foi um marco na infância de muitas pessoas e continua sendo, até hoje, um exímio jogo de plataforma recheado por uma jogabilidade polida, músicas marcantes, personagens carismáticos e um level design inesquecível.

Os gráficos vibrantes do título envelheceram tão bem quanto vinho. A refrescante sensação de velocidade que virou marca registrada do ouriço ainda surpreende pela fluidez. Os controles são simples e os cenários intuitivos. Por outrora, a qualidade das fases ainda continua decaindo bastante com os desafios injustos e irritantes proporcionados pelas infames Metropolis Zone e Wing Fortress Zone na reta final da aventura.

Carregando os mesmos erros e acertos, este ainda é o mesmo Sonic 2 que conquistou o mundo no Mega Drive. Só nos resta saber o que realmente esta versão traz de novo para justificar mais um relançamento no meio dos milhares ports do jogo espalhados pelos mais variados consoles.

Novidades para o passado

Desde o seu primeiro anúncio, a Sega vendeu a adição do Drop Dash como a principal novidade presente nesta edição. Caso não saiba, o Drop Dash foi uma mecânica introduzida em Sonic Mania (Multi) que permite que o ouriço azul possa realizar um rápido spin dash ao tocar no chão depois de um pulo qualquer.

A primeira vista parece que essa não é uma mecânica que vai mudar muita coisa na gameplay. De fato não é nenhuma mudança extraordinária ou algo do tipo, mas pelo menos o Drop Dash ainda consegue adicionar uma nova camada de possibilidades ao movimento do personagem e das interações com os cenários do jogo. Experimentar e brincar com essa técnica pela primeira vez dentro de Sonic 2 traz um certo frescor para momentos que normalmente seriam mundanos.

Por falar em experimentação, o modo Ring Chain conta com uma premissa que foge dos padrões da franquia. Nele, o principal objetivo é coletar o maior número de anéis de forma consecutiva. Caso o personagem sofra um dano, o contador zera e a maior sequência que você atingiu fica registrada como o recorde atual.

De todos os modos, o 100-Ring Challenge é o mais decepcionante de longe. Neste modo, você precisa completar a fase no menor tempo possível enquanto carrega pelo menos 100 anéis. A premissa tem muito potencial, mas na prática se prova extremamente limitada porque a única fase disponível para jogar é o primeiro nível do jogo.



Depois de alcançar um recorde no modo de sua escolha, é possível registrá-lo no ranking mundial dentro do jogo e disponibilizar um replay para que todos possam baixar e assistir. Por consequência, você também pode baixar o replay dos melhores jogadores do mundo e implementar as estratégias que eles utilizam no seu jogo.

Entre os modos diferenciados, temos ainda a presença do Ring Keep Mode e do Knuckles in Sonic 2. O Ring Keep é basicamente um modo “fácil” onde o seu personagem começa a fase com 10 anéis e sempre perde apenas a metade dos anéis que estava carregando ao sofrer um dano.

Como o próprio nome já sugere, Knuckles in Sonic 2 permite que você controle Knuckles na campanha do jogo. Não é nenhuma novidade entre os fãs da franquia que já estão cansados de ver relançamentos trazendo essa opção, mas continua sendo divertido explorar os cenários fazendo uso das habilidades de planar e escalar do equidna vermelho.

Depois de zerar a campanha uma vez, você libera o Super Sonic ou Hyper Knuckles Mode, dependendo do personagem que você utilizou. Ao selecioná-lo, o jogador começa todas as fases com 50 moedas e o acesso a habilidade de se transformar na sua respectiva forma Super sem precisar coletar nenhuma esmeralda. 

A ideia é simples, mas acabou sendo uma das opções mais divertidas e interessantes que vieram desta versão. Sair destruindo tudo pela sua frente com o Super Sonic sempre que você quiser é extremamente prático e relaxante para quem não quer pensar muito na hora de jogar. 

Por fim, você pode alternar entre a versão japonesa ou internacional do título, selecionar filtros, telas de fundo e outras perfumarias para a interface durante a jogatina. Há também uma opção que te leva automaticamente para a seleção de estágios e Sound Test sem precisar fazer nenhum truque escondido.

Podia ser mais

Parece estranho dizer isso, mas a falta de um museu com concept arts, informações e outros extras pequenos foi um pouco decepcionante. Esse tipo de conteúdo era figurinha carimbada na maioria dos relançamentos de Sonic 2 e, mesmo assim, ficou de fora nesta versão.

Assim como os outros ports de Sonic desenvolvidos pelo estúdio M2, a versão Sega Ages também conta com um sistema de save e load states para auxiliar os jogadores. Visto que o progresso não podia ser salvo no jogo original, pode se dizer que a presença desta opção é quase que obrigatória nos dias atuais.

Dito isso, é importante citar que todo esse processo de “saves” poderia ser desenvolvido de uma forma muito melhor. Um botão para avançar e retroceder as ações do jogo, por exemplo, seria uma função que descomplicaria bastante a necessidade de ter que ficar pausando o jogo toda vez que você quiser consertar algum erro feio.

Outra coisa simples que ficou faltando foi a opção de reatribuir mais funções aos botões do controle. Como o jogo praticamente só requer o uso de um botão para fazer tudo, todos os outros que não estão em uso poderiam ser utilizados para agilizar os processos que só são acessíveis no menu de pause. São problemas minúsculos na grande escala, mas que poderiam ser o grande diferencial desta versão para justificar a sua compra ao invés dos outros ports.


Um port equilibrado

Sega Ages Sonic the Hedgehog 2 é sem nenhuma dúvida a versão mais versátil deste clássico do Mega Drive. Fica claro, no entanto, que ainda há muito espaço para fazer algo bem melhor. Se você se interessou pelo conteúdo exclusivo dessa versão e quer muito jogar o clássico no Switch, pode ir sem medo nenhum. Se você nunca jogou Sonic 2, faça um favor e vá logo experimentar um dos melhores jogos da era 16-bits.

Prós:

  • Drop Dash adiciona uma nova camada ao jogo;
  • Sonic 2 continua sendo incrível até hoje;
  • Modo Super é divertidíssimo;
  • Sistema de replays é interessante.

Contras:

  • 100-Ring Challenge é promissor, mas só tem uma fase;
  • Ausência de extras que eram comuns em outras coleções;
  • Poderia ter mais conteúdo.
Sega Ages Sonic the Hedgehog 2 - Switch - Nota: 8.0
Revisão: Vladimir Machado
Análise produzida com cópia digital cedida pela SEGA

Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.


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