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Análise: Operencia: The Stolen Sun (Switch) oferece muita exploração e segredos em um mundo rico e sombrio

Este RPG é uma ótima pedida para fãs do gênero Dundgeon Crawler ou que simplesmente queiram imergir em uma aventura instigante.


Operencia: The Stolen Sun é um RPG dungeon crawler em primeira pessoa que apresenta uma narrativa interessante em meio a cenários únicos recheados de puzzles inteligentes e variados. Envolto em uma ambientação imersiva e sombria, sua narrativa foi inspirada em antigas histórias da Europa central, como descrevem seus próprios criadores.

O jogo nos apresenta um mundo fantástico de florestas sombrias, castelos amaldiçoados, criptas sufocantes e personagens com um passado misterioso que cruzam seus caminhos graças a um mal que afeta a todos: o Sol foi roubado. Você, um aventureiro iniciante guiado apenas por um sonho enigmático recorrente, se lança nessa jornada para derrotar o mal e trazer de volta o brilho do Astro Rei sobre Operencia.

O roubo do Sol

Operencia: The Stolen Sun se apresenta ao jogador com um prólogo/tutorial onde encarnamos o Rei Átila - acompanhado de sua esposa Reka - em uma missão que tem por objetivo fechar um portal que liga o Submundo (Inferno) ao mundo de Operencia.

Aqui percebemos como funciona a movimentação pelos mapas por meio do sistema de grade, seguindo nas direções frente, trás, esquerda e direita com o analógico esquerdo e controlando a câmera livremente com o analógico direito. A livre movimentação da câmera é um recurso que te permite analisar o cenário em busca de objetos interagíveis, procurar por detalhes e pistas escondidos ou mesmo admirar o ambiente.


Temos também um gostinho da ótima atuação de voz dos personagens e dos diálogos inteligentes, que serão ainda mais desenvolvidos ao longo da história. Com textos sempre cheios de um certo misticismo e uma pitada de humor, os diálogos do jogo são totalmente dublados e, em conjunto com a belíssima arte dos personagens, dão maior profundidade às suas personalidades e proporcionam maior imersão na narrativa.

Logo nesse comecinho, também é possível perceber que o port de Operencia: The Stolen Sun - originalmente lançado para plataformas mais poderosas que o Switch - não teve uma execução tão boa e acabou sofrendo um pouquinho nessa transição. Além de uma imagem mais borrada (especialmente no modo portátil), o jogo apresenta um delay no carregamento das várias camadas de texturas dos cenários em alguns momentos, especialmente quando se inicia um novo labirinto.


Também é perceptível a queda na qualidade de alguns efeitos de habilidades em batalhas, mas não é nada que chegue a ser gritante ou que atrapalhe a experiência geral. Ainda temos visuais belos e labirintos únicos com muito a ser descoberto.

Exploração extensa e segredos muito bem escondidos

O aspecto forte de Operencia: The Stolen Sun são seus calabouços labirínticos cheios de enigmas e tesouros. Andar pelos corredores dessas dungeons bem desenhadas é divertido e ao mesmo tempo desconcertante. Cada canto de cada mapa pode esconder segredos que te farão quebrar a cabeça e vagar por vários minutos em busca de uma solução.

Além das portas e baús obrigatórios para o progresso, existem ainda paredes falsas que podem simplesmente ser atravessadas; chaves de baús do tesouro opcionais que rendem boas recompensas em ouro e equipamentos; relíquias e objetos especiais que te farão dizer “ah, então era pra isso que isso servia?…”; e, por fim, algumas áreas que são inacessíveis na primeira vez que você visita um lugar, mas que depois são viáveis ao adquirir uma relíquia especial ou um novo membro para a equipe.


Ao pressionar o botão - (menos), acessamos o mapa do calabouço atual, onde nos são mostrados o objetivo principal daquela parte da história e mais alguns objetivos secundários. Nessa tela também são marcadas suas descobertas naquele mapa, como a quantidade de segredos, chaves, completude do mapa e fogueiras encontradas. sempre lado a lado com a quantidade total do que está escondido.

Particularmente, eu gosto bastante desse tipo de recurso em jogos de RPG, pois é bom saber como anda meu progresso na aventura e o que mais tenho a descobrir, ou onde devo focar minha atenção.

Falando em mapas, este também foi um ponto que sofreu um pouco, visualmente falando. Fora o fato de ter sido deixado em baixa resolução, ele também não conta com muita variação das cores de seus elementos visuais e possui ícones de legenda que se parecem bastante uns com os outros. É um mapa funcional, mas que pode ser confuso em alguns momentos quando consultado para buscar objetos específicos.


Já os puzzles encarados pelo jogador são, na maioria, parte da progressão da história daquele calabouço. Mas existem ainda vários deles que são opcionais e se encontram escondidos em algum pedaço do mapa. Sempre vale a pena buscar as respostas para estes segredos, já que além das boas recompensas, eles são uma experiência interessante por si só.

A variação existente é bem bacana, pois cada um tem objetivos e mecânicas distintos. Seja a coleta de emblemas ao derrotar inimigos para então encaixá-los em mecanismos especiais, caminhar sobre painéis específicos para formar um padrão geométrico, ou ainda levantar pesos gigantes para balancear plataformas flutuantes, a execução dessas ações é boa, mas poderia ser melhor.



Mesmo com a câmera sendo livremente controlada pelo jogador, na tela aparece apenas um pontinho branco que indica o centro da visão e o foco da ação do personagem. É preciso mirar este pontinho no objeto com o qual desejamos interagir e então executar uma ação. Isso pode ser frustrante muitas vezes, já que o jogo demanda uma precisão que não é perfeitamente executada pelas alavancas do controle. É nessas horas que a implementação do controle por movimento teria sido muito bem-vinda.

Ao longo da jornada, você irá se deparar ainda com artefatos especiais. Estes artefatos concederão novas habilidades a seu time ou servirão como ferramentas na exploração dos segredos de um labirinto. Desde uma pá que detecta baús de tesouro enterrados ao indicar a sua distância até eles até uma pena mágica que nos permite levantar objetos extremamente pesados, são novas e divertidas possibilidades à sua disposição, que adicionam maior variedade na exploração e busca por mistérios.

Difícil na medida certa

A luta contra inimigos é iniciada sempre que você se aproxima de um deles ao caminhar pelo mapa. O combate se dá por turnos, na ordem indicada em uma barra lateral com as imagens de seus personagens e inimigos. O objetivo principal nas batalhas precisa ser a exploração as fraquezas dos oponentes e, ao mesmo tempo, tentar manter todo o seu grupo vivo. Esta é a melhor estratégia para se dar bem nas lutas. Não é lá muito complexa, mas definitivamente é necessária para se sair bem em cada uma delas.

Vencer uma batalha usando apenas golpes básicos contra todos os inimigos é quase impossível, pois cada um tem vantagens e desvantagens físicas e elementais, e vão revidar com a mão pesada sobre seus personagens sempre que tiverem chance.

As habilidades de seus lutadores, além de um custo de energia para o uso, possuem também um contador que indica o número de turnos que você precisará esperar até usá-las novamente (cooldown), tornando indispensável o gerenciamento desses recursos para sair vivo ao fim do combate.

Com um time de quatro guerreiros, você irá angariar novos companheiros à medida que progride na história, trazendo mais opções para cada batalha à frente. Todos esses personagens poderão ser personalizados com até 8 peças de equipamento cada um: talentos únicos, árvores de habilidades únicas e atributos que poderão ser livremente distribuídos a cada novo nível de experiência.

Em Operencia: The Stolen Sun, não é possível fazer grind para subir o nível de seus lutadores, isso porque os mapas possuem um número fixo de inimigos, que, uma vez derrotados, não voltam a aparecer. Estes inimigos estão alocados em lugares específicos e não aparecem em encontros aleatórios, como na maioria dos RPGs. Por tal motivo, é importante derrotar todos eles para subir de nível e explorar o mapa ao máximo possível, já que os chefes do jogo são bem durões e requerem ainda mais estratégia ao enfrentá-los.



É muito interessante o fato de que cada combate é importante. Cada luta contra inimigos comuns é importante e requer sua atenção para vários detalhes. Seja na fraqueza do inimigo (indicada em balões de texto sobre suas cabeças), seja na hora de pensar em qual habilidade usar, é preciso sempre levar em consideração suas vantagens sobre determinado adversário em campo.

A derrota foi recorrente comigo, e acredito que esta tenha sido uma forma de punição pelas vezes em que não estive suficientemente focado na batalha, ou por alguma vez ter negligenciado a busca por segredos no mapa, me forçando a repensar estratégias e a explorar mais.

Ao redor da fogueira

As fogueiras são um elemento muito interessante, pois acumulam várias funções importantes e são também onde vemos muitos diálogos interessantes e engraçados entre os membros do seu time. Espalhadas por cada um dos calabouços, é nelas que podemos salvar nosso progresso, usar um caldeirão para preparar poções, viajar pelo mapa-mundi de Operencia e visitar dungeons já completadas, comprar e vender itens e, por fim, reorganizar nosso time de guerreiros.

Ao descansar em uma dessas fogueiras, você gasta madeira (um recurso bastante escasso, aliás) para recuperar a vida e energia de seu time. Já a compra e venda fica a cargo de Elia, uma simpática senhorinha de passado misterioso e sorriso fácil. Ela é responsável por boas histórias, visto que é uma figura antiga e muito conhecida por todo o reino de Operencia.


Quase tudo no jogo rende conversa em torno da fogueira, sejam papos que não tiveram um fim durante a exploração de um calabouço, sejam questionamentos sobre as atitudes de um membro da equipe, ou até erros cometidos por você em alguns enigmas. Os diálogos são interessantes e todos alimentam o diário de Jöska, um grande compêndio contendo tudo sobre o mundo, personagens, itens e artefatos que encontramos ao longo da aventura.

Fazer poções também é uma atividade intrigante, já que está mais para a resolução de charadas do que para o trato de ingredientes. As receitas para essas poções são recompensas pelo cumprimento de objetivos ou são adquiridas ao procurarmos por frascos invisíveis nas paredes dos labirintos. Elas são charadas, onde cada dica representa as plantas necessárias, suas propriedades e seu lugar de origem. Se seu palpite estiver correto, você será recompensado com poções muito úteis dentro e fora das batalhas, com estoque reabastecido sempre que visitar uma fogueira novamente.


Todo o jogo tem o tom de uma história narrada por um personagem aparentemente externo a seus acontecimentos. Isso dá ao enredo um tom de fábula que, aliado às belas cutscenes e canções com instrumentos clássicos, te convida a conhecer mais e mais a fundo o passado e o presente de Operencia.

Por mais capítulos

Como uma homenagem a clássicos do gênero e com a proposta de oferecer um dungeon crawler que moderniza elementos clássicos, Operencia: The Stolen Sun cumpre bem suas ambições e proporciona algumas dezenas de horas àqueles que se dispuserem a desvendar cada segredo de cada cantinho de seus labirintos.

Mesmo com os pontos baixos mencionados acima, o jogo traz uma bela apresentação, mecânicas complexas e variadas de exploração, história e personagens cativantes, tudo o que é necessário a um bom RPG. Só nos resta torcer para que Operencia se torne um lugar onde mais coisas fantásticas acontecem e que The Stolen Sun seja uma das várias histórias que podem ser contadas sobre este lugar.

Prós

  • Boa ambientação e tom de mistério constante;
  • História e personagens complexos e interessantes;
  • Ótima atuação de voz na dublagem dos personagens;
  • Exploração densa e variada;
  • Puzzles inteligentes;
  • Fator estratégico presente e encorajado em combates;
  • Campanha longa e cheia de segredos opcionais.

Contras

  • Quedas de performance em pontos específicos;
  • Alguns carregamentos grandes ao iniciar o jogo;
  • Queda na qualidade de efeitos visuais em batalhas e no mapa.
Operencia: The Stolen Sun — Switch/PS4/Xbox One/PC — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Zen Studios

Estudante de Letras, apaixonado por vídeo-games e música. Gosta de conversar sobre hobbies em comum, receber dicas e recomendações e de capturar monstrinhos de bolso enquanto explora Hyrule.


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