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Análise: SNK vs. Capcom: The Match of the Millennium (Switch) é um crossover de luta carismático e divertido

O ótimo título para NeoGeo Pocket Color se destaca com vários sistemas de luta interessantes.


Em SNK vs. Capcom: The Match of the Millennium, personagens de franquias de duas das mais famosas empresas do mundo dos games se enfrentam em um carismático jogo de luta. Lançado originalmente para o portátil Neo Geo Pocket Color, o título impressionou com a grande diversidade de lutadores e mecânicas, além da parte técnica impecável. Agora, o crossover chega ao Nintendo Switch via NeoGeo Pocket Color Selects, em uma versão competente e conservadora.

O confronto de dois gigantes

Na década de 1990, Capcom e SNK eram populares por seus jogos de luta e também eram consideradas rivais, afinal suas franquias tinham conceitos similares e competiam pela atenção dos mesmos jogadores. As desenvolvedoras, inclusive, costumavam colocar elementos sutis nos títulos como provocação, como Dan Hibiki (Street Fighter) sendo concebido como uma versão galhofa de Ryo Sakazaki (Fatal Fury) e Yuri Sakazaki (Art of Fighting), cuja história fazia piada do sistema de luta de Street Fighter.

Mesmo assim, o sonho de qualquer jogador era ver os personagens de ambas companhias juntos em um único título. Para a surpresa de muitos, isso se tornou realidade em 1999, quando as duas desenvolvedoras fizeram um acordo para produzir crossovers entre suas franquias. O primeiro jogo de luta dessa parceria foi SNK vs. Capcom: The Match of the Millennium, lançado originalmente para Neo Geo Pocket.


Assim como outros títulos de pancadaria do portátil, SNK vs. Capcom utiliza o esquema de um botão para socos e outro para chutes, com a força do ataque determinada pelo tempo em que o comando é segurado; já movimentos avançados são ativados ao pressionar os dois botões. Estão disponíveis 26 personagens de franquias diversas das duas companhias, como Fatal Fury, Street Fighter, Darkstalkers e Samurai Shodown, o que oferece boa variedade de estilos de luta.

O crossover adapta mecânicas das séries das duas companhias. Para começar, é possível escolher entre três diferentes estilos de luta. O Average é inspirado em Street Fighter e conta com uma barra de especial com dois níveis; no Counter é possível carregar o medidor de especial manualmente, como em The King of Fighters; já o Rush é focado em criar grandes combos, porém o golpe especial mais poderoso não está disponível. Fora essas opções, o jogo conta com outras mecânicas, como um contra-ataque durante a defesa.


A estrutura das lutas também resgata os elementos das franquias presentes no jogo. Além das tradicionais batalhas um contra um, há embates entre times de três, como em The King of Fighters. Já nas Tag Battles escolhemos uma dupla e podemos trocar de combatente a qualquer momento com um simples comando — é impressionante como este recurso foi implementado com sucesso em um título portátil desse porte.

O frenesi do choque de dois mundos

SNK vs. Capcom: The Match of the Millennium é, facilmente, o jogo de luta mais elaborado do Neo Geo Pocket. Além de oferecer uma grande quantidade de personagens, o título se destaca com a sua fluidez: o ritmo dos embates é acelerado com combos, trocas, contra-ataques e ataques especiais estilosos. A ação é rápida e sem engasgos, ao contrário de outros títulos de luta lançados para a plataforma. O visual pixel art segue o mesmo estilo chibi bem expressivo característico do portátil, e os cenários impressionam com sua beleza e quantidade de detalhes.

Mecanicamente, o crossover mistura um pouco dos universos das franquias das companhias, sem deixar de ter sua própria identidade. Há muitos recursos na hora da luta, e os ataques e combos são fáceis de executar, mesmo estando disponíveis somente dois botões. A grande quantidade de personagens ajuda a trazer diversidade com seus diferentes golpes e estratégias, e os Styles oferecem ainda mais opções aos combates — gostei de tentar dominar todas estas características. Oito dos lutadores, inclusive, são secretos, e desbloqueá-los é um bom incentivo para continuar jogando.

Infelizmente o título sofre do mesmo mal de jogos de luta da década de 1990, com picos de dificuldade irritantes. No modo Tourney, por exemplo, no nível Normal, a dificuldade sobe de maneira exponencial nos dois últimos embates com chefes extremamente poderosos e que fazem sequências bem complicadas de escapar. Claro, com muita insistência e técnica, é possível superar esses desafios, mas não deixa de ser desagradável. Por sorte, essa versão NeoGeo Pocket Color Selects permite retroceder a ação por alguns segundos, aliviando a frustração de ter que recomeçar o combate desde o início.
 


Muito conteúdo em uma adaptação conservadora

Um ponto notável em SNK vs. Capcom é a quantidade de conteúdo. Além do tradicional Tourney, SNK vs. Capcom conta com vários outros modos interessantes. Survival e Time Attack são clássicos, já no First Strike vence quem acertar primeiro o oponente. Há também vários minigames divertidos, como um joguinho de ritmo estrelado por Felicia (de Darkstalkers), um título de tiro em primeira pessoa com os personagens de Metal Slug, e um desafio de coletar tesouros e desviar de perigos com Arthur, de Ghosts ‘n Goblins. Só é importante alterar os botões A e B na configuração do jogo, pois certos minigames dependem deles e a posição no Switch é inversa à do Neo Geo Pocket Color. Pontos obtidos nesses modos podem ser utilizados para liberar um ataque especial extra para os personagens.


A adaptação para Switch via NeoGeo Pocket Color Selects é simples e não oferece novidades em relação aos últimos lançamentos disponibilizados na mesma linha. Dentre as opções, podemos escolher skins para a tela, acessar o manual de instruções, aplicar filtros visuais, mudar o nível de zoom e retroceder a ação em até dez segundos a qualquer momento. Fora isso, o multiplayer local está completamente funcional, por mais que no modo portátil só esteja disponível naquela estranha configuração de tela dividida.

Essas opções são bem-vindas, mas alguns detalhes incomodam. Senti muita falta de recursos na hora de configurar os controles, como uma opção para ativar o comando A+B com um único botão. O manual de instruções é uma ótima adição, mas marcadores fazem muita falta — é irritante ter que navegar por várias páginas toda vez que abrimos o livreto virtual para consultar os golpes dos personagens. Como uma opção retrô, a adaptação funciona, porém certos recursos fazem falta. 
 


Um crossover de primeira

SNK vs. Capcom: The Match of the Millennium é um ótimo jogo de luta portátil e facilmente um dos maiores destaques da biblioteca do NeoGeo Pocket Color. O título apresenta sistemas elaborados (dentro das limitações do console original), explorados em batalhas ágeis repletas de combos e possibilidades. Além disso, o jogo transborda conteúdo com muitos personagens, diferentes estilos de combate e vários minigames. A adaptação para Switch é competente e conta com alguns recursos úteis, mas a presença de mais opções tornaria melhor a experiência como um todo. No mais, SNK vs. Capcom oferece uma experiência retrô divertida, além de ser também um interessante crossover.

Prós

  • Combate flexível e veloz com três diferentes sistemas, além da presença de Tag Team e lutas com times;
  • Grande diversidade de lutadores com estilos bem distintos;
  • Visual elaborado (dentro de suas limitações) com belos cenários e animações;
  • Boa variedade de modos e minigames;
  • Emulação com recursos interessantes.

Contras

  • Picos de dificuldade são irritantes;
  • Recursos de emulação limitados.
SNK vs. Capcom: The Match of the Millennium — Switch — Nota: 8.0
Revisão: José Carlos Alves
Análise produzida com cópia digital cedida pela SNK

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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