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Análise: Star Wars - The Force Unleashed (Switch) é uma boa história da saga espacial

Port traz para o Switch um dos melhores jogos da geração Wii.


Em 2008, o mundo era outro. A Marvel Studios ainda dava seus primeiros passos no cinema com o primeiro Homem de Ferro, a rede social que bombava era o Orkut e a seleção brasileira de futebol ainda não havia passado pelo vexaminoso 7 a 1. Nos games, o Nintendo Wii e seus controles de movimento dominavam o mundo, sumindo das prateleiras e aparecendo em filmes, séries e animações. Em setembro daquele ano, um jogo foi lançado para diversas plataformas, tornando-se um dos mais vendidos em cada uma delas: Star Wars - The Force Unleashed.


14 anos depois, a aventura de Starkiller está de volta, portada para o Switch em sua versão que havia sido feita exclusivamente para o Wii pelo Krome Studios. Será que vale a pena empunhar seu Joy-Con tal qual um sabre de luz ou esse lançamento não é digno da força (trocadilho intencional)? Acompanhe-nos nesta saga.

O valor da história

Curiosamente, o contexto em que Force Unleashed é relançado agora possui semelhanças interessantes com o de anos atrás. Em 2008, a franquia Star Wars (e toda a Lucasfilm) ainda não havia sido comprada pela Disney e tinha acabado de passar por uma tentativa de renovação da marca com uma nova trilogia de filmes. Contudo, a recepção aos episódios 1 a 3 foi de morna a negativa, enquanto a história original contada por esse game foi muito bem recebida.
Os protagonistas de boas histórias do universo Star Wars.
Novamente em 2022, Star Wars acaba de passar por uma tentativa de renovação da marca com uma nova trilogia de filmes que, apesar das boas bilheterias, terminaram com uma recepção desfavorável por boa parte dos críticos e dos fãs. Enquanto isso, uma história original (a série O Mandaloriano) foi muito bem recebida.

Tal situação mostra o quanto um bom roteiro faz diferença para um projeto ter alguma relevância. E isso, Star Wars - The Force Unleashed com certeza tem. A história do game, assim como O Mandaloriano fez mais tarde, deixa um pouco de lado a família Skywalker e foca em um personagem periférico, que busca sobreviver naquele mundo de império intergaláctico e alianças rebeldes.

Galen Marek vivia com seu pai no planeta Kashyyyk, lar dos Wookiees, buscando escapar da perseguição contra os Jedi. Entretanto, o poderoso Darth Vader comanda uma invasão ao planeta, mata diversos Wookies até encontrar Kento, o pai do jovem, e assassiná-lo em frente à criança. Galen, junto ao corpo de seu falecido pai, instintivamente usa a Força para retirar o sabre de luz das mãos de Vader. O Sith percebe, assim, o potencial do rapaz e decide tomá-lo como seu aprendiz secreto, transformando o garoto inexperiente em um guerreiro formidável. Assim começa a jornada de Starkiller.
A Força é poderosa em Galen, e Darth Vader sabe disso.
Como uma boa trama de Star Wars, existem intrigas – o fato de Darth Vader esconder do Imperador Palpatine que está treinando um aprendiz matador de Jedi – e dúvidas sobre o caminho que se está trilhando. A cada missão cumprida, Galen começa a duvidar dos ideais de seu mestre e a questionar se a maneira com que o Império mantém a ordem na galáxia é a correta. Todos esses fatores levam a um clímax bastante inesperado, que coroa a história com uma boa conclusão.

Dominando a Força

Na época de seu desenvolvimento, a LucasArts cuidou da versão de Force Unleashed para PS3 e Xbox 360, trazendo verdadeiras inovações técnicas, como a engine DMM, que permitia a destruição de objetos de forma dinâmica, fazendo com que, por exemplo, um vidro jamais se quebrasse do mesmo jeito. Por sua vez, a edição de Wii feita pelo Krome Studios tinha em mente que o hardware era inferior e buscou aproveitar o diferencial do console: os controles de movimento.

Essa adaptação para o Wii foi a escolhida para ser portada para o Switch, trazendo portanto a possibilidade de movimentar os Joy-Con como se fossem o sabre de luz ou reproduzir o empurrão da Força com um gesto. A resposta é boa o suficiente e bastante utilizada nos momentos de quick time event, tão comuns na época. Ainda assim, para quem não quer jogar balançando os braços, no Switch é possível jogar com os controles de modo tradicional.
Hora de mexer o esqueleto.
O port foi bem realizado, com os sensores de movimento funcionando até melhor do que eu sentia no Wii. Além de simplesmente passarem os gráficos para o formato HD, parece ter havido uma atenção em cima da iluminação. As luzes do sabre e da lava estão mais bonitas, assim como um efeito destacando a noção de profundidade em cenas onde algo acontece em primeiro plano. Isso tudo compensa o fato da versão original não ser a mais potente em termos gráficos, considerando o hardware da época.

Por outro lado, os donos de Switch são agraciados com o outro grande diferencial da versão de Wii para Force Unleashed: o modo Duel, exclusivo de combate para dois jogadores. Utilizando a mesma jogabilidade da campanha principal, mas em ambientes fechados, é possível escolher entre 27 personagens da franquia que vão desde os clássicos Darth Vader, Darth Maul e Luke Skywalker a até mesmo outros de menor destaque, como Asajj Ventress, Aayala Secura e Mara Jade, passando pelo protagonista Starkiller.

Esse modo duelo também foi beneficiado pelas melhorias gráficas e continua extremamente divertido. O único “porém” é a impossibilidade de desfrutar dos combates sozinho, visto que a modalidade só pode ser jogada com necessariamente duas pessoas. Já era assim no original, mas teria sido interessante colocar uma IA para controlar os oponentes e oferecer uma opção single player. Ou pelo menos uma opção de multiplayer online, o que também não está presente.
Tem algo feio aqui, e não é a cara do Darth Maul.

O lado sombrio da Força

Vale destacar outros aspectos negativos de Force Unleashed. O fato deste port ser baseado na versão do Wii pode ter tido o benefício de contar com o modo Duel, porém trouxe também gráficos que já eram defasados em 2008. Apesar das melhorias relacionadas à iluminação, a pobreza nas texturas agora está ainda mais evidente e pode afetar a imersão naquele mundo. Em Felucia, por exemplo, detalhes que compõem o solo vão “surgindo” enquanto você se aproxima, às vezes já sob seus pés (as chamadas texturas pop-in).

Outro problema que vem da versão original diz respeito ao baixo fator replay da campanha principal. Não há um grande incentivo a revisitar aquela história uma vez terminada a jogatina. Mesmo os 200 colecionáveis espalhados pelos cenários não representam um grande desafio, visto que não estão muito bem escondidos.

Por fim – e aqui trata-se de uma questão pessoal – os quick time events utilizados para encerrar as batalhas contra os chefes eram uma tendência da época, mas para alguns é uma mecânica que pode ter envelhecido mal. Eu, particularmente, não gostava quando os jogos empregavam esse recurso, mas em Force Unleashed não me incomoda, pois funciona quase como um Fatality com tutorial para ser executado. O único “porém” é que todo combate obrigatoriamente termina com o uso dessa mecânica: seria legal ter a opção de derrotar um jedi por outros meios.

Que a Força esteja com você



Star Wars: The Force Unleashed apresenta uma história inédita verdadeiramente interessante e digna para a série, que se passa entre os eventos de Star Wars - episódio 3: A Vingança dos Sith e Star Wars - episódio 4: Uma Nova Esperança. Visitar lugares conhecidos como Kashyyyk, planeta natal dos Wookiees, ou Felucia, coberto de vegetação, continua sendo muito bom mesmo depois de 14 anos. Com um port competente, ainda que não traga grandes melhorias, jogar esse título no Switch só mostra o quanto o original já era bom em 2008 e continua imperdível ainda hoje, apesar de mostrar sua idade.

Prós

  • Trama envolvente e bem escrita, com uma conclusão inesperada;
  • Controles respondem bem aos comandos, melhor que no original;
  • Possibilidade de escolher entre os controles tradicionais ou por movimento;
  • Melhorias gráficas perceptíveis nos efeitos de luz e de profundidade;
  • Modo Duel traz uma excelente diversão multiplayer.

Contras

  • O modo Duel ser restrito ao multiplayer local contra um jogador;
  • Baixo fator replay da campanha principal;
  • Gráficos envelheceram mal, com texturas pobres;
  • Quick Time Events encerram todos os combates.
Star Wars: The Force Unleashed - Switch - Nota: 7
Revisão: João Pedro Boaventura
Análise produzida com cópia digital cedida pela Aspyr

Nascido no mesmo dia que Manoel Bandeira (mas com alguns anos de distância), perdido em Angra dos Reis (dos pobres e dos bobos da corte também), sob a influência da MPB, do rock e de coisas esquisitas como a Björk. Professor de história, acostumado a estar à margem de tudo e de todos por ser fora de moda. Gamer velho de guerra, comecei no Atari e até hoje não largo os mascotes - antes rivais - Mario e Sonic.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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