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Análise: RWBY: Arrowfell (Switch) é um jogo de ação divertido, mas mediano

Jogo de ação baseado na animação norte-americana foi desenvolvido pela WayForward.

RWBY é uma animação norte-americana para web criada por Monty Oum em 2013 e que continua em andamento. Com foco especial em ação, a obra conta a história de uma equipe de quatro caçadoras, guerreiras com poderes especiais, que lutam contra monstros chamados Grimm. Cada uma delas possui uma espécie de cor temática, sendo associadas respectivamente ao vermelho (Ruby), branco (Weiss), preto (Blake) e amarelo (Yang).

Em RWBY: Arrowfell, nossas heroínas estão explorando a região de Atlas e descobrem um misterioso orbe que atrai os Grimm. A história é canônica, passando-se durante o volume 7 da animação, e cabe ao jogador alternar entre as quatro garotas para investigar o que está acontecendo em Atlas, lutar contra os Grimm e impedir uma grande calamidade.

Quatro caçadoras

RWBY: Arrowfell é um jogo de plataforma de ação em que o jogador deve explorar várias fases, lutando contra os Grimm e resolvendo pequenos puzzles. Cada personagem possui poderes especiais que são úteis tanto no combate quanto na exploração. Ruby pode realizar um dash, Weiss gera plataformas de gelo, Blake cria clones temporários e Yang usa sua força bruta para quebrar blocos.

O principal desafio do jogo fica por conta de lidar com grandes hordas de inimigos, sendo interessante saber como usar as suas habilidades corretamente. Apesar disso, não há um grande incentivo para alternar entre as personagens, exceto pelos puzzles e um chefe em particular.

Além do seu poder especial, cada personagem possui uma arma de curto alcance com ritmos diferentes de golpe. Yang é mais ágil com os seus punhos, mas os ataques dela são mais fracos; já a foice de Ruby é forte, mas lenta. Todas podem atirar energia para atacar a distância, mas consomem um pouco da sua energia vital (HP) para isso. Essa restrição acaba sendo um risco muito alto, o que confesso que me fez completamente ignorar essa opção durante toda a minha jogatina.

Uma vez com a vida no mínimo, o jogador não poderá mais usar ataques a distância, mas a pior parte é que um único ataque do oponente se torna fatal. Todas as personagens compartilham a mesma barra de energia e os corações, que não devem ser eliminados. Ao tomar dano após ter sua energia reduzida a 0, o jogador perde um coração. Porém, ao contrário do que se esperaria em um jogo do gênero, ele não volta a ter a vida cheia depois disso, mantendo-se nesse estado de perigo em que qualquer esbarrão com um inimigo é fatal e pode levar ao game over.

Ao derrotar uma criatura ou quebrar algum objeto do cenário, o jogador pode receber dinheiro (para comprar itens e upgrades), energia ou corações. Na prática, a energia é o item mais raro dos três, sendo fácil chegar ao limite de dinheiro ou inutilizar a obtenção de corações.

Em áreas específicas, é possível encontrar vendedores que oferecem itens de cura e upgrades para aumentar o número de corações ou realizar uma melhoria nas habilidades das meninas. No menu das personagens, é possível consumir os itens e melhorar quatro fatores: ataque físico, ataque mágico, defesa e recuperação de vida ao conseguir bolas de energia. O mesmo upgrade pode ser obtido em caixas de tesouro colocadas em posições fáceis de todos os mapas.

Um jogo de plataforma muito básico

Resumindo bastante, o problema de RWBY: Arrowfell é que ele é um plataforma de ação genérico que não oferece praticamente nada de interessante para o gênero. Mesmo obtendo todos os upgrades e desbloqueando as versões melhoradas dos poderes das personagens em certo ponto da trama, há uma sensação de que o jogo inteiro é a exata mesma coisa sem grandes evoluções.

Isso se deve especialmente pelo design das áreas, que é muito básico e feito com obstáculos muito óbvios. As hordas de inimigos também seguem padrões clichês e nunca exigem que o jogador use os sistemas de alguma forma inteligente.

O máximo de “desafio” do jogo se dá pela rara presença de pontos de save e em ter que voltar para as mesmas áreas para explorar pontos antes inacessíveis em um esquema que lembra um metroidvania, mas de forma muito simplificada e, ainda assim, um pouco inconveniente pela ausência de mapas. Felizmente, é possível sair das áreas a qualquer momento, o que agiliza a experiência.

Mesmo em termos de conteúdo, eu não fiz nada de esforço e o jogo indicou que eu havia feito 96% ao final. Para quem é fã de RWBY, Arrowfell talvez ainda compense por ter interações agradáveis entre as personagens e uma história um pouquinho interessante, mas mesmo isso me pareceu bem raso, pessoalmente falando.

Em termos de audiovisual, gostei bastante do estilo dos ambientes e inimigos, assim como as ilustrações 2D de corpo inteiro e as animações ocasionais que seguem o estilo da série e são animadas pelos próprios criadores. Porém, senti que o modelo dos personagens ficou com a sensação de mal feito pela falta de contorno e também me incomodou uma trilha vocal em particular que estava dissonante com o arranjo instrumental.

Essa música é utilizada já na primeira área e nos créditos, mas me pareceu que ela precisava ter um acompanhamento mais suave. Do jeito que foi feito, ela ficou apenas incomodando os meus ouvidos. De resto, a trilha instrumental e até as outras faixas com vocal são agradáveis e funcionam bem para as áreas, apesar de não terem nada demais.

Um produto aceitável

RWBY: Arrowfell é um platformer de ação aceitável, mas há muitas opções melhores no mercado. Para quem é muito fã da franquia, talvez a obra seja mais envolvente, mas está longe de ser uma recomendação forte para o sistema.

Prós

  • Gameplay fácil de aprender com poderes que podem ser explorados para o combate e exploração;
  • É possível sair da fase a qualquer momento.

Contras

  • Poucas fases e design muito simples que não oferece grande desafio;
  • Ausência de mapa faz com que explorar novamente as mesmas áreas para algumas missões seja inconveniente;
  • Perder um coração leva o jogador a continuar com vida vazia;
  • Ataques a distância consomem vida, inutilizando-os;
  • Sistema banal de upgrades não dá sensação de progresso ao jogo;
  • Pontos esparsos de save;
  • Falta de delineamento para os contornos dos personagens;
  • Uma das trilhas vocais é usada de forma péssima com um arranjo instrumental ao fundo que quebra a harmonia e causa cacofonia.
RWBY: Arrowfell — Switch/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela WayForward


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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