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Análise: Lonesome Village (Switch) impressiona pela quantidade e qualidade de puzzles

A despeito da interação social simples demais, o título da Ogre Pixel se destaca por trazer dezenas de quebra-cabeças divertidos.

É bastante comum que os jogos indies apresentem ideias originais que dificilmente vemos em obras mais tradicionais; no entanto, muitas empresas independentes também optam por seguir em estradas mais convencionais, criando títulos menos arriscados, mas ainda competentes.

Desenvolvido pela Ogre Pixel, Lonesome Village é um bom exemplo disso, pois apesar de não ser muito original, repetindo fórmulas já vistas em demasiado, consegue entregar boas horas de diversão.

Cadê todo mundo?

O jogador assume o papel de Wes, um coiote que acaba de chegar à vila Lonesome. A pequena cidade já foi bem agitada; no entanto, atualmente o povo está desaparecido. Para aumentar o mistério, uma enorme torre surge na praça central, aparentando possuir segredos relacionados ao sumiço dos residentes.

Neste contexto, o protagonista assume a tarefa de encontrar uma maneira de salvar os moradores, reconstruir a cidade e desvendar os acontecimentos passados. Embora não seja inovadora, a história é interessante e desperta curiosidade.

A estrutura gigante e misteriosa é o local onde passamos a maior parte do tempo. Lá, há diversos andares e, em cada um deles, existem um ou mais personagens que precisam ser resgatados. Uma vez salvos, eles voltam para suas casas, e a cidade volta a ganhar vida.

Uma infinidade de puzzles

Para libertar cada criaturinha em Lonesome Village, Wes tem de resolver uma infinidade de puzzles, sendo esse o maior acerto do jogo, visto que ele entrega uma grande variedade de quebra-cabeças divertidos e inteligentes.

Nenhum desafio é extremamente difícil; apesar disso, eles fornecem satisfação ao serem resolvidos. Para citar alguns exemplos, temos labirintos deslizantes; padrões que devem ser memorizados; montar figuras com peças; e mover estruturas para os locais corretos.

É admirável a forma como os desenvolvedores tiveram êxito em distribuir uma alta variedade de enigmas diferentes entre os pisos da torre, com cada novo andar entregando algo totalmente inédito, sem repetir o que já foi visto nos anteriores.

A interação social é apenas um complemento

Ainda que grande parte de Lonesome Village se concentre na resolução de problemas, essa não é a única tarefa do coiote Wes, já que também precisamos ajudar na reconstrução da vila.

Cada novo indivíduo que retorna ao lar possui uma pequena linha de missões que geralmente se resumem a entregar itens. Por vezes, ajudar as pessoas será necessário para prosseguir na história, mas em muitas outras, é totalmente opcional.

Semelhantemente ao que ocorre em Stardew Valley, é possível visualizar os moradores da vila em um menu. Cada um deles possui corações que podem ser preenchidos com o cumprimento das quests, representando a nossa amizade.

Esses corações possuem papel fundamental na campanha principal, pois devemos possuir uma determinada quantidade deles para avançar em certas áreas da torre. Deste modo, o título amarra o convívio na cidade com o objetivo na estrutura gigante, organicamente guiando o jogador a cumprir as tarefas alheias aos enigmas.

Lonesome Village consegue criar um contraste entre os dois lugares principais, trazendo uma atmosfera sombria no prédio por meio de cenários escuros e músicas com tons mais densos; e alegre na cidade, através de cores mais vivas, sons mais animados e personagens carismáticos.

É muito legal vermos que, através da chegada de cada novo morador, a cidade vai ficando mais dinâmica e populosa, com as casas voltando a ser habitadas, comércios retornando ao funcionamento e o povo andando pela rua.

Apesar disso, a interação social é extremamente simples e funciona muito mais como um complemento para o propósito primordial: os puzzles. Deste modo, não espere indivíduos com grandes rotinas e diversas linhas de diálogo, como costumamos ver em jogos de simulação social ou de fazenda.

Algumas mecânicas interessantes e já conhecidas

Para auxiliar na jornada, também contamos com itens que são úteis, além de extremamente familiares. Citando dois exemplos, há um espelho capaz de ver objetos ocultos e um instrumento musical no qual podemos tocar algumas canções, sendo que uma delas faz chover. Não preciso mencionar em qual franquia da Nintendo já vimos esses objetos, né?

Assistindo ao crescimento da vila, me senti tentado a ter o meu cantinho nesse local alegre. Felizmente, os desenvolvedores pensaram nisso, e o protagonista pode ter o seu próprio lar. Dentro da residência, existe a opção de decorar com diversos tipos de móveis que conseguimos comprar ou construir.

Como também não poderia faltar, dispomos de um espaço dedicado à plantação, onde é possível cultivar diversos tipos de produtos, com alguns deles sendo necessários para prosseguir na história.

Um bocado de pontos incômodos

Visualmente, os gráficos em animação 2D se encaixam perfeitamente no universo construído, exibindo diversos animaizinhos fofos. Os cenários possuem a mesma sorte, trazendo locais diferentes ao redor da cidade, como florestas, praias e desertos. Mesmo com tantos acertos, Lonesome Village possui algumas falhas que incomodam bastante.

O jogo não possui um sistema de troca rápida de equipamento, o que nos obriga a sempre abrir o menu e fazer isso manualmente. Uma pena, pois há muitos botões que ficam inutilizados, como o L e o R, que poderiam servir perfeitamente para esse propósito.

Somado a isso, presenciei uma lentidão em diversos momentos, como ao carregar o progresso salvo, em que a tela fica congelada por alguns segundos como se tivesse travado. Essa situação se repete após algumas cutscenes e conversas com os residentes.

Para finalizar, a despeito da elogiável presença de legendas em português, as mesmas contêm erros em certos momentos, com letras e acentos faltando em determinadas palavras.



Mesmo com os problemas, a jornada de Wes é divertida e empolgante

Lonesome Village é uma obra simples, porém muito competente no que se propõe, entregando dezenas de quebra-cabeças inteligentes e satisfatórios de se resolver. Os problemas apontados impedem que ele alcance um nível mais alto, mas não são suficientes para estragar a divertida experiência.



Prós:

  • Variedade incrível de puzzles inteligentes e divertidos, capazes de criar satisfação ao serem resolvidos, mesmo que nenhum deles seja muito difícil;
  • Enredo simples e não muito original, mas interessante e bem-construído;
  • Estilo de arte muito bonito, com cenários habilmente desenhados e personagens fofos e carismáticos;
  • Totalmente legendado em português.

Contras:

  • A ausência de um sistema de troca rápida de itens torna cansativa a mudança de equipamentos;
  • A interação social não é muito aprimorada como em jogos de simulação, servindo apenas como um complemento para os quebra-cabeças;
  • Alguns problemas na tradução para o português, com ausência de letras e acentos;
  • Momentos de congelamento após cutscenes, diálogos e carregamentos do progresso salvo.
Lonesome Village — PC/XBO/XSX/Switch — Nota 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator

Descobriu o amor por games com Pokémon Crystal no Game Boy Color, desde então, joga todo tipo de coisa em todo tipo de console.
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