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Análise: Dawn of the Monsters: Arcade + Character DLC Pack (Switch) ressalta os prós e contras do jogo

O conteúdo adicional do game kaiju traz novidades que entretêm, mas que duram muito pouco para justificar sua compra.

Imagem do DLC de Dawn of the Monsters, com o personagem Meteor Temujin, um robô gigante multicolorido segurando uma espada de energia no ar. Atrás dele, há fumaças de diferentes cores.

Quanto tempo é necessário passar até que um jogo receba uma nova expansão? Será que compensa voltar a um game que você terminou há anos só porque ele ganhou um DLC?


Foi com essas dúvidas em mente que entrei nesta análise de Dawn of the Monsters: Arcade + Character DLC Pack. Lá em março de 2022, publiquei aqui no Nintendo Blast as minhas impressões da aventura kaiju lançada pela WayForward e produzida pelo estúdio 13AM Games.

Agora, cerca de um ano e meio depois, o título ganhou novos conteúdos pagos, incluindo modo, personagem e skins inéditos. Essas adições trazem uma diversão momentânea, que reforça os pontos positivos e frustrantes do jogo base. Mas elas justificam um retorno ao beat 'em up? Sinceramente não.

Arcade estratégico

Como o próprio nome do DLC deixa muito evidente, a primeira novidade deste pacote é um Modo Arcade. Nele, o desafio é sobreviver por 11 níveis fixos compostos por trechos curtos das fases da história principal.

Simulando uma experiência arcade autêntica, jogadores devem passar pelos cenários de uma só vez, com tempo limitado e sem salvamento de progresso. Caso todas as vidas sejam perdidas, é game over e o modo recomeça do zero.

À medida que se derrota monstros e que se conclui levels rapidamente, pontos vão sendo acumulados, que podem ser convertidos em vidas extras. No final, o objetivo é alcançar o topo do leaderboard de maiores pontuações.

Imagem do DLC de Dawn of the Monsters, com o personagem Meteor Temujin destruindo um inimigo.


Por ser uma releitura mais compacta do conteúdo presente no modo campanha, grande parte da jogabilidade já existente em Dawn of the Monsters não é só reutilizada aqui, como também tem suas características realçadas.

Assim como no título base, pensar estrategicamente é necessário para se dar bem contra as hordas de monstros. Isso envolve escolher qual personagem usar baseando-se em seus movesets e atributos de ataque e defesa, decidir o momento certo para utilizar golpes especiais e recuperar energia, e analisar os padrões e pontos fracos dos inimigos.

Tudo isso é envelopado pela gameplay lenta do jogo. Os heróis gigantes continuam com uma movimentação mais pesada do que na maioria dos beat 'em ups. Se essa velocidade já demandava planejar as investidas de antemão, é fundamental levá-la em consideração no Modo Arcade, já que ele dá muito mais importância à sobrevivência.

Gameplay cansativa

Porém, a morosidade que atrapalhava o ritmo do game em 2022 torna-se muito mais evidente neste DLC. A rapidez exigida por experiências arcade acaba não combinando muito com a lentidão dos controles.

Passar pelos 11 níveis do Modo Arcade leva pouco menos de uma hora. Mesmo na dificuldade normal, enfrentar ondas de adversários sem parar é um considerável desafio de resistência.

Como a jogabilidade é mais arrastada, voltar para o início ao ser derrotado traz um sentimento de cansaço, influenciado principalmente pelo peso dos comandos e, consequentemente, pelo tempo que levará para voltar ao ponto em que o game over aconteceu.

O game tenta remediar isso com um sistema de upgrades, no qual é possível equipar buffs de ataque, defesa e mobilidade a cada nível concluído. E, de início, esse recurso traz um frescor à experiência.
Imagem do DLC de Dawn of the Monsters, com o menu de escolha de upgrades.
Ao final de cada nível, você escolhe um upgrade para lhe ajudar na jornada


Seja na opção em que os power-ups são pré-determinados ou na qual eles são oferecidos aleatoriamente, é interessante traçar táticas que utilizem esses potencializadores para aprimorar a performance nas partidas. No entanto, a novidade não dura o suficiente para estimular múltiplas sessões de jogo.

Infelizmente, o modo também não traz recompensas muito boas. Completar as 11 fases garante somente uma arte especial para cada personagem. Pessoas com espírito competitivo também ficarão decepcionadas, pois não há leaderboards online, limitando muito o incentivo para quem não consegue reunir amigos ou familiares para jogar.

O Modo Arcade, no fim das contas, entretém ao ressaltar uma gameplay estratégica, mas não consegue tornar a experiência mais dinâmica e gratificante. É uma diversão que acaba rápido.

Megazord, não. Meteor Temujin!

O segundo conteúdo principal do DLC é o personagem Meteor Temujin. Vencedor de uma votação popular, o herói é meu destaque pessoal.

Trazendo inspirações ainda maiores da cultura japonesa, Temujin é um mecha composto por diferentes máquinas, cada uma controlada por um jovem. Seu design multicolorido obviamente faz referências a séries tokusatsu, como Super Sentai.

O que faz ele se distinguir dos demais personagens de Dawn of the Monsters é a variedade em seu moveset. Ao invés de se fixar em somente um estilo de jogabilidade, como os outros protagonistas, o novato robótico possui três formas de combate distintas.

Usando uma espada, um machado e um martelo, ele conta com força e velocidade de ataque variáveis. Cabe aos jogadores alternar entre essas armas e encontrar a que mais convém para cada tipo de batalha.

Imagem do DLC de Dawn of the Monsters, com o personagem Meteor Temujin destruindo um inimigo.


Porém, para realizar essa troca, é necessário utilizar ataques especiais. Como esses consomem Rage – um tipo de energia acumulada a cada golpe –, decisões táticas devem ser feitas a cada alteração. Afinal, é possível ficar preso com um equipamento menos favorável quando não há mais Rage disponível.

Esse sistema faz com que Temujin seja, de longe, o personagem mais interessante do roster. Contando com parâmetros de luta originais, ele torna não só o Modo Arcade mais estratégico e aprofundado, como também a campanha principal.

A única ressalva é que sua história de origem não é tão aprofundada. Por meio de textos e ilustrações, conhecemos a equipe responsável por construir esse robô gigante, mas o desenvolvimento desse enredo extra não chega aos níveis do que foi criado no game base.

No entanto, é compreensível que a mesma quantidade de esforço narrativo não seja colocada em um DLC sem campanhas novas.

Novas skins

Por último (e, francamente, menos importante), a expansão adiciona um total de 50 skins diferentes para os personagens. São designs puramente cosméticos que variam entre o razoável e o charmoso.

Para desbloqueá-los, é preciso gastar dinheiro in-game na loja de upgrades do modo história. Para quem já concluiu a campanha faz tempo e não pretende retornar, isso é maçante, pois exige grindar por níveis repetidos só para acumular dinheiro.

Uma atualização gratuita até ajuda a trazer mais incentivos aos jogadores, com desafios inéditos e opções de New Game +. Porém, teria sido mais interessante se esses itens de customização fossem prêmios ao completar o Modo Arcade. Dessa forma, as novidades do DLC se complementariam.
Imagem do DLC de Dawn of the Monsters, com o personagem Aegis Prime todo branco, com somente seus detalhes desenhados em preto. Ele encara um monstro em um deserto.
Uma das melhores skins é a que deixa os heróis com um aspecto de rascunho de desenho


Precisava ser pago?

Se pacotes como o Passe de Pistas Adicionais de Mario Kart 8 Deluxe nos ensinaram algo é que não importa quanto tempo se passou desde o lançamento de um jogo. Se o DLC trouxer bons conteúdos, vale a pena retornar ao game.

Infelizmente, esse não é o caso de Dawn of the Monsters: Arcade + Character DLC Pack. Seu carro-chefe, o Modo Arcade, embora tenha uma gameplay estratégica divertida, pode ser cansativo devido à movimentação lenta dos personagens e à falta de incentivos eficazes para concluí-lo.

Mesmo com a adição de um bom novo personagem, o pacote pago não sustenta o interesse a longo prazo. Melhor teria sido se fosse um acréscimo gratuito à porradaria kaiju.

Prós

  • Modo Arcade realça a gameplay estratégica do jogo base;
  • Sistema de upgrades permite realizar diferentes decisões táticas;
  • Personagem Meteor Temujin traz jogabilidade variada e aprofundada.

Contras

  • Lentidão nos controles faz com que o Modo Arcade tenha uma sensação cansativa e arrastada;
  • Recompensas que pouco incentivam a conclusão do Modo Arcade;
  • Falta de leaderboards online;
  • Desbloquear skins novas exige grinding para quem já completou o game no passado.
Dawn of the Monsters: Arcade + Character DLC Pack — Switch/PS5/PS4/XBX/XBO/PC — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Way Forward

Jornalista, analista de mídias, PcD e entusiasta de games desde que jogou Pokémon Azul no Game Boy Color nos anos 90. De lá para cá, tenta aproveitar ao máximo todos os consoles no pouco tempo que a vida adulta permite. Se não está escrevendo para o Blast ou demorando anos para zerar um jogo, está no Twitter (@DanielMorbi) e no Instagram (@danielmorbi_)
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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