Análise: Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition é a versão definitiva do melhor título da franquia

Construa a sua vida paralela em uma ilha deserta, agora com melhorias no Switch 2.

em 22/01/2026
Apresentando várias melhorias gráficas e de performance, Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition chega ao console mais moderno da Nintendo com uma proposta bastante ousada: ser a versão definitiva do aclamado título, lançado originalmente em 2020 para o Switch. Como resultado, apesar de pouco revolucionário em si, este update pago merece ser conferido tanto pelos veteranos da saga quanto por quem está conhecendo a franquia agora, graças ao caráter atemporal da diversão proporcionada por New Horizons.

A vida como ela é (ou deveria ser)

Desde a sua estreia no início dos anos 2000, a franquia Animal Crossing tem cativado fãs pelo mundo — tudo graças à sua proposta bastante relaxante, que convida o jogador a viver uma vida paralela em um mundo habitado por carismáticos seres antropomórficos.

A união de simulação clássica de vida (à la The Sims e Harvest Moon) com mecânicas de interação baseadas na realidade (como data e hora) logo se provou um grande sucesso, garantindo para a série vendas consideráveis e sequências ainda mais robustas em cada nova geração da Nintendo, além de cameos em títulos consagrados da empresa, como Mario Kart 8 Deluxe e Super Smash Bros. Ultimate

Nesse contexto, vale lembrar que Animal Crossing: New Horizons chegou cercado de expectativas ao Nintendo Switch em 2020. Isso porque, de um lado, tínhamos o primeiro título da franquia para um console de mesa desde City Folk (que havia sido lançado para o Wii em 2008), e, de outro, uma proposta verdadeiramente inovadora, que confiava ao protagonista não apenas uma residência em uma vila ou cidade, mas sim a edificação de uma ilha inteira. 

Pois é, se em algum momento você já pensou em largar tudo e viajar para uma ilha deserta onde pudesse começar tudo do zero, Animal Crossing: New Horizons oferece justamente isso, graças ao novo empreendimento do sempre carismático Tom Nook. Então, uma vez que você concorde com a ideia, começará a sua rotina neste universo — que provavelmente será revisitado espontaneamente várias vezes ao longo dos próximos dias, meses e anos, em um verdadeiro exemplo de como deve ser uma experiência duradoura nos games.

Um legítimo antídoto para o estresse e as preocupações da vida real

Bem, sendo Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition uma atualização pensada para tirar proveito das capacidades técnicas do Switch 2, gostaria de recomendar fortemente a leitura da nossa análise original do game, escrita pelo meu colega de redação Gustavo Noleto. O motivo é que, além de ela se conservar atual, o foco desta nova análise estará nas melhorias proporcionadas pelo console mais moderno.

Ainda assim, gostaria de reforçar alguns pontos que me chamaram atenção ao jogar esta aventura em 2026, como o já citado caráter atemporal da diversão proporcionada pelo título. É que, ao contrário da maioria dos outros lançamentos da indústria, New Horizons não possui um final (ou mesmo um desenrolar) fixo, concedendo liberdade para o jogador viver uma verdadeira vida paralela, longe dos estresses e preocupações que frequentemente atormentam a realidade.

Como resultado prático, dois jogadores podem começar a jogar ao mesmo tempo que, passado um mês (ou até menos que isso), certamente eles terão ilhas muito diferentes, tanto visualmente quanto em questão de recursos e moradores. Logicamente, há sugestões e recomendações de progressão, mas a decisão de segui-las (ou não) está nas mãos do público: é possível passar dias e semanas inteiras meramente pescando ou caçando insetos em vez de se esforçar para erguer novas casas, e ninguém julgará você por isso.

O único ponto negativo é que os primeiros dias de jogo invariavelmente se mostram um pouco lentos e limitados se o jogador decidir “maratonar” a aventura, atendendo aos pedidos dos personagens assim que eles surgirem. Isso porque a maioria das construções necessita de um dia na vida real para serem erguidas, e “viajar no tempo” alterando as configurações de data e hora do Switch 2, embora permitido, é desencorajado de várias formas.

Assim, a melhor experiência em New Horizons é aquela vivida com calma, abrindo diariamente o jogo — nem que seja por 20 ou 30 minutos — para interagir com os vizinhos e acompanhar as novidades na ilha (frequentemente anunciadas com bastante entusiasmo pelo Tom Nook). Pouco a pouco, posso garantir que esses minutos certamente se tornarão divertidas horas a fio, sempre repletas do charme que já se tornou marca registrada da série.

Repaginado para a nova geração

Mas o que exatamente mudou em New Horizons nesta “Switch 2 Edition”? Primeiramente, há que se destacar a bela atualização gráfica para o novo console da Nintendo, com suporte a 4K no modo TV e 1080p no modo portátil. A renderização em resoluções mais altas é muito bem-vinda e ajuda a direção de arte do título a se destacar em ambos os modos de jogo, elevando, junto com os tempos de carregamento mais rápidos, a qualidade da experiência se comparada à proporcionada pelo primeiro Switch (ainda que seja preciso notar que ela continua limitada aos 30 quadros por segundo).

Aproveitando os novos Joy-Con, também foi implementado suporte ao modo mouse em várias situações, como na organização de interiores e criação de conteúdo. Ativar o recurso é simples — basta inclinar o controle direito — e, como esperado, realmente garante mais precisão e agilidade nos comandos, sendo uma novidade muito bem-vinda para quem gosta de customizar seus espaços e criações nos mínimos detalhes.

Para quem aprecia as possibilidades multijogador do título, agora há suporte ao GameChat e até doze jogadores podem interagir simultaneamente, expandindo o limite de oito pessoas que existia no primeiro Switch. Por fim, o Megafone — que fez a sua estreia na franquia em Animal Crossing: New Leaf, no 3DS — retorna para aproveitar o microfone embutido no novo console.

Sobre o item, uma vez que a Nook’s Cranny esteja aberta, basta comprá-lo, segurar o botão “A” e chamar um personagem da ilha para que ele responda, teoricamente facilitando a interação. Infelizmente, apesar de criativa, a ideia funciona melhor na teoria do que na prática, pois personagens dentro de casas ou estabelecimentos não respondem, e a pronúncia, pelo que testei aqui, precisa seguir o padrão da língua inglesa — e aí entramos em um dos pontos mais negativos deste update.

Isso mesmo: indo na contramão dos lançamentos mais recentes da Nintendo, como Mario Kart World (e também das atualizações, como no patch de Donkey Kong Country Returns HD que foi liberado nesta semana), Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition não conta com suporte a PT-BR, trazendo apenas os idiomas que já estavam presentes no jogo original. 

É uma pena, pois sinto que esta versão de Switch 2 seria a oportunidade perfeita para tornar a franquia ainda mais popular em nosso país (sem contar que seria bem divertido ler as curiosidades de Blathers sobre fósseis, vida marinha e insetos em nosso idioma). Assim, torço para que essa decisão seja revista em breve, pois o público brasileiro certamente aproveitaria bem mais a obra caso ela estivesse localizada — e antes tarde do que nunca, não é mesmo?

Resumindo, vale sim a pena jogar de novo (ou pela primeira vez)

No mais, mesmo com a ausência de PT-BR e dos 60 quadros por segundo (que suspeito não terem sido implementados devido às limitações do motor gráfico do jogo), é inegável que esta Nintendo Switch 2 Edition é hoje a versão definitiva de Animal Crossing: New Horizons. E vale lembrar que, apesar de ser um conteúdo pago, a nova edição acompanha a atualização 3.0, esta sim acessível gratuitamente a todos os jogadores no Switch e no Switch 2 e que traz uma série de adições de qualidade de vida, além de novos recursos e itens decorativos.

Como exemplo dessas melhorias, agora é possível construir e cozinhar de qualquer lugar usando os itens que estão guardados em casa, e também é possível melhorar o armazenamento do lar para comportar até 9000 itens. As novas “Slumber Islands”, acessíveis enquanto o personagem dorme, também resolvem o problema da limitação de uma ilha por console, conferindo novos espaços para quem quer dar mais asas à criatividade sem necessariamente começar uma jornada do zero.

Já para quem aprecia a parte de decoração, há uma série de novidades, incluindo itens da série Zelda (desbloqueáveis após escanear um amiibo da franquia) e outros crossovers promocionais com franquias de grande porte, como a LEGO. Novas instalações e funcionalidades, como o Resort Hotel e o Resetti’s Reset Service, também vêm a calhar para quem já está no pós-jogo e deseja novas camadas de desafio em sua vida virtual.

A versão definitiva do melhor Animal Crossing até hoje

Animal Crossing: New Horizons marcou época em seu lançamento original, e sua atualização para o console mais moderno da Nintendo, juntamente com o patch gratuito 3.0, só faz elevar a qualidade de uma experiência que continua tão cativante e envolvente em 2026 quanto em sua estreia. 

No fim, é certo que o suporte ao PT-BR e aos 60 quadros por segundo fazem falta, mas também é inegável que esta é a melhor versão do melhor título de uma franquia que esbanja charme, carisma e diversão em doses que outras séries meramente sonham um dia alcançar. Assim, esteja você retornando à sua ilha ou decidindo viajar para uma pela primeira vez, não tenha dúvidas: Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition é um jogo indispensável na biblioteca de todo gamer que deseja explorar novos, calmos e inesquecíveis horizontes.

Prós

  • A atualização gráfica, os melhores tempos de carregamento e a maior resolução de saída fazem jus ao hardware do Switch 2 e elevam a qualidade da experiência, tanto no modo TV quanto no modo portátil;
  • Como esperado, o Modo Mouse funciona muito bem, facilitando e agilizando a organização de interiores e a criação de conteúdo próprio;
  • Novidades como o suporte ao GameChat e expansão do limite de oito para doze jogadores simultâneos são bem-vindas e devem agradar quem prefere jogar com amigos;
  • Acompanha o upgrade gratuito 3.0, com uma série de novidades e adições de qualidade de vida para todos os jogadores no Switch e no Switch 2;
  • Desafiando o tempo, continua tão divertido e viciante quanto em seu lançamento original, sendo o ponto alto da série Animal Crossing e uma ótima porta de entrada para quem deseja conhecer a franquia.

Contras

  • Continua a apresentar um início um pouco lento em termos de novidades e recursos, mesmo para os padrões da série;
  • Infelizmente, apesar da atualização gráfica, a renderização continua limitada aos 30 quadros por segundo;
  • Indo na contramão das próprias políticas recentes da Nintendo, carece de localização em PT-BR.
Animal Crossing: New Horizons — Nintendo Switch 2 Edition — Switch 2 — Nota: 9.0
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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