Análise: Cult of the Lamb: Woolhaven expande o culto do cordeiro e traz novidades bem-vindas em uma jornada pelo inverno rigoroso

O DLC adiciona uma nova camada de diversão para quem já finalizou a campanha principal do título.

em 28/01/2026

Cult of the Lamb se estabeleceu, desde o seu lançamento inicial em 2022, como um roguelike bem inusitado: nos aventuramos na pele do Cordeiro, último de sua espécie que escapa de um ritual de sacrifício e parte em uma jornada para derrotar os quatro Bispos, tudo isso enquanto inicia e desenvolve seu próprio culto. O grande destaque do título é a mistura de elementos do gênero roguelike com o de jogos de simulação, dividindo as tarefas do jogador entre explorar salas repletas de inimigos e coletar recursos para o crescimento e a manutenção de um culto repleto de seguidores animalescos.


Ao longo dos anos, o título recebeu diversas atualizações, e em 2026 chega a expansão Cult of the Lamb: Woolhaven, que adiciona novos conteúdos em uma nova campanha para quem ficou com um gostinho de quero mais após finalizar o título original. O DLC traz adições bem-vindas à história e a jogabilidade, mas mantém praticamente intactas muitas das fórmulas utilizadas no jogo base.

O retorno ao culto

O conteúdo de Woolhaven só pode ser acessado após o fim da campanha principal de Cult of the Lamb; ou seja, é necessário ter eliminado os quatro Bispos para iniciar a nova campanha. Com isso, uma estátua misteriosa aparece no culto e a voz da Mãe da Montanha convoca o cordeiro. Após algumas oferendas, abre-se um caminho na parte superior do culto, dando acesso à Santa Lã.


Outra adição que se torna disponível de imediato, antes mesmo de abrirmos o caminho até o novo local, é a presença da toupeira Gofernon, que torna possível expandir o território do culto dos jogadores em troca de barras de ouro. As novas áreas permitem que sejam colocadas ainda mais construções e decorações, em especial com as novas adições do DLC.


Ao chegar à Santa Lã, passamos a entender a trama principal de Woolhaven: Yngya, entidade mãe dos cordeiros e responsável pelo inverno que assolava o território, foi morta pelos quatro Bispos há muito tempo. Agora, habitando novamente a Santa Lã, ela clama pelo retorno das almas dos cordeiros mortos para que seu poder invernal retorne.

Sendo assim, cabe ao Cordeiro explorar novas áreas repletas de novos inimigos em busca das almas dos cordeiros perdidos. Essas áreas se dividem em dois caminhos principais: a Cordeirada, onde se concentram áreas gélidas repletas de lobos (membros do clã comandado por Marchosias), e a Putrefação, onde os cenários são apocalípticos e grotescos com a deterioração progressiva do território.


Logo que iniciamos a busca pelas almas perdidas, Yngya traz de volta o inverno às terras onde se localiza o culto, e assistimos ao desenrolar da trama por meio de cutscenes visualmente impressionantes. Dessa forma, a principal mecânica do DLC é introduzida: planejar e organizar a seita para que os seguidores do Cordeiro sobrevivam ao forte inverno. Não por acaso, o jogo cria automaticamente uma cópia do save que está sendo utilizado, caso o jogador deseje continuar sua jornada sem sofrer os efeitos punitivos do inverno.

Sobrevivendo no inverno

Assim como no jogo base, Woolhaven se desenvolve em duas frentes principais: na primeira, exploramos salas repletas de inimigos, coletamos recursos e derrotamos chefes, voltando ao culto; na segunda, utilizamos os recursos coletados para melhorar o culto, erguer construções, organizar mantimentos e garantir que os seguidores se mantenham fiéis.


A grande diferença nessa dinâmica trazida pela DLC é justamente o inverno: a condições climática severa dura por vários dias, e traz diversas complicações para a manutenção do culto. A primeira delas diz respeito aos próprios seguidores: se estiverem com muito frio, trabalharão menos e dedicarão menos tempo à idolatrar o Cordeiro; se o frio chegar a níveis extremos, podem acabar congelando.


A segunda complicação trazida pelo frio é o bloqueio das plantações: no inverno, não é possível plantar sementes, freando completamente a produção de mantimentos. Sendo assim, o DLC propõe ao jogador novos desafios estratégicos para manter o culto funcionando e os seguidores vivos.

Enquanto a ausência de plantações requer um planejamento prévio para que os mantimentos não acabem no inverno, o frio intenso exige o uso de novas construções para aquecer os seguidores. É aqui que Woolhaven realmente brilha: além das novas construções (como a caldeira ou as águas termais), há novos rituais a serem praticados, novos materiais, novas cartas de tarô e novas relíquias a serem encontradas durante a exploração.


Além dos novos desafios trazidos pelo inverno, há também várias novidades encontradas em Santa Lã: conforme recuperamos as almas dos cordeiros perdidos, alguns dos personagens se estabelecem na nova área a abrem lojas próprias, além de listas de tarefas que podem ser completadas em troca de recompensas.

Uma dessas lojas permite a compra de animais que podem ser dispostos no rancho (uma das novas construções), permitindo criar gado para obter lã, que por sua vez pode ser trocada por itens variados nas lojas de Santa Lã. Dessa forma, o DLC introduz vários novos aspectos de organização do culto enquanto desbravamos a Cordeirada e a Putrefação.


Nas áreas da Putrefação, por sinal, podemos encontrar Seguidores Putrefatos, que adicionam uma nova camada às estratégias de manutenção do culto. Esses seguidores grotescos não adoecem e nem dormem, mas expiram obrigatoriamente após 10 dias. É mais uma nova forma trazida pelo DLC de organizar recursos para que o culto sobreviva ao inverno rigoroso. Já a Cordeirada conta com alguns puzzles (um pouco simples demais) para obtermos os itens necessários para apaziguar as almas dos cordeiros que cuidam das lojas de Santa Lã.

Nem tudo são novidades

Talvez o maior defeito de Woolhaven seja a facilidade com que a jogatina pode se tornar repetitiva ao longo do tempo. Apesar da boa variedade de novos conteúdos, a dinâmica central do jogo base se mantém: explorar os cenários para obter recursos, fazer a manutenção do culto, realizar sermões e rituais... Aspectos que pouco variam e acabam se tornando repetitivos.


Em certos momentos, as novas adições acabam inclusive tornando tudo um pouco caótico demais, especialmente com as punições trazidas pelo inverno. Alguns problemas técnicos que não foram consertados desde o lançamento do jogo base também se mantém, como bugs visuais frequentes e algumas quedas de fps. Em determinado momento, após uma sessão de pouco mais de 3 horas de jogatina, presenciei um crash que me fez perder um progresso razoável.

Os ventos da mudança

Cult of the Lamb: Woolhaven entrega novos conteúdos para quem já havia completado o jogo base, introduz diversas novas mecânicas e traz de volta rostos conhecidos na nova jornada do Cordeiro. Por outro lado, alguns problemas técnicos e de performance, além de uma jogabilidade que se torna um pouco repetitiva com o tempo, podem atrapalhar que está em busca de algo completamente novo.


No fim do dia, o DLC é uma expansão obrigatória para quem se divertiu montando sua própria seita e explorando as salas repletas de inimigos em Cult of the Lamb, oferecendo desafios inéditos e uma camada extra de estratégia que, apesar de não reinventar a fórmula, consegue mantê-la interessante o suficiente para justificar o retorno ao culto.

Prós

  • História cativante;
  • Possibilidade de aumentar o tamanho do território do culto;
  • Cutscenes animadas visualmente impressionantes;
  • Criação automática de uma cópia do save, caso o jogador prefira voltar ao jogo base sem a mecânica do inverno;
  • Novas construções, relíquias, rituais, materiais e seguidores;
  • Uma boa dose de conteúdo adicional, com novos cenários e inimigos.

Contras

  • Bugs visuais e quedas de fps;
  • Só pode ser acessado ao final da campanha principal;
  • Puzzles um pouco simples demais;
  • A jogabilidade pode se tornar repetitiva com o tempo, mantendo a maior parte das dinâmicas do jogo base.
Cult of the Lamb: Woolhaven – Switch/PC/PS4/PS5/XBO/XSX – Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital
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Felipe Castello
Designer gráfico de formação, é fã da Nintendo desde criança, quando ganhou um SNES usado com Super Mario World e Donkey Kong Country. Apesar do carinho especial pela série Mario, também se diverte com Pokémon, The Legend of Zelda e Animal Crossing. Costuma jogar no (pouco) tempo livre entre os estudos e o trabalho.
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