Luigi’s Mansion: aspirando fantasmas no GameCube

Luigi ganhou sua própria aventura fantasmagórica em 2001.

em 08/01/2026

Há mais de duas décadas, o icônico GameCube chegava às prateleiras das lojas de jogos. Como em qualquer console da Nintendo, a série Mario inevitavelmente precisava de um título marcando presença no lançamento do console — mas, dessa vez, quem brilhou em sua própria aventura foi Luigi, explorando uma mansão mal-assombrada em Luigi’s Mansion. Prepare o aspirador e a lanterna, pois hoje relembraremos esse clássico que originou uma das franquias mais inusitadas (e macabras) da Big N.

Iniciando uma nova era assombrosa

A aventura de Luigi marcou não só o lançamento de um novo console, mas de uma série de lançamentos de franquias inéditas no GameCube. Além de Luigi’s Mansion, o console cúbico recebeu o primeiro lançamento da série Pikmin, a vinda de Animal Crossing para o Ocidente (já que o primeiro jogo da série havia sido lançado exclusivamente no Japão para o Nintendo 64) e a estreia de Samus no mundo 3D com Metroid Prime.

Estrelando um dos primeiros títulos do GameCube, coube ao encanador verde mostrar ao mundo do que o novo console era capaz. A melhor forma de fazer isso? Através de cenários com iluminações bem específicas (com salas frequentemente iluminadas por raios caindo do lado de fora da mansão), inúmeras partículas de poeira espalhadas pelo ar e sugadas pelo eficiente aspirador Aspirespectro e fantasmas translúcidos que deixavam rastros luminosos conforme voavam para atingir o amedrontado irmão de Mario.

Uma trama fantasmagórica

A história de Luigi’s Mansion é simples e direta: Luigi recebe uma carta misteriosa informando que ele ganhou uma mansão gigantesca. Animado com a notícia, o encanador combina que encontrará Mario no local para celebrar, mas, chegando na mansão, não há sinal do bigodudo e a atmosfera do local é no mínimo assustadora.


Emboscado por fantasmas que quase o matam do coração, Luigi é salvo pelo excêntrico Professor E. Gadd, que explica ao encanador que já vem estudando os fantasmas da mansão há anos. Com a missão de encontrar seu irmão, Luigi volta para a enorme construção equipado com o Aspirespectro, invenção de E. Gadd capaz de aprisionar os fantasmas; o Game Boy Horror, outra invenção que serve como comunicador, mapa e radar de Bus; e um pouco de coragem para enfrentar seus medos.


A partir daí, o título se desenrola de forma simples, mas eficiente: exploramos cada uma das salas da enorme mansão, aspirando os fantasmas que infestaram o local em busca do paradeiro de Mario, além de, claro, coletar uma boa quantia de dinheiro no caminho.

Assombrações únicas

Um dos aspectos mais interessantes de Luigi’s Mansion são as próprias assombrações. A mansão é habitada por diversos fantasmas coloridos, além dos clássicos Bus e, claro, o temido Rei Bu. Porém, há alguns fantasmas específicos que servem como chefões secundários e principais em cada área da mansão: essas aparições são chamadas de Portrait Ghosts (ou fantasmas de retrato, em tradução livre).

Esses fantasmas, segundo E. Gadd, haviam sido capturados pelo cientista e transformados em quadros. Libertados pelo Rei Bu, cabe a Luigi aspirá-los para que possam ser contidos novamente (e, claro, expostos na galeria do laboratório de E. Gadd). A grande sacada está no fato de que, diferente dos fantasmas coloridos mais “genéricos” da mansão, essas assombrações tornam necessário que Luigi adote determinadas estratégias para capturá-las.


Por exemplo, Neville, o primeiro Portrait Ghost encontrado, está lendo em uma cadeira de balanço na biblioteca. Para aspirá-lo, Luigi precisa esperar o fantasma bocejar, expondo seu coração e permitindo que um rápido flash da lanterna o torne vulnerável para ser sugado pelo Aspirespectro. Cada um desses fantasmas especiais demanda uma estratégia diferente, diversificando a tarefa de capturar todos.


Além disso, os Portrait Ghosts adicionam uma camada de bizarrice ao título, já que ficamos sabendo um pouco sobre cada um deles e suas vidas antes de passarem dessa para melhor. O mordomo Shivers, por exemplo, é apaixonado pela pianista Melody Pianissima (e guarda a chave para a sala onde ela se encontra); o enorme Mr. Luggs, conhecido como “O Glutão”, comeu tanto que acabou morrendo, e habita a sala de jantar da mansão; já o bebê Chauncey, chefão da primeira área, supostamente já nasceu um fantasma...

Jogabilidade assustadoramente singular

Outro ponto bem interessante em Luigi’s Mansion é a jogabilidade: diferente de todos os jogos estrelados por seu irmão, Luigi não tem a habilidade de pular. Para compensar, o encanador verde recorre ao Aspirespectro para aspirar fantasmas e expelir elementos (como água, fogo e gelo), além de manusear sua lanterna para surpreender os fantasmas e poder aspirá-los.


Os comandos principais se apoiam nos gatilhos analógicos dos controles do GameCube, algo que seria muito utilizado em Super Mario Sunshine, lançado pouco tempo depois. Os gatilhos do controle são sensíveis à pressão, fazendo com que o aspirador de fantasmas aumente ou diminua sua potência conforme o botão for pressionado. Já o grande (e verde, veja só) botão A do controle ganhou uma função cômica: pressioná-lo faz Luigi gritar o nome de seu irmão — o que não resulta em nada além de boas risadas para o jogador.

Aspirando toda uma franquia

Luigi’s Mansion recebeu críticas positivas em seu lançamento, tendo o importante papel de iniciar a série Mario no recém-lançado GameCube. Para quem já jogou algumas vezes, um dos poucos defeitos do título começa a transparecer em jogadas subsequentes: a aventura é bem curta, e pode ser completada em poucas horas por quem já sabe onde estão os itens necessários para progredir e a sequência de fantasmas a serem capturados.


Independente disso, o título ganhou sua primeira sequência no 3DS, Luigi’s Mansion: Dark Moon, em 2013 (que recebeu um remaster em 2024), além de ter sido relançado no 3DS em 2018. Dark Moon não foi tão bem recebido quanto o primeiro jogo, principalmente por adotar um sistema de fases em mansões diferentes em vez de uma exploração mais aberta. Em 2019, porém, Luigi’s Mansion 3 chegou ao Switch, trazendo a série de volta aos holofotes com um visual de cair o queixo (ou de arrepiar, já que estamos falando de fantasmas), novas mecânicas e uma pegada bem mais próxima do título de GameCube.


Agora, resta a expectativa do que o futuro reserva para a série iniciada com Luigi’s Mansion em 2001. Tudo indica que podemos esperar uma fórmula mais parecida com o original, como vimos no terceiro título. Com o título de GameCube sendo disponibilizado no Nintendo Classics do Switch Online exclusivamente no Switch 2 em outubro do ano passado, será que podemos esperar o lançamento de um hipotético Luigi’s Mansion 4 nos próximos anos?

Revisão: Beatriz Castro
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Felipe Castello
Designer gráfico de formação, é fã da Nintendo desde criança, quando ganhou um SNES usado com Super Mario World e Donkey Kong Country. Apesar do carinho especial pela série Mario, também se diverte com Pokémon, The Legend of Zelda e Animal Crossing. Costuma jogar no (pouco) tempo livre entre os estudos e o trabalho.
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