Análise: Lil Gator Game: In The Dark traz cavernas, vilões e uma expansão muito bem vinda

Lute contra as forças de um vilão invejoso em uma aventura por trás das cachoeiras.

Shigeru Miyamoto uma vez declarou que sua principal inspiração para criar The Legend of Zelda foi a partir de suas memórias de infância quando passeava sozinho pela região de sua casa, repleta de lagos, campos e cavernas. Um playground imenso e natural para uma criança descobrir.


The Legend of Zelda viria a se tornar um clássico midiático, inspirando incontáveis projetos e, dentre eles, Lil Gator Game. E, como uma forma de fechar nossa rápida recapitulação, uma expansão entitulada In The Dark, aumentando o pequeno universo do jacarezinho para a escuridão oculta. Sem mais delongas, venha comigo, mas cuidado com a cabeça por causa das estalactites.

Chuckles, o Porquinho Bobo

Nossa aventura começa no fim. Para iniciar a trama, é preciso primeiro terminar a história principal do jogo (não sendo necessário coletar todos os amigos ou quebrar todos os monstros), com os irmãos jacarés estando em melhores termos e prontos para irem embora, quando uma ameaça horrível chega para estragar toda a cidade que o nosso heroizinho e seus amigos construíram: o terrível chefão sombrio e seus três capangas adolescentes... que não são nada mais que um porquinho irritado, sua babá e os amigos legais dela.

A “ameaça” não abala o entusiasmo do pequeno herói verde, que quer fazer mais amigos, sendo prontamente podado pelo lorde das trevas, que some tão rápido quanto apareceu. Procurando informações sobre o estranho misterioso, Jill (a mais esperta do grupinho) encontra uma misteriosa passagem para o subterrâneo, que leva ela, nosso herói, Martin e Avery para o interior conectado entre as ilhas, servindo como covil do porquinho e de seus “apóstolos”. Com isso, nosso amável jacarezinho e seus amigos partem em uma nova odisseia para derrotar os malfeitores e trazer paz às ilhas e cavernas.

Amigos, “inimigos” e animigos

A história é tão simples e bem feita como no jogo base, servindo como uma expansão extremamente natural da narrativa e temas sobre maturidade, auto suficiência e tolerância, com nosso jacarezinho mais maduro (porém ainda verde) desde que chegou na ilha e tendo que lidar com uma criança menor que ele, mas com o mesmo espírito e força, apesar de usá-los para as forças do mal. Tal como o jogo base, a expansão é bem curta, podendo ser completada em pouquíssimas horas, mas mantendo um bom fluxo de jogo, no qual parece que descobrimos algo novo a cada passo e não ficando mais que deveria.

O mundo subterrâneo é populado por novos amigos, sendo 21 ao todo, cada um com seus próprios problemas como na superfície, mas tão fáceis e divertidos de resolver como: a eterna perseguição entre dois irmãos andando em círculos; encontrar “criptideos” para um caçador de monstros; e pilotar um desajeitado drone por círculos de papelão. O que é bem legal é a variedade adicional de biomas dos novos residentes, sendo alguns artrópodes (formigas e aranhas) e até um axolotl para se encaixar com o novo ambiente escuro.  

Os novos antagonistas também não ficam para trás em caracterização, com os capangas (levemente) mais maduros, caracterizados por suas falas propriamente escritas, mas também com suas ambições bem colocadas: uma ursa que só quer tirar um cochilo, um ator amador querendo a cena perfeita, uma nadadora experiente, mas extremamente arrogante (esta sendo a babá do nosso vilão) e, claro, um garotinho cheio de si, mas escondendo uma enorme solidão e insatisfação. 

Através do espelho (ou melhor, das cachoeiras)

Esses malfeitores e residentes amigáveis estão espalhados pelas quatro seções do subsolo: as Grandes Raízes (direcionadas por raízes e velas), as Cavernas de Calcitas (seguidas por calcitas e caminhos de metal), as Minas (levadas por cabos e trilhos) e o Farol (postes de tijolos), esse servindo como a cidadezinha para todos os amigos que encontrar. São pequenas regiões diferenciadas e imersivas, com o mesmo teor e humor da superfície, alterando a música em cada região e sendo muito bem interconectadas. 

Uma coisa muito interessante é que elas são acessíveis pela superfície ao atravessar as diversas cachoeiras espalhadas pelas ilhas, mas cujo acesso maior estava bloqueado por pedaços de papelão mais resistentes, dando um sentimento de completude entre as duas seções. E, tal como lá em cima, a escuridão é lar para os “monstros” que precisamos derrotar para criar nossos novos armamentos. Para diferenciar com as bugigangas da aventura original, no entanto, os novos itens têm a chance de terem habilidades específicas.

Exemplo: nem todas as paredes de papelão podem ser destruídas com uma mera espada de madeira ou um pincel. Logo no começo, nosso heroizinho adquire uma picareta, fazendo ele ter uma animação única de giro que pode quebrar esses empecilhos. Mais para frente, é possível conseguir um carrinho de mina que serve como escudo e opera melhor nos trilhos que outros escudos. Ou um aríete para poder se jogar nos bloqueios. Ou uma haste de bolhas de sabão para rodopiar no ar. Ou outras novas habilidades e itens muito legais que consomem uma nova barra de “cansaço”, sinalizada por estrelinhas que se regeneram instantaneamente ao pousar ou um pouco mais devagar quando estamos no ar. Quer minha sugestão para deixar a aventura mais legal? Resolva o problema da amiga aranha e ganhe uma habilidade que, digamos, te dará um grande poder e uma grande responsabilidade.

Beijinho no dodói

Em questão de performance, a expansão não deixa muito a desejar, rodando perfeitamente no Switch e sem nenhum engasgo ou carregamento, especialmente para atravessar as regiões tenebrosas do covil maligno, apenas precisando de alguns segundos para carregar o mundo da superfície ou as profundezas quando se troca de ambiente. O contraste de luz e escuridão também é muito bem feito, emanando o mistério da penumbra, mas iluminando o bastante para poder explorar sem problemas, com as luzes de varetas coloridas, velas ou a própria luminosidade local criando uma atmosfera bastante confortável e em par com a simpatia natural do universo. Ah, e o espírito e humor do jogo se mantém em par com a trama original, inclusive em sua tradução ainda charmosa e bem feita.

Uma pena só que o jogo comete o mesmo erro do jogo na literalidade de “sair e explorar”, não oferecendo um mapa, nem que seja um rabisco, para melhor se estabelecer onde estamos (e seria ainda legal mostrar onde estaríamos na superfície) ou um compendium para os novos amigos que encontramos ou “criptideos” que coletamos.

Hora de dormir

Lil Gator Game: In The Dark é o final definitivo e bem feito para uma simpática aventura despretensiosa, expandindo naturalmente os temas de seu jogo anterior e encaixando muito bem como um epílogo para o crescimento de nosso amiguinho.

Novos itens únicos, amigos com tarefas divertidas, belíssimos biomas para explorar e o desafio próprio de fazer as coisas o mais rápido possível fazem desta uma aventura nostálgica por memórias infantis e a liberdade de ser criança com a inevitabilidade de crescer. 

Prós 

  • Expansão natural dos temas e história do jogo original;
  • Ambientação linda e diversificada do mundo subterrâneo;
  • Novos amigos de diferentes biomas são tão charmosos quanto os originais;
  • Muito bem traduzido para português brasileiro; 
  • Trilha sonora continua bem feita e fluida com o ambiente;
  • Novos itens são únicos e expandem a diversão e exploração;
  • Performance excelente no Switch. 

Contras 

  • Efetivamente, repetindo os mesmo erros do jogo original com a ausência de mapa e lista de perfis;
Lil Gator Game: In The Dark — PC/Switch — Nota: 9.0 
Versão utilizada para análise: Switch 
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Playtonic Friends
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Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
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