Pokémon: como as megaevoluções atingiram o ápice da reinvenção das batalhas

Mais do que uma transformação: a Megaevolução tornou-se uma das mecânicas mais importantes da franquia. Mega Shinka!

em 04/02/2026



A sexta geração de Pokémon introduziu diversos recursos que ajudaram a moldar um novo formato de batalhas e de gameplay que permanece até hoje, inclusive. O tipo FAIRY, facilidades no processo de breeding, o sistema de Affection no Pokémon-Amie… todas elas transformaram Pokémon em um jogo que vai além das batalhas.

Por falar em ir além, não é novidade para ninguém que os Pokémon podem evoluir. Alguns apenas uma vez, outros duas, e ainda há aqueles que podem evoluir de maneira ramificada, como Poliwrath e Politoed.

Agora, e se houvesse um estágio que vai além do super saiyajin comum e do mais forte? Brincadeiras à parte, a região de Kalos possui um fenômeno interessantíssimo, mas que começou na região de Hoenn. Estamos falando da Megaevolução.

Em vez de mudar a espécie do Pokémon em questão, a megaevolução mantém o monstrinho em sua forma final, porém, altera sua aparência e concede um aumento de atributos considerável, superando basicamente todas as criaturas comuns.

Na semana passada, vimos os Type Gems, mecânica de batalha da quinta geração. Seguindo a ordem natural das mecânicas únicas de batalha, falaremos um pouco mais sobre o que é a megaevolução, como a mesma mudou completamente o cenário competitivo de gerações (isso mesmo, no plural) e quais os reflexos nos dias atuais com Pokémon Legends Z-A. Boa leitura!

O que são as Megaevoluções

Descrito como a “evolução que transcende a evolução”, o fenômeno da megaevolução aumenta drasticamente os atributos dos Pokémon e ocorre apenas no último estágio evolutivo.

Diferente do processo de evolução natural, onde ocorre a troca da espécie do Pokémon, a megaevolução mantém esse aspecto, porém, altera a forma do Pokémon para ressaltar atributos físicos. No caso de Gardevoir, sua saia aumenta e o poder psíquico elevado de forma substancial.


Para que um Pokémon possa megaevoluir, no entanto, não basta apenas querer: uma forte conexão com seu treinador é exigida, além da mega pedra específica do monstrinho e de um ativador, que pode ser um bracelete, um pingente ou um anel.

Nos jogos da linha principal, a megaevolução está limitada a um Pokémon por equipe e permanece até o final da batalha. Contudo, isso não impede que mais de um Pokémon carregue sua mega pedra, ou seja, é possível ter um time composto apenas por Pokémon capazes de megaevoluir.

Durante o processo, alguns Pokémon mudam de tipo, como Gyarados, que passa a ser dos tipos WATER/DARK, enquanto que outros recebem habilidades diferentes, como Venusaur, que deixa de ter Overgrow e passa a ter Thick Fat.


Por padrão, a megaevolução acrescenta 100 pontos na base total, que são distribuídos para se adequar à nova forma. Recentemente, em Legends Z-A, tivemos Pokémon recebendo mais de 100 pontos na transformação, como Starmie. Esse acréscimo é suficiente para igualar os atributos de Pokémon lendários.

Ao longo da sexta geração, foi explicado que as megaevoluções surgiram em Hoenn com Rayquaza, mas sua difusão ocorreu em Kalos, tornando-se o tema central da região de Kalos. Diantha, a campeã local, usa Mega Gardevoir como seu principal Pokémon.

Além disso, dois Pokémon possuem megaevoluções com base nas versões X/Y: Charizard X mudou para FIRE/DRAGON e Mewtwo X para PSYCHIC/FIGHTING, além de inverter completamente a orientação ofensiva para o lado físico. As formas Y de ambos mantém os tipos originais e dano à longa distância.


Recentemente, com a chegada de Legends Z-A, novas megaevoluções foram introduzidas e, dentre elas, Raichu também ganhou duas formas. Adicionalmente, alguns monstrinhos receberam uma terceira variação do fenômeno, como Mega Absol Z.

Outro ponto interessante sobre a "Mega Z" é o aumento de dano em troca de menos tempo de transformação. Essa característica está perfeitamente alinhada com o padrão de batalha em ação em vez de turnos, já que podemos megaevoluir nosso Pokémon múltiplas vezes durante as batalhas em Legends Z-A.

Abaixo, veja algumas curiosidades sobre a megaevolução:
  • Os Pokémon equipados com sua mega stone não podem ter seu item removido pela técnica Knock Off ou trocado pelas técnicas Trick e Switcheroo;
  • A técnica Fling irá falhar caso o usuário esteja equipado com uma mega stone, mesmo não sendo capaz de megaevoluir;
  • A cada novo carregamento do save, uma animação mais longa da transformação é acionada, exibindo o treinador ativando o bracelete e carregando a energia em seu Pokémon;
  • A terceira geração é a que mais possui Pokémon capazes de megaevoluir (21), enquanto que a oitava geração é a que menos possui, com apenas um (Falinks);
  • O tipo DRAGON é o mais dominante entre as megaevoluções com 17 representantes. ROCK e ICE empatam na última posição com 5 representantes cada;
  • Rayquaza é o único Pokémon capaz de megaevoluir sem sua mega stone, e sim, por ter em seu moveset a técnica Dragon Ascent;
  • Há pelo menos um Pokémon de cada geração e de cada tipo capaz de megaevoluir;
  • Eternal Flower Floette é o primeiro e único Pokémon até o momento que não está em seu estágio final capaz de megaevoluir. O "correto" seria Mega Florges;
  • Dragonite era o único Pokémon classificado como pseudolendário das primeiras quatro gerações a não ter uma megaevolução até Legends Z-A. Tyranitar, Salamence e Metagross receberamas suas ainda na sexta geração.

Influência no competitivo

Não há como visualizar o cenário competitivo da sexta sem a presença das megaevoluções. Diferente dos Type Gems em Unova, uma equipe de VGC ou padrão Smogon que não tivesse ao menos uma megaevolução tinha dificuldades de vencer uma partida.

Eu me recordo dos meses iniciais de competições nas versões X/Y: todos buscando amigos com Friend Safari do tipo NORMAL para capturar Ditto e produzir Pokémon perfeitos. Meu safari era desse tipo, então, recebi inúmeros pedidos de amizade no 3DS. Era uma loucura.

VGC 2014, X/Y

Dentre as 28 megaevoluções incluídas em X/Y, duas delas tiveram grande destaque: Kangaskhan e Gyarados. O último, inclusive, foi campeão no time de Se Jun Park, famoso por utilizar Pachirisu em 2014. A grande maioria das equipes era composta da seguinte fórmula:
  • Um Pokémon dedicado ao Speed Control, ou seja, aumentar a velocidade de seus colegas ou reduzir a do adversário. Talonflame com Tailwind ou Cresselia com Icy Wind eram os mais comuns;
  • Um Pokémon dedicado ao redirecionamento de dano por meio das técnicas Follow Me (Togekiss) ou Rage Powder (Amoonguss). O cogumelo de Unova era o preferido da galera por também ter acesso a Spore, a única técnica que induz o status de SLEEP com 100% de precisão;
  • Um Pokémon de apoio defensivo e com capacidade de girar sua equipe, além de ser uma resposta para grandes ameaças. Heatran e Rotom (Wash ou Heat) são clássicos exemplos de pivôs defensivos, mas com grande dano de longa distância;
  • Um Pokémon rápido e com poder ofensivo para cobrir grande parte dos adversários. Hydreigon e Landorus-Therian eram símbolo de poder ofensivo, defesas respeitáveis e utilidade;
  • Um Pokémon dedicado unicamente a causar o máximo de dano possível e garantir a vitória para sua equipe. Kangaskhan era o preferido dos treinadores por conta de sua habilidade extremamente relevante.
Perceba que alguns Pokémon tiveram seus nomes grifados intencionalmente. Em 2014, tivemos o surgimento de uma das combinações mais dominantes do VGC, e que evoluiu ao longo do tempo: apresentamos o time CHALK.


Cresselia, Heatran, Amoonguss, Landorus-T e Kangaskhan revolucionaram o cenário competitivo com dano bruto, utilidade e respostas para praticamente todos os Pokémon relevantes na época. Dificilmente há um conjunto que consiga bater de frente de forma satisfatória. Tudo isso por conta de Parental Bond, a habilidade de Mega Kangaskhan.

Dessa forma, o Pokémon canguru era capaz de aplicar grandes quantidades de dano em um único turno por atacar duas vezes, ou seja, seu Pokémon aguentou com pouco HP? O segundo acerto é ativado e aplica o nocaute. Veja abaixo um comparativo:
-1 252 Atk Parental Bond Kangaskhan–Mega Double–Edge vs. 4 HP / 0 Def Landorus–Therian: 109–130 (66 – 78.7%) – garantido 2HKO

252 Atk Parental Bond Kangaskhan–Mega Sucker Punch vs. 252 HP / 20 Def Aegislash–Blade: 218–260 (130.5 – 155.6%) – garantido OHKO
Mesmo recebendo Intimidate de Landorus-T, Mega Kangaskhan causa mais de 60% com os dois acertos. O fato de causar dano em duas instâncias (100% inicial + 50% no segundo) limita as respostas defensivas. Nem mesmo Aegislash estava seguro, pois tanto Earthquake quanto Sucker Punch causavam prejuízos enormes.

VGC 2016, Omega Ruby/Alpha Sapphire

Avançamos um ano na linha do tempo e chegamos a Omega Ruby/Alpha Sapphire. Além das megaevoluções anteriores, vinte novas formas foram adicionadas, e uma delas é, sem dúvidas, a megaevolução mais dominante da história: Mega Salamence.

O arquétipo é o mesmo do CHALK, porém, Kangaskhan foi substituído por Salamence. Se a habilidade do canguru era “roubada”, saiba que a salamandra foi ao infinito e além: Aerilate transforma golpes do tipo NORMAL no tipo FLYING e acrescenta 30% de poder.

Em outras palavras, se o adversário não tiver resistência ao tipo FLYING, certamente será nocauteado. Caso tenha resistência, poderá ser nocauteado. Em suma, nada escapava de Mega Salamence. Veja abaixo um pequeno exemplo de seu poder:
-1 252 + Atk Aerilate Salamence–Mega Double–Edge vs. 4 HP / 0 Def Landorus–Therian: 115–136 (69.6 - 82.4%) – garantido 2HKO
O cenário é bem parecido com o anterior: após Intimidate, Mega Salamence causa muito dano em Landorus-Therian, com apenas um único acerto. A grande diferença entre Kangaskhan e Salamence, no entanto, está um pouco além de suas megaevoluções.


Mega Kangaskhan, ainda que forte e dominante, pouco faz em sua forma base. Por ser um Pokémon exclusivamente de dano físico, o efeito de BURN impacta completamente sua performance no campo. Sua habilidade também foi enfraquecida: agora, o segundo acerto causa 25% de dano em vez de 50%.

Salamence, por outro lado, sofre menos com isso. Sua forma base pode aproveitar suas duas habilidades, Intimidate ou Moxie, para preparar o terreno e maximizar sua presença em campo. A primeira é a melhor habilidade para o formato VGC, enquanto a segunda aumenta o Attack a cada nocaute causado por Salamence.

Adicionalmente, Salamence (e sua Mega) possui um bom Special Attack e técnicas altamente poderosas. Em caso de queimaduras indesejadas, Hyper Voice entra em ação, causando dano nos dois Pokémon adversários e se aproveitando da habilidade Aerilate para receber um generoso aumento de poder.
212 SpA Aerilate Salamence–Mega Hyper Voice vs. 4 HP / 0 SpD Landorus–Therian: 109–130 (66 – 78.7%) – garantido 2HKO
Mesmo não sendo campeão mundial em sua estreia, Mega Salamence ajudou a moldar e consolidar as estratégias competitivas, a ponto de exigir dos treinadores uma resposta contundente, do contrário, pouco poderia ser feito.

VGC 2018, Sun/Moon

Isso mesmo, você não leu errado. As megaevoluções não estão presentes apenas na sexta geração. A região de Alola, além de sua mecânica única, contempla também a megaevolução em sua totalidade. Isso é algo único na franquia, já que todas as outras mecânicas não transitam completamente entre as gerações.

Logo, a preparação das equipes ficou ainda mais complexa ao abraçar duas mecânicas distintas, mas muito dominantes. Um fator que contribuiu para essa situação foi uma pequena mudança na ordem de ataque no turno da megaevolução. Não entendeu? A gente explica!
  • Na sexta geração (versões X/Y e ORAS), quando um Pokémon megaevolui e sua transformação aumenta sua velocidade (Speed), a ordem de ataque é decidida antes da ativação da mecânica;
  • Dessa forma, Mega Manectric, que possui base 135 de Speed, na verdade, considera os 105 pontos de sua forma base e somente no turno seguinte a Speed é atualizada para a valer. O mesmo não ocorre para os demais atributos;
  • Essa característica “forçava” o uso da técnica Protect para garantir que o Pokémon megaevoluísse sem ser nocauteado, ou ainda aproveitar confrontos desfavoráveis a fim de forçar a troca do adversário, concedendo o famoso “turno livre”;
  • No entanto, esse cenário não ocorre na sétima geração, pois agora a ordem de ataque passa a considerar tudo antes do disparo efetivo do movimento, ou seja, inclui o aumento de velocidade da megaevolução na jogada.

Essa “pequena”, porém importante mudança foi determinante para o sucesso de vários Pokémon. Metagross foi o principal beneficiado por essa alteração, já que o salto de velocidade é um dos maiores entre as megaevoluções: 70 → 110 pontos, ultrapassando criaturas como Charizard e Landorus–Therian (sem Choice Scarf), e empatando com Latios e Gengar.

Salamence ajudou também a popularizar o termo Flying Spam, que consiste em abusar de Pokémon do tipo FLYING para causar muito dano. Era comum ver dois Pokémon desse tipo ao mesmo tempo no campo, especialmente Landorus–Therian pela capacidade de lidar com Pokémon dos tipos ROCKSTEEL e ELECTRIC, resistências do tipo FLYING.


Em 2019, Mega Salamence esteve presente nos dois times finalistas do Mundial de VGC na divisão Masters, como exibido no video abaixo da final. Inclusive, nesse ano foi liberado o metagame restrito, ou seja, criaturas poderosíssimas como Primal Groudon, Xerneas, Lunala e Necrozma Dusk-Mane eram vistas com frequência.

Isso mostra claramente a importância de Mega Salamence no metagame como um todo, além de ratificar a relevância das megaevoluções por duas gerações seguidas. Até hoje, nenhuma outra mecânica chegou perto de competir com as megaevoluções nesse sentido, e dificilmente teremos outra performance como esta.

Legado

Depois de todo esse conteúdo, é inegável o legado das megaevoluções. Legends Z-A está aí para provar isso: mesmo após 12 anos, uma mecânica única consegue canalizar todo esse potencial e ser o foco de uma história bem elaborada, além de dinamizar as batalhas como nenhuma outra.

Com a chegada iminente de Pokémon Champions, é bem provável que tenhamos a presença de todas as megaevoluções existentes e, com isso, as batalhas terão novamente um grande foco estratégico, e dificilmente veremos uma equipe que não tenha aproveite essa mecânica.


Infelizmente, ainda não temos Pokémon aclamados pela comunidade com suas megaevoluções, como Flygon e Milotic. Podemos dizer que há uma certa falta de padrão, pois Meganium e Feraligatr foram agraciados, enquanto Typhlosion possui apenas uma forma regional. Não é justo!

Uma coisa é certa: a megaevolução veio para ficar. Seja na linha principal ou em jogos spin-off, sua presença sempre será marcada por dominância e imponência, representando o potencial da franquia Pokémon de sempre evoluir a cada geração.
As megaevoluções não apenas redefiniram o poder individual dos Pokémon, como também elevaram o nível estratégico das batalhas, influenciando diretamente a forma como as equipes são montadas. Sua presença constante ao longo de diferentes gerações competitivas reforça o quanto essa mecânica conseguiu se integrar ao DNA da franquia.

Mesmo após mais de uma década, as megaevoluções seguem relevantes, seja pelo impacto histórico ou por sua reapresentação em novos formatos, como em Legends Z-A. Elas simbolizam o equilíbrio entre espetáculo e estratégia, provando que algumas ideias são fortes o suficiente para atravessar gerações sem perder sua identidade.
Revisão: Cristiane Amarante
Referências: Bulbapedia
Cálculos de Dano: A Pokémon Calculator
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Victor Hugo Carreta
Fã de carteirinha da franquia Pokémon desde os oito anos de idade, teve seu primeiro contato com os monstrinhos de bolso no Game Boy Color e de lá para cá, são mais de 25 anos de alegria. Fanático por vídeo-games, gostaria de poder jogar mais tempo do que trabalha.
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