Análise: Tomodachi Life: Living the Dream é a ressurreição digna dos Miis

Simpático e eficiente, novo título da série Tomodachi é ótima escolha para quem quer relaxar e saborear o momento.

Em 2006, nasciam os Miis, junto com o Wii, virando uma febre para a Nintendo. Em 2009, foi a vez da série Tomodachi, com o título Tomodachi Collection, para DS, sendo um enorme sucesso, mesmo exclusivo no Japão. Em 2013, ela expandiu para o mundo com Tomodachi Life no 3DS e, em 2016, com seu sucessor espiritual para mobiles: o Miitomo.


Finalmente, em 2026, no 20° aniversário dos avatares fofinhos, temos Tomodachi Life: Living the Dream no Switch, prometendo entregar a experiência completa e mais maluca para os Miis. Crie sua cópia virtual e venha comigo, vamos nos perder nessa ilha doida.

Ser ou não ser, eis a questão 

Antes de mais nada, vamos criar nosso Mii. O leque de customização, de acordo com o livro de edição de Miitopia, é imenso: as cores de pele, modelos de cabelo, olhos, voz (essa é a parte mais engraçada, com a possibilidade de mudar o tom e potência da voz) e detalhes como pintas e rugas são bem variados. Podemos carregar um Mii diretamente do console ou construir um do zero, com base em perguntas bem colocadas ou customização própria. Inclusive, é possível usar a tela touch para poder dar uma olhada melhor antes de finalizar o avatar e acessar uma aba especial para criar mais a fundo os detalhes. Caso não esteja satisfeito com a criação, é possível alterar completamente o avatar, do nome até o menor dos detalhes, podendo criar um Mii novo a partir de outro.

Como um bom simulador de vida, Living the Dream tem como objetivo principal viver e interagir com os Miis, além de fazer com que eles interajam entre si para construir relações. Logo na criação dos Miis, a Nintendo corrigiu algo que tinha causado uma pequena comoção no lançamento do segundo título da franquia: opções de relacionamento e identificação de gênero. Temos agora a escolha de poder selecionar pronomes neutros e a atração dos Miis, podendo ser para todos os espectros ou nenhum, dando um grau maior de representatividade muito aguardada para um simulador de vida.

Dando continuidade com os títulos anteriores da série, é possível fazer os Miis morarem juntos quando tem uma relação mais profunda, e até mesmo se casarem. Uma pena que a acessibilidade seja um pouco limitada; o jogo não oferece suporte para português brasileiro, tanto na opção de moeda do jogo quanto nos textos e áudios automáticos.

Paraíso no meio do nada

Com nosso Mii criado, somos jogados em uma ilha abandonada no oceano, mas não completamente sozinhos. Os menus de tutorial são precisos e fáceis de entender, direcionando com precisão para a jogabilidade principal de comunidade dos avatares. Os Miis têm suas personalidades e individualidades baseadas nas rápidas características atribuídas a eles em suas criações, formando uma variedade de reações ao lhes dar objetos, oferecer comidas, roupas e até mesmo ao interagir com outros avatares, confraternizando entre eles mesmo quando não estamos jogando. 

As mecânicas de interações são bastante intuitivas e divertidas de descobrir, especialmente com a progressão do jogo e a expansão natural da ilha. Rapidamente conseguimos comprar comidas, roupas e outros cacarecos para interagir com os Miis e ver suas diferentes reações, além de ser possível também colocar novas ações, como modos de andar, cumprimentos e até frases de efeito. Tudo muito bem humorado com as falas automáticas e que podem ser editadas para criar situações absurdas. Por exemplo: na primeira conversa entre meus dois Miis, foi preciso colocar um assunto na mesa. Eu escrevi a palavra “lâmpada” e, enquanto o Mii baseado no meu perfil interno mencionou de forma liberal, a outra reagiu de forma mais humorada, praticamente enaltecida pelo assunto de uma simples lâmpada.

Uma das partes cruciais de sua ilha é a utilização da Wishing Fountain, uma fonte que fica no coração do local e que evolui com as energias positivas dos Miis, adquiridas ao presenteá-los com itens ou ao fazê-los interagir entre si, oferecendo recompensas exclusivas não encontradas nas lojas. Para se ter uma ideia da imensidão dos colecionáveis, são mais de 9000 itens! Quanto mais interagir com os Miis, mais energia positiva se coleta, ganhando dinheiro para comprar novos recursos e oportunidades de expandir a ilha, criando um loop de jogo divertido e contagiante, bem mais interativo do que nos títulos de 3DS e mobile.

Contemplar as estrelas ou ver as formiguinhas?

Algo que senti é o quão justo o jogo é no progresso e como oferece recursos para evolução. Ganhamos moedas e energias positivas para melhorar a ilha, comprar comidas, roupas e objetos. É bem prazeroso perceber como o game impulsiona o progresso com o simples ato de jogar e desenvolver as relações entre os Miis.

A performance de Living the Dream é impecável, carregando rapidamente para iniciar o jogo e praticamente instantâneo para entrar nos estabelecimentos. Aliado aos gráficos sofisticados e sem serrilhados, temos uma adorável trilha sonora em par com a identidade da franquia e a performance de 60 fps contínua. É meio doido pensar que tudo está encapsulado em apenas 30 GB de armazenamento. 

Existe a opção de conexão wireless local, o que é legal para compartilhar itens com outros jogadores localmente. No entanto, considerando a conectividade dos jogos Animal Crossing: New Leaf e New Horizons para poder visitar ilhas de jogadores ao redor do mundo, é um tanto confuso que só seja possível interagir com aparelhos próximos.

Miinha famiilia 

Tomodachi Life: Living the Dream é uma surpresa agradável e bastante aguardada para uma série gentil que estava dormente. Suas pequenas adições para melhorar a jogabilidade, como mais opções de identidade e aperfeiçoamento do ambiente, são muito bem-vindas e fazem toda a diferença para apreciar as pequenas coisas na vida virtual.

Uma pena que o jogo não contém conexão online a distância ou legendas em português brasileiro para ser mais acessível a todas as massas. Miitomo tinha sido traduzido para português brasileiro, inclusive com os áudios automáticos, então seria legal se, em alguma futura atualização, esses empecilhos fossem resolvidos, uma vez que isso vai de contramão ao progresso que a Nintendo tem feito em localizar seus jogos. Mesmo assim, não deixa de ser um título muito divertido para criar um mundinho próprio e ver coisas malucas e engraçadas com avatares aleatórios ou baseados em figuras familiares… ou devo dizer, faMiiliares.

Prós 

  • Performance impecável e visual muito bonito;
  • Tempo de carregamento praticamente instantâneo;
  • Vasta coleção de itens para colecionar, entre cacarecos e emoções;
  • Altíssima qualidade de customização;
  • Loop de jogo mais interativo e divertido do que os títulos anteriores;
  • Progressão do jogo justa, com recursos constantemente adicionados, impulsionando o desejo de continuar visitando a ilha;
  • Problema de representatividade de identidade corrigido de forma respeitável e acessível;
  • Altas doses de diversão e humor.

Contras

  • Ausência de português brasileiro vai de contramão à acessibilidade;
  • Recursos wireless local apenas.
Tomodachi Life: Living the Dream — Switch — Nota: 7.5
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise feita com cópia digital cedida pela Nintendo
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Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
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