Análise: Bubsy 4D é a melhor aventura do personagem e um jogo muito bom por si só

Simples, mas eficiente, Bubsy nunca esteve tão bem feito.

Erros. Defeitos. Imperfeições. Nosso mundo não seria mundo se não existissem as pequenas borradas de tinta no canvas que conhecemos como vida. E, só porque alguém cometeu uma gafe, não quer dizer que está perdido para sempre. Contanto que não seja algo extremamente grave, qualquer um é passível de perdão. Isso vai especialmente em coro com o mundo midiático, com diversas histórias de superação e redenção: Charles Chaplin voltando aos Estados Unidos após 20 anos de exílio, a segunda chance que The Legend of Zelda: The Wind Waker recebeu após as críticas com seu visual, a redenção de Michael Jackson aos olhos do público após tantas perseguições.


E, no caso desta análise, a surpreendente expectativa com Bubsy 4D, o título mais recente do lince bonachão, dono de alguns jogos medianos e protagonista de um dos piores jogos da história, prometendo uma aventura que não seria só carregada pelas autorreferências e personalidade barulhenta. Sem mais delongas, venha comigo conferir o que esse gato está aprontando.

Um louco perdido no espaço (de novo)

No que seria mais um dia comum, Bubsy estava em seu apê querendo se reinventar, deixar suas marcas registradas ultrapassadas e ser um novo lince, para constante desaforo e ironia dos seus amigos. Um deles, o rato-do-mato Virgil Reality, comenta que os Woolies, alienígenas que já deram muito problema no passado, voltaram, porém logo o grupo percebe que eles não estão atrás das coleções de lã de Bubsy, e sim abduzindo algumas ovelhas para, assim, poderem ter sua própria lã.

Algum tempo se passa e as ovelhas retornam, atualizadas com a tecnologia dos aliens e com sua própria facção, os BaaBots, roubando a tão amada coleção de Bubsy. Relutantemente, Bubsy, Virgil, seus sobrinhos gêmeos Terry e Terri e a amiga Oblivia roubam uma nave das ovelhas e partem em mais uma aventura doida contra inimigos esquisitos.

No espaço, ninguém pode te ouvir (ainda bem)

A história não poderia ser mais básica, sendo fortemente carregada pelas piadas muito bem escritas, a química natural dos personagens e suas personalidades cativantes (infelizmente sem legendas em português brasileiro). A maior parte dos aplausos vai para Bubsy, agora com a atuação de voz muito bem feita por Sean Chiplock, em uma evolução refrescante de seu personagem. Ainda tagarela e arrogante, deixou de ser o tipo irritante estúpido após o enorme fiasco de Bubsy 3D (ao qual ele nunca irá esquecer, referenciando muitas vezes o desastre) e agora tem um ar mais confiante e orgulhoso, além de estar sempre na mira das piadas e disparates dos colegas, estes igualmente carismáticos e com um charme nostálgico que só desenhos do café da manhã podem proporcionar (tanto que, tal como os gêmeos e Virgil, Oblivia também nasceu do piloto cancelado apresentado na coletânea. Só Arnold falta, tendo um cameo num quadro apenas).

A repaginada no interior de Bubsy é ainda mais acentuada com seu exterior: não apenas ele está com um visual muito legal (digno de uma celebridade B passando por uma crise de meia-idade) como o jogo está muito bonito. Possui pouquíssimos serrilhados e fases bastante coloridas e criativas, variando de rodovias de bordado, cidades de lã, canyons de papelão e esgotos a céu aberto. São localidades muito legais para explorar, acompanhadas de uma trilha sonora limitada, porém muito bem feita e pegajosa (inclusive, a sandbox virtual de Virgil toca um remix lo-fi do tema do primeiro jogo, o que é um toque bem legal). Há, também, alguns NPCs espalhados por aí, que mostram descontentamento com os novos ditadores ou estão prontos para soltar mais alguma piada.

Bubsy 4D entrega ótimos level designs, utilizando ao máximo as habilidades de Bubsy. O lince pode correr, pular e planar como nos jogos anteriores, mas agora ele consegue dar um segundo pulo mais hiperativo (no melhor estilo do “pulo com chute” do Yoshi), agarrar-se nas paredes, dar uma investida (a qual também é seu único ataque) e a capacidade de se transformar numa bola de pelos e sair rolando em alta velocidade (um certo ouriço quer dar uma palavrinha com ele depois).

Ademais, há pouquíssimos carregamentos e nenhuma queda de quadro. Encontramos, porém, alguns problemas de colisão: inexplicavelmente podemos cair onde, supostamente, seria chão sólido. Além disso, a mixagem de som não pareia bem em certas cenas, com efeitos sonoros baixos demais ou até ausentes nas lutas de chefões.

Percebemos que Bubsy nunca esteve tão fluido de controlar, respondendo muito bem aos comandos. Torna-se ainda mais gratificante combinar as ações para fazer atalhos audaciosos pelas colunas e abismos. O desafio aumenta ao acabar as fases, pois, ao retornar para explorá-las, um cronômetro aparece na base da interface, sinalizando o tempo recorde para poder concluir o nível o mais rápido possível. Ainda tem a opção de ver o progresso de outros jogadores e tentar competir para bater os recordes, além de servir como ajuda para, ao menos, bater a meta imposta pelo jogo para, assim, ganhar uma medalha e progredir para completar o jogo 100%.

Algumas bolas de pelo

Como um bom jogo de plataforma, Bubsy 4D contém coletáveis na forma de novelos de lã e plantas de blueprint, sendo que são 150 novelos de lã espalhados pelo nível (alguns em unidade e outros prateados, valendo 10 unidades) e uma planta escondida, normalmente após uma série de desafios de plataforma bastante satisfatórios. Os coletáveis têm seus usos na loja dos gêmeos, com a lã sendo usada para comprar cosméticos (como a camisa clássica do Bubsy, algumas jaquetas bem legais e, a minha favorita, o modelo 3D poligonal do Bubsy 3D) e as plantas desbloqueiam novas habilidades, como poder andar no ar por alguns segundos, um ponto de vida adicional e até farejar os coletáveis restantes. 

Essas habilidades ajudam muito na exploração mas elas podem também ser desativadas caso o jogador queira um pouco mais de desafio, com o jogo mais prezando exploração e acrobacias do que algum combate estabelecido, já que os inimigos estão sempre tão esparsos e praticamente não atacam o lince. Até mesmo os chefões, por mais carismáticos que sejam, não apresentam um grande desafio, caindo no padrão de “três ataques e já era”. 

Talvez o maior pecado de Bubsy 4D seja sua duração. Temos três mundos diferentes para explorar, cada um com cinco fases, o que totaliza 15 níveis. Um prato muito cheio e ainda mais desafiador para quem quer bater os recordes, no entanto não deixa de ser meio desapontado que Bubsy, após tantos anos, tenha um jogo tão bem feito e ele seja tão curto.

A surpresa do bobo da corte

Bubsy 4D chegou do nada, prometeu pouco e entregou muito. O mascote que sempre foi considerado o azarão e a sina dos games finalmente mostrou que ele pode ser mais do que uma piada repetitiva e ser, genuinamente, interessante, diferente da pretensão fracassada de The Woolies Strike Back e Paws on Fire!

Não é uma aventura infalível, tampouco um dos melhores jogos de plataforma dos últimos anos, mas é inegável o valor que Bubsy 4D tem: redimir um personagem infame e lhe oferecer uma chance de mostrar seu potencial. Nada mal, Bubsy. Nada mal.

Prós:

  • Jogabilidade excelente, com Bubsy tendo uma boa variação de movimentos que respondem muito bem;
  • Bubsy está genuinamente carismático e engraçado;
  • Performance muito boa, com gráficos limpos e bonitos;
  • Ótima trilha sonora;
  • Bastante coletáveis que impulsionam a exploração dos níveis;
  • Fases curtas que prezam pela rejogabilidade rápida.

Contras:

  • Ausência de localização em PTBR;
  • Combate raso e desinteressante;
  • Alguns problemas de mixagem de som e colisão;
  • Apenas 15 fases para um jogo tão competente deixa um gosto de quero mais.
Bubsy 4D — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch/Switch 2 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch 2 
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia cedida pela Atari
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Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
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