gamescom latam 2026: conversamos com executivo da Niantic sobre desafios da integração entre pokemon go e jogos principais, e mais.

Executivo da Niantic comenta eventos, regionalização e como Pokémon GO mantém a fantasia viva no mundo real.

em 03/05/2026

Em entrevista, Alan Mandujano, Executivo Latam da Niantic, fala sobre os processos criativos e os desafios de trazer os Pokémon da forma mais realista possível, a evolução de Pokémon GO. Alan também reflete sobre os desafios da integração com a franquia principal e os planos para o futuro. 


Fernando: O Pokémon GO conseguiu adaptar com sucesso pilares centrais da franquia — como colecionismo, interação social e batalhas — para o ambiente mobile e baseado em localização. Como foi o processo de transformar esses conceitos clássicos em uma experiência totalmente nova? 

Alan: Como você disse, Pokémon tem vários pilares, e esses pilares ajudam a moldar a fantasia de Pokémon em diferentes caminhos, há os card games, os videogames. A questão com Pokémon GO, desde o início, foi realizar a fantasia de Pokémon existindo no mundo real, e isso é algo muito único desse jogo. Mesmo agora, dez anos depois, continua sendo algo muito empolgante: a ideia de que você pode sair por aí e encontrar um Pikachu ou o seu Pokémon preferido.


Então, desde o início, a ideia era traduzir como seria Pokémon existindo no mundo real, e também fazer com que fosse acessível a todos os jogadores, para a maior audiência possível, de um modo que não parecesse tão complicado, não um jogo tão estratégico. Gostaríamos de ter algo mais casual, em outras palavras, algo fácil de entender e de ser jogado por todos, de crianças a adultos.

A diferença-chave de Pokémon GO é que alguns jogadores aproveitam batalhando, enquanto outros se divertem capturando Pokémon jogando Poké Bolas (com o toque na tela). Isso foi algo novo adicionado em Pokémon GO, antes, nos jogos principais, capturar Pokémon era um processo diferente. Mas, para Pokémon GO, tentamos tornar esse o elemento central: jogar Poké Bolas e capturar Pokémon.

E eu acho que, no design de Pokémon GO, há uma grande quantidade de elementos tradicionais que queremos preservar: estar sempre interagindo, trocando, batalhando, sempre mantendo a mesma filosofia de ser acessível para a maior quantidade possível de jogadores.

Fernando: Falando em colecionismo, já existem mais de mil Pokémon na franquia, e o jogo está cada vez mais próximo de incluir todos eles. Você acredita que, eventualmente, será possível ter todas as criaturas disponíveis no jogo? 

Alan: Eu acho que, sabe, a franquia Pokémon está sempre se expandindo. Mesmo nós somos surpreendidos com os desenvolvimentos e anúncios constantes. Por exemplo, tivemos o recente anúncio da nova geração de jogos, pelos quais estamos muito empolgados para quando forem lançados no futuro.


Então é difícil dizer, pois a franquia continua crescendo e não há como prever quando vão surgir novos Pokémon ou se, eventualmente, haverá um momento em que teremos uma paridade entre o número de Pokémon existente e os presentes em Pokémon GO.

Mas acho que algo que torna Pokémon GO empolgante é que lançar as criaturas em ondas nos permite dar a cada geração — a cada criatura — o seu próprio momento dentro do jogo. Por exemplo, há alguns anos lançamos os Pokémon de Alola.

E, ligando um pouco com a pergunta anterior, estamos tentando introduzir uma audiência ainda maior ao mundo de Pokémon. Se simplesmente entregássemos todo o conteúdo — todos os Pokémon — de uma única vez, poderíamos acabar sobrecarregando esse público. Nós os temos lançado aos poucos desde o início.

Vocês se lembram de quando Pokémon começou: tínhamos apenas os 150 Pokémon originais. Então acho que essa é parte da filosofia de Pokémon GO — para ser mais acessível ao maior número de pessoas, também é necessário não sobrecarregar, e dar a cada Pokémon, a cada lançamento, o seu próprio momento de atenção. E acredito que é por aí que devemos continuar seguindo.

Fernando: Atualmente, os jogos da franquia estão amplamente conectados, formando um ecossistema integrado por meio do Pokémon HOME. Quais são os principais desafios na integração do jogo com esse sistema mais amplo? 

Alan: É um desafio muito empolgante, e fomos felizes por a franquia Pokémon ter todo esse grande ecossistema, em que, se você é um jogador dos jogos da linha central, desde os Game Boys até os consoles atuais, e também de Pokémon GO, você pode manter esses personagens e a história que tem com eles, enviando-os para diferentes jogos. Isso é muito divertido e algo que os jogadores realmente gostam na franquia como um todo.

Nós vemos, por exemplo, jogadores competitivos dos jogos principais da Nintendo que, às vezes, recorrem ao Pokémon GO para eventos comunitários, pois pensam: “Ei, tem uma oportunidade aqui de capturar esse Pokémon shiny”, ou “esse é um Pokémon que eu gostaria para o meu time”. Ou ainda: “eu já tenho esse Pokémon no Pokémon GO”, e então o transferem para o Pokémon HOME.


Então eu creio que há realmente uma grande sinergia entre os jogos, e nós do Pokémon GO ficamos muito felizes em fazer parte disso, porque Pokémon é algo muito íntimo. Como nessa campanha que estamos fazendo — “qual é o seu favorito?” —, todo mundo tem um Pokémon favorito, e há essa conexão, especialmente com Pokémon GO.

Eu me lembro de um momento, quando Pokémon GO foi lançado: um Venusaur apareceu enquanto eu estava em uma refeição em família — era um aniversário ou algo assim. E agora, toda vez que vejo um Venusaur, sou levado de volta àquele momento especial. Isso me faz pensar na minha família e em como estávamos contentes, jogando juntos.

Poder levar esse Pokémon para diferentes jogos, carregando essas memórias pessoais, é algo muito poderoso. Não acredito que haja muitos jogos por aí que permitam esse tipo de conexão pessoal, e somos gratos pelo fato de Pokémon GO poder criar essas memórias entre as pessoas.

Fernando: Entre as diversas mecânicas introduzidas no jogo, uma das mais marcantes foi o retorno dos Shadow Pokémon, originalmente vistos em Pokémon XD: Gale of Darkness. Como surgiu a decisão de trazer esse conceito de volta? Existe a intenção de incorporar outras mecânicas “especiais” de títulos anteriores? 

Alan: Nós estamos constantemente procurando inspiração em toda a franquia Pokémon, e tem sido ótimo que a Pokémon Company tenha sido tão aberta em nossa parceria, permitindo explorar múltiplos aspectos.

Por exemplo, a Equipe Rocket, que foi introduzida anos atrás, é algo de que os jogadores gostam muito. Isso adiciona novas narrativas ao jogo, antagonistas, dando algo para manter os jogadores frequentemente engajados, além da captura dos Pokémon Sombrios, originais de Gale of Darkness como você mencionou.

Acredito que a franquia Pokémon é realmente incrível no sentido de que há muito em que se inspirar através da série. Mas também há elementos de Pokémon GO que foram exportados para os jogos principais. Se você pensar bem, o conceito de raids apareceu inicialmente em Pokémon GO e foi adaptado para os jogos principais também.


Houve também muitas oportunidades, como o lançamento de Meltan, que era um Pokémon exclusivo de Pokémon GO e que podia ser transferido para os jogos principais. Mais recentemente, tivemos o Gimmighoul.

Nós continuamos procurando maneiras de trabalhar com nossos parceiros e tornar essas experiências mais divertidas e confortáveis. E, no fim, os fãs de Pokémon costumam gostar de quase tudo da franquia. É difícil encontrar alguém que diga: “eu só jogo Pokémon GO” ou “só jogo os jogos principais”.

Eu penso que os fãs realmente apreciam os muitos aspectos da franquia, então é importante que haja oportunidades de interação entre Pokémon GO e os demais elementos, como o Pokémon HOME, ou mesmo trazendo ideias dos jogos principais, como a Equipe Rocket, trocas e batalhas.

E, como falamos, a franquia continua evoluindo, então não há como saber o que mais pode acontecer. Assim como, há algum tempo, lançamos o Dynamax e Gigantamax, e, conforme a franquia cresce, não dá para prever o que vem por aí.

Fernando: Outra característica importante do jogo é a presença de Pokémon exclusivos de determinadas regiões, embora eventos ocasionais ampliem seu acesso. Como foi definida a escolha de implementar esse sistema de regionalização? 

Alan: Essa ideia remonta à promessa original de Pokémon GO, que nós chamamos de “a grande promessa de Pokémon GO”. E essa promessa é a de que localização importa.

Você precisa ir a locais específicos para engajar com algo, ativar algo. Os Pokémon regionais são um grande exemplo disso, pois, se liberássemos esse Pokémon em qualquer lugar, ele perderia essa magia, certo?

Mas se há certos Pokémon que você só pode capturar na natureza em lugares como Austrália, Estados Unidos ou México — lá temos o Hawlucha, por exemplo —, isso se torna realmente empolgante. Essa mecânica não existiria de outra forma.

Alguns jogadores podem pensar: “mas é muito difícil para eu ir ao México”. Mas, talvez você conheça alguém que esteja viajando para lá e possa trocar com você. Ou mesmo você pode, eventualmente, viajar para algum lugar e uma das coisas que fará na viagem é capturar esse Pokémon regional. Então não é impossível.

Chatot é um Pokémon exclusivo do hemisfério sul, mas muito mais fácil de achar no Brasil. 

Através de eventos como o GO Fest e o City Safari, também tentamos trazer alguns Pokémon regionais como forma de torná-los mais acessíveis, mas ainda queremos manter essa promessa central de que, ao visitar locais ou eventos específicos, você terá acesso a algo único — porque a localização importa.

Isso é algo que temos explorado recentemente com atualizações: agora há Pokémon que só podem ser encontrados em determinados ambientes, como praias ou áreas florestais. Voltando à nossa proposta: se queremos realizar a fantasia de Pokémon existindo no mundo real, precisamos fazer escolhas como Pokémon regionais ou baseados em biomas.

Se você for à praia, por exemplo, pode encontrar um Wugtrio ou outros Pokémon específicos. Isso ajuda a criar memórias — como decidir juntar os amigos e ir com eles até a praia para capturar um Pokémon específico, transformando isso em uma aventura. Ou até viajar para outro país com esse objetivo.

Na América Latina, ficamos muito felizes em ter Pokémon regionais bastante desejados: temos Maractus, Heracross e Chatot no Brasil, e, no México, o Hawlucha. Então estamos constantemente buscando formas de cumprir essa promessa, e os Pokémon regionais fazem parte disso.

Fernando: Com a aproximação do décimo aniversário do jogo, o que os jogadores podem esperar em termos de novidades e comemorações?

Alan: Bem, o próximo evento é o GO Fest, que será uma grande celebração — o maior evento do ano. É quando lançamos a maior parte dos conteúdos.

Teremos o retorno de Mewtwo, com Mega Mewtwo X e Mega Mewtwo Y disponíveis no jogo. Também teremos Zeraora, um Pokémon Mítico. Mewtwo é definitivamente um dos favoritos de todos os tempos, e, com o décimo aniversário, é um grande momento para destacá-lo novamente — e os jogadores sempre adoram isso.

Os jogadores podem esperar por isso nos GO Fest de Tóquio, Copenhague e Chicago, e mais tarde no GO Fest Global, que neste ano será gratuito — o que é muito empolgante, pois jogadores de todos os lugares poderão participar.


Então, mesmo que alguém tenha parado de jogar Pokémon GO por um tempo, ou seja um novo jogador, terá a oportunidade de vivenciar esses eventos globais e interagir com esse conteúdo.

Eu acredito que essa será uma grande forma de celebrar esse décimo aniversário. E recomendo que fiquem de olho nas redes sociais, pois tenho certeza de que haverá muito mais surpresas ao longo do ano.

Este é um ano realmente muito importante para nós — não apenas globalmente, mas também na América Latina. Queremos celebrar com nossa comunidade, com nossos treinadores. Então peço que todos fiquem atentos às nossas redes sociais para nossos próximos anúncios.

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Fernando Lorde
Escritor e gamer, pode ser encontrado em: Instagram (@lordegamingblog) e Twitch (@lorde10hz).
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