Análise: Rune Dice une dados, guerreiros e goblins em um divertido e viciante roguelite

Lance e combine dados para destruir seus oponentes neste descompromissado título.

em 27/05/2026
Presentes em diversos tipos de jogos (dos físicos aos eletrônicos), os dados são quase tão antigos quanto a própria humanidade, existindo registros de sua utilização por egípcios, babilônios, assírios e gregos. Alguns historiadores, inclusive, atribuem a origem de uma das frases mais famosas do imperador Júlio César (100-44 a.C.) — “alea jacta est”, ou “a sorte está lançada” — ao seu conhecido hábito de jogar dados com os senadores romanos.


Logo, não é de se espantar que o estúdio Smart Raven tenha decidido criar um roguelite cuja principal mecânica está justamente no ato de jogar dados mágicos, capazes de se fundir para criar combinações ainda mais poderosas. É o caso de Rune Dice, que chega ao Switch prometendo ação viciante em sessões curtas, mas bastante divertidas. Será que deu certo? Confira em nossa análise!

A sorte está lançada!

Rune Dice parte de uma premissa bastante simples. Ao escolher um dos oito heróis disponíveis, partimos em uma campanha cujas partidas ocorrem em tabuleiros encantados, nos quais devemos mirar e arremessar dados mágicos. Quando um dado de um determinado valor encosta em outro idêntico, ambos se fundem automaticamente, gerando um de valor superior, e assim por diante.

Na prática, portanto, um dado de valor “1” pode rapidamente se tornar um dado “5” ou “6”, dependendo de como o jogador usa seu arremesso e a física realista do jogo. No fim de cada turno, o resultado de todas as fusões conseguidas é convertido em dano à barra de vida dos oponentes, mostrados na parte superior da tela, juntamente com o herói controlado. 

Para vencer um confronto, é necessário zerar a vida dos adversários antes que eles façam o mesmo com você. Derrotar todos os oponentes de uma partida significa poder avançar no mapa, que é repleto de bifurcações — alguns caminhos levam a lojas, outros a itens e outros a confrontos mais difíceis, todos gerados aleatoriamente a cada nova campanha, como em todo roguelite que se preze.

Dungeons e dados

Sem uma história ou narrativa, o foco de Rune Dice está totalmente na jogabilidade. As campanhas são bastante curtas, encerrando-se sempre em um combate contra um chefe, que pode ser alcançado em 30 minutos de jogo (ou até menos que isso). Com partidas ágeis, portanto, o foco está em tentar fazer a melhor combinação possível a cada novo arremesso de dados, o que rapidamente se prova viciante.

Assim como Vampire Survivors e Balatro já nos mostraram no passado, ver números cada vez maiores tomando conta da tela equivale a uma verdadeira injeção de dopamina, e Rune Dice consegue transmitir essa mesma sensação. Há algo quase hipnótico em assistir aos dados ricocheteando pela tela enquanto o dano aos inimigos se acumula. Para ajudar na missão de criar combos cada vez maiores e caóticos, existem também dados especiais, como alguns que causam dano em vários oponentes ao mesmo tempo e outros que presenteiam o jogador com bônus, como cura ou esquivas.

Há ainda uma série de runas mágicas que podem ser usadas durante uma partida para causar efeitos transformadores, como mudar a posição ou aumentar o valor de todos os dados simultaneamente. Como as runas e os itens especiais podem ser adquiridos ao vencer partidas e nas lojas espalhadas pelos mapas, é possível perceber um traço de deckbuilding em Rune Dice, embora o jogo não conte especificamente com cartas em sua composição.

No entanto, mesmo contando com uma jogabilidade ágil e viciante, Rune Dice acaba passando longe de realizar todo o seu potencial. O principal motivo para isso está justamente na sua duração e escopo: com as campanhas durando cerca de meia hora, não há tempo suficiente para montar um conjunto de dados que seja realmente absurdo ou invencível. Fazendo um paralelo, é como se Slay the Spire ou Monster Train 2 terminassem nos primeiros rounds, sendo que os melhores momentos desses jogos tomam forma após os primeiros chefes.

É fato que a maioria dos oito heróis disponíveis precisa ser desbloqueada e há um modo difícil incluído no pacote, mas, com partidas e campanhas curtas e a ausência de qualquer história, é impossível não ter a impressão de que poucas horas de jogo, embora divertidas, já são o suficiente para ver tudo o que Rune Dice tem a oferecer. Como resultado, achei que o fator replay ficou comprometido cedo demais — um pecado gravíssimo para todo jogo, mas especialmente para um roguelite.

Um carismático mundo que poderia ser melhor explorado

É uma pena, pois Rune Dice esbanja carisma em vários aspectos. Assim como os protagonistas, os cenários e inimigos — em sua maioria, goblins e outras criaturas fantásticas — são bem desenhados, com uma charmosa e colorida arte em pixel que dá gosto de ver tanto na tela do Switch quanto na TV.

Ainda no campo técnico, o título também está localizado em português brasileiro, e não me deparei com nenhum bug ou crash jogando no Switch 2. Inclusive, apesar de não contar com uma edição específica para o novo console da Nintendo, Rune Dice se beneficia bastante do Modo Portátil Aprimorado, sendo apresentado em resolução nativa mesmo quando longe da dock. 

E, por tocar no assunto, Rune Dice é um jogo que combina perfeitamente com a flexibilidade do console da Nintendo, sendo uma ótima opção para quem quer jogar algo rápido e descompromissado por alguns minutos, seja na hora do almoço, seja antes de dormir. Conforme concluo a escrita desta análise, cada vez mais me parece que essa foi a verdadeira intenção dos desenvolvedores. Porém, não há como negar que a obra do Smart Raven se beneficiaria muito de um pouco mais de ambição e profundidade em sua execução.

Um roguelite divertido que merece ser conferido por fãs do gênero

Rune Dice é um roguelite que chama a atenção por sua jogabilidade simples, mas viciante. Embora peque por sua falta de ambição, o título do Smart Raven Studios merece ser conferido por quem gosta de jogos rápidos e descompromissados, fáceis de entender e divertidos de dominar.

No mais, ideias despretensiosas, mas bem executadas, sempre terão espaço no mundo dos games. É só uma pena que, neste caso específico, a falta de profundidade tenha cobrado seu preço — quem sabe na próxima?

Prós

  • Jogar dados e ver combinações cada vez mais poderosas surgindo entre eles é original, divertido e viciante;
  • As partidas ágeis combinam com a flexibilidade do console da Nintendo, sendo uma ótima opção para quem só quer jogar algo rápido e descompromissado;
  • A pixel art bonita e colorida eleva a qualidade da apresentação;
  • Localizado em português brasileiro.

Contras

  • A ausência de história ou narrativa empobrece a proposta;
  • As campanhas curtas reforçam a impressão de que o jogo ficou aquém de realizar todo o seu potencial;
  • Com a falta de profundidade do título, o fator replay fica comprometido cedo demais para um roguelite.
Rune Dice — PC/Switch/PS5/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Kwalee
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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