Star Fox, na escuta — atenção ao briefing da missão
Sendo Star Fox um remake fiel de Star Fox 64, aqui acompanhamos novamente a jornada de Fox, Falco, Peppy e Slippy para salvar o Sistema Lylat da invasão do maléfico Dr. Andross. Anos após o triste incidente no planeta Venom (que culminou no desaparecimento do piloto James McCloud, pai de Fox), as forças inimigas estão finalmente perto de completar sua vingança, tendo dominado praticamente todos os corpos celestes possíveis, com exceção de Corneria.
De fato, a situação é tão crítica que a última esperança do general Dr. Pepper é a equipe paramilitar independente Star Fox. Honrando o seu lema de fornecer ajuda a quem mais precisa, o esquadrão aceita a convocação do militar e decide liderar o combate às forças de Andross, começando pela já citada (e sitiada) Corneria.
Se bem-sucedido, o contra-ataque será o passo inicial na busca pela paz no Sistema Lylat. Então, no comando do jovem, mas habilidoso, piloto Fox, cabe ao jogador liderar sua equipe na retomada dos territórios dominados por Andross, seguindo fases repletas de ação, desafios e segredos a bordo da nave Arwing ou dos outros veículos (como o Landmaster) à disposição da Star Fox.
Um remake tão importante quanto necessário
Star Fox é um jogo de tiro e combate sobre trilhos, gênero conhecido mundialmente como rail shooter ou shooter on rails. Ao longo das diversas fases disponíveis (que são mostradas como diferentes planetas na campanha), o jogador deve controlar a nave Arwing (ou outro meio de transporte disponível) por cenários que avançam automaticamente, desviando dos obstáculos e atirando nos inimigos que surgem pelo caminho para chegar ao ponto final, geralmente guardado por um chefe.
Apesar de não ter sido o primeiro rail shooter da história — uma honra pertencente a Space Harrier, lançado para arcade pouco mais de uma década antes — Star Fox 64 é considerado até hoje um dos melhores títulos do gênero (quiçá o melhor), graças à sua jogabilidade precisa e temática divertida. Essa informação é importante, pois ajuda a entender por que este remake é bem-vindo em 2026 e, de certa forma, até mesmo necessário para a continuidade da franquia.
Como escrevi em nossa prévia, apesar do grande sucesso dos seus primeiros jogos, é fato que a franquia Star Fox sofreu com uma crise de identidade severa ao longo das últimas décadas. Para apresentá-la às novas gerações de jogadores e satisfazer os fãs veteranos (que esperam por um novo título há mais de dez anos), refazer do zero e com as tecnologias atuais a maior e melhor aventura da saga até hoje é uma decisão segura, capaz de agradar a ambos os públicos, se bem-executada.
E foi justamente isso que a Nintendo, em parceria com o Velan Studios, entregou: um remake completo, fiel e extremamente polido, que funciona tanto como uma nostálgica viagem ao passado quanto como uma excelente porta de entrada para quem deseja conhecer melhor Fox e sua turma após a participação especial do piloto em Super Mario Galaxy: O Filme. E, como veremos a seguir, os destaques de Star Fox vão além dos visuais atualizados, tornando este um título facilmente recomendável para todo dono de um Switch 2.
Uma verdadeira demonstração técnica da atual geração da Nintendo
Visualmente falando, Star Fox é realmente impressionante. Cada um dos planetas visitados na campanha demonstra na prática o poder gráfico do Switch 2, e o fato de tudo rodar a impecáveis 60 quadros por segundo tanto no modo TV quanto no portátil (um número bem distante dos 20 fps do Nintendo 64) imediatamente torna este um dos benchmarks técnicos do novo console da Nintendo, ao lado de obras como Mario Kart World e Metroid Prime 4: Beyond.
O fato de os belos cenários e animações serem acompanhados por versões orquestradas da trilha sonora original de Koji Kondo e Hajime Wakai também dá à aventura um senso de grandiosidade muito interessante. Sendo sincero, batalhar com a Star Wolf e desbravar os segredos de Meteo (para citar apenas dois momentos da campanha) me fez lembrar das sequências audiovisuais épicas de Star Wars (que, inclusive, foi uma grande referência para Shigeru Miyamoto durante a criação de Star Fox).
Apesar das pequenas controvérsias iniciais — e das comparações diretas com o visual da Illumination —, os novos visuais para Fox e companhia também se destacam positivamente pela atenção aos detalhes (como os pelos do protagonista) e pela expressividade. Uma das grandes novidades deste remake, as cutscenes entre missões são comparáveis em qualidade a animações de grande porte, demonstrando que os produtores acertaram em cheio na caracterização dos personagens para a atual geração.
Repletas de carisma, essas novas cenas também ajudam a entender melhor a personalidade de cada um dos membros da Star Fox e a dimensão da ameaça que Andross representa para o Sistema Lylat, ampliando a história vista no Nintendo 64. E, como as cenas variam dependendo do resultado de cada fase ou da rota escolhida, também há bastante incentivo para experimentar novas abordagens em batalha e seguir os já conhecidos caminhos alternativos, o que nos leva ao próximo tópico desta análise: a quantidade de conteúdo e o fator replay.
Diversão garantida para um ou mais jogadores, com um único porém
Como controlar a Arwing nunca foi tão divertido e cinemático, a grande fraqueza de Star Fox está na duração da sua campanha. Sendo este um remake fiel do clássico do Nintendo 64, a história consiste em jogar sete estágios em sequência, o que equivale a cerca de duas horas de aventura, dependendo da habilidade do jogador. Logo, para quem não aprecia a proposta arcade de buscar rotas alternativas nas fases ou tentar fazer uma pontuação melhor, esse acaba sendo um tempo bem curto para os padrões atuais.
Para tentar amenizar essa situação, há o novo Modo Desafio, que apresenta objetivos diferentes dos originais para cada fase, reunindo tarefas que vão desde obter um certo número de pontos até destruir todos os inimigos de um determinado tipo. É um recurso bem-vindo, mas que, novamente, não agradará a quem não aprecia a ideia de jogar mais vezes as mesmas fases já conhecidas.
Por outro lado, o Modo Batalha rouba a cena e tem potencial para entreter por horas a fio. Nesta modalidade, é possível jogar como membro da Star Fox ou da Star Wolf em batalhas aéreas de quatro contra quatro, incluindo amigos e jogadores aleatórios.
Como esta análise foi produzida antes do lançamento, não consegui encontrar outros jogadores online para tais disputas, mas, mesmo jogando apenas contra o computador, me diverti bastante, e o fato de ser possível ajustar a dificuldade da inteligência artificial para partidas offline me agradou muito. Sinceramente, mal posso esperar para jogar contra outros pilotos online, até porque esta é uma grande novidade para a franquia — nem Star Fox 64 3D, nem Star Fox Zero ofereceram suporte a batalhas via internet.
Para quem prefere a diversão local, também há boas notícias: é possível batalhar contra até três amigos próximos usando uma única cópia do jogo, por meio do recurso GameShare (basta que cada jogador tenha um Switch ou um Switch 2). Prefere ajudar em vez de competir? Sem problemas, pois a campanha do título também pode ser jogada de forma cooperativa no mesmo console, com um jogador usando o modo mouse do Joy-Con 2 para mirar enquanto o outro assume a pilotagem da Arwing (também é possível usar o mouse no modo single-player, embora eu tenha preferido os controles tradicionais).
Com tantas novidades e recursos que vão além do esplendor visual, acredito que já está claro que Star Fox é a maneira definitiva de vivenciar o clássico shooter nos dias de hoje. Mas ainda há algo para destacar positivamente nesta análise: a localização completa para português brasileiro, que traz não somente legendas e menus em nossa língua, mas também uma dublagem de altíssimo nível em todos os diálogos do jogo.
Honestamente, é quase impossível ouvir os personagens usando expressões como “bambambã” ou “tunô barril” e não abrir um sorriso. Perceber que a Nintendo finalmente está reconhecendo o potencial do nosso mercado a ponto de adaptar completamente uma obra deste calibre é uma grande alegria, além de indicar que os próximos passos do esquadrão Star Fox (quando forem anunciados) também virão adaptados para o nosso idioma.
A versão definitiva de um clássico e um marco para a franquia
Recomendado tanto para novatos quanto para veteranos, Star Fox alça a carismática franquia da Nintendo a novos patamares no Switch 2, introduzindo novidades muito bem-vindas ao mesmo tempo em que entrega uma releitura espetacular, digna do legado do clássico jogo de 1997.
Portanto, se ainda havia alguma dúvida, não há mais: redesenhados e revigorados para a atual geração, o jovem McCloud e sua turma possuem um futuro bastante promissor pela frente, e a decisão de unir passado e presente por meio de um remake se provou bastante acertada. Então, faz um tunô barril, Fox — é muito bom vê-lo de volta no comando da Arwing.
Prós
- Entrega um verdadeiro showcase técnico do console da Nintendo, com belos visuais e performance impecável tanto no modo TV quanto no portátil;
- As novas cutscenes trazem adições interessantes à história e provam que o redesign dos personagens para a atual geração foi acertado;
- O Modo Batalha 4x4 é bastante divertido e promete estender a longevidade do título com suporte para partidas online (uma novidade para a franquia);
- A trilha sonora orquestrada confere grandiosidade à aventura;
- Localizado em português brasileiro;
- Representa a forma definitiva de jogar um clássico atemporal, que marcou o gênero rail shooter.
Contras
- Com a campanha consistindo em poucos estágios em sequência, a curta duração da aventura pode incomodar quem não aprecia a ideia de revisitar as fases em busca das rotas alternativas;
- Apesar de divertido, o novo Modo Desafio falha em adicionar mais conteúdo ao título de forma substancial, colocando em xeque o fator replay para quem não é entusiasta da proposta arcade do título.
Star Fox — Switch 2 — Nota: 8.5
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo











