E, após alguns rumores rondando o Switch 2, a versão (quase) completa de Devil May Cry 5, nomeada como Devil Hunter Edition, chega ao Switch 2 sem muito alarde, mas com muitas expectativas. Prepare seu melhor braço biônico e venha comigo se aventurar com Dante, Nero e outros personagens mais uma vez.
Relógio do Armagedon
13 de maio. Após os eventos de Devil May Cry 4, Nero juntou-se a Dante para caçar demônios ao lado da armeira Nico Goldstein. A vida estava boa para o jovem rapaz, quando um estranho encapuzado aparece e arranca o braço de Nero, invocando a lendária espada Yamato e sumindo no ar.
Três dias depois, 16 de maio. Uma bizarra árvore chamada Qliphoth emerge na cidade de Red Grave, matando milhares de pessoas e consumindo seu sangue para criar demônios. Com isso, Dante e Nero, agora trabalhando com a Devil May Cry e tendo sido contratados pelo misterioso V para lidarem com o problema, escalam a cornucópia infernal até encontrarem o novo rei demônio, Urizen, que facilmente derrotou Lady e Trish, além de superar Dante com seu imenso poder roubado.
Por pouco, Nero consegue fugir e, um mês depois, recupera-se de seus ferimentos, contando com o apoio de Nico e, eventualmente, de V para resgatar os caçadores de demônios e derrotar Urizen, além de descobrir alguns segredos envolvendo V e talvez a si mesmo.
Dando uma mãozinha
A história de Devil May Cry 5 é bem feita e interessante de acompanhar, além de ser convidativa para novatos na série, pois o título traz um vídeo contemplativo de toda a jornada de Dante. Não é algo que realmente mergulha no universo da franquia, mas é competente o bastante para familiarizar novos jogadores com seus personagens, especialmente com o jogo muito bem traduzido para o português brasileiro.
Honrando o legado hack ‘n’ slash da franquia, Devil May Cry 5 tem uma jogabilidade extremamente afiada e complexa, mas divertida de dominar. Nero, nosso primeiro protagonista, tem à disposição sua fiel espada Red Queen e o trabuco Blue Rose, oferecendo uma boa variedade de movimentos conforme a intensidade de segurar o analógico, manter a mira ou acertar o timing dos ataques. Mas isso não é tudo para o jovem caçador, pois, após perder seu braço, Nico ajudou o amigo e desenvolveu próteses robóticas para suprir a necessidade de duas mãos, sendo estas chamadas de Devil Breaker.
Com os Devil Breakers, Nero consegue realizar uma boa variedade de ataques, dependendo do braço que estiver usando. Por exemplo: Overture, o primeiro dispositivo que utiliza, vem equipado com ataques básicos de mão, um gancho para puxar inimigos que estão longe (ao usar a mira) e um ataque especial de palma elétrica, criando uma parede destrutiva para empurrar demônios. Helter Skelter, um braço mais afinado e parecendo com uma agulha, não possui ataques de choque, mas, em compensação, é uma ótima escolha para golpes rápidos e para aparatar ataques. A Devil Hunter Edition, inclusive, conta com Devil Breakers que eram anteriormente DLCs, como o icônico Mega Buster, da franquia Mega Man, sendo puramente a distância.
O único problema dos Devil Breakers é que é só possível trocar de braço ao quebrar a prótese, seja por causa de algum inimigo ou detonando-a por escolha para criar um ataque poderoso. Isso, contudo, também cria um gambito maior e adiciona estratégia ao combate.
Herdeiros do Inferno
Dante, diferente de Nero, opera com uma gama imensa de movimentos e armas para usar, tendo à disposição quatro Estilos (movesets especializados, marcas icônicas da franquia) e 12 tipos diferentes de armas, variando entre espadas mágicas, pistolas assassinas e até um chapéu mágico com cristais poderosos. Todos respondem muito bem, fazendo Dante estar no ápice de sua jogabilidade.
V, por outro lado, tem um estilo de luta bem diferente do que qualquer outro personagem da franquia, usando seus familiares para atacar por ele e precisando finalizar os inimigos no chão, perfurando-os com sua bengala. De todos os movesets, a jogabilidade de V pode ser a que vai mais desagrade, pela sensação de distância do combate, uma vez que os familiares do estranho de cabelos negros fazem a maior parte da briga, mas ainda é um modo interessante de jogo.
E, por fim, temos Vergil, anteriormente acessível apenas como DLC e agora protagonista de sua própria campanha adjacente, disponível desde o início do jogo. Como de costume, para quem conhece o lendário espadachim, seus golpes são absurdamente velozes, e a satisfação de poder inimaginável é muito prazerosa.
Toda essa boa apresentação e dinâmica poderia ser arruinada se a Capcom tivesse trazido o jogo de forma vergonhosa para o Switch 2, mas, felizmente e surpreendentemente, Devil May Cry 5 está incrível no console. Incrivelmente lindo tanto na TV quanto no modo portátil, com pouquíssimos e rápidos carregamentos e com uma performance de ponta, é incrivelmente satisfatório ver um dos melhores jogos de 2019 rodando tão bem no novo console da Nintendo.
A única ausência deste port nos campos da Nintendo é o modo Lendário Cavaleiro Negro, o modo mais difícil do jogo, que aumenta o número de inimigos em tela, e provavelmente o Switch 2 não teria capacidade de rodar tudo ao mesmo tempo.
Em análises passadas, eu disse que todo relançamento que se preze deve incluir rascunhos e desenvolvimento de seus jogos, para fins de preservação e curiosidade. Esse meu pensamento se estende inclusive para ports de remakes, e Devil May Cry 5: Devil Hunter Edition é um ótimo exemplo disso. Não apenas temos a inclusão das DLCs previamente lançadas — como Vergil, roupas e Devil Breakers —, como também uma vasta galeria de arte do desenvolvimento, música de todos os jogos para usar nos combates (isto é, quase todos: o controverso DmC foi deixado de lado), documentação de personagens e, talvez a parte mais legal, a possibilidade de substituir algumas cutscenes por filmagens live action do desenvolvimento, sendo tanto um adicional hilário quanto uma peça valiosa para demonstrar o processo criativo dos jogos.
JACKPOT!
A Capcom tem feito um excelente trabalho em trazer suas franquias para o Switch 2. Dos novos Resident Evil ao Street Fighter 6, logo no lançamento do novo console, Devil May Cry 5: Devil Hunter Edition é mais uma prova do compromisso da empresa em restabelecer conexões fortes com a Nintendo, não apenas trazendo um jogo já excelente em sua quase totalidade, mas fazendo-o completamente funcional no Switch 2.
E, com isso, faltam apenas Devil May Cry 4 e DmC para que esta franquia, antes tão tímida no território, fique totalmente presente no domínio da Big N. Como diria Vergil em Ultimate Marvel Vs. Capcom 3: “Poder controla tudo”.
Prós
- Muito bem traduzido para o português brasileiro;
- História interessante e com resumo da série para novos jogadores;
- Jogabilidade de ponta e variada entre quatro personagens mecânicamente diferentes;
- Performance impecável no Switch 2, rodando sem engasgos e visualmente belo;
- Ótima galeria interna de arquivos, músicas e artes.
Contras
- A mecânica do Devil Breaker traz desafios que podem frustrar certos jogadores;
- A jogabilidade de V é interessante e única, mas pode ser lenta demais às vezes;
- Ausência do modo Lendário Cavaleiro Negro.
Devil May Cry 5: Devil Hunter Edition — Switch 2 — Nota: 9.0
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom




