Análise: Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition é a melhor forma de jogar uma obra-prima dos JRPGs

A jornada de Shulk e seus amigos chega ao Nintendo Switch 2 em uma edição que faz jus às qualidades atemporais do título.

em 30/07/2026
Se você acompanha a Nintendo há muito tempo — assim como este redator que vos escreve —, possivelmente se lembra da “Operation Rainfall”. Há aproximadamente 15 anos, fãs de RPGs japoneses se organizaram para mostrar à Big N que havia demanda pelo gênero em todo o Ocidente, clamando pela localização de três títulos do Wii, até então, exclusivos do Japão (ou confirmados somente para a Europa): The Last Story, Pandora’s Tower e Xenoblade Chronicles.




Após uma série de cartas, e-mails e petições online, eventualmente todos os três jogos chegaram localizados aos mercados europeus e americanos, em uma grande prova da força e paixão da comunidade. De todos os lançamentos, sem dúvida o mais bem-sucedido foi Xenoblade, título desenvolvido pela japonesa Monolith Soft como um sucessor espiritual das franquias Xenogears e Xenosaga.

Agora, após milhões de cópias vendidas e mais de três sequências, esse lendário JRPG faz sua estreia na nova geração da Nintendo na forma de Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition. Trazendo uma série de melhorias possíveis graças ao hardware mais avançado do novo console, esta é a melhor forma de conhecer (ou revisitar) um jogo que marcou a trajetória dos RPGs japoneses no Ocidente e que, de fato, merece ser citado como um clássico atemporal.

Descobrindo os segredos da Monado

Xenoblade Chronicles se passa em um mundo mágico onde, do vazio, surgiram dois grandes titãs: Mechonis e Bionis. Envolvida em um conflito interminável que atravessou gerações, a dupla de gigantes terminou se aniquilando ao mesmo tempo ao cruzar suas espadas em combate.

Desde então, milhares de anos se passaram, com a vida se formando e civilizações inteiras sendo estabelecidas sobre as carcaças das duas criaturas. No entanto, a paz e a harmonia continuam sob ameaça, pois logo nos primeiros momentos do jogo vemos os Homs (raça análoga aos humanos neste universo) sendo atacados por máquinas violentas e implacáveis, conhecidas como Mechon.

Para piorar a situação, a única arma conhecida capaz de danificar tais seres é uma misteriosa espada vermelha, chamada de Monado. Infelizmente, poucos são os Homs capazes de segurá-la sem sofrer lesões praticamente mortais, o que aumenta o drama em torno do equipamento e torna difícil o seu estudo e compreensão.

Mas esse é o caso de Shulk, garoto que descobre ser capaz de empunhar a Monado sem sofrer danos durante uma trágica ofensiva dos Mechon contra a colônia onde mora. De posse da espada, o jovem consegue afastar os inimigos, mas não evitar todas as fatalidades, fato que posteriormente o leva a partir em uma jornada com seu amigo Reyn para vingar os Homs e entender os mistérios por trás do ataque (e da própria Monado).

Um JRPG que se destaca em absolutamente todos os aspectos cruciais

Há vários motivos pelos quais Xenoblade Chronicles é uma obra que merece, quiçá precisa, ser jogada por todo fã de RPGs. Primeiramente, há a narrativa e a forma como ela é apresentada; descobrir os segredos por trás da Monado e do mundo em que o jogo da Monolith Soft se passa é cativante, principalmente a partir do momento em que Shulk descobre que pode ver o futuro (e talvez mudá-lo) empunhando a espada vermelha.

Os confrontos com os misteriosos Mechon também vão se intensificando cada vez mais durante a campanha, fazendo com que o jogador realmente queira entender os motivos dos violentos ataques e, logicamente, acertar as contas com as criaturas mecânicas. Muitos títulos falham na missão de transformar os seus vilões em ameaças concretas e detestáveis; felizmente, não é o caso aqui, graças a um storytelling coerente e bem amarrado, que faz bom uso de recursos narrativos importantes, como o suspense e a antecipação.

O sistema de combate também merece elogios: em Xenoblade Chronicles, as batalhas se dão em tempo real, mas os integrantes da party atacam automaticamente, restando ao jogador movimentar-se pela arena e decidir quando usar as habilidades especiais (artes) do personagem controlado. Como não é possível trocar de personagem no meio de um confronto, é fundamental montar composições em que os membros se complementam e se ajudam para derrotar os inimigos.

É um sistema que lembra o encontrado em MMOs, como Final Fantasy XIV, e que funciona muito bem, embora a curva de aprendizado seja um pouco íngreme. Alguns inimigos precisam sofrer debuffs para serem atacados com maior eficácia, algumas artes (como a Back Slash) causam mais dano quando o jogador ataca de determinada posição, e assim por diante — aprender como usar as várias mecânicas presentes e criar combos com elas é parte do que torna esse modelo tão fascinante, e não apenas original.

Também é preciso citar a grandiosidade da aventura, um de seus principais diferenciais. Embora não traga um mundo aberto propriamente dito — um luxo guardado para a sequência indireta Xenoblade Chronicles X —, Shulk e seus amigos viajam por áreas verdadeiramente vistosas, que tanto ajudam a entender as dimensões titânicas do conflito entre Mechonis e Bionis quanto levantam a questão de como tudo isso um dia coube no hardware do Wii.

Dessa forma, mesmo mais de uma década após sua estreia, Xenoblade Chronicles ainda prova como um bom level design, aliado a uma competente direção de arte, torna um título capaz de sobreviver às armadilhas do tempo. E, logicamente, a presença de uma das trilhas sonoras mais marcantes dos JRPGs modernos também contribui para a percepção de uma obra verdadeiramente atemporal.

Mas e no Switch 2, como ficou? 

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition é o terceiro relançamento de Xenoblade Chronicles, chegando após as versões para New Nintendo 3DS e Switch. Essencialmente, temos aqui a elogiada versão do primeiro Switch (cuja análise você pode conferir aqui) aprimorada para a nova geração, com destaque para a resolução 4K (1080p no modo portátil) e a fluidez dos 60 quadros por segundo (ainda que pequenas quedas possam ser notadas em cenas muito movimentadas).

O upgrade — que abrange também as cutscenes — realmente é gigante, automaticamente tornando esta a versão definitiva e recomendada da obra da Monolith Soft. Porém, é preciso notar que as melhorias incluídas não estão restritas apenas ao imenso salto gráfico e de performance: as cenas de interação entre os personagens (Heart-to-Heart Conversations), por exemplo, agora são dubladas, amplificando consideravelmente o seu impacto emocional durante a aventura.

Para quem estava cansado de gastar a sola dos calçados dos personagens correndo pelas planícies de Gaur, também há boas notícias: foi adicionado um veículo ao jogo, chamado de Ether Jet, que pode ser obtido assim que a médica Sharla se junta à equipe.

Criados por uma carismática engenheira Nopon, os Ether Jets funcionam como motos movidas a Ether, facilitando a exploração e permitindo percorrer o mundo em alta velocidade. Há até dois novos minijogos — um de corrida e outro focado em pontos — para testar as habilidades de pilotagem de Shulk e seus companheiros.

Todas as adições acima se juntam aos destaques do lançamento de 2020 (como a dificuldade casual e o epílogo Future Connected), tornando esta a versão ideal tanto para os novatos quanto para os veteranos que queiram jogar ou retornar ao título que deu origem à série Xenoblade. Dito isso, a única ressalva fica por conta da ausência de suporte ao português brasileiro, nem mesmo nas legendas ou nos menus. 

Considerando os esforços crescentes da Nintendo para localizar suas obras mais recentes (como Star Fox), é um pouco estranho que justamente um dos títulos que mais necessitam desse recurso, por conta da quantidade de textos e diálogos, ainda esteja na fila. Assim, fica registrada a esperança de que uma atualização futura traga o suporte ao nosso idioma — um título deste calibre merece ser aproveitado por todos os jogadores, não apenas por aqueles que têm familiaridade com o inglês.

A versão definitiva de um clássico moderno

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition é a melhor forma de jogar uma obra-prima atemporal e um dos melhores JRPGs de todos os tempos. Graças ao poder do novo console da Nintendo e às adições bem-vindas como os Ether Jets, há motivos de sobra para conhecer ou revisitar a encantadora aventura de Shulk e seus companheiros no Switch 2.

Logo, seja você novato ou veterano no universo dos JRPGs, faça-se um favor e jogue Xenoblade Chronicles. Afinal, não é necessário usar o poder da Monado para saber que este provavelmente será um jogo que ficará na sua cabeça por muito tempo (e isso é algo muito positivo).

Prós

  • Com suporte a 4K e 60 quadros por segundo, consagra-se como a versão definitiva, tecnicamente falando, de um dos RPGs mais marcantes dos últimos anos;
  • Os novos Ether Jets facilitam a movimentação e a exploração pelos vastos mapas e cenários do jogo, sendo um recurso bem-vindo tanto para os novatos quanto para os veteranos;
  • Mais de uma década após sua estreia original no Wii, continua sendo um exemplo de que bons jogos não envelhecem, transmitindo ao longo de toda a sua aventura uma grandiosidade raramente vista até hoje nos games e que transborda para elementos como a fenomenal trilha sonora;
  • Todas as adições e melhorias da versão de Switch, como o epílogo Future Connected e a dificuldade casual, continuam presentes aqui, tornando esta versão recomendada tanto para entusiastas quanto para quem quer conhecer a franquia Xenoblade mais a fundo.

Contras

  • Embora a taxa de 60 quadros por segundo seja mantida na maioria do tempo, é possível perceber pequenas quedas na fluidez em cenas mais movimentadas;
  • Sem suporte a PT-BR, nem mesmo nas legendas e nos menus.
Xenoblade Chronicles: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition — Switch 2 — Nota: 9.5
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo
Siga o Blast nas Redes Sociais
Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).