O hype em torno de jogos no estilo metroidvania começou lá atrás, mais ou menos no ano de 2015, com o lançamento de Ori and the Blind Forest. Mas foi com a chegada de Hollow Knight, em 2017, que veio o boom dos jogos desse gênero, elevando a categoria a um patamar gigantesco de popularidade e excelência. Constance é um ótimo jogo no estilo metroidvania que claramente se inspirou em Hollow Knight, mas que, ao mesmo tempo, consegue ter seu estilo próprio para ser lembrado.
A mente como cenário
A história de Constance é algo que faz você parar para pensar um pouco sobre a nossa saúde mental em relação ao trabalho, às ansiedades, separações e brigas familiares. O jogo se passa dentro da cabeça da protagonista, como se fosse um Divertidamente, onde ela tenta encontrar o caminho de volta para a “realidade” depois de um burnout, buscando itens chamados de Lágrimas. É durante essa jornada e com a coleta dessas Lágrimas que a nossa protagonista começa a ser curada do seu estresse.
A história não é o ponto alto do jogo, mas é bem interessante ver no meio da jogatina — especificamente depois que você luta com os chefes — cenas do mundo real onde podemos perceber os sentimentos da nossa protagonista em relação ao que acontece na vida dela. Aliás, essas partes do jogo são no estilo minigames, algo que achei muito legal de se colocar ali. O jogo também é bem curto; leva em torno de seis horas para terminá-lo.
A linguagem da pintura aplicada ao gameplay
O ponto alto do jogo é a jogabilidade. Se você já jogou algum outro título no estilo metroidvania, especialmente Hollow Knight, sabe que, no decorrer da exploração do mapa, podemos adquirir novas habilidades que vão nos ajudando a prosseguir em diversas partes do jogo.
Constance é uma artista, então carrega consigo um pincel: ela pode usá-lo para atacar inimigos com tinta, esquivar-se ou passar por espinhos ao se transformar em tinta, e até mesmo escalar paredes nessa mesma forma.
Essas habilidades, juntando o fato de o jogo ter sido desenhado à mão, deixam a experiência muito bela artisticamente. Também achei uma ótima ideia usar a arte como estilo de gameplay, o que combinou perfeitamente com o jogo.
Também podemos encontrar no jogo itens de coração, que podem aumentar a nossa vida, e até mesmo itens para expandir o nosso estoque de tinta. Sim, aqui a tinta pode acabar, apesar de se regenerar automaticamente com o tempo; quando ela acaba, você passa a levar dano, o que deixa o jogo um pouco mais estratégico para não acabarmos morrendo no processo.
Em relação a isso, posso dizer que o que não me faz gostar muito desse estilo de jogo é o fato de que, quando morremos, voltamos apenas para um ponto de checkpoint. Às vezes, o checkpoint fica muito longe do local onde estamos explorando no momento e precisamos ficar indo e voltando, o que é frustrante. Mas, no caso de Constance, achei os pontos de checkpoint estrategicamente bem espalhados, e isso não me deixou frustrado. Outra opção também presente no jogo, caso você morra, é a possibilidade de reviver na mesma sala em que caiu. Em contrapartida, os inimigos recebem uma camada a mais de dificuldade.
O que me deixou frustrado mesmo foi o pico de dificuldade dos chefes em comparação aos inimigos comuns que aparecem pelo mapa. Diversas vezes me vi morrendo por conta disso. Mas não se enganem: as batalhas contra os chefes são muito boas, assim como a trilha sonora delas; só achei que a dificuldade dessas lutas subia demais em relação ao resto do jogo.
O jogo foi lançado originalmente para o Switch e, em 30 de julho, a versão para Switch 2 chegou com um upgrade gratuito para aqueles que já possuem a versão original. As novidades ficam por conta dos modos Desempenho e Qualidade aprimorados, elevando a resolução para até 1440p e alcançando uma taxa de quadros de 120 fps.
No entanto, posso dizer que o modo focado em taxa de quadros mais alta não vale muito a pena: quando ele é ativado, o jogo perde bastante qualidade de imagem e fica tudo muito borrado. Vale mais a pena manter o título a 60 fps e jogar com uma resolução maior, em que o visual fica incrivelmente mais bonito.
Um retrato ágil e sensível que enriquece o gênero
Em resumo, Constance prova que não é preciso reinventar a roda para entregar uma experiência marcante. O jogo consegue trilhar seu próprio caminho ao unir uma direção de arte belíssima, mecânicas criativas de pintura e uma abordagem sensível sobre saúde mental. Apesar dos desníveis pontuais na dificuldade dos chefes, o título entrega uma jornada envolvente, redondinha e muito gostosa de jogar — especialmente para quem busca uma experiência mais ágil e acessível no Nintendo Switch. Um prato cheio para os fãs do gênero.
Prós
- A temática sensível sobre saúde mental e burnout é abordada de forma inteligente e integrada às mecânicas de jogo;
- O uso da tinta e do pincel para ataques, esquivas e locomoção traz uma dinâmica única e muito artística para o combate e plataforma;
- A direção de arte desenhada à mão é um espetáculo visual que combina perfeitamente com a proposta da protagonista ser uma artista;
- Os pontos de checkpoint são bem posicionados e a opção de reviver na mesma sala diminui bastante a frustração comum do gênero;
- A disponibilidade de uma atualização gratuita para o Switch 2 com suporte a 1440p a 60 fps garante uma imagem linda e fluida.
Contras
- O salto de dificuldade nas batalhas contra os chefes em comparação aos inimigos comuns do mapa é muito acentuado e pode frustrar;
- O modo de 120 fps no novo console reduz excessivamente a qualidade de imagem, deixando os visuais borrados e pouco atraentes;
- Por ser uma jornada curta de cerca de seis horas, a narrativa do mundo real pode parecer rápida demais para aprofundar todos os sentimentos.
Constance — Switch/Switch 2/PS5/XSX/PC — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela btf






