Seguindo o caminho da espada
Em Onimusha: Way of the Sword, assumimos o papel de Miyamoto Musashi, um habilidoso espadachim que almeja ser lembrado como um grande samurai. Infelizmente, após provar suas habilidades derrotando o líder e vários discípulos da escola Yoshioka, Musashi acaba falecendo em combate contra uma série de enigmáticas criaturas demoníacas, conhecidas como Genma.
Já no pós-vida, o improvável acontece: Musashi é escolhido por um misterioso homem de branco para voltar à vida. Mas há um porém: isso só é possível por conta de uma manopla sagrada que contém o poder dos Oni — as fantásticas criaturas espirituais da mitologia japonesa.
Sem a manopla Oni conectada ao seu corpo, o protagonista rapidamente faleceria de novo. Esse fato leva o herói, já no mundo dos vivos novamente, a buscar respostas no famoso Templo Rokudo-chinnoji.
Ao chegar no local, Musashi percebe que foi escolhido (contra sua vontade) para ser um Onimusha — guerreiros de força sobrenatural capazes de combater as forças demoníacas e manter o equilíbrio do mundo. Com as portas do inferno cada vez mais se chocando com a realidade de Quioto, cabe ao protagonista colaborar com os propósitos divinos para, quem sabe no futuro, encontrar uma maneira de se livrar da manopla e seguir sua vida. Pronto para acompanhá-lo nessa jornada?
O aguardado e bem-vindo retorno de um clássico
Way of the Sword é um reboot da saga Onimusha — isso significa que não é necessário ter jogado os jogos anteriores da franquia, como Warlords e Samurai’s Destiny, para apreciar esta nova entrada da série. Logicamente, os veteranos reconhecerão alguns elementos de longa data, como a absorção de almas e os letais contra-ataques Issen, mas os novatos podem ficar tranquilos e aproveitar completamente uma história que não possui conexão direta com as anteriores.
Na prática, temos aqui um jogo de ação e aventura em terceira pessoa, com o foco no combate e a temática de fantasia samurai sombria como os seus principais diferenciais. Apesar de não ser um soulslike, a obra da Capcom conta com chefes imponentes e inimigos ardilosos; ficar atento aos confrontos e identificar padrões é imprescindível para sair com a vitória e conseguir progredir na campanha.
Adaptando a filosofia samurai do contra-ataque ativo (o princípio Sen no Sen), o sistema de combate de Way of the Sword oferece diversas formas de lidar com os golpes dos oponentes: é possível bloquear investidas, reverter agarrões, esquivar-se e até desferir contra-ataques tão rápidos quanto letais. Com tantos recursos à disposição, há uma grande ênfase em acertar o timing dos movimentos e em escolher a resposta ideal para as ações inimigas — sair atacando sem estratégia nenhuma pode até resolver contra criaturas mais fracas, mas não funcionará contra adversários mais inteligentes.
É um sistema que carrega uma certa curva de aprendizado, mas que se prova absolutamente divertido quando o jogador o entende e começa a dominá-lo. Felizmente, Musashi também tem à sua disposição uma série de itens e armas Oni especiais, que vão sendo conseguidas durante a aventura, e que ajudam em momentos críticos. E, caso a dificuldade padrão se mostre difícil demais, há a possibilidade de ligar indicadores auxiliares de combate e até ajustá-la livremente para baixo sem enfrentar penalidades por isso.
Pequenos problemas em uma aventura de alto nível
É importante falar da dificuldade geral, pois aqui está um ponto em que acredito que Way of the Sword pecou um pouco. Na configuração padrão de desafio, a maioria dos inimigos comuns é bem fácil de derrotar, algo que não se aplica aos chefes e que acaba resultando em saltos abruptos de dificuldade, principalmente nos momentos iniciais da campanha.
A inteligência artificial dos oponentes mais fracos também é algo que causa certa estranheza: mesmo rodeando o protagonista, a maioria dos inimigos hesita em atacar primeiro. Com isso, não é incomum ver um grupo inteiro aguardando pacientemente que o herói faça seus movimentos para só então esboçar alguma reação.
A bem da verdade, esses não são problemas que chegam a comprometer a experiência, mas é interessante notar o seu contraste com as boss battles — essas, sim, dignas de elogios sem ressalvas. Sem exceção, os chefes deste reboot são um de seus principais destaques, esbanjando carisma com sequências que testam as habilidades do jogador e, geralmente, duas formas distintas para ampliar o desafio oferecido.
Ganryu, eterno rival do protagonista e um dos vilões do jogo, é uma prova disso: o sarcástico guerreiro rouba a cena todas as vezes em que aparece (assim como a figura enigmática que salvou o nosso herói do pós-vida). Sem entrar no campo dos spoilers para preservar as maiores surpresas da experiência, a Capcom conseguiu criar uma história interessante e personagens cativantes, que motivam a continuar jogando para descobrir o final da narrativa e, principalmente, os motivos por trás da improvável escolha de Musashi como um portador da Manopla Oni.
Um espetáculo preservado no Switch 2
Outro ponto que é preciso mencionar é que Onimusha: Way of the Sword é uma aventura linear. Embora mais locais fiquem disponíveis para explorar no jogo conforme a história avança — e seja possível se envolver com missões e atividades secundárias assim que elas aparecem —, não espere aqui um mundo completamente aberto, mas sim um level design pensado especialmente para cada momento da campanha, que tem expectativa de duração de aproximadamente 25 horas (espere mais tempo se quiser fazer tudo o que a obra tem a oferecer, como rejogar as batalhas contra os chefes).
Essa decisão criativa funciona bem para a proposta do título, tornando cada nova localidade e segredo (como os tesouros escondidos dos Oni) divertidos de conhecer e explorar. Também vale destacar que a linearidade da aventura, sem dúvida, colabora para a ótima performance do jogo no Switch 2.
Isso mesmo: Way of the Sword foi anunciado um pouco tardiamente para o console da Nintendo em relação às outras plataformas, mas, se havia alguma dúvida em relação ao seu desempenho técnico no Switch 2, não há mais. Aqui está um dos melhores ports que tive a oportunidade de jogar no hardware da Big N até hoje e mais uma prova de que a Capcom tem sido uma das melhores parceiras do dispositivo em seus primeiros anos no mercado.
No novo console da Nintendo, a aventura de Musashi é renderizada em 1080p no modo TV e 900p no modo portátil. É possível limitar a taxa de quadros em 30 fps ou deixá-la desbloqueada para atingir números mais altos dependendo da cena, além de ajustar parâmetros individuais como o motion blur (desfoque de movimento) e até movimentar os Joy-Con 2 para desferir golpes com a espada.
Com o videogame conectado à TV, Way of the Sword é bastante impressionante visualmente — os desenvolvedores realmente não mentiram quando afirmaram que a versão de Switch 2 seria muito próxima da de PlayStation 5. No portátil, é preciso mencionar que o espetáculo gráfico é parcialmente perdido, mas a tecnologia VRR da tela combina perfeitamente com a taxa de quadros desbloqueada, melhorando ainda mais a percepção de fluidez que caracteriza uma boa experiência.
Ainda no aspecto técnico, também é preciso elogiar a localização do título em português brasileiro: além das legendas e menus em nosso idioma, a aventura de Musashi conta com a força inconfundível da nossa dublagem, com destaque para os talentos de Francisco Júnior como Takamura e Bruna Matta como “a moça da manopla”, dentre outros.
Para finalizar, gostaria de deixar aqui um relato bastante pessoal: em determinado momento da minha preparação para escrever esta análise, precisei acompanhar minha esposa em um compromisso dela. Sabendo que precisaria esperar no carro por um bom tempo, levei o Switch 2 e aproveitei para jogar a obra da Capcom no estacionamento.
Parece algo simples, eu sei, mas poder jogar um título AAA inédito em realmente qualquer lugar, graças à flexibilidade do console da Nintendo, é algo que nunca deixará de ser impressionante para mim. Talvez seja por isso que, pouco a pouco, o Switch 2 tem se tornado minha plataforma principal, mas esse é um papo para outra hora e coluna — por agora, fica somente a confirmação de que Onimusha: Way of the Sword é um título imperdível também no Switch 2.
O reboot que Onimusha precisava e que nós, jogadores, agradecemos por existir
Reiniciar uma franquia clássica nunca é uma tarefa fácil, mas Onimusha: Way of the Sword cumpre essa tarefa com precisão, trazendo uma aventura samurai divertida e repleta de ação que agradará tanto aos veteranos quanto a quem irá conhecer a saga da Capcom pela primeira vez.
O fato de nem mesmo os seus eventuais deslizes em relação à dificuldade impedirem uma recomendação é prova de que vale sim a pena empunhar a manopla Oni e pôr fim às hordas demoníacas como Miyamoto Musashi. E, felizmente para nós, o Switch 2 é uma ótima plataforma para fazer isso.
Prós
- Mais de uma década após o último título da saga, entrega um reboot digno do nome Onimusha, capaz de ser aproveitado tanto pelos fãs de longa data quanto por quem simplesmente busca um bom jogo de ação samurai;
- Apresenta um sistema de combate divertido, que estimula os jogadores a identificarem os golpes inimigos e responderem a tempo com movimentos precisos e letais;
- Complementando o ponto acima, as boss battles do game são um destaque à parte, testando as habilidades dos jogadores com confrontos tão difíceis quanto envolventes;
- A possibilidade de ajustar a dificuldade para baixo e de ligar indicadores de combate traz acessibilidade ao título e facilita a conclusão da campanha;
- Apresenta ótima performance no Switch 2, com destaque para a fidelidade do modo TV e o uso da tecnologia VRR no modo portátil;
- Localizado completamente em PT-BR, com dublagem de alto nível.
Contras
- Os saltos abruptos de dificuldade entre os inimigos comuns e os chefes podem incomodar e até vir a forçar um ajuste manual na dificuldade;
- A inteligência artificial dos oponentes mais fracos poderia ser melhor trabalhada;
- Por mais divertido que o sistema de combate seja, é inegável que há uma curva notável de aprendizado.
Onimusha: Way of the Sword — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela CAPCOM










