Como o Wii U remarcou minha paixão pelos videogames

O que parecia um sonho distante na juventude acabou se tornando uma conquista adulta cheia de significado.


O Wii U… o que falar deste curioso console? Para muitos, um aparelho que não cumpriu suas promessas: do hardware considerado defasado ao seu próprio nome, que mais parecia indicar um acessório para o Wii. Para mim, porém, ele representou uma descoberta gigante a realização já na vida adulta de uma infância que não havia conseguido se concretizar.

O início do sonho

Em 2011, o Wii U foi oficialmente anunciado. Para um pré-adolescente que, até então, só havia tido contato com o PlayStation 2 e o Super Nintendo, aquele anúncio parecia apresentar algo vindo diretamente do futuro. Eu ainda não tinha experimentado os grandes consoles daquela geração, mas, de repente, estava diante de uma máquina que parecia querer mudar a própria maneira como se jogava videogame. 

O que mais me fascinava era aquele estranho controle com uma tela no centro. Aos olhos de uma criança, o GamePad não parecia simplesmente um controle maior: parecia um tablet que havia escapado do mundo dos celulares e encontrado um lugar dentro de um videogame. 

A possibilidade de olhar para a televisão e, ao mesmo tempo, ter uma segunda tela nas mãos parecia quase mágica. Era como se o jogo pudesse existir em dois lugares ao mesmo tempo, oferecendo uma experiência que eu sequer sabia explicar direito, mas da qual eu tinha uma certeza muito simples: eu queria experimentar aquilo. 

E a Nintendo sabia exatamente como alimentar essa sensação. As campanhas de divulgação apresentavam o aparelho como algo novo, ousado, quase revolucionário. Os comerciais mostravam famílias, amigos e jogadores interagindo com o GamePad de maneiras que, para mim, pareciam extraordinárias. Não era apenas uma questão de gráficos melhores ou de um console mais potente. A promessa era de uma nova maneira de jogar e, para alguém que ainda estava descobrindo o próprio universo dos videogames, aquilo tinha uma força enorme. 

Eu assistia àquilo com a mesma intensidade com que uma criança olha para uma vitrine e imagina como seria possuir o brinquedo do outro lado do vidro. O Wii U não era apenas um console que eu queria jogar; ele se transformou em um objeto de desejo, pois imaginava como seria segurá-lo, ligar a televisão, pegar aquele GamePad e finalmente descobrir se aquela experiência que parecia tão extraordinária nos comerciais realmente existia. 

Naquele momento, porém, havia um pequeno detalhe que eu não conseguia ignorar: não iria ter um Wii U… Pelo menos não naquele momento.

O polêmico lançamento

Sabendo que, naquela época, nem eu nem minha família tínhamos condições econômicas para adquirir o console, o que me restava era assistir no YouTube ao que os influenciadores achavam do aparelho. 

Foi então que, no final de 2012, o console foi lançado. Lembro-me de estar assistindo a uma gameplay de ZombiU, um dos jogos que prometia trabalhar muito bem as possibilidades do GamePad. Eu estava curioso para finalmente ver aquela tecnologia em funcionamento, mas logo o influenciador começou a fazer críticas negativas: a bateria acabava rápido, era complicado utilizar o GamePad enquanto se jogava na televisão e havia outros problemas que colocavam em dúvida toda aquela promessa apresentada pela Nintendo. 

Naquele momento, alguém que possuía algo que eu queria, e queria muito, simplesmente destroçava o console em sua crítica, o que acabou me desanimando profundamente. Aquilo que, até então, parecia para mim um pedaço do futuro, começava a ganhar uma imagem bem diferente. 

Depois de assistir a muitos vídeos e ler notícias sobre o suposto “fracasso” do console, ficou claro para mim que o Wii U não havia conquistado o público como a Nintendo esperava. O que antes era um sonho de infância começava a parecer uma ideia que talvez nunca valesse a pena realizar. 

Foi neste momento que o console passou a ocupar cada vez menos espaço entre meus sonhos de infância, sendo gradualmente ofuscado por outras prioridades da vida, especialmente com o passar dos anos… Até que, um dia, reencontrei aquele sentimento.

A redescoberta da felicidade

Já em 2025, mais de 13 anos depois, muita coisa havia mudado. A Nintendo dominava boa parte da minha atenção naquele período, especialmente com o anúncio do Nintendo Switch 2. Ao mesmo tempo, eu havia recebido de um amigo um Nintendo Wii, o que fez com que meu lazer passasse a girar cada vez mais em torno do universo nintendista.

Quando eu não estava jogando algum título da Nintendo, estava trabalhando ou assistindo a algum conteúdo sobre a empresa. Foi então que apareceu um vídeo que me chamou a atenção: “Vale a pena ter um Wii U em 2025?”. Pode parecer um título genérico e, de fato, é uma fórmula bastante comum na internet, mas, como meu interesse pela Nintendo estava a todo vapor, fui logo assistir.

E foi aí que algo que eu julgava adormecido voltou. Os comentários e a própria perspectiva apresentada no vídeo eram muito diferentes das críticas negativas que acompanhei em 2012. O Wii U já não era apresentado apenas como aquele console problemático que havia fracassado comercialmente. Havia pessoas que reconheciam suas qualidades, seus jogos e, principalmente, a experiência peculiar proporcionada pelo aparelho. 

Aquele antigo desejo voltou. E com força. A diferença é que, desta vez, eu podia realizá-lo. Com melhores condições financeiras e algumas boas promoções encontradas na época, finalmente adquiri o console e alguns jogos. 

Entre eles estava The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Nunca havia tido a oportunidade de jogá-lo, mesmo no Nintendo Switch, e finalmente poderia fazê-lo, justamente naquele console que, anos antes, eu havia aprendido a enxergar como inferior, problemático e fracassado. Meu primeiro contato, porém, foi um choque, porque não achei o console ruim. Muito pelo contrário: a experiência estava sendo muito boa.

O impacto do Wii U na minha vida

Talvez seja aqui que esteja a minha verdadeira expressão sobre o que significou, de fato, viver essa experiência com o Wii U. E, se pudesse tirar uma conclusão de toda essa história, seria simples: não tire conclusões precipitadas sobre algo sem antes ter a oportunidade de vivenciá-lo. Principalmente quando estamos falando de um sonho de infância, por mais simples que possa parecer o ato de jogar videogame. 

Além de The Legend of Zelda: Breath of the Wild e suas muitas horas, fizeram parte dessa experiência também:  Yoshi’s Woolly World, NES Remix Pack, Minecraft: Wii U Edition, New Super Mario Bros. U, Super Smash Bros. for Wii U, Pikmin 3 e, é claro, Scribblenauts Unlimited

Esses foram apenas alguns dos jogos que pude experimentar muitos anos depois daquela infância. E talvez seja justamente isso que tornou essa experiência tão especial. O impacto negativo construído pelas críticas que ouvi durante minha adolescência e  a perspectiva quase idealizada que eu tinha de como seria possuir aquele console acabaram sendo substituídos pela experiência concreta de finalmente tê-lo em minhas mãos. 

Aquele sonho que, por tanto tempo pareceu distante e que eu havia aprendido a enxergar com certa desconfiança, finalmente havia se realizado. E, para minha surpresa, não apenas minhas expectativas foram atendidas, como em alguns momentos foram até mesmo superadas. 

Talvez o meu eu daquela época não precisasse de um console perfeito. Só precisava, um dia, ter a oportunidade de descobrir por conta própria o que aquele Wii U poderia significar para ele.

Revisão: Cristiane Amarante
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César Alexandre da Silva Aprile
Sou professor de História, historiador, pesquisador e escritor. Gosto de transformar minhas ideias e interesses em textos, pesquisas e projetos, sempre buscando explorar diferentes temas e formas de compartilhar conhecimento. Também atuo na produção de materiais didáticos e conteúdos sobre história, educação, cultura e videogames.
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