O Wii U… o que falar deste curioso console? Para muitos, um aparelho que não cumpriu suas promessas: do hardware considerado defasado ao seu próprio nome, que mais parecia indicar um acessório para o Wii. Para mim, porém, ele representou uma descoberta gigante a realização já na vida adulta de uma infância que não havia conseguido se concretizar.
O início do sonho
O que mais me fascinava era aquele estranho controle com uma tela no centro. Aos olhos de uma criança, o GamePad não parecia simplesmente um controle maior: parecia um tablet que havia escapado do mundo dos celulares e encontrado um lugar dentro de um videogame.
A possibilidade de olhar para a televisão e, ao mesmo tempo, ter uma segunda tela nas mãos parecia quase mágica. Era como se o jogo pudesse existir em dois lugares ao mesmo tempo, oferecendo uma experiência que eu sequer sabia explicar direito, mas da qual eu tinha uma certeza muito simples: eu queria experimentar aquilo.
E a Nintendo sabia exatamente como alimentar essa sensação. As campanhas de divulgação apresentavam o aparelho como algo novo, ousado, quase revolucionário. Os comerciais mostravam famílias, amigos e jogadores interagindo com o GamePad de maneiras que, para mim, pareciam extraordinárias. Não era apenas uma questão de gráficos melhores ou de um console mais potente. A promessa era de uma nova maneira de jogar e, para alguém que ainda estava descobrindo o próprio universo dos videogames, aquilo tinha uma força enorme.
Eu assistia àquilo com a mesma intensidade com que uma criança olha para uma vitrine e imagina como seria possuir o brinquedo do outro lado do vidro. O Wii U não era apenas um console que eu queria jogar; ele se transformou em um objeto de desejo, pois imaginava como seria segurá-lo, ligar a televisão, pegar aquele GamePad e finalmente descobrir se aquela experiência que parecia tão extraordinária nos comerciais realmente existia.
Naquele momento, porém, havia um pequeno detalhe que eu não conseguia ignorar: não iria ter um Wii U… Pelo menos não naquele momento.
O polêmico lançamento
Sabendo que, naquela época, nem eu nem minha família tínhamos condições econômicas para adquirir o console, o que me restava era assistir no YouTube ao que os influenciadores achavam do aparelho. Foi então que, no final de 2012, o console foi lançado. Lembro-me de estar assistindo a uma gameplay de ZombiU, um dos jogos que prometia trabalhar muito bem as possibilidades do GamePad. Eu estava curioso para finalmente ver aquela tecnologia em funcionamento, mas logo o influenciador começou a fazer críticas negativas: a bateria acabava rápido, era complicado utilizar o GamePad enquanto se jogava na televisão e havia outros problemas que colocavam em dúvida toda aquela promessa apresentada pela Nintendo.
Naquele momento, alguém que possuía algo que eu queria, e queria muito, simplesmente destroçava o console em sua crítica, o que acabou me desanimando profundamente. Aquilo que, até então, parecia para mim um pedaço do futuro, começava a ganhar uma imagem bem diferente.
Depois de assistir a muitos vídeos e ler notícias sobre o suposto “fracasso” do console, ficou claro para mim que o Wii U não havia conquistado o público como a Nintendo esperava. O que antes era um sonho de infância começava a parecer uma ideia que talvez nunca valesse a pena realizar.
Foi neste momento que o console passou a ocupar cada vez menos espaço entre meus sonhos de infância, sendo gradualmente ofuscado por outras prioridades da vida, especialmente com o passar dos anos… Até que, um dia, reencontrei aquele sentimento.
A redescoberta da felicidade
Já em 2025, mais de 13 anos depois, muita coisa havia mudado. A Nintendo dominava boa parte da minha atenção naquele período, especialmente com o anúncio do Nintendo Switch 2. Ao mesmo tempo, eu havia recebido de um amigo um Nintendo Wii, o que fez com que meu lazer passasse a girar cada vez mais em torno do universo nintendista.Quando eu não estava jogando algum título da Nintendo, estava trabalhando ou assistindo a algum conteúdo sobre a empresa. Foi então que apareceu um vídeo que me chamou a atenção: “Vale a pena ter um Wii U em 2025?”. Pode parecer um título genérico e, de fato, é uma fórmula bastante comum na internet, mas, como meu interesse pela Nintendo estava a todo vapor, fui logo assistir.
E foi aí que algo que eu julgava adormecido voltou. Os comentários e a própria perspectiva apresentada no vídeo eram muito diferentes das críticas negativas que acompanhei em 2012. O Wii U já não era apresentado apenas como aquele console problemático que havia fracassado comercialmente. Havia pessoas que reconheciam suas qualidades, seus jogos e, principalmente, a experiência peculiar proporcionada pelo aparelho.
Aquele antigo desejo voltou. E com força. A diferença é que, desta vez, eu podia realizá-lo. Com melhores condições financeiras e algumas boas promoções encontradas na época, finalmente adquiri o console e alguns jogos.
Entre eles estava The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Nunca havia tido a oportunidade de jogá-lo, mesmo no Nintendo Switch, e finalmente poderia fazê-lo, justamente naquele console que, anos antes, eu havia aprendido a enxergar como inferior, problemático e fracassado. Meu primeiro contato, porém, foi um choque, porque não achei o console ruim. Muito pelo contrário: a experiência estava sendo muito boa.
O impacto do Wii U na minha vida
Talvez seja aqui que esteja a minha verdadeira expressão sobre o que significou, de fato, viver essa experiência com o Wii U. E, se pudesse tirar uma conclusão de toda essa história, seria simples: não tire conclusões precipitadas sobre algo sem antes ter a oportunidade de vivenciá-lo. Principalmente quando estamos falando de um sonho de infância, por mais simples que possa parecer o ato de jogar videogame. Além de The Legend of Zelda: Breath of the Wild e suas muitas horas, fizeram parte dessa experiência também: Yoshi’s Woolly World, NES Remix Pack, Minecraft: Wii U Edition, New Super Mario Bros. U, Super Smash Bros. for Wii U, Pikmin 3 e, é claro, Scribblenauts Unlimited.
Esses foram apenas alguns dos jogos que pude experimentar muitos anos depois daquela infância. E talvez seja justamente isso que tornou essa experiência tão especial. O impacto negativo construído pelas críticas que ouvi durante minha adolescência e a perspectiva quase idealizada que eu tinha de como seria possuir aquele console acabaram sendo substituídos pela experiência concreta de finalmente tê-lo em minhas mãos.
Aquele sonho que, por tanto tempo pareceu distante e que eu havia aprendido a enxergar com certa desconfiança, finalmente havia se realizado. E, para minha surpresa, não apenas minhas expectativas foram atendidas, como em alguns momentos foram até mesmo superadas.
Talvez o meu eu daquela época não precisasse de um console perfeito. Só precisava, um dia, ter a oportunidade de descobrir por conta própria o que aquele Wii U poderia significar para ele.
Revisão: Cristiane Amarante

