É certo que os jogos de turno voltaram a ganhar espaço nos últimos anos. O que muitos consideravam um sistema ultrapassado vem mostrando justamente o contrário, com novas ideias capazes de evoluir uma fórmula que já era boa. Final Fantasy Resonance entra nessa onda ao unir visuais clássicos, toques de modernidade, combates estratégicos e uma boa dose de fanservice. Encontrar personagens conhecidos e elementos marcantes da franquia em uma nova aventura é uma experiência especial para quem acompanha Final Fantasy há anos.
Uma jornada clássica em busca dos cristais
A história de Resonance começa no Reino de Grandshelt, uma terra protegida pelo poder dos cristais. Rain e Lasswell são dois cavaleiros e amigos de infância que recebem a missão de investigar o Santuário da Terra, onde a barreira que protege o cristal começa a apresentar problemas. O que parecia ser apenas mais uma missão acaba se transformando em uma verdadeira tragédia quando os dois encontram Veritas das Trevas, um misterioso guerreiro de armadura negra. Derrotados, eles testemunham a destruição do Cristal da Terra e ainda precisam retornar para casa enquanto Grandshelt também é atacado.Depois desse começo bastante dramático, Rain e Lasswell partem em uma jornada para proteger os cristais restantes e descobrir o que está por trás dos acontecimentos. No caminho, eles encontram Fina, uma garota misteriosa que não consegue se lembrar de seu passado e decide se juntar à dupla. A própria jornada também desperta uma sensação de nostalgia, principalmente ao explorar os diferentes ambientes do jogo: florestas, cidades, santuários e outros locais possuem aquele charme dos Final Fantasy clássicos, com cenários em pixel art que conseguem ser simples e bonitos ao mesmo tempo. É impossível não lembrar das antigas aventuras da série enquanto percorremos esses lugares.É uma história que aposta bastante em elementos clássicos da franquia, mas que aos poucos começa a apresentar seus próprios mistérios e personagens. Mesmo conhecendo alguns dos conceitos de Final Fantasy Brave Exvius, não é necessário ter jogado o título lançado para celulares para acompanhar a aventura, já que a história foi reescrita nesta nova versão. Aos fãs que cresceram com os primeiros jogos da série, essa mistura de cristais, cavaleiros, cidades, masmorras e exploração acaba sendo quase como um retorno à casa, só que com uma apresentação muito mais moderna.
Visual clássico, mas moderno
Diante do sucesso de jogos que resgatam visuais clássicos com uma roupagem moderna, como o pioneiro Octopath Traveler e seu já conhecido estilo HD-2D, a Square Enix vem encontrando maneiras muito interessantes de revisitar o passado sem deixar de olhar para o presente. Final Fantasy Resonance segue justamente esse caminho e aposta em um visual que parece ter saído diretamente da era dos primeiros jogos da franquia, mas recebe uma bela dose de modernidade.Para quem cresceu jogando os primeiros Final Fantasy, é difícil não sentir aquele quentinho no coração ao encontrar personagens em pixel art, batalhas em turnos, cristais, classes, invocações e chefes gigantescos aguardando pelo próximo combate. É aquele tipo de fanservice que não parece estar ali apenas para agradar os fãs antigos, mas para resgatar uma sensação que marcou toda uma geração.
Também gostei muito de perceber como o estilo HD-2D continua evoluindo a cada novo jogo. Em Resonance, os efeitos de luz e sombra deixam os cenários muito mais vivos, enquanto as técnicas, habilidades e magias ganham efeitos cada vez mais bonitos e chamativos. É interessante ver como uma estética que nasceu para resgatar o visual dos jogos de antigamente consegue se tornar cada vez mais sofisticada sem perder sua essência. No fim, temos aquele visual que desperta nostalgia, mas com efeitos que fazem você parar para admirar a tela durante uma batalha.
Turnos, estratégia e o poder das Visions
As batalhas de Final Fantasy Resonance seguem o tradicional sistema de turnos, mas não pense que isso significa apenas escolher o ataque e esperar a próxima rodada. Cada personagem possui suas próprias habilidades, funções e características, enquanto as fraquezas dos inimigos exigem atenção para montar uma equipe capaz de lidar com diferentes situações. É um sistema simples de entender, mas que aos poucos mostra novas possibilidades para quem gosta de pensar em cada movimento.Um dos destaques são as Visions, que ficam ao lado dos personagens durante as batalhas, garantindo diferentes habilidades e técnicas. Cada uma também possui seus próprios elementos, o que adiciona mais possibilidades para montar a equipe. Na demonstração, encontrei o Guerreiro da Luz, Cloud e Terra Branford, além das Visions das classes White Mage e Black Mage. E aqui o fanservice ganha ainda mais força: basta acessar o menu e escolher qual Vision equipar em cada personagem, criando combinações mais pessoais e deixando cada integrante do grupo com suas próprias características. É uma maneira simples, mas muito interessante, de personalizar a equipe e ainda matar aquela saudade de personagens tão queridos da franquia.
O passado que ainda tem muito a oferecer
Depois dessas primeiras horas, Final Fantasy Resonance me deixou com uma sensação muito boa. A demonstração mostra um JRPG que sabe olhar para o passado sem ficar preso a ele, resgatando elementos que fizeram parte da história da franquia e combinando tudo com uma apresentação moderna, batalhas estratégicas e boas possibilidades de personalização. E, para um fã de longa data, encontrar personagens como Cloud, Terra e o Guerreiro da Luz ao lado de novos protagonistas é um daqueles detalhes que tornam a experiência ainda mais especial.Ainda é cedo para dizer como essa jornada vai se desenvolver por completo, mas o que encontrei até aqui foi suficiente para despertar minha curiosidade. O jogo parece entender que nostalgia não precisa significar apenas repetir o que já conhecemos; ela pode ser o ponto de partida para criar algo novo, bonito e capaz de conversar tanto com quem cresceu jogando Final Fantasy, quanto com quem está chegando agora. Se o restante da aventura conseguir manter esse equilíbrio, teremos uma experiência que pode fazer o coração do fã bater mais forte sem abrir mão de boas ideias.










