Resident Evil 2 Deluxe Edition tem tudo para ser a experiência de terror que faltava ao Switch 2

Leon, Claire, zumbis e Raccoon City retornam ao console da Nintendo em uma versão que promete resgatar o clássico game de terror no modo portátil.

em 29/09/2026
Poucas cidades dos videogames têm uma relação tão complicada com seus visitantes quanto Raccoon City. Em uma noite aparentemente comum, Leon S. Kennedy chega para seu primeiro dia como policial, enquanto Claire Redfield desembarca em busca do irmão. O problema é que a cidade já está tomada por mortos-vivos e por uma ameaça biológica que transformou o local em um verdadeiro inferno.

É nesse cenário que Resident Evil 2 Deluxe Edition construiu uma das experiências mais marcantes da franquia. Lançado originalmente em 2019, o remake do clássico de 1998 reconstruiu a aventura com a RE Engine, abandonando a câmera fixa do original em favor de uma perspectiva sobre o ombro, o que trouxe uma nova dimensão à exploração, aos combates e ao próprio terror.

Agora, chegou a vez de Raccoon City ter como visitantes os donos do Nintendo Switch 2. A Capcom confirmou a Deluxe Edition do jogo para o console, com lançamento digital marcado para 16 de outubro de 2026, e versão física prevista para 29 de janeiro de 2027. Com base no material divulgado até aqui, resta descobrir como essa combinação entre terror, exploração e tecnologia moderna se comportará no hardware da Nintendo.

Bem-vindo a Raccoon City

Esse local traz recordações aos saudosistas que experimentaram o RE 2 original
A força de Resident Evil 2 começa justamente pela maneira como a cidade é apresentada. O remake não trata Raccoon City apenas como um cenário para colocar zumbis na frente do jogador, mas como um dos protagonistas do enredo. Ruas, delegacia, esgotos e laboratórios formam um grande quebra-cabeça que precisa ser explorado aos poucos.

Leon e Claire possuem campanhas próprias, com acontecimentos e perspectivas diferentes sobre a mesma tragédia. A passagem pela delegacia de polícia é especialmente importante nesse sentido, pois aquilo que inicialmente parece apenas um local seguro rapidamente se transforma em um labirinto de histórias repleto de portas trancadas, salas inacessíveis, enigmas e ameaças.

Se seguir o padrão da versão original, a exploração deve exigir atenção, afinal os recursos eram limitados, em especial a munição. Isso significa que você vai ter que pensar várias vezes se vale a pena eliminar aquele inimigo ou se apenas passar correndo por ele. Essa é uma das características que fazem o remake funcionar tão bem como survival horror.

O terror está nos detalhes

Leon e Claire tem caminhos separados que se cruzam em certos momentos
A mudança para a câmera sobre o ombro alterou completamente a maneira como o jogador percebe Raccoon City. Em vez de observar os personagens à distância, acompanhamos Leon e Claire muito mais de perto, enxergando os ambientes a partir de uma perspectiva que torna cada caminho potencialmente ameaçador.

A RE Engine também permitiu à Capcom trabalhar com um nível de detalhe bastante superior ao do jogo original. Paredes destruídas, sangue, iluminação, expressões faciais e o comportamento dos inimigos devem ajudar a construir uma atmosfera que alterna entre tensão e puro desconforto.

Os zumbis são particularmente importantes nessa equação, porque não funcionam simplesmente como obstáculos colocados pelo caminho. É possível atirar para abrir espaço, tentar derrubá-los ou escolher uma rota alternativa para evitar o confronto. Mesmo quando parecem derrotados, porém, existe sempre aquela dúvida desagradável: será que ele realmente está neutralizado? É uma pergunta simples, mas suficiente para fazer qualquer corredor vazio parecer muito maior do que realmente é.

O Switch 2 aguenta o tranco?

Nem só de zumbis vive RE 2: há monstruosidades também
A principal dúvida para quem deseja experimentar Resident Evil 2 no Nintendo Switch 2 é saber se o hardware vai aguentar as exigências gráficas do jogo. Isso porque, apesar de ter sido lançado em 2019, o jogo ainda é visualmente bonito e pesado.

A RE Engine trabalha com cenários bastante detalhados, iluminação dinâmica, modelos complexos e uma quantidade considerável de elementos simultâneos na tela. Conseguir transportar essa experiência para um console portátil sem descaracterizar sua atmosfera será um dos grandes desafios da versão.

A Capcom ainda não divulgou todas as especificações técnicas da versão, portanto, não é possível antecipar resolução ou taxa de quadros definitivas. O que já se sabe é que o remake será executado nativamente no console, e não por streaming, como aconteceu com Resident Evil 7 no primeiro Switch.

Um vídeo de aproximadamente 30 minutos divulgado recentemente permitiu conferir Resident Evil 2, Resident Evil 3 e Resident Evil 4 rodando no Switch 2. O material foi capturado no modo portátil e mostra os três remakes funcionando diretamente no hardware da Nintendo. Ainda não há, porém, uma demonstração equivalente do modo TV com informações técnicas detalhadas.

Existe outro aspecto que merece atenção: o modo portátil. Resident Evil 2 é uma aventura construída em torno da tensão, do silêncio e da exploração cuidadosa, então poder jogar uma experiência desse porte longe da televisão tem um apelo próprio. Pode ser menos aterrorizante para alguns desfrutar da jogatina enquanto se desloca dentro de um ônibus cheio, por exemplo, que é onde está o verdadeiro terror.

Um clássico assustador, mas recheado de novidade

A versão escolhida pela Capcom para o Switch 2 será a Deluxe Edition, que inclui uma série de conteúdos adicionais. Leon poderá utilizar os trajes Xerife de Arklay, Noir e '98, enquanto Claire recebe as roupas Militar, Noir, Elza Walker e '98. A edição também traz três modelos da arma Samurai Edge, baseados em Albert, Jill e Chris.

Para os nostálgicos, há ainda a possibilidade de substituir a trilha sonora pela original, permitindo revisitar a aventura com as músicas do Resident Evil 2 de 1998. Portanto, o título chega ao Switch 2 com o conteúdo principal acompanhado de boa parte dos extras disponibilizados anteriormente para o remake.

Resident Evil 2 não precisa de muita apresentação. O jogo de 2019 conseguiu reconstruir um dos capítulos mais importantes da franquia sem simplesmente repetir o passado, transformando Raccoon City em um espaço mais amplo, detalhado e assustador.

Ainda é preciso esperar pelo lançamento para avaliar desempenho, qualidade visual e eventuais compromissos técnicos, mas a perspectiva de levar Leon e Claire para qualquer lugar já é suficiente para tornar essa visita especialmente animadora.

A cidade está condenada. Os zumbis continuam famintos. E, desta vez, aparentemente não existe nem a desculpa de deixar o console em casa. Resident Evil 2 Deluxe Edition chega para Nintendo Switch 2 no dia 16 de outubro de 2026, juntamente com o remake de Resident Evil 3 e Resident Evil 4, em versão digital e em 29 de janeiro de 2027 em versão física.

Revisão: Ariel Rodrigues
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Alveni Lisboa
Jornalista com passagens pela Revista Nintendo World e site Canaltech. Atua com jornalismo de games desde 2009, época em que escrever sobre videogame ainda era uma ótima desculpa para passar horas jogando e chamar isso de trabalho. Fã de carteirinha desde o SNES, passei por todos os videogames da gigante nipônica até os dias atuais.
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