Super Smash Bros. Ultimate ainda precisa de uma sequência?

Quase oito anos após seu lançamento, Super Smash Bros. Ultimate ainda é gigante, mas será que a Nintendo já precisa pensar em uma sequência?.

em 15/09/2026
Quando o primeiro Super Smash Bros. chegou ao Nintendo 64, em 1999, a Nintendo provavelmente não imaginava que aquele simples conceito de colocar seus personagens para lutar se transformaria em uma das maiores franquias de crossover dos videogames. Além disso, o jogo inaugurou um novo gênero, o de “platform fighter”.

A história de Super Smash Bros.

Dois anos depois, em 2001, Super Smash Bros. Melee chegou ao GameCube e expandiu praticamente todos os aspectos do original. Após este lançamento,  os intervalos entre os novos jogos começaram a aumentar: Super Smash Bros. Brawl chegou em 2008 para o Nintendo Wii, seis anos depois veio Super Smash Bros. for Nintendo 3DS (e mesmo título para o  Wii U), e apenas quatro anos depois, em 2018, tivemos Super Smash Bros. Ultimate, este para Nintendo Switch.
Estamos  em 2026, ou seja, quase oito anos desde o lançamento do Ultimate. É o maior intervalo entre jogos da franquia desde o primeiro Super Smash Bros. E isso inevitavelmente levanta uma pergunta: será que está na hora de a Nintendo anunciar um novo Smash?

Ultimate tornou a espera diferente

A resposta parece óbvia quando observamos o histórico da série. Uma nova geração de consoles normalmente traz consigo a expectativa de um novo Super Smash Bros. Mas Ultimate criou uma situação diferente.

Lançado em dezembro de 2018, o jogo elevou a proposta da franquia ao extremo. Sua campanha de divulgação ficou marcada pela frase “Everyone is here”, e a promessa era exatamente essa: reunir novamente praticamente todos os personagens jogáveis que haviam aparecido nos capítulos anteriores.
A Nintendo não parou por aí. Ultimate recebeu uma série de novos lutadores, incluindo convidados de algumas das maiores franquias da indústria. Personagens como Joker (Persona 5), Banjo & Kazooie (do jogo homônimo lançado para Nintendo 64), Terry Bogard (Fatal Fury), Steve (Minecraft) e Sephiroth (Final Fantasy 7) ampliaram ainda mais a dimensão daquele que já era um dos maiores crossovers da história dos videogames.

O resultado foi um jogo gigantesco. E justamente por isso surge o principal problema de uma eventual sequência: como superar o jogo anterior?

O problema de “Everyone is here”

Nos primeiros jogos, aumentar o elenco era uma maneira relativamente simples de tornar uma nova edição mais atraente.

Melee trouxe novos personagens em relação ao original. Brawl ampliou ainda mais a proposta e introduziu convidados de outras empresas. Depois, a versão de Nintendo 3DS e Wii U continuou a expansão.
Ultimate levou esse processo ao limite. Depois de reunir personagens de franquias tão diferentes, simplesmente adicionar mais lutadores pode não ser suficiente para causar o mesmo impacto. É claro que ainda existem inúmeros nomes que poderiam aparecer. A comunidade continua discutindo a possibilidade de incluir personagens como Waluigi, Geno, Rayman e Crash Bandicoot, entre muitos outros. 

Quando praticamente todos os grandes convidados imagináveis já passaram pelo jogo, qual será o próximo passo?

Um novo Smash não pode ser apenas “Ultimate 2”

Esse talvez seja o ponto mais importante. Se a Nintendo decidir produzir um novo Super Smash Bros., não basta aumentar a resolução, adicionar alguns personagens e criar novas arenas. Ultimate já oferece uma quantidade impressionante de conteúdo. São dezenas de lutadores, inúmeros cenários, uma enorme seleção musical, diferentes modos de jogo e uma profundidade que permite tanto partidas casuais quanto disputas extremamente técnicas.

Uma sequência precisa encontrar uma nova identidade. A Nintendo poderia, por exemplo, reformular completamente os modos para um jogador, criar novas possibilidades para partidas multiplayer ou investir em uma experiência online mais robusta. Também seria interessante ver a empresa explorar novamente o potencial narrativo da franquia, presente em Super Smash Bros. Brawl.

O modo The Subspace Emissary mostrou que o crossover poderia oferecer muito mais do que simplesmente colocar personagens diferentes para lutar. Sendo assim, um novo Smash poderia utilizar seus diferentes universos para criar uma campanha realmente ambiciosa, colocando personagens da Nintendo e de outras empresas em uma aventura conjunta.

O intervalo de oito anos é significativo

O tempo também merece atenção. Entre o primeiro Super Smash Bros. e Melee, tivemos apenas dois anos. Depois, a série passou por intervalos maiores, de seis e sete anos, antes de voltar a um ciclo mais curto com Ultimate. Isso significa que o intervalo atual já ultrapassou o período entre Brawl e o jogo de 3DS/Wii U, se aproximando do maior intervalo anterior da franquia.
É importante lembrar, porém, que intervalos maiores não significam necessariamente desenvolvimento problemático ou que um anúncio esteja próximo. Cada jogo possui suas próprias circunstâncias, e Super Smash Bros. é uma produção particularmente complexa. O tamanho do elenco, a necessidade de equilibrar dezenas de personagens, as licenças de convidados e a quantidade de conteúdo envolvida tornam o desenvolvimento muito mais trabalhoso do que simplesmente criar uma sequência convencional.

Ainda assim, olhando exclusivamente para a história da franquia, é difícil ignorar o momento atual. Um novo jogo é amplamente aguardado, especialmente para o Nintendo Switch 2.

E existe a questão de Masahiro Sakurai

Questionar sobre o futuro de Super Smash Bros. também significa falar sobre Masahiro Sakurai. O criador da série esteve diretamente envolvido nos jogos principais e se tornou uma das figuras mais associadas à franquia. Em Ultimate, sua atenção aos detalhes foi levada a um nível impressionante: cada personagem possui características próprias, referências às suas respectivas franquias e diferentes formas de representar suas habilidades dentro da lógica de Smash.

Masahiro Sakurai "pai" da franquia Super Smash Bros e Kirby
Por isso, um eventual novo jogo também levantaria uma pergunta importante:

Não é impossível imaginar a continuidade da franquia sem Sakurai. Grandes séries da indústria continuam existindo depois que seus criadores deixam a liderança. Porém, seria difícil ignorar a influência que ele exerceu sobre Smash.

Um novo diretor precisaria encontrar um equilíbrio delicado: preservar aquilo que tornou a série reconhecível sem simplesmente tentar copiar a visão de Sakurai. Talvez a melhor solução seja justamente permitir que um novo responsável tenha liberdade para experimentar.

A Nintendo deveria ter pressa?

Apesar da curiosidade dos fãs, existe um argumento bastante forte para a Nintendo não ter pressa: Ultimate continua sendo uma experiência extremamente completa. O jogo não se tornou irrelevante simplesmente porque uma nova geração de hardware chegou.

Existe uma diferença importante entre querer um novo Smash e precisar de um novo Smash.

A comunidade quer novos personagens, novos cenários, e descobrir quais franquias podem aparecer. Também querem imaginar como a série poderia aproveitar um hardware mais poderoso. Mas Ultimate ainda é suficientemente grande para não tornar uma sequência urgente. A Nintendo poderia aproveitar esse tempo para pensar em uma mudança realmente significativa.

O que faria um novo Smash valer a pena?

Talvez essa seja a pergunta que a Nintendo precisa responder antes de começar a divulgar qualquer coisa. Um novo Super Smash Bros. não deve necessariamente ter mais personagens do que Ultimate. Também não necessita superar o antecessor em quantidade de conteúdo. Ele precisa oferecer uma nova ideia.

Pode ser uma reformulação profunda da jogabilidade, novos modos, uma experiência online mais completa, uma campanha inédita ou até mesmo uma maneira ligeiramente  diferente de utilizar os personagens. O próximo Smash não precisa vencer Ultimate na quantidade, mas sim na criatividade. E talvez esse seja justamente o maior desafio da Nintendo.

Ultimate pode ser o fim de uma era

Super Smash Bros. Ultimate conseguiu algo que parecia improvável: transformar a série em uma verdadeira celebração interativa da história dos videogames, reunindo Mario, Link, Pikachu, Sonic, Cloud e tantos outros personagens em um mesmo espaço, com cada lutador representando não apenas uma nova adição ao elenco, mas também uma homenagem aos universos e à trajetória dos jogos eletrônicos.

Além disso, chegou a um ponto em que uma sequência não é necessariamente urgente, mas certamente desperta curiosidade. Depois de reunir praticamente toda a história da franquia em um único jogo, repetir a fórmula seria pouco para justificar um novo capítulo. No fim, mais importante do que superar Ultimate em quantidade será encontrar uma nova maneira de celebrar os personagens e universos que tornaram a série tão especial.
Revisão: Juliana Alvarenga
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Luã Macêdo
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