Análise: Wo Long: Fallen Dynasty Complete Edition entrega ação ágil e viciante, mas sofre com a performance no Switch 2

O título da Team Ninja proporciona momentos divertidos, mas seu desempenho técnico compromete a recomendação no console da Big N.

em 04/09/2026
Wo Long: Fallen Dynasty Complete Edition
traz a aclamada obra de ação da desenvolvedora Team Ninja ao Switch 2. No entanto, apesar de entregar uma jogabilidade ágil e prazerosa, ao melhor estilo soulslike, o título sofre com problemas de desempenho consideráveis no console da Nintendo, o que impede uma recomendação mais ampla, já que outros pesos-pesados do gênero chegaram em melhor forma à plataforma.

Uma interessante releitura de uma história já conhecida

A história de Wo Long: Fallen Dynasty se passa no período histórico que compreende a queda da Dinastia Han e a eclosão de uma guerra civil na China, começando no ano 169 d.C. Se a temática soa familiar, não é impressão: o título da Team Ninja tem como inspiração o famoso “Romance dos Três Reinos”, uma das obras mais importantes da literatura asiática, e que já serviu como pano de fundo para entradas em franquias tão distintas quanto Dynasty Warriors e Total War.

No jogo, assumimos o papel de um herói anônimo e totalmente personalizável em um mundo corrompido pela busca pelo tesouro conhecido como Elixir. Em tese, o recurso é capaz de conceder imortalidade ao seu detentor — uma promessa interessante o suficiente para que muitos soberanos e imperadores dedicassem suas vidas e toda a sua influência política à perseguição do fármaco.

Foi o caso de Qin, o primeiro imperador. Sua ambição catastrófica levou à queda da dinastia, fato que não o impediu de continuar a exercer uma influência sombria sobre os acontecimentos políticos envolvendo o destino da nação. Muito tempo depois, é a vez do Império Han enfrentar seus últimos dias, e a existência do Elixir novamente desponta como catalisador de conflitos sangrentos.

Nesse complexo cenário, o protagonista e sua habilidade com espadas surgem como a esperança de um fim para a guerra que atormenta o povo. Pouco a pouco, porém, vamos descobrindo que nem só de carne e osso vivem os inimigos que perturbam a China, com oponentes fantásticos e perigosos, como demônios e dragões, surgindo sobre a terra. Pronto para enfrentá-los e assegurar um futuro pacífico?

Um soulslike divertido, com muitos recursos para explorar e dominar

Wo Long: Fallen Dynasty é um título de ação em terceira pessoa, com fortes características soulslike. Desenvolvido após o sucesso de Nioh, jogo exclusivo de PlayStation e PC, fica claro que a Team Ninja quis aproveitar a fórmula vencedora da sua franquia de samurais, mas também experimentar em alguns outros aspectos, como ao incluir uma mecânica de moral, sobre a qual falarei mais à frente.

Sendo este um título inspirado no estilo de jogo consagrado pela FromSoftware, os jogadores podem esperar, em Wo Long, combates difíceis, inimigos poderosos e chefes fantásticos, que certamente demandarão uma série de tentativas até serem vencidos. Uma prova disso é que até mesmo enfrentar soldados comuns pode resultar em um game over rápido e cruel, se o jogador não estiver atento.

Dito isso, há algumas diferenças importantes entre Wo Long e outros soulslikes. A primeira, a meu ver, é a agilidade da gameplay: a obra da Team Ninja permite ações muito mais rápidas do que em outros jogos do gênero, o que frequentemente possibilita executar combos devastadores. De modo geral, também há uma bem-vinda ênfase na ofensividade: atacar os inimigos ou impedir seus ataques aumenta o medidor de espírito do protagonista; mantê-lo alto amplifica naturalmente o poder do jogador e permite ignorar a guarda adversária.

Como os oponentes também possuem uma barra de espírito própria, é importante aprender a defletir os golpes inimigos, o que é feito ao apertar “A” no momento exato antes de ser atingido. Conseguir executar esse movimento corretamente não é fácil, mas é algo que abre espaço para contra-ataques poderosos e cinematográficos, inclusive contra os chefes do jogo.

Mantendo a moral elevada

Outro diferencial importante de Wo Long é o já citado sistema de moral, que afeta tanto o herói quanto os inimigos. Basicamente, a classificação de moral é indicada por um número acima dos adversários; quanto maior for o algarismo mostrado, mais alta será a periculosidade da criatura em questão.

Esse é um sistema bastante interessante, pois sua classificação não é fixa — quando o jogador é morto, por exemplo, o inimigo que o matou ganha pontos de moral, ficando ainda mais forte. Por outro lado, vencer uma revanche contra alguém que o derrubou no passado ou derrotar vários adversários de forma sucessiva aumenta significativamente a moral do protagonista, facilitando os próximos combates.

Essa mecânica serve como lembrete de que a história de Wo Long se passa em uma grande guerra, na qual, naturalmente, os soldados que realizam grandes feitos passam a ser os mais temidos. Prova disso é que é possível hastear bandeiras pelos estágios para estabelecer pontos de controle e ganhar ainda mais moral, recompensando a exploração de cada canto das fases, que também podem guardar surpresas, como itens escondidos.

O sistema de itens é outro diferencial positivo de Wo Long. Lembrando a saga Nioh, há uma infinidade de loot para ser coletado neste título, incluindo novas armas (que alteram levemente a forma de jogar, bem como os combos possíveis de executar) e peças de armadura, cada qual com atributos gerados aleatoriamente. Juntamente com a árvore de talentos do jogo — aqui dividida em cinco caminhos principais —, a abundância e a variedade de itens equipáveis concedem bastante flexibilidade na construção do personagem, o que é sempre bem-vindo em um jogo de ação tão dependente do combate. 

Todas essas são características que explicam a recepção positiva de Wo Long em outras plataformas e ajudam a entender o hype em torno de sua chegada ao Switch 2. Afinal, ter uma aventura tão rica em possibilidades de build e confrontos com chefes, acessível também de forma portátil, é uma proposta bastante tentadora, concorda?

Pois é, eu também. Mas, infelizmente, a dura verdade é que é difícil recomendar a obra da Team Ninja em seu estado atual no console da Nintendo, pois seu desempenho técnico — muito abaixo das expectativas — acaba prejudicando a experiência de várias maneiras e levanta dúvidas importantes sobre a qualidade da futura versão de Wo Long 2: Wings of Ember.

Uma aventura que sofre para funcionar no console da Nintendo

Como noticiado anteriormente, Wo Long: Fallen Dynasty possui dois modos gráficos no Switch 2. O primeiro é focado na resolução, com a taxa de quadros de 30 fps; o segundo, no desempenho, elevando a meta para 60 fps.

Infelizmente, ocorre que nenhum dos dois modos entrega uma experiência satisfatória no console da Nintendo: priorizar os gráficos significa lidar com 30 quadros inconstantes e uma qualidade de imagem abaixo do esperado para a adaptação de um jogo desenvolvido para a geração passada. Por sua vez, priorizar a performance significa lidar com uma apresentação ainda mais embaçada e menos nítida, o que, inclusive, dificulta compreender todos os ataques inimigos a tempo de responder.

No modo portátil — que, teoricamente, seria um dos grandes atrativos deste port —, a situação é ainda pior. O único modo gráfico disponível é o focado na performance, que arrasta a resolução da imagem para níveis ainda mais baixos do que na TV e, novamente, acaba prejudicando justamente a exploração e o combate — em condições normais, os pontos altos do título.

Honestamente, após a boa adaptação de Dynasty Warriors: Origins para Switch 2 no início do ano, é de se perguntar por que, exatamente, a Koei Tecmo errou com este port. A bem da verdade, todos os DLCs lançados anteriormente para o título foram incluídos no pacote, há suporte a PT-BR e o cerne da experiência continua jogável, ainda que com uma generosíssima dose de paciência.

Mas, com verdadeiros pesos-pesados do gênero, como ELDEN RING e Lies of P, chegando também em suas versões completas (e em condições técnicas muito melhores no console da Nintendo), é muito difícil recomendar Wo Long em seu estado atual, a menos que você já tenha finalizado essas duas obras e esteja buscando algo similar no Switch 2. Assim, por ora, é melhor que esta releitura do Romance dos Três Reinos seja jogada em qualquer outra plataforma ou, ainda, simplesmente ignorada. Uma pena.

Uma adaptação que fica aquém do esperado no Switch 2

Wo Long: Fallen Dynasty Complete Edition traz o divertido título da Team Ninja com todos os DLCs para o Switch 2, mas a adaptação falha em impressionar e, infelizmente, acaba dificultando apreciar os maiores destaques do jogo. Como resultado, em sua forma atual, é difícil recomendar esta versão, a não ser que: 1) o console da Nintendo seja sua única opção; 2) você esteja buscando, a todo custo, um novo soulslike. 

No mais, considerando que o novo jogo da série está confirmado também para Switch 2, fica a expectativa por atualizações e otimizações que tragam a qualidade desta divertida aventura para níveis mais aceitáveis no futuro próximo. Do contrário, a realidade é que esta queda da Dinastia Han acabou enterrando, junto com seus tiranos, a performance e a reputação de um esperado título no console da Big N.

Prós

  • Dentro da proposta soulslike, entrega uma aventura divertida, com narrativa inspirada no famoso “Romance dos Três Reinos” e uma jogabilidade ágil e envolvente;
  • A diversidade de loot e a árvore de talentos, dividida em cinco caminhos, garantem flexibilidade ao jogador na construção do personagem;
  • O interessante sistema de moral recompensa a ofensividade e tem potencial de transformar encontros simples em verdadeiros embates;
  • A inclusão de todos os DLCs lançados anteriormente é bem-vinda e adiciona ainda mais horas de jogo à já extensa campanha do título;
  • Localizado em PT-BR.

Contras

  • Com o Switch 2 conectado à TV, apresenta performance e qualidade de imagem sofríveis em ambos os modos gráficos disponíveis, comprometendo significativamente a experiência do título;
  • No modo portátil, não é possível escolher entre modos gráficos, resultando em uma qualidade de imagem abaixo das expectativas, o que dificulta, inclusive, enxergar os movimentos inimigos e reagir a eles a tempo (algo particularmente problemático em um soulslike);
  • Em sua versão atual, é um título melhor vivenciado em outras plataformas, falhando em justificar toda a expectativa criada pelo port.
Wo Long: Fallen Dynasty Complete Edition — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch 2 — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Koei Tecmo
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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