Análise: Final Fantasy Resonance é mais que um fanservice, é um grande Final Fantasy

Com combates estratégicos, Visions marcantes e um mundo cheio de segredos, FINAL FANTASY RESONANCE prova que a nostalgia pode ir além do fanservice.

em 20/10/2026

Quando falamos de RPG, é difícil não pensar logo em FINAL FANTASY. Seja pelo enorme sucesso construído pela franquia ao longo dos anos ou pelas polêmicas envolvendo alguns de seus títulos, a série se tornou uma das principais referências do gênero. Uma coisa, porém, é difícil de negar: mesmo quando é criticada, a Square Enix continua encontrando maneiras de manter a qualidade e a relevância da marca. Dito isso, FINAL FANTASY RESONANCE vai além do simples fanservice e mostra como um clássico RPG em pixel art pode, ao mesmo tempo, respeitar suas raízes, inovar em algumas ideias e entregar uma grande experiência.

Os conflitos dos Cristais

A história de FINAL FANTASY RESONANCE se passa em Lapis, um mundo marcado pela presença dos Cristais e por diferentes reinos que vivem em meio a conflitos e disputas de poder. Presentes em um dos enredos mais utilizados nas histórias da série, e até em BRAVELY DEFAULT FLYING FAIRY HD Remaster, os Cristais elementais protegem e beneficiam os reinos espalhados pelo mundo. E, por mais clichê que seja, inimigos poderosos invadem os templos para destruí-los. O grupo responsável por isso é o Sworn Six, formado por seis figuras de armadura, e quem age primeiro é o Veritas of the Dark, o misterioso guerreiro de armadura negra que surge logo no início da aventura. Seu objetivo é destruir os Cristais e, com isso, colocar em risco o equilíbrio que mantém o mundo de pé.

É a partir desse conflito que Rain e Lasswell partem em uma jornada para proteger os Cristais restantes, acompanhados por Fina, uma garota misteriosa que surge após a destruição do Cristal da Terra. RESONANCE não demora muito para colocar a gente dentro da aventura, mas também não entrega todas as respostas de uma vez. A narrativa vai apresentando seus personagens e os acontecimentos aos poucos, deixando algumas questões em aberto para serem descobertas durante a jornada. É uma história que conversa bastante com elementos tradicionais de Final Fantasy, principalmente na importância dos Cristais, mas que também tenta construir sua própria identidade dentro desse universo.

Visions e Espers

Nas batalhas, as Visions liberam poderes e técnicas que ampliam bastante o repertório dos personagens. São magias, buffs/debuffs e golpes físicos, com ataques elementais e não elementais ligados aos protagonistas e aos respectivos jogos da franquia. Dessa forma, Rain, Lasswell e os demais integrantes do grupo ganham acesso a novas habilidades, permitindo explorar fraquezas dos inimigos e criar combinações diferentes para cada confronto. Outro destaque são as Resonances, ataques especiais exclusivos de cada Vision, acompanhados de sequências cinematográficas que demonstram toda a força desses poderes.

Para aproveitar essas habilidades ao máximo, é importante entender o sistema de Stagger e Break. Durante as batalhas, os inimigos possuem uma barra de Stagger, que diminui conforme recebem ataques, especialmente quando exploramos suas fraquezas elementais. Quando essa barra se esgota, o adversário sofre um Break, fica temporariamente sem agir e passa a receber mais dano. Se conseguirmos provocar esse efeito em todos os inimigos ao mesmo tempo, ativamos a Sweeping Stagger e entramos na Bonus Phase, uma fase que concede ações extras ao grupo. É nesse momento que podemos liberar uma Resonance, aproveitando a abertura para causar um grande estrago ou até mudar completamente o rumo de uma batalha mais complicada.

As Visions também podem ser evoluídas com itens como os Magicite Shards, liberando novas técnicas e aprimorando as habilidades disponíveis. Outro benefício está nas habilidades passivas: conforme aumentamos o nível de Mastery de cada Vision, até o limite de nove níveis, desbloqueamos novas Skills que podem ser equipadas pelos personagens. Também existem bônus permanentes de atributos, como Força +5, que ajudam a moldar as características de quem utiliza essas habilidades. E o melhor é que, depois de aprender uma técnica, podemos mantê-la equipada mesmo ao trocar de Vision, respeitando o limite de custo das habilidades. Isso amplia bastante as possibilidades de personalização e incentiva a experimentar diferentes combinações.

É justamente aí que entra a liberdade na criação das builds. Tanto os personagens principais quanto as Visions possuem funções de combate, chamadas de Roles, que definem suas especialidades. São seis categorias: Commando, focada em causar dano; Medic, voltada à cura; Sentinel, especializada em proteger os aliados; Breaker, que ajuda a provocar Stagger nos inimigos; Synergist, responsável por fortalecer o grupo; e Saboteur, que enfraquece os adversários. Podemos combinar funções iguais para reforçar uma especialidade ou misturar Roles diferentes para criar personagens mais versáteis. Não precisamos ficar presos ao papel original de cada um, e essa flexibilidade é um dos pontos mais legais do sistema.

No meu grupo, por exemplo, transformei Rain em uma espécie de tanque, com bastante resistência e uma alta taxa de acertos críticos, combinando as habilidades das Visions com armas, armaduras e acessórios que favorecem esses atributos. Já Lasswell é o personagem mais rápido da equipe, com magias de suporte como Haste, que aumenta a velocidade e ajuda a agir mais cedo na ordem dos turnos, além de técnicas físicas para manter a pressão sobre os inimigos. São escolhas que refletem a maneira como gosto de jogar e mostram como RESONANCE permite adaptar os personagens às nossas preferências, em vez de simplesmente seguir uma configuração pronta.

Os Espers também têm um papel importante em FINAL FANTASY RESONANCE, especialmente por meio de Fina, a única personagem capaz de chamá-los durante as batalhas. Essas criaturas clássicas da franquia estão espalhadas por Lapis e podem ser conquistadas de diferentes maneiras. Enquanto algumas exigem que o jogador as enfrente e derrote em desafios opcionais, outras podem ser desbloqueadas ao concluir missões secundárias durante a exploração.

Ta achando que ele está de brincadeira?!
Quando entram em combate, essas criaturas permanecem em campo por alguns turnos e agem automaticamente, atacando os inimigos ou aplicando efeitos positivos aos aliados e negativos aos adversários. A cada turno, seus efeitos ficam mais poderosos, até culminar em um ataque especial antes de deixarem a batalha. Cada uma também conta com sua própria sequência cinematográfica, dando ainda mais impacto ao momento. Entre os destaques estão Shiva, a clássica criatura do gelo que apareceu nos trailers e utiliza seu icônico Diamond Dust, e Ramuh, o mestre dos raios. É muito legal ver figuras tão tradicionais de FINAL FANTASY ganhando espaço novamente, não apenas como referências nostálgicas, mas como aliados capazes de mudar o rumo de uma batalha.

Explorando Lapis

Lapis é o grande cenário da aventura, com diversas ilhas espalhadas, histórias e mistérios que nos envolvem desde o início. Algumas reviravoltas são um pouco óbvias, mas ganham mais detalhes e contexto conforme avançamos na jornada. As Subquests também são, no geral, bem feitas, trazendo mais informações sobre os personagens centrais e oferecendo boas recompensas. As regiões são variadas e cheias de personalidade, com cidades cintilantes, desertos repletos de cavernas e monstros poderosos, além de áreas tecnológicas com direito a navios voadores.

Outro detalhe interessante são as conversas liberadas entre os personagens ao longo da aventura. Esses momentos ajudam a conhecer um pouco mais sobre suas personalidades, relações e histórias, trazendo diálogos que vão desde situações bem-humoradas até conversas mais sérias. Além de dar mais profundidade ao elenco, essas interações tornam a jornada mais interessante e dão ainda mais motivos para conhecermos cada canto de Lapis.

E motivos para explorar não faltam. Além de descobrir um pouco mais sobre esse mundo e seus habitantes, podemos encontrar itens pelo caminho e apreciar a beleza dos cenários em pixel art, que aproveitam muito bem o estilo HD-2D. O game oferece bastante conteúdo e, quando finalizei a história, já estava com mais de cinquenta horas de jogo. Isso acontece porque RESONANCE convida a gente a explorar, seja para descobrir pontos escondidos nos mapas, encontrar ilhas afastadas ou se aventurar em locais inusitados, como áreas próximas a vulcões, tudo isso com boas recompensas. Depois de tanta caminhada, nosso Chocobo vai acabar ficando sarado de tanto exercício!

Por outro lado, senti que o ritmo acaba ficando um pouco mais arrastado na reta final. O jogo acelera bastante os acontecimentos e coloca o jogador em uma sequência de batalhas, algumas delas repetindo confrontos contra inimigos que já havíamos derrotado. A quantidade de combates faz com que essa parte da aventura pareça mais longa do que deveria, principalmente quando comparada ao ritmo das horas anteriores. Isso me lembrou a sensação que tive em FINAL FANTASY VII REMAKE e FINAL FANTASY VII REBIRTH, quando a história parece estar chegando ao fim, mas ainda temos uma sequência extensa de batalhas e acontecimentos antes de finalmente chegar à conclusão.

Visualmente é um jogo muito bonito, com cenários em pixel art e efeitos de magias que se destacam bastante na tela. É fácil perceber o carinho e a qualidade empregados nesse jogo. O desempenho também é bom na maior parte da aventura, tanto no modo TV quanto no portátil, mas existem algumas quedas de desempenho em áreas específicas no mapa, como em Dirnado. Apesar de serem situações pontuais, elas mostram que ainda há espaço para ajustes. No geral, o game é bem otimizado, com carregamentos rápidos e uma apresentação visual que valoriza bastante a exploração de Lapis.

Fantasia final

FINAL FANTASY RESONANCE é uma grata surpresa e mostra que a Square Enix ainda sabe aproveitar muito bem os elementos que fizeram a franquia se tornar uma das maiores referências dos RPGs. As batalhas são um dos pontos centrais da experiência e, para mim, também um dos mais divertidos, principalmente pela liberdade para montar builds, combinar habilidades das Visions e utilizar os Espers nos momentos certos. Existe uma boa camada estratégica nos confrontos, mas sem deixar de lado a diversão de experimentar novas combinações e descobrir o potencial de cada personagem. A exploração de Lapis também merece destaque, com cenários bonitos, boas missões secundárias e muitos segredos para descobrir. Apesar de algumas reviravoltas previsíveis na história, das batalhas repetidas na reta final e de pequenas quedas de desempenho em áreas específicas, o conjunto funciona muito bem e me manteve envolvido por mais de cinquenta horas. Ainda assim, fica a crítica à ausência do português do Brasil, especialmente em um jogo com uma quantidade tão grande de textos e informações importantes para acompanhar a história, as missões e até mesmo entender melhor suas mecânicas. É uma localização que faria bastante diferença para o público brasileiro e que, na minha opinião, fez falta durante a experiência.

RESONANCE não depende apenas da nostalgia para conquistar o jogador. É claro que rever personagens, habilidades e criaturas tão conhecidas da franquia é muito legal, mas existe um RPG completo aqui, com combates envolventes e sistemas que nos incentivam a experimentar, explorar e continuar jogando mesmo depois de finalizar a história. Para quem acompanha a franquia há anos, é uma experiência cheia de referências e momentos especiais, mas também uma ótima oportunidade para quem procura um RPG em pixel art com bastante conteúdo. No fim, RESONANCE é muito mais que um presente para os fãs, é um grande FINAL FANTASY.

Prós

  • Sistema de batalhas divertido e estratégico;
  • Grande liberdade para personalizar personagens e criar builds;
  • Visions e Espers que enriquecem os combates e trazem nostalgia;
  • Mundo de Lapis bonito, variado e recompensador de explorar;
  • Grande quantidade de conteúdo e missões secundárias;
  • Visual em pixel art com estilo HD-2D muito bonito;
  • Bom desempenho geral e carregamentos rápidos.

Contras

  • Algumas reviravoltas da história são previsíveis;
  • Reta final com excesso e repetição de batalhas;
  • Ausência do nosso idioma;
  • Quedas pontuais de desempenho em determinadas áreas.
FINAL FANTASY RESONANCE — Switch/Switch 2/PC/PS5/XSX — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Ariel Rodrigues
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
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Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Fire Emblem, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
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