Análise: KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é quase tudo que um fã quer

em 14/10/2026

Eu sei, virou meme. Durante muitos anos, a franquia Kingdom Hearts ganhou versões, coletâneas e relançamentos em praticamente todos os lugar... (por Leandro Alves em 14/10/2026, via Nintendo Blast)

Eu sei, virou meme. Durante muitos anos, a franquia Kingdom Hearts ganhou versões, coletâneas e relançamentos em praticamente todos os lugares possíveis, e é impossível não associar tudo isso à indústria e à vontade de ganhar dinheiro. E, sinceramente, não deixa de ser verdade. Só que, para nós, jogadores da Nintendo, essa história sempre foi um pouco diferente. Durante muito tempo, tivemos acesso nativo a apenas três jogos da franquia: Kingdom Hearts Chain of Memories, Kingdom Hearts Re:Coded e Kingdom Hearts Dream Drop Distance 3D. Depois, finalmente recebemos as coletâneas em versões Cloud, mas, principalmente para quem joga no Brasil, a experiência sempre foi um tanto insatisfatória.


Por isso, ver KINGDOM HEARTS Collection [I~III] rodando de forma nativa no Nintendo Switch 2 tem um significado diferente. Pela primeira vez, temos praticamente toda a saga reunida em um único lugar, sem depender de streaming e com uma quantidade absurda de conteúdo para descobrir. São jogos que marcaram diferentes momentos da franquia e, para quem já conhece Sora, Riku, Kairi e companhia, é também uma oportunidade de revisitar uma história que, por mais confusa que seja, continua tendo um charme difícil de explicar.

Meus amigos são o meu poder

Kingdom Hearts tem uma das histórias mais confusas dos videogames. Não é exagero: durante muito tempo, para entender de fato o que estava acontecendo, era preciso jogar vários títulos espalhados por diferentes consoles e portáteis, muitas vezes em uma ordem que nem sempre correspondia à ordem de lançamento. Hoje isso já não é mais um problema, principalmente graças a esta coletânea.

Mas existe algo curioso em Kingdom Hearts: mesmo sendo uma história extremamente complicada, ela também consegue ser muito bonita e gostosa de acompanhar. São amizades, perdas, reencontros, reviravoltas e personagens que vão conquistando o jogador ao longo da jornada.

Tudo começa em Destiny Islands, onde vivem os três amigos: Sora, Riku e Kairi. Cansados da pequena ilha onde moram e curiosos para conhecer outros mundos, os três decidem construir uma jangada para partir em uma aventura. O problema é que as coisas não saem exatamente como planejado.

A ilha é atacada pelos Heartless, seres das trevas que surgem para roubar os corações, enquanto um misterioso fenômeno separa os três amigos e os lança em mundos diferentes. Sora acaba em Traverse Town, um lugar que acolhe aqueles que perderam seus mundos, e descobre que foi escolhido para empunhar a Keyblade, uma arma diretamente ligada ao conflito entre a luz e as trevas.

Determinado a encontrar Riku e Kairi, Sora começa sua jornada e acaba conhecendo personagens de Final Fantasy, como Leon e Aerith, que ajudam a explicar um pouco mais sobre o mundo em que ele acabou de entrar. É também nesse momento que Donald e Pateta encontram o jovem portador da Keyblade, seguindo uma missão dada pelo Rei Mickey.

A partir daí, os três seguem juntos enfrentando os Heartless e visitando diversos mundos da Disney, cada um inspirado em filmes que fazem parte da memória de várias gerações. Temos Wonderland, Olympus Coliseum, Deep Jungle, Agrabah, Monstro, Atlantica, Halloween Town, Neverland, Hundred Acre Wood, entre tantos outros. E esse é apenas o começo.

Ao longo dos jogos reunidos nesta coletânea, novos mundos, personagens, organizações e conflitos são apresentados. A história cresce de maneira gigantesca e, junto dela, também aumenta a quantidade de coisas que precisamos entender. É confuso? Bastante. Mas talvez essa seja justamente parte da graça de Kingdom Hearts. A coletânea conta com treze títulos apresentados, sendo três deles apenas um vídeo resumo.

Para deixar tudo mais claro, a coletânea reúne as seguintes experiências:

Kingdom Hearts 1.5 + 2.5 ReMIX:
Kingdom Hearts Final Mix
Kingdom Hearts Chain of Memories
Kingdom Hearts II Final Mix
Kingdom Hearts 358/2 Days (vídeo resumo)
Kingdom Hearts Birth by Sleep Final Mix
Kingdom Hearts Re:Coded (vídeo resumo)

Kingdom Hearts 2.8:
Kingdom Hearts Dream Drop Distance HD
Kingdom Hearts χ Back Cover (vídeo resumo)
Kingdom Hearts 0.2 Birth by Sleep – A Fragmentary Passage

Kingdom Hearts III:
Kingdom Hearts III + Re Mind (DLC)

Infelizmente, Kingdom Hearts: Melody of Memory não está incluso na coleção e no momento não é possível comprar na eShop; por isso, caso queira jogar este game, é preciso obtê-lo na versão física.

Melhorias bem-vindas

Faz sentido termos uma coletânea de Kingdom Hearts nos consoles da Nintendo agora, principalmente porque a franquia finalmente chega de forma nativa ao Switch 2. Sabemos que essa não é a primeira vez que esses jogos são reunidos em uma coleção, mas existe uma diferença importante entre a versão que já conhecemos e esta edição para o novo console da Nintendo.

Começando pelo desempenho, Kingdom Hearts III + Re Mind chega a 1080p e varia entre 30 e 60 FPS. As quedas acontecem e são perceptíveis durante a jogatina, principalmente quando há mais elementos e efeitos acontecendo na tela. Kingdom Hearts 0.2 Birth by Sleep – A Fragmentary Passage é ainda mais irregular, variando entre 20 e 60 FPS em 1080p, e aqui as oscilações podem incomodar bastante em alguns momentos.

Os demais jogos apresentaram um resultado muito mais consistente. No modo portátil, temos resolução de até 1080p a 60 FPS, enquanto no modo TV eles chegam a 4K a 60 FPS, mantendo uma experiência muito mais estável. Ainda assim, gostaria de ver uma otimização adicional nesses dois títulos mais pesados, seja por meio de uma atualização ou até mesmo com o uso de tecnologias como VRR para amenizar a percepção das quedas.

Também é importante lembrar que estamos falando de remasters, e não de remakes. Isso fica especialmente evidente ao jogar o primeiro Kingdom Hearts. Mesmo com as melhorias visuais, a estrutura do jogo denuncia sua idade, tanto na jogabilidade quanto na própria forma como a aventura é construída. Em determinados momentos, por exemplo, é necessário estar em um local específico ou cumprir determinadas condições para conseguir avançar, algo que pode causar estranhamento para quem está acostumado com RPGs mais modernos.

Chain of Memories é a exceção mais evidente neste sentido, já que a versão presente na coletânea é baseada no remake lançado originalmente para PlayStation 2, e não simplesmente no jogo de Game Boy Advance.
Remake de Chain of Memories na coletânea, à esquerda, e a versão original para Game Boy Advance, à direita.
Por outro lado, existe uma melhoria que faz uma diferença enorme no Switch 2: os tempos de carregamento. Graças ao armazenamento mais rápido do console, entrar e sair dos mundos acontece de maneira muito mais ágil, deixando a experiência mais confortável e diminuindo bastante aquela sensação de espera entre uma área e outra.

Uma experiência que finalmente faz sentido no Switch 2

Depois de tantos anos vendo Kingdom Hearts chegar em vários consoles, sem um critério bem definido, jogar toda essa quantidade de conteúdo de forma nativa no Switch 2 é uma experiência que eu sinceramente não esperava mais ter. Durante muito tempo, nós, jogadores da Nintendo, ficamos de fora de boa parte da história ou tivemos que recorrer às versões disponíveis na nuvem. Agora, basta colocar o cartão no console ou baixar os jogos e simplesmente jogar toda a coletânea de uma só vez. E isso faz uma diferença enorme.

O Switch 2 é justamente o tipo de console que combina com Kingdom Hearts. Poder começar uma aventura em casa, colocar o console no modo portátil e continuar deitado no sofá, na cama ou em qualquer outro lugar, é uma liberdade que combina muito com uma coleção deste tamanho. Como estamos falando de jogos que podem consumir muitas horas, ter essa possibilidade acaba tornando a experiência ainda mais agradável.
Também gostei muito dos carregamentos rápidos. Pode parecer um detalhe pequeno, mas em uma franquia que nos leva constantemente de um mundo para outro, entrar e sair das áreas rapidamente deixa a experiência muito mais confortável.

É claro que nem tudo é perfeito. Kingdom Hearts III + Re Mind e 0.2 apresentam oscilações na taxa de quadros, e espero que futuras atualizações possam melhorar esse desempenho. Mesmo assim, quando penso na experiência como um todo, finalmente sinto que Kingdom Hearts encontrou um lugar onde deveria estar há muito tempo.

Uma experiência que ainda funciona

Jogar Kingdom Hearts hoje também é uma viagem no tempo. E não digo isso apenas pela nostalgia. Alguns dos jogos presentes aqui carregam claramente as decisões de design de suas respectivas épocas, principalmente o primeiro, que ainda apresenta uma jogabilidade mais simples e uma estrutura que pode causar estranhamento para quem está acostumado com RPGs atuais. Ao mesmo tempo, é interessante perceber como a fórmula foi evoluindo: Kingdom Hearts II deixou os combates muito mais fluidos, Birth by Sleep e Dream Drop Distance trouxeram suas próprias ideias, enquanto Kingdom Hearts III mostra o quanto a série cresceu ao longo dos anos.

Visualmente, essa evolução também fica bastante evidente. Os primeiros jogos receberam melhorias de resolução e apresentação, mas continuam mostrando sua idade. E tudo bem, estamos falando de remasters, não de remakes. A direção de arte, porém, continua funcionando de forma maravilhosa, principalmente na maneira como os mundos da Disney e os personagens da Square Enix foram adaptados para a franquia.

No Switch 2, os jogos mais antigos ficam ainda mais agradáveis graças à imagem mais limpa, enquanto Kingdom Hearts III é naturalmente o maior beneficiado visualmente pelo hardware. Não é uma coletânea que tenta esconder a idade dos jogos, mas consegue preservá-los muito bem e colocá-los em um console atual. E talvez seja justamente isso que mais gosto, acompanhar a evolução de Kingdom Hearts praticamente em sequência. Começamos em um jogo com mais de vinte anos e terminamos percebendo o quanto a franquia mudou durante todo esse tempo, sem perder aquilo que sempre fez dela algo especial.

Vale lembrar que KINGDOM HEARTS HD 1.5 + 2.5 ReMIX também recebeu uma versão nativa para o Nintendo Switch original, deixando de depender exclusivamente da nuvem. Já KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é exclusiva do Switch 2 e reúne ainda mais jogos da franquia em um único pacote, sendo a opção mais completa para quem quer acompanhar a jornada de Sora.

Uma coleção muito esperada

KINGDOM HEARTS Collection [I~III] é uma daquelas coletâneas que representam mais do que simplesmente reunir vários jogos em um único pacote. Para quem joga nos consoles da Nintendo, existe ainda um peso maior: depois de tantos anos com poucos títulos disponíveis de forma nativa, finalmente temos praticamente toda a saga de Kingdom Hearts reunida no Switch 2. A quantidade de conteúdo é enorme, temos jogos importantes da franquia e uma ótima oportunidade tanto para quem nunca conheceu a série quanto para os fãs que querem revisitar essa história.

É claro que existem pontos que poderiam ser melhores, principalmente o desempenho de Kingdom Hearts III + Re Mind e 0.2 Birth by Sleep, além da ausência de Melody of Memory e de suporte ao idioma PT-BR. Ainda assim, a coletânea entrega uma experiência muito completa e consegue preservar o que tornou Kingdom Hearts tão especial ao longo dos anos. É uma franquia confusa, cheia de nomes, versões, organizações e reviravoltas, mas também é uma história sobre amizade, esperança e pessoas que encontram forças umas nas outras. Depois de tantos anos, finalmente poder jogar tudo isso de forma nativa em um console da Nintendo é, para mim, uma felicidade enorme.

Prós

  • Grande quantidade de conteúdo;
  • Quase toda a saga reunida de forma nativa;
  • Boa adaptação ao Switch 2;
  • Carregamentos rápidos;
  • Bom desempenho e qualidade visual.

Contras

  • Oscilações de desempenho em alguns títulos;
  • Ausência de legendas em PT-BR;
  • Ausência de Melody of Memory.
KINGDOM HEARTS Collection [I~III] — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Juliana Alvarenga
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square-Enix
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Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Fire Emblem, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).