Análise: Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é um divertido e imersivo RPG que chega em ótima forma ao Switch 2

Torne-se o lendário Nascen e comande um grupo de peões; agora no console da Nintendo.

em 15/10/2026
Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen
é a versão revista e aprimorada de Dragon’s Dogma 2, título que marcou o retorno da franquia dirigida pelo lendário designer Hideaki Itsuno (Devil May Cry, Power Stone, entre outros). Chegando ao Switch 2 e  às demais plataformas do mercado, temos aqui um RPG envolvente e criativo que merece um lugar na coleção dos fãs do gênero. Dito isso, confira, a seguir, a nossa análise!

Levante, Nascen, e cumpra seu destino

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen se passa em terras mágicas nas quais existem dois grandes reinos: o Vermund e o Battahl. Neste fantástico universo, o personagem criado por você é o Nascen, título dado ao escolhido pelo destino, que não tem só o poder de comandar legiões de seres conhecidos como peões, mas também o dever de proteger o mundo da ameaça do dragão.

Historicamente, dada a sua importância, o Nascen deve governar Vermund, o reino dos humanos, assumindo o posto de Sobran (o equivalente a rei, neste universo). Porém, na prática, não foi o seu caso: devido a interesses políticos e monetários, uma ala da nobreza conspirou para apagar as suas memórias e rotulá-lo como um reles escravo, condenado a trabalhar eternamente em minas afastadas dos grandes centros. 

No entanto, como o destino sempre encontra um caminho quando necessário, a surpreendente aparição de uma medusa na prisão abre caminho para a fuga. Ajudado por uma figura misteriosa, sua missão agora é recuperar o trono que lhe foi usurpado enquanto descobre os mistérios que envolvem o seu passado e também os seus deveres como Nascen. Pronto para a tarefa?

Um RPG que se destaca em vários quesitos

Assim como seu antecessor, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é um RPG de mundo aberto jogado na perspectiva de terceira pessoa. Ao longo de diferentes missões e sidequests oferecidas por vários personagens, controlamos o Nascen em sua busca pelo trono e por respostas sobre seu papel no mundo.

Embora o título não soe tão inovador ou atraente quando resumido assim, há diversos motivos pelos quais esta obra merece ser conferida por fãs do gênero. O primeiro é o sistema de combate em tempo real: como esperado de uma obra dirigida por uma das principais mentes criativas à frente de Devil May Cry, Dragon’s Dogma 2 apresenta mecânicas interessantes e bastante profundidade nesse quesito. Uma prova disso é que há quatro classes principais para o Nascen — Combatente, Arqueiro, Mago e Ladrão — e todas elas são bastante distintas (mas igualmente prazerosas de dominar) em termos de jogabilidade.

Historicamente, é dito que o primeiro Dragon’s Dogma compartilhou parte de seu desenvolvimento com a franquia Monster Hunter — algo frequentemente atribuído ao uso compartilhado do motor MT Framework, da Capcom. Esse traço continua presente nesta segunda entrada da franquia, com criaturas como grifos, ciclopes e outros seres fantásticos frequentemente ocupando a tela de jogo para entregar combates tão cinematográficos quanto repletos de ação.

Assim como na série de caçadas de monstros, derrotar tais oponentes é muito divertido graças à jogabilidade ágil e responsiva. E, como aqui há um sistema de leveling, acumular experiência permite desbloquear novas habilidades para cada classe, abrindo a possibilidade, inclusive, de mesclar skills de diferentes vocações a partir de certo ponto da aventura.

Mas, claro, é impossível falar de Dragon’s Dogma sem citar o grande diferencial da franquia: os carismáticos peões (pawns, no original). Controlados majoritariamente pela inteligência artificial (é possível dar apenas instruções gerais durante as batalhas), eles compõem a party e acompanham o Nascen em todas as suas aventuras, dando apoio em combate e, ocasionalmente, dicas para as missões.

Como cada peão é único e torna-se possível contratar as criações de outros jogadores online (além de personagens especiais desenvolvidos pela Capcom), essencialmente, nenhuma party de Dragon’s Dogma 2 é igual a outra. Isso tanto aumenta consideravelmente o fator replay — já que você provavelmente vai querer experimentar diferentes missões com diferentes formações — quanto torna a aventura “viva”, uma vez que os personagens tomam suas próprias decisões em combate e até interagem entre si.

Particularmente, devo dizer que alguns dos meus momentos favoritos nesta aventura envolveram as reações dos peões às minhas ações e aos acontecimentos pelo mundo. Confesso, foi difícil não abrir um sorriso quando fui elogiado pela minha sensatez financeira ao decidir não comprar nada com um vendedor ambulante. Da mesma forma, pequenos desvios de rota no mundo aberto e paradas para contemplar a paisagem também renderam comentários impagáveis, mas vou me abster de revelar todas as surpresas aqui para não estragar a experiência.

A versão aprimorada e definitiva

Em 2024, na época de seu lançamento original, Dragon’s Dogma 2 foi elogiado, mas também muito criticado em vários pontos. A versão Dark Arisen (que estreia de forma completa no Switch 2, mas está disponível como conteúdo adicional pago em outras plataformas) chega para corrigi-los, configurando-se quase como uma remasterização (ainda que não seja chamada como tal).

Na prática, melhorias e adições de qualidade de vida aproximam o jogo da experiência inicialmente prometida e desejada. Por exemplo, a viagem rápida (que era bastante obtusa no lançamento original) tornou-se mais simples e acessível; há um novo recurso para curar a temida praga do dragão; o armazém passou a comportar até 3.000 itens; e, finalmente, é possível manter até três jogos salvos independentes.

Além disso, foram adicionados o recurso de transmogrificação (permitindo mudar a aparência de armas e armaduras sem alterar seus atributos), mais habilidades e aprimoramentos, mais de uma dezena de masmorras e uma nova região explorável, chamada de Norgan. Em resposta aos pedidos de parte da comunidade, também foram adicionadas criaturas inéditas para diversificar os confrontos, assim como a possibilidade de ter um lobo como companheiro, ajudando o jogador a encontrar e coletar itens.

Somam-se a isso os vários refinamentos no comportamento dos peões e os novos recursos para o criador de personagens, como tatuagens e penteados. E, com esses apontamentos e descrições, temos aqui a versão definitiva de Dragon’s Dogma 2. Caso você ainda não tenha jogado este RPG da Capcom, esta é a oportunidade de conhecê-lo em sua melhor forma. Se não tem experiência com a franquia, fique tranquilo, pois, para entender a narrativa, não precisa de conhecimento prévio dos eventos do jogo anterior.

Até a performance — outro grande ponto de contenda no lançamento original — foi aprimorada em todas as plataformas, garantindo que a versão para Switch 2 fizesse jus ao potencial do hardware da Nintendo. E, falando no console…

Estreando a tecnologia de geração de quadros no Nintendo Switch 2

Se você clicou nesta análise, certamente quer saber como Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen roda no Switch 2. Essa é uma dúvida bastante pertinente, considerando que a obra original ficou famosa por apresentar problemas sérios de performance no PlayStation 5 (e também em computadores mais poderosos que os consoles).

Pois bem, em mais uma demonstração da competência da Capcom, quando o assunto é o novo console da Nintendo — vide os trabalhos feitos em Onimusha: Way of the Sword e Resident Evil Requiem —, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen funciona muito bem no dispositivo híbrido. Tanto no modo TV quanto no portátil, é possível limitar a taxa de quadros a 30 fps ou deixá-la desbloqueada para priorizar a fluidez, sem impactos visuais perceptíveis.

Na minha opinião, a grande estrela do show é a tecnologia de geração de quadros. Quem está acostumado a jogar no PC ou no Steam Deck certamente já ouviu falar dela, e a obra da Capcom é o primeiro lançamento a oferecer suporte oficial ao FSR 3.1 no console da Nintendo (Stellar Blade, ao que tudo indica, será o próximo).

Basicamente, ao ativar o recurso da AMD, quadros artificiais são gerados e inseridos entre os renderizados pelo jogo, aumentando a sensação de fluidez sem comprometer a qualidade. O resultado é muito positivo e, na prática, aproxima a performance dos desejados 60 quadros por segundo, que fazem total diferença na gameplay de um RPG de ação como este.

Assim, sanando todas as dúvidas relacionadas, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen não somente roda no Switch 2, como o faz muito bem e, de quebra, mostra que o FSR 3.1 pode ser um aliado importante na adaptação de jogos mais pesados. Um hipotético port de Grand Theft Auto VI, por exemplo, poderia muito bem se valer do recurso.

No mais, as únicas críticas que tenho a fazer estão relacionadas ao excesso de pop-in (personagens e objetos podem surgir repentinamente à frente do jogador com frequência) e à ausência de dublagem em PT-BR. Por mais que o jogo esteja legendado, seria interessante ver os peões se comunicando em nossa língua (e o excelente trabalho dos dubladores de Onimusha, por exemplo, já mostrou que a Capcom está ciente do potencial do nosso mercado).

Um RPG de grande porte que encontra nova casa no console da Nintendo

Provando mais uma vez que a Capcom tem sido uma parceira de ouro para a Nintendo, Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen chega ao Switch 2 em ótima forma. Com uma série de melhorias implementadas desde a estreia original em outras plataformas, este imersivo RPG encontra sua nova casa no hardware da Big N, mostrando que a tecnologia de geração de quadros pode ser uma aliada importante na adaptação de obras mais exigentes.

No mais, a verdade é que nunca houve momento melhor para assumir o papel de Nascen neste fantástico universo virtual. 

Pronto para recuperar suas memórias e clamar seu trono como Sobran, então?

Prós

  • As mecânicas de combate são divertidas de explorar e dominar, com quatro classes e dezenas de habilidades trazendo variedade e personalidade aos embates;
  • O sistema de peões continua sendo o maior diferencial da franquia, com as interações entre os comandados e o jogador merecendo um destaque à parte;
  • A expansão Dark Arisen, incluída na versão de Switch 2, promove adições de qualidade de vida e de conteúdo que resolvem críticas significativas ao lançamento original;
  • Apresenta ótima performance técnica no console da Nintendo, com destaque para o pioneirismo no uso da geração de quadros com o FSR 3.1;
  • Legendas e menus em PT-BR.

Contras

  • O excesso de pop-in faz com que personagens e objetos surjam com frequência perto do protagonista;
  • A ausência de dublagem em PT-BR representa um retrocesso frente a outros jogos da mesma empresa.
Dragon's Dogma 2: Dark Arisen — PC/PS5/XSX/Switch 2 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Maria Brenda
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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